TH Joias | |
|---|---|
Foto oficial do deputado estadual em 2025 | |
| Deputado estadual do Rio de Janeiro | |
| Período | 5 de julho de 2024 a 3 de setembro de 2025 |
| Antecessor(a) |
|
| Sucessor(a) | Rafael Picciani |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Thiego Raimundo dos Santos Silva |
| Nascimento | 27 de dezembro de 1988 (37 anos) Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil |
| Partido | MDB (2023–2025) Sem partido (2025–presente) |
| Profissão | Designer de joias e político |
Thiego Raimundo dos Santos Silva (Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1988), mais conhecido como TH Joias, é um designer de joias e político brasileiro, acusado de envolvimento com o Comando Vermelho, preso por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na Operação Zargun.
O apelido de Thiego se deve à sua atividade profissional; Thiego vendeu joias para clientes famosos como Neymar, Vinícius Júnior, Ludmilla e MC Poze do Rodo. Sua empresa, TH Joias Ltda. ME, tem inscrição estadual no Rio de Janeiro em 2016 e esteve habilitada para as atividades de "comércio varejista de artigos de joalheria", "comércio atacadista de joias, relógios e bijuterias, inclusive pedras preciosas e semipreciosas lapidadas" e "comércio varejista de outros artigos usados". O perfil da empresa no Instagram possui mais de duzentos mil seguidores.
Candidatou-se a deputado estadual pelo Rio de Janeiro em 2022, tendo recebido 15 105 votos e não conseguindo a eleição. Em 2024, com a morte do deputado Otoni de Paula Pai e a licença de Rafael Picciani para reassumir a Secretaria Estadual de Esporte e Lazer, TH Joias assumiu a vaga para Deputado Estadual pelo MDB. Declarou à Justiça Eleitoral ter ensino fundamental incompleto. Durante o mandato, presidiu a Comissão de Defesa Civil da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), responsável por coordenar ações de prevenção a desastres nas cidades do RJ.
Dentro de sua atividade política, destaca-se um projeto de lei para declarar "o projeto Numanice de Ludmilla como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro".
Em 3 de setembro de 2025, foi preso por tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro. As investigações da PF apontam ainda que Thiego supostamente negociou armas com o Comando Vermelho; a Polícia Federal (PF) encontrou fotos de TH Joias na cama junto a 5 milhões de reais.
TH Joias já foi preso em outra ocasião, quando foi condenado a 14 anos, onze meses e 22 dias de prisão pela Justiça do Rio de Janeiro, em 2022, por tráfico de drogas. TH chegou a cumprir quase dez meses de detenção, entre 2017 e 2018, e só assumiu o cargo de deputado por força de um habeas corpus que lhe permitiu apelar da sentença em liberdade.
No mesmo dia de sua prisão, o MDB anunciou a expulsão de TH Joias do partido. Além disso, o governador Cláudio Castro exonerou Rafael Picciani do governo, para que ele pudesse reassumir seu mandato como deputado estadual. O movimento político foi considerado um aceno para a Alerj, uma vez que evitou decisão dos parlamentares em votar se manteriam ou não a prisão de TH Joias.
Em 8 de setembro de 2025, o Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF2) optou por manter a prisão preventiva de TH Joias, assim o ex-parlamentar segue preso. Nesse mesmo dia, a Polícia Federal divulgou que encontrou mensagens no celular de TH Joias trocadas com Gabriel Dias Oliveira, o "Índio", apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, que denotam "provas de proximidade". Em um áudio encontrado no celular de TH Joias, datado de julho de 2024, Thiego responde a um pedido de Gabriel: "Seu pedido é uma ordem. Eu trabalho pra você." Ao longo das investigações a polícia descobriu que a esposa do traficante, Fernanda Ferreira Castro, foi lotada na Alerj por indicação de TH Joias, assim como Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o "Dudu", relacionado à facção criminosa.
Na semana seguinte, no dia 15 de setembro, o portal Metrópoles divulgou um vídeo de uma câmera de segurança da residência de "Índio", em relação íntima com TH Joias, o que evidencia a ligação deste com a facção criminosa.
Dois meses depois, em 12 de novembro, TH Joias foi indiciado pela PF, junto com mais 17 pessoas, pelo envolvimento ao crime organizado. A conclusão das investigações da Delegacia de Repressão à Entorpecentes (DRE) da PF foi encaminhada ao desembargador Macário Ramos Júdice Neto, da 1ª Seção Especializada do TRF2. Além de TH Joias, foram indiciados criminosos do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP), além de policiais militares, Alessandro Pitombeira Carracena, que ocupou cargos de secretário na prefeitura do Rio e no governo estadual, e Gustavo Steel, delegado da PF, preso por colegas enquanto estava de plantão no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão. Dias antes de ser preso, o delegado publicou uma foto ao lado da companheira, que aparece usando um anel feito por TH Joias. TH Joias teria ainda sido ainda o intermediador de um pedido de Carracena junto ao Comando Vermelho, com o objetivo de recuperar dois carros roubados.
Em 3 de dezembro de 2025, o presidente da Alerj Rodrigo Bacellar foi preso pela PF durante a Operação Unha e Carne, suspeito de fornecer informações sigilosas a TH Joias em setembro deste ano. A PF indica que Rodrigo Bacellar teria instruído TH Joias a apagar provas. No dia 8 de dezembro, a ALERJ revogou a prisão de Bacellar, com 42 votos favoráveis à soltura e 21 contrários.
No dia 16 de dezembro, a PF prendeu o desembargador que relata o caso do TH Joias, Macário Judice Neto. A prisão de Neto fez parte da segunda fase da operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun. No mesmo dia, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a transferência de TH Joias para um presídio federal. As investigações mostraram que o desembargador optara por não transferir TH Joias para um presídio federal, tratamento que destoava dos demais investigados. A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que a esposa do desembargador fora lotada em um cargo comissionado por Rodrigo Bacellar, o que demonstraria o envolvimento dos três nessa organização criminosa.
No dia 27 de fevereiro de 2026, TH Joias, Rodrigo Bacellar e outras três pessoas foram indiciadas pela PF por um suposto vazamento de informações ao Comando Vermelho, no contexto da Operação Zargun. Segundo os investigadores, a divulgação antecipada de informações teria causado obstrução à investigação.
No dia 16 de março de 2026, TH Joias, Rodrigo Bacellar e outras três pessoas foram denunciadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por obstrução de investigação relacionada ao vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho.