Alagoas | |
|---|---|
| Lema: AD BONUM ET PROSPERITATEM (traduzido do latim, significa: "Para o bem e para a prosperidade") | |
| Hino: Hino de Alagoas | |
| Gentílico: alagoano(a) | |
| Localização | |
| • Região | Nordeste |
| • Estados limítrofes | Sergipe, Pernambuco e Bahia |
| • Regiões intermediárias | 2 |
| • Regiões imediatas | 11 |
| • Municípios | 102 |
| Capital e município mais populoso |
Maceió -9.66625 -35.7351 |
| Governo | |
| • Governador(a) | Paulo Dantas (MDB) |
| • Vice-governador(a) | Ronaldo Lessa (PDT) |
| • Deputados federais | 9 |
| • Deputados estaduais | 27 |
| • Senadores | Renan Filho (MDB) Renan Calheiros (MDB) Eudócia Caldas (PSDB) |
| Área | |
| • Área total | 27 848,140 km² (25º) |
| População | |
| • Censo 2022 | 3 127 511 hab. (19º) |
| • Densidade | 112,31 hab./km² (4º) |
| Economia | 2021 |
| • PIB total | 76.266 bilhões (20º) |
| • PIB per capita | 22.662,01 (21º) |
| Indicadores | 2010/2017 |
| • Esperança de vida (2017) | 72,0 anos (23º) |
| • Mortalidade infantil (2015) | 14,45‰ nasc. (5º) |
| • Alfabetização (2016) | 80,6% (27º) |
| • IDH (2024) | 0,746 (26º) – alto |
| Fuso horário | UTC -3 |
| Clima | TropicalAs |
| Cód. ISO 3166-2 | BR-AL |
| Website | https://alagoas.al.gov.br/ |
Alagoas é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado no leste da região Nordeste e tem como limites Pernambuco (N e NO), Sergipe (S), Bahia (SO) e o Oceano Atlântico (L). Seu território é dividido em 102 municípios numa área de 27 848,140 km², sendo ligeiramente menor que a Albânia. Sua capital é a cidade de Maceió e a sede administrativa é o Palácio República dos Palmares. O atual governador é Paulo Dantas (MDB).
Inicialmente, o território alagoano constituía a parte sul da Capitania de Pernambuco, só vindo a conquistar sua autonomia em 1817, como punição imposta por D. João VI aos pernambucanos pela chamada "Revolução Pernambucana", movimento separatista. Sua ocupação decorreu da expansão para o sul da lavoura de cana-de-açúcar da Capitania de Pernambuco, que necessitava de novas áreas de cultivo. Surgiram, assim, Porto Calvo, Alagoas (atual Marechal Deodoro) e Penedo, núcleos que orientaram, por muito tempo, a colonização e a vida econômica e social da região. A invasão holandesa em Pernambuco estendeu-se a Alagoas em 1631. Os invasores foram expulsos em 1645, depois de intensos combates em Porto Calvo, deixando a economia local totalmente desorganizada. A fuga de escravos negros durante a invasão holandesa criou um sério problema de falta de mão de obra nas plantações de cana. Agrupados em aldeamentos denominados quilombos, os negros só foram dominados completamente no final do século XVII, com a destruição do quilombo mais importante, o de Palmares.
Durante o Império, a Confederação do Equador (1824) movimento separatista e republicano, recebeu o apoio de destacadas figuras alagoanas. Na década de 1840, a vida política local foi marcada pelo conflito entre os lisos, conservadores, e os cabeludos, liberais. No início do século XX, o sertão alagoano viveu a experiência pioneira de Delmiro Gouveia, empresário cearense que instalou, em Pedra (atualmente, Delmiro Gouveia), a fábrica de linhas Estrela, que chegou a produzir 200 mil carretéis diários. Delmiro Gouveia foi assassinado em outubro de 1917 em circunstâncias até hoje não esclarecidas, depois de ser pressionado, segundo consta, a vender sua fábrica a firmas concorrentes estrangeiras. Depois de sua morte, suas máquinas teriam sido destruídas e atiradas na cachoeira de Paulo Afonso.
Penúltimo estado brasileiro em área (mais extenso apenas que Sergipe) e 16º em população, é um dos maiores produtores de cana-de-açúcar e coco-da-baía do país e tem na agropecuária a base de sua economia. Terra do sururu, marisco das lagoas que serve de alimento à população do litoral, e da água de coco, Alagoas possui também um dos folclores mais ricos do país. O estado possui um dos menores índice de desenvolvimento humano (IDH) e índice de alfabetização do país, embora tenha se destacando cada vez mais para melhoramento dos índices, como é o caso da mortalidade infantil no estado, saindo do último lugar para o décimo sexto em todo o país, devido a políticas voltadas a saúde dos recém-nascidos no interior de Alagoas.
O latim lacus, "tanque, lago" é a fonte, no acervo vocabular primitivo, do português, espanhol e italiano lago e do francês lac; um seu derivado, o latim lacuna, "fojo, buraco", "falta, carência, omissão", explica o espanhol e italiano laguna. O português "lagoa", coincidente com a variante espanhola lagona e o mirandês llagona, supõe mudança de sufixo, documentada já em 938 num documento de Valencia, sob a grafia lacona, e noutro de 1094, de Sahagún, sob a grafia lagona. Sob a grafia "lagona" (talvez "lagõna"), é documentado no século XIV, tendo alternado com a forma "lago" por longo tempo. Já a prótese (incorporação do artigo "a", formando "alagoa") ocorreu sobretudo a partir de locuções ("na lagoa", "vindo da lagoa") ou por regularização morfológica com os derivados do verbo "alagar" ("alagadiço", "alagado", "alagador", "alagamento" etc.). O dicionário Aurélio registra "alagoa" como uma variação de "lagoa".
A forma "alagoa" aparece nos nomes concorrentes das lagoas Manguaba e Mundaú (aquela, "alagoa do sul", e esta, "alagoa do norte") já no século XVI, quando se fundam, perto, os núcleos de povoamento de Alagoa do Norte e Alagoa do Sul, chamados "as Alagoas", com inclusão dos demais núcleos de povoamento da área.
O sufixo do gentílico é o característico da área gentílica de -ano do Brasil (paraibano, pernambucano, alagoano, sergipano, baiano, goiano, a que viria juntar-se acriano).

Na época da chegada dos europeus ao Brasil, em 1500, o litoral alagoano era habitado pelos indígenas caetés, enquanto o interior era ocupado por etnias como os cariris, aticuns-umãs, xucurus, tingui-botós e carapotós.
A primeira expedição a percorrer o território de Alagoas foi a de Américo Vespúcio, em 1501. O primeiro ponto avistado deve ter sido Barra Grande (atual Maragogi), e, embora não haja referências àquele porto, como a expedição vinha de norte a sul, acredita-se que tenha ocorrido ali o primeiro contato com a terra alagoana. Em 29 de setembro daquele ano, a expedição de Vespúcio denominou o rio São Miguel e, em 4 de outubro, alcançou a foz de um grande rio, batizado como São Francisco, em razão do santo daquele dia. Em 1503, a expedição de Gonçalo Coelho percorreu a costa leste do Brasil.
Sem sombra de dúvida, nas décadas seguintes, os franceses andaram pela costa alagoana, no tráfico do pau-brasil com os nativos dos arredores. Até hoje, o porto do Francês documenta a presença, ali, daquele povo.
Em 1534, com a divisão da América Portuguesa em capitanias hereditárias, o território de Alagoas ficou pertencendo à Capitania da Nova Lusitânia, logo rebatizada para Pernambuco, pertencente a Duarte Coelho.
Em 1556, enquanto regressava para Portugal vindo da Bahia, o navio do bispo dom Pero Fernandes Sardinha defronte da enseada do hoje pontal do Coruripe. Sardinha foi morto e devorado pelos caetés. Perdura a crença popular de que a ira divina secou e esterilizou todo o chão manchado pelo sangue do religioso. Para vingá-lo, Jerônimo de Albuquerque comandou uma expedição guerreira contra os caetés, destruindo-os quase completamente.
A colonização do sul da Capitania de Pernambuco (atual Alagoas) é decorrente da expansão da cultura canavieira pernambucana para o sul e se iniciou a partir de 1560, com o início do mandato do filho do primeiro donatário, Duarte Coelho de Albuquerque, que, nessa época, se dirigiu para o sul, fundando, próxima à foz do Rio São Francisco, a povoação de Penedo. Em 1570, uma nova expedição, liderada pelo alemão Cristóvão Lins, explorou o norte de Alagoas, onde fundou a povoação de Porto Calvo e alguns engenhos, como o Buenos Aires e o Escurial. Em 1591, Diogo Soares da Cunha obteve uma sesmaria e fundou a povoação de Santa Maria Madalena (posteriormente Alagoas e atual Marechal Deodoro).

No começo do século XVII, Penedo, Porto Calvo e Alagoas já eram freguesias, se tornando vilas em 1636, tendo uma economia baseada na cultura do açúcar, com os engenhos sendo os núcleos principais de ocupação da terra.
Em 1630, Alagoas foi atingida pela invasão holandesa e teve povoados, igrejas e engenhos incendiados e saqueados. Os portugueses reagiram duramente. Batidos por sucessivas derrotas, os holandeses já desanimavam, pensando em retirar-se, quando para eles se passa Domingos Fernandes Calabar, de Porto Calvo. Grande conhecedor da região, orientou os holandeses em uma nova expedição a Alagoas. Os invasores aportaram em Barra Grande, de onde passaram a vários pontos, sempre com bom êxito. Em Santa Luzia do Norte, a população, prevenida, ofereceu resistência. Após encarniçada batalha, os holandeses recuaram e retornaram a Recife. Mas, caindo em seu poder o arraial do Bom Jesus, entre Recife e Olinda, obtiveram várias vitórias.
Os principais pontos de resistência contra os holandeses em Alagoas foram as três povoações existentes na região. Por fim, os portugueses retomaram Porto Calvo e aprisionaram Calabar, que morreu enforcado em 1635. Nas lutas contra os neerlandeses, destacou-se o nome do casal indígena Filipe Camarão e Clara Camarão, com ela arregimentando outras mulheres, tomando-lhes a frente.
Por volta de 1641, afirmava um chefe holandês estar quase despovoada a região. João Maurício de Nassau pensou em repovoá-la, mas o projeto não foi adiante. Na época também se produzia fumo em Alagoas, considerado de excelente qualidade o de Barra Grande. Em 1645, a população participou da reação nacionalista, integrando-se na luta sob o comando de Cristóvão Lins, neto e homônimo do primeiro povoador de Porto Calvo. Expulsos os holandeses do território alagoano, em setembro de 1645, prossegue a população em sua luta contra eles, já agora, todavia, em território pernambucano.
No final do século XVI, ocorreu uma revolta de escravizados nos engenhos de açúcar no sul da Capitania de Pernambuco e os revoltosos se refugiaram no interior, na Serra da Barriga, onde fundaram os primeiros quilombos de Palmares.
Com as invasões neerlandesas na região, muitos escravizados da Capitania de Pernambuco fugiram para Palmares e os holandeses mandaram expedições para destruir o quilombo, assim como os portugueses e luso-brasileiros que seguiram, como a de Manuel Lopes (1675) e Fernão Carrilho (1677).
Um dos maiores redutos de escravizados fugidos do Brasil colonial, Palmares ocupava, inicialmente, a vasta área que se estendia, coberta de palmeiras, do cabo de Santo Agostinho ao rio São Francisco. A superfície do quilombo, progressivamente reduzida com o passar do tempo, concentrar-se-ia, em fins do século XVII, na ainda extensa região delimitada pelas vilas de Una e Sirinhaém em Pernambuco e Porto Calvo, Alagoas e Penedo em Alagoas. Os escravizados haviam organizado no reduto um verdadeiro estado, segundo os moldes africanos, com o quilombo constituído de povoações diversas (mocambos), pelo menos 11, governadas por oligarcas, sob a chefia suprema do rei Ganga-Zumba e, a partir de 1678, de seu sobrinho, Zumbi.

Em 1687, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi contratado pelo governador da Capitania de Pernambuco, João da Cunha Souto Maior, para destruir Palmares. Apesar de primeiras tentativas sem sucesso, Palmares foi derrotada em 1694, com o ataque simultâneo de três colunas: de paulistas, lideradas por Velho; de pernambucanos, liderados por Bernardo Vieira de Melo e de alagoanos, liderados por Sebastião Dias. Zumbi escapou e foi localizado, capturado e morto pelas tropas inimigas em 20 de novembro de 1695. Terminava, assim, o quilombo dos Palmares, "o maior protesto ao despotismo que uma raça infeliz traçou à face do mundo", no dizer de Craveiro Costa.
Já então apresentava Alagoas indícios de prosperidade e desenvolvimento, econômica e culturalmente. Sua principal riqueza era o açúcar, também sendo produzidos, em menor escala, mandioca, fumo e milho, também sendo exportados couros, peles e pau-brasil. A Mata Atlântica, com abundância de árvores, fornecia madeiras para a construção de embarcações. Nos conventos de Penedo e de Alagoas, os franciscanos mantinham cursos e publicavam sermões e poesias. Esses fatores justificaram o ato régio de 9 de outubro de 1710, que criava a Comarca de Alagoas, instalada em 1711, com a posse do primeiro ouvidor, José da Cunha Soares. Daí em diante, a organização judiciária restringia o arbítrio feudal dos senhores, e até o dos representantes da metrópole. A comarca desenvolvia-se.

Em 1730, o governador da Capitania de Pernambuco, propondo ao Rei de Portugal a extinção da decadente capitania da Paraíba, assinalava a prosperidade de Alagoas, com seus quase cinquenta engenhos, dez freguesias, e considerável renda para o orçamento real. Ao lado do açúcar, incrementou-se a cultura do algodão, introduzido na região na década de 1770. Em 1778, já eram exportadas para Lisboa amostras de algodão alagoanas. Em Penedo e Porto Calvo, fabricava-se pano ordinário, para uso, sobretudo, de escravos. Em 1754, foi publicada a primeira obra de um alagoano, quando o frei João de Santa Ângela publicou, em Lisboa, seu livro de sermões e poesias. A população crescia, distribuindo-se em várias atividades, e um censo demográfico feito em 1816 por ordem do ouvidor Antônio Ferreira Batalha registrava uma população de 89 589 pessoas.

Em 16 de setembro de 1817, um alvará assinado pelo rei de Portugal, dom João VI, elevou a Comarca de Alagoas à categoria de capitania, com sede na cidade homônima, desmembrando-a de Pernambuco, como retaliação a essa capitania pela sua revolta contra o rei naquele ano, a Revolução Pernambucana. O ouvidor Antônio Batalha teve grande influência na emancipação de Alagoas.
Em 22 de janeiro de 1819, foi instalada a nova capitania, com a posse do primeiro governador, Sebastião Francisco de Melo e Póvoas. Um novo recenseamento daquele ano acusou uma população de 111 973 pessoas em oito vilas.
Em 1822, com a independência do Brasil, a capitania de Alagoas foi transformada em província, sendo governada por presidentes nomeados pelo governo central, sediado no Rio de Janeiro. Nessa época, a província era próspera, tendo uma economia baseada na cana-de-açúcar.
A vida política na província foi afetada por movimentos rebeldes nas vizinhas, sobretudo Pernambuco, como a Confederação do Equador (1824), Cabanada (1832-1835) e a Revolução Praieira (1848). Durante o período regencial, surgiram as rivalidades entre cabeludos (liberais), liderados por Cansanção de Sinimbu, e lisos (conservadores), liderados por Tavares Bastos. Em 17 de agosto de 1831, apareceu o Íris Alagoense, primeiro jornal publicado na província.
Em 1839, a capital de Alagoas foi transferida para a vila de Maceió, devido à sua prosperidade.
Nos últimos anos do Império, o movimento republicano, intensificado pela abolição, traduziu-se nas atividades da imprensa e clubes de propaganda. O mais importante destes foi o Centro Republicano Federalista, também, de certo, o mais antigo; outros foram o Clube Federal Republicano e o Clube Centro Popular Republicano Maceioense, ambos existentes na capital no momento da proclamação. No interior havia igualmente outros clubes de propaganda. O Gutenberg era o órgão de imprensa mais veemente na difusão da ideia republicana.

Em 15 de novembro de 1889, enquanto o alagoano Marechal Deodoro da Fonseca proclamava a República no Rio de Janeiro, em Maceió assumia a presidência o dr. Pedro Ribeiro Moreira, último delegado do governo imperial para a província. No dia 19, quando a notícia chegou a Alagoas, Deodoro designou o irmão, Pedro Paulino da Fonseca, para governar o estado. Foi ele também o primeiro governador eleito após promulgada a primeira constituição estadual, em 12 de junho de 1891.
Os dez primeiros anos de República em Alagoas foram marcados pela instabilidade política, pois diversos governadores assumiram o comando do estado, sejam eleitos ou nomeados pelo governo federal, mas eram quase sempre substituídos e depostos. Formavam-se várias juntas governativas, numa ou noutra oportunidade. Apenas na virada do século XIX para o XX, a situação se estabilizou, com os governos dos irmãos Euclides Malta (1900-1903, 1906-1909, 1909-1912) e Joaquim Paulo Vieira Malta (1903-1906).
Os 12 primeiros anos do século XX foram marcados no estado por lutas partidárias. No entanto, não houve paralisação nas diferentes atividades do estado. Maceió ganhou numerosos prédios públicos, como o palácio do governo, inaugurado em 16 de setembro de 1902, o Teatro Deodoro e o edifício da municipalidade, ainda hoje existentes. Com a atividade pedagógica de Alfredo Rego, procedeu-se à reforma do ensino, atualizando a anterior, ainda dos fins do império, orientada por Manuel Baltasar Pereira Diegues Júnior, criador do Instituto de Professores, posteriormente chamado Pedagogium, iniciativa pioneira na época. Nova remodelação do ensino se fez em 1912-1914, sob a orientação do segundo daqueles educadores. Criou-se o primeiro grupo escolar.

Em 1912, o Partido Democrata conseguiu derrotar a oligarquia da família Malta após de enérgica campanha, em que se registraram ferrenhas lutas de rua, inclusive com a morte do poeta Bráulio Cavalcanti, em praça pública, quando participava de um comício democrata. O governador eleito, Clodoaldo da Fonseca, embora não fosse alagoano, ligava-se ao estado por ser sobrinho de Deodoro da Fonseca e filho de Pedro Paulino, sendo, portanto, parente também do então presidente da República, marechal Hermes da Fonseca.
As lutas contra os Malta envolveram igualmente os grupos do culto afro-brasileiro. Xangôs e candomblés, diziam os jornais da oposição, tinham o governador Malta como estimulador. Entre papéis de orações, de panos com símbolos desenhados de Ogum, de Ifá, de Exu, foram encontrados retratos dos chefes democratas da oposição. O grupo que apoiava o governador era chamado de Leba, por alusão a uma das figuras do orixá dos xangôs. O que valeu de tudo isso é que o acervo apreendido pela polícia se preservou — peças, objetos, insígnias e símbolos do culto, conservados no museu do Instituto Histórico como uma das coleções mais preciosas do culto afro-brasileiro.
No início do século XX, o empresário cearense Delmiro Gouveia criou, no sertão alagoano, uma fábrica têxtil, graças à qual surgiu a povoação de Pedra (atualmente a cidade de Delmiro Gouveia).
Até 1930, o Partido Democrata manteve-se no governo do estado, através dos governadores que sucederam a Clodoaldo, cada um dos quais deu uma contribuição para o progresso do estado. Abriram-se estradas de rodagem em direção ao norte e ao centro alagoano, e posteriormente o trecho de Atalaia e a Palmeira dos Índios, estrada de penetração para o sertão; construíram-se grupos escolares em quase todos os municípios; Maceió renovou-se com a abertura de ruas e avenidas; combateu-se a criminalidade, principalmente com o movimento contra o banditismo, que culminaria, em 1938, com o extermínio do grupo de Lampião e promoveram-se pesquisas petrolíferas. As sucessões políticas praticamente se fizeram sem luta, pois quase sempre predominava o candidato único, vindo do Partido Democrata.

Com a vitória da Revolução de 1930, também sem luta armada no estado, este passou a ser governado por interventores nomeados pelo governo federal (com breve interrupção entre 1935 e 1937) até 1947, quando a redemocratização do país propiciou a promulgação de uma nova constituição para o estado e a volta das eleições. O período em que Alagoas foi governada pelas interventorias foi igualmente fecundo, apesar da falta de continuidade nas administrações, quase sempre de curtos períodos. Nesse período, entre outros fatos marcantes destacaram-se os trabalhos de pesquisa do petróleo; a construção do porto de Maceió, inaugurado em 1940; o incremento das atividades econômicas, sobretudo com a diversificação da produção agrícola e a implantação da indústria leiteira em Jacaré dos Homens, constituindo-se a cooperativa de laticínios para a produção de leite e derivados; o incremento do ensino rural e a ampliação do cooperativismo. Tal desenvolvimento possibilitou que, no período da Segunda Guerra Mundial, Alagoas contribuísse, de maneira efetiva, para o abastecimento de estados vizinhos, sem prejuízo de sua colaboração para o esforço de guerra. Constituiu-se, com a criação da usina Caeté, a primeira cooperativa de plantadores de cana.
As atividades intelectuais também se desenvolveram, não apenas com o Instituto Histórico, mas ainda com a criação da Academia Alagoana de Letras, em 1919, e a formação de centros literários de jovens como a Academia dos Dez Unidos, o Cenáculo Alagoano de Letras e o Grêmio Literário Guimarães Passos. Em 1931, fundou-se a Faculdade de Direito, e em 1954 a Faculdade de Ciências Econômicas. Depois essas duas faculdades, e mais as de odontologia, medicina, engenharia e serviço social uniram-se para formar a Universidade Federal de Alagoas.
As lutas políticas estaduais ganharam força na década de 1950. Quando da tentativa de impeachment do governador Muniz Falcão, em 1957, um tiroteio na Assembleia Legislativa de Alagoas causou a morte do deputado Humberto Mendes, sogro do governador.
Na década de 1960, a economia alagoana começou a se diversificar, com os incentivos da Sudene para a exploração de sal-gema e petróleo. Em 1975, os incentivos do governo federal no programa Proálcool permitiram um avanço da cana em áreas antes impróprias para o cultivo. Ao mesmo, as lutas políticas se mantiveram e o desenvolvimento não beneficiou toda a população.
Em 1979, o ex-governador e então senador Arnon de Melo conseguiu do governo do estado a nomeação de seu filho, Fernando Collor, para a prefeitura de Maceió. Em 1988, um acordo entre Collor, já então governador, e as usinas de açúcar e álcool, principais contribuintes do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços no estado, permitiu que estas reduzissem sua carga tributária. Em 1989, Collor foi eleito presidente do Brasil.
A queda de receita nos anos 1990 agravou a histórica crise social e econômica do estado e gerou um quadro falimentar que levou o governo federal a uma intervenção não oficial em 1997. Depois de nomeado um novo secretário de Fazenda, o governador Divaldo Suruagy se afastou, cedendo o posto ao vice-governador.

Cerca de 86% do território estadual está abaixo de 300 m de altitude e 61% abaixo de 200 m de altitude. Apenas 1% do estado está acima de 600m.
O relevo do estado é constituído de cinco unidades. A primeira é a baixada litorânea, com extensas praias e restingas dominadas por tabuleiros areníticos. A oeste, imediatamente, provém uma faixa de colinas e morros argilosos, com solos espessos e relativamente ricos. No interior do estado, predomina o pediplano, com solos ricos, mas rasos, e topografia levemente ondulada, destacando-se as serras de Mata Grande e Água Branca, no extremo oeste. A encosta meridional do planalto da Borborema, no centro-norte de Alagoas, é a parte mais elevada do estado. As planícies aluviais ao longo dos rios, inclusive o delta e a várzea do baixo São Francisco, possuem solos anualmente renovados por cheias periódicas.

A rede hidrográfica alagoana é constituída por rios que correm diretamente para o oceano, como o Camaragibe, Mundaú, Paraíba do Meio e Coruripe, e pelos rios afluentes e tributários do Rio São Francisco, como o Marituba, Traipu, Ipanema e Capiá. Além disso, a hidrografia é constituída de muitas lagoas, que dão nome ao estado.
A rede hidrográfica do estado é constituída por rios que correm diretamente para o oceano Atlântico (como, por exemplo, o Camaragibe, o Mundaú, o Paraíba do Meio e o Coruripe) e por rios que deságuam no São Francisco (como o Marituba, o Traipu, o Ipanema, o Capiá e o Moxotó).

Dois tipos de cobertura vegetal, em grande medida modificados pela ação do homem, revestiam o território alagoano, a Mata Atlânticae a Caatinga, com uma área de transição entre elas no centro do estado.
Toda a metade oriental do estado possui clima do tipo As, pela classificação de Köppen, quente (médias anuais superiores a 24 °C), com chuvas de outono-inverno relativamente abundantes (mais de 1 400 milímetros). No interior dominam condições semiáridas, clima BSh, caindo a pluviosidade abaixo de 1 000 mm; essa região está incluída no chamado Polígono das Secas. As estações do ano são perfeitamente definidas pela periodicidade das chuvas. O verão tem início em setembro e termina em fevereiro e o "inverno" começa aproximadamente em março, terminando em agosto. A temperatura não sofre grandes oscilações, variando, no litoral, entre 22,5 e 28 °C, e no sertão, entre 17 e 33 °C.
O estado encontra-se com 44,36% de seu território dentro do polígono das secas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
| Crescimento populacional | |||
|---|---|---|---|
| Censo | Pop. | %± | |
| 1872 | 348 009 | ||
| 1890 | 511 440 | 47,0% | |
| 1900 | 649 273 | 26,9% | |
| 1920 | 978 748 | 50,7% | |
| 1940 | 951 300 | −2,8% | |
| 1950 | 1 093 137 | 14,9% | |
| 1960 | 1 271 062 | 16,3% | |
| 1970 | 1 606 174 | 26,4% | |
| 1980 | 2 011 875 | 25,3% | |
| 1991 | 2 512 991 | 24,9% | |
| 2000 | 2 819 172 | 12,2% | |
| 2010 | 3 120 494 | 10,7% | |
| 2022 | 3 127 683 | 0,2% | |
Censos demográficos do IBGE (1872-2022). | |||
Segundo o censo 2022, a população de Alagoas é de 3 127 683 habitantes, dos quais 1 497 419 (47,9%) são homens e 1 630 264 (52,1%) são mulheres. A taxa de urbanização é de 80,57% da população, abaixo da média nacional.
Em 2024, o IDH-M do estado era de 0,746, o que é considerado alto. Apesar de ser o segundo menor índice do Brasil, perdendo apenas para o Maranhão, Alagoas teve o maior crescimento dentre os estados brasileiros em 12 anos, o que é resultado de políticas governamentais de atenção à primeira infância, expansão da rede de saúde e melhora na educação básica. As cidades litorâneas e Zona da Mata do estado apresentam em geral IDH maior que as localizadas no Agreste e no Sertão Alagoano. A capital Maceió possui o maior IDH (0,735), enquanto o menor é de Inhapi (0,484), no Alto Sertão.
Segundo o censo 2022, da população estadual, 1 887 865 (60,36%) se identificaram como pardos, 915 400 (29,27%) se identificaram como brancos, 298 709 (9,55%) se identificaram como pretos, 20 095(0,64%) como indígenas e 5 505 (0,18%) como amarelos.
Os alagoanos são fruto da miscigenação, em diferentes proporções, entre indígenas, portugueses e africanos subsaarianos. De acordo com um estudo genético de 2013, a composição genética média da população de Alagoas é 54,7% europeia, 26,6% africana e 18,7% ameríndia.
Essa unidade federativa brasileira possui 11 comunidades indígenas: cariris-xocós (Porto Real do Colégio), xucurus-cariris (Palmeira dos Índios), jeripancós (Pariconha), dzubucuás (Porto Real do Colégio), kalankós (Água Branca), caruazus (Pariconha), carapotós (São Sebastião), katokinn (Pariconha), koiupankás (Inhapi), tingui-botós (Feira Grande) e uassus (Joaquim Gomes). Segundo a Fundação Palmares, Alagoas possui 71 comunidades quilombolas registradas distribuídas pelo seu território, sendo 70 certificadas e 1 titulada.
Segundo o censo 2022, da população alagoana acima de 10 anos, 1 708 615 (64,16%) se identificaram como católicos, 609 355 (22,88%) como evangélicos, 247 848 (9,31%) como irreligiosos, 17 288 (0,65%) como espíritas, 10 597 (0,40%) como umbandistas e candomblecistas, 61 451 (2,31%) como adeptos de outras religiões, 3 060 (0,11%) como adeptos de tradições indígenas e 5 016 (0,19%) não sabe ou não declarou a sua fé.
Os municípios mais católicos do estado são Monteirópolis (95,61%), Senador Rui Palmeira (93,77%) e Mar Vermelho (92,7%), enquanto os mais evangélicos são Maragogi (42,78%), Porto Calvo (42,22%) e Campestre (41,21%).
O poder executivo é sediado no Palácio República dos Palmares e exercido pelo governador de Alagoas. O atual governador é Paulo Dantas que foi reeleito governador nas eleições gerais de 2022. O poder legislativo é exercido pela Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, que é composta por 27 deputados estaduais.

Região geográfica intermediária é, no Brasil, um agrupamento de regiões geográficas imediatas que são articuladas através da influência de uma ou mais metrópoles, capitais regionais e/ou centros urbanos representativos dentro do conjunto, mediante a análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As regiões geográficas intermediárias foram apresentadas em 2017, com a atualização da divisão regional do Brasil, e correspondem a uma revisão das antigas mesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões. A divisão de 2017 teve o objetivo de abranger as transformações relativas à rede urbana e sua hierarquia ocorridas desde as divisões passadas, devendo ser usada para ações de planejamento e gestão de políticas públicas e para a divulgação de estatísticas e estudos do IBGE. Alagoas está dividida oficialmente em duas regiões geográficas intermediárias: a Região Geográfica Intermediária de Maceió e a Região Geográfica Intermediária de Arapiraca.

Entre os principais produtos agrícolas cultivados no estado, encontram-se o abacaxi, o coco, a cana-de-açúcar, o feijão, o fumo, a mandioca, o algodão,o arroz e o milho. Alagoas é o maior produtor de cana-de-açúcar do Nordeste do Brasil e um dos maiores produtores de açúcar do mundo.
Na pecuária, destacam-se as criações de aves, equinos, bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos. Existem, também, no estado, reservas minerais de sal-gema. Alagoas é o maior produtor de gás natural do Brasil ALGÁS, além do petróleo já mencionado.
Alagoas tinha em 2018 um PIB industrial de R$ 5,9 bilhões, equivalente a 0,4% da indústria nacional e empregando 92.723 trabalhadores na indústria. Os principais setores industriais são: Construção (34,2%), Alimentos (24,9%), Serviços Industriais de Utilidade Pública, como Energia Elétrica e Água (22,6%), Químicos (8,1%) e Bebidas (3,3%). Estes 5 setores concentram 93,1% da indústria do estado.
A atividade industrial tem, como subsetores predominantes, o químico, a produção de açúcar e álcool, de cimento, e o processamento de alimentos. Ultimamente tem crescido bastante a instalação de novas indústrias em Alagoas (em apenas 1 ano chegaram 12). Atualmente, as empresas que se instalam em Alagoas estão em um franco desenvolvimento, caracterizando um estado sólido para investimento na região Nordeste. Em Alagoas é possível observar um aumento da diversidade industrial, embarcações, PVC, etanol de segunda geração, alimentícia, Borracha, plástico e entre outros são responsáveis pelo crescimento industrial alagoano. A participação da indústria da cultura canavieira na economia do estado atinge 45 por cento. As outras atividades que possuem contribuição significativa são o turismo, com 23%, a indústria alimentícia, com 20% e a de química e mineração, com 12%.
Nos últimos anos, Alagoas se destaca por ser um dos estados mais procurados no Brasil pelos turistas, inclusive estrangeiros. O turismo tem crescido nas praias do estado, com a chegada de brasileiros e também de estrangeiros, graças a melhorias no aeroporto de Maceió e na infraestrutura hoteleira. O litoral norte, especialmente Maragogi e Japaratinga, tem recebido nos últimos anos grandes empreendimentos de resorts.
O estado de Alagoas tem uma pauta de exportação bastante concentrada tendo, em 2012, negociado com o exterior, principalmente açúcar in natura (91,45%) e álcool etílico (7,47%).
Segundo os dados de 2018, Alagoas ocupa a oitava posição no ranking dos estados mais violentos do país, já tendo sido o primeiro colocado desse ranking no ano de 2011.
O estado de Alagoas possui 3 410 693 de linhas de telefonia móvel ativas e 244 625 de linhas de telefones fixos. Todas as linhas do estado possuem apenas um código de área que é o 82.

Localizado entre os municípios de Rio Largo e Maceió, o Aeroporto Internacional de Maceió - Zumbi dos Palmares é o principal de Alagoas e porta de entrada para o estado para muitos de seus turistas. Possui capacidade de receber 5 milhões de passageiros anuais.
O Porto de Maceió, localizado entre os bairros de Pajuçara e Jaraguá, é um dos mais movimentados do Nordeste Brasileiro e, em 2025, registrou uma movimentação de cargas de pouco mais de 2,5 milhões de toneladas, sendo os principais produtos exportados a cana-de-açúcar e derivados, minério de cobre e petróleo.
Quando se fala na malha rodoferroviária alagoana, o estado possui poucas estradas de rodagem movimentadas e poucas ferrovias. Todos os municípios alagoanos são acessíveis por estradas pavimentadas. As principais rodovias são a BR-101, que corta o litoral leste brasileiro, e a BR-316, principal via de interligação entre a capital e o interior.
Números divulgados em 2022 pelo IBGE revelaram que, em média, o estado de Alagoas possuí 416 789 automóveis, de um total de 7 801 037 de veículos no Nordeste.
O estado nordestino possui amplos recursos de energia, o que se deve predominantemente ao Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, na divisa com a Bahia, e a Usina Hidrelétrica de Xingó, na divisa com Sergipe.
Os festejos populares alagoanos surgem do contato das tradições europeias, indígenas e africanas. Dentre eles, destacam-se folguedos como o pastoril, guerreiro e reisado e o coco de roda, além do maracatu. Destacam-se também as festas dos padroeiros dos municípios.
O artesanato, em rendas e bordados e palha, é bastante apreciado e encontrado em municípios como Maceió, Marechal Deodoro, Porto Real do Colégio, São Brás e Pão de Açúcar.

A culinária alagoana varia de acordo com o estado. No litoral, há uma grande presença de frutos do mar e leite de coco, com pratos como o sururu. No interior, sobretudo no semiárido, dá-se uma grande ênfase às carnes de bode e carneiro, resultando em pratos como o sarapatel e a buchada. Outros pratos típicos incluem cuscuz de milho, tapioca, arroz-doce, batata-doce, mandioca com carne de sol, pé-de-moleque, mugunzá, canjica e pamonha.
Os maiores escritores nascidos no estado são Graciliano Ramos, autor de obras como “Vidas Secas”, e Jorge de Lima, autor de “O Anjo” e “Poemas Negros”. Dentre os cantores alagoanos, o maior nome é o de Djavan, mas também se destacam Hermeto Pascoal, Kara Veia e Manu Bahtidão.

No litoral norte do estado (Maragogi, Japaratinga, São Miguel dos Milagres, etc.), as praias de areias brancas e águas cristalinas são os principais atrativos turísticos e a região conta com muitos resorts.
Maceió, a capital, se destaca pelas suas praias, como Pajuçara e Ponta Verde, e também por suas piscinas naturais. Nas suas proximidades, encontram-se o centro histórico de Marechal Deodoro, destacando-se pelo seu casario colonial, e a conhecida Praia do Francês. Também são procurados na capital os museus, como o Pierre Chalita, Théo Brandão de Antropologia e Folclore e Museu do Esporte e o Mercado do Artesanato.

Penedo, também uma cidade histórica colonial, nas margens do Rio São Francisco, se localiza próxima à desembocadura desse curso d’água, que também é outro atrativo.
No interior, os grandes destaques estão no Cânion do Xingó, na divisa com Sergipe, nas margens do São Francisco, e em Piranhas.
Alagoas tem atraído cada vez mais turistas, nacionais e internacionais. Nos primeiros cinco meses de 2026, houve um aumento de 105% no número de turistas estrangeiros no estado, em comparação com o mesmo período do ano anterior.