Comando Vermelho

Comando Vermelho
Fundação17 de setembro de 1979 (como Falange Vermelha)
Local de fundaçãoPresídio Cândido Mendes, Ilha Grande, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Brasil.
Anos ativo1979–presente
Território(s)majoritariamente no estado do Rio de Janeiro, mas também em todo o território brasileiro e em outros países, como Bolívia, Peru, Venezuela, Paraguai e Colômbia.
Líder(es)Fernandinho Beira-Mar
Marcinho VP
Atividadescrime organizado
AliadosPrimeiro Grupo Catarinense
Bala na Cara
RivaisPrimeiro Comando da Capital
Terceiro Comando Puro
Amigos dos Amigos
Milícias
Tamanho30 000 (en 2023)
Designado como terrorista porEscudo das Américas

Comando Vermelho Rogério Lemgruber (CVRL), mais conhecido como Comando Vermelho (CV), é uma das duas maiores organizações criminosas do Brasil, ao lado do Primeiro Comando da Capital (PCC). Foi criada em 1979 no Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande, Angra dos Reis, Rio de Janeiro.

Segundo informação de 2024 do Atlas da Violência, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Comando Vermelho atua em unidades federativas brasileiras como Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins. A organização criminosa não tem atuação em estados como Rio Grande do Sul e São Paulo, sendo este último dominado territorialmente pelo Primeiro Comando da Capital. No caso do Rio Grande do Sul, a explicação para a ausência do Comando Vermelho deve-se à forte resistência das facções criminosas gaúchas em ceder mercado, mão de obra e território para grupos criminosos de outros estados.

História

O Comando Vermelho descende da Falange Vermelha e foi criado por Rogério Lemgruber e os colegiados, ainda na década de 1970. Uma das primeiras medidas do Comando Vermelho foi a instituição do "caixa comum" da organização, alimentado pelos proventos arrecadados pelas atividades criminosas isoladas, daqueles que estavam em liberdade, o dízimo. O dinheiro assim arrecadado serviria não só para financiar novas tentativas de fuga, mas igualmente para amenizar as duras condições de vida dos presos, reforçando a autoridade e respeito do Comando Vermelho no seio da população carcerária. Com a morte de vários criminosos fundadores da Falange Vermelha, uma nova comissão dirigente é formada na facção. Nesses primeiros meses de 1982, ganha força entre eles a ideia de que o tráfico de drogas é mais seguro e lucrativo.

No início da década de 1990, a facção influenciaria a criação do Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo. Dela surge ainda uma espécie de dissidência, posteriormente reincorporada, o Comando Vermelho Jovem.

Avanço na região Norte

Nos últimos anos se notou um avanço do Comando Vermelho na região Norte do Brasil. Em junho de 2016, ocorre o assassinato de Jorge Rafaat, o conhecido Rei da Fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Após a morte de Rafaat, a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) toma o controle daquela área fronteiriça. O domínio do Primeiro Comando da Capital na fronteira com o Paraguai força o Comando Vermelho a buscar rotas alternativas de tráfico. É nesse contexto que a facção carioca faz alianças com criminosos do Norte do país, sobretudo do Pará e Amazonas. O Comando Vermelho historicamente tinha uma aliança com a facção Família do Norte, que foi rompida em 2019. Com atuação no Norte do país, o Comando Vermelho visa à rota Solimões, em alusão ao rio localizado na Amazônia. Essa rota é abastecida por narcotraficantes colombianos e peruanos com grandes quantidades de cocaína e skunk. Essas drogas, por sua vez, são transportadas até o Pará, onde podem ser levadas para a Europa, ou então para a Região Sudeste do Brasil.

Em dezembro de 2022, Clemilson dos Santos Farias, conhecido como o "Tio Patinhas", foi preso e condenado a 31 anos de reclusão, acusado de ser um dos líderes do Comando Vermelho na Região Norte. Tio Patinhas também teria financiado a fuga de 35 presos do Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM) em maio de 2018. A esposa de Clemilson, Luciane Barbosa, foi apontada como braço financeiro do Comando Vermelho no norte. Luciane era presidente do Instituto Liberdade do Amazonas (ILA), uma ONG que atua em defesa dos direitos humanos e fundamentais de presos. Para a Polícia Civil, o instituto era financiado pelo tráfico de drogas. Luciane esteve por duas vezes no Ministério da Justiça, cumprindo agenda oficial. Consta que também esteve em reuniões no Ministério dos Direitos Humanos. O caso levou a um pedido de abertura de CPI feita pelo senador Eduardo Girão para apurar a infiltração do Comando Vermelho no estado brasileiro.

Apoio da facção nas eleições municipais de 2024

Em 1 de janeiro de 2025, o prefeito reeleito de Santa Quitéria, no Ceará, José Braga Barroso, o Braguinha, foi preso horas antes da posse, por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho, que apoiava o prefeito nas eleições municipais de 2024. Segundo as investigações, Anastácio Paiva Pereira, o “Doze”, natural de Santa Quitéria e foragido no Rio de Janeiro, ordenou as ações de interferência nas eleições de Santa Quitéria em 2020 e em 2024.

Em 1 de julho de 2025, a Justiça Eleitoral anulou o resultado das eleições e cassou o mandato do prefeito reeleito, José Braga Barroso, o Braguinha, e do seu vice, Francisco Gardel Mesquita Ribeiro, por abuso de poder político e econômico e por receberem vantagem indevida do Comando Vermelho.

Narcoterrorismo

O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, designou o Comando Vermelho (CV) como organização terrorista estrangeira em 28 de maio de 2026.

O governo argentino, liderado por Javier Milei, declarou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas. Em 29 de outubro de 2025, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, informou que ambas foram incluídas no Registro de Pessoas e Entidades Ligadas a Atos de Terrorismo (Repet), que reúne grupos e indivíduos considerados uma ameaça à segurança nacional. Devido ao uso de armas de guerra e táticas violentas que ameaçam a segurança pública, o governo estadual do Rio de Janeiro enviou um relatório ao governo dos Estados Unidos pedindo que as facções criminosas sejam classificadas como organizações narcoterroristas. Seguindo o exemplo da Argentina, o governo paraguaio, liderado por Santiago Peña, também declarou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras com o objetivo de endurecer o combate ao crime organizado internacional e ampliar sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.

A organização foi retratada no livro Quatrocentos contra um: Uma história do Comando Vermelho, de William da Silva Lima, um dos responsáveis pela criação do código de conduta em que se baseou a organização do CV, nos anos 1970. Com base no livro, foi produzido o filme 400 contra 1 - Uma História do Crime Organizado, dirigido por Caco Souza e estrelado por Daniel de Oliveira, Daniela Escobar e participação especial de Negra Li. A organização também foi retratada no filme Quase Dois Irmãos, que conta a história da origem da facção. Em 2004, Caco Souza lançou o documentário Senhora Liberdade, baseado na história de William da Silva Lima.

Ver também

Referências

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Bibliografia