| Tipo | clandestina |
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| História | |
| Fundação | 1.° de novembro de 1986 |
| Extinção | abril de 1987 (circa) |
TVento Levou foi uma estação de televisão clandestina brasileira do Rio de Janeiro, capital do estado homônimo, transmitida no canal 3 e posteriormente no 13 VHF. Foi a segunda emissora pirata a surgir no Brasil, depois da TV Cubo, fazendo parte do movimento que encorajou a operação de emissoras clandestinas entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990 no eixo Rio-São Paulo.
A TVento Levou, assim como a TV Cubo, também tinha alcance limitado na capital carioca, se limitando aos bairros de Copacabana e na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ao todo, o canal contava com 15 funcionários, que nunca foram identificados.

Quase dois meses depois da "inauguração" da TV Cubo em São Paulo, entrava no ar sem aviso prévio a TVento Levou. O nome fazia referência a obra Gone with the Wind. Na noite de 1.° de novembro de 1986, por volta das 20 horas, o sinal da TV Globo Rio de Janeiro sofreu uma invasão com a interferência no áudio do Jornal Nacional, que estava no ar naquele momento. Uma voz feminina convidava o público a sintonizar no canal 3, usando os seguintes dizeres:
Situação de emergência! Sintonize imediatamente no canal 3. Comunicado urgente à nação no canal 3. Não saia de casa agora, chame sua família e vizinhos.
— Voz desconhecida, TVento Levou
Ao sintonizar no canal 3, o público se deparou com uma vinheta em efeitos tridimensionais, que continha a trilha do extinto Repórter Esso, exibido na Rede Tupi e na Record São Paulo entre os anos de 1952 e 1970. Na sequência, ia ao ar uma imagem de uma bandeira pirata com os dizeres "AR LIVRE". Logo depois, foi lido um manifesto em protesto contra a monopolização dos meios de comunicação. O conteúdo, de cunho humorístico, misturava imagens de filmes famosos como Blade Runner, Dr. Fantástico e Mad Max, encerrando com um vídeo do então ministro das comunicações, Antônio Carlos Magalhães, cantando o bolero "Bonequinha linda", de Agnaldo Timóteo, e dedicando a música ao então presidente do Grupo Globo, Roberto Marinho. Marinho apareceu na emissora em um vídeo recebendo o Grammy da televisão em 1983, com um discurso adulterado, criticando o "monopólio" dos veículos de comunicação (sendo também uma possível crítica à líder de audiência). A emissora chegou a receber o apoio de Liszt Vieira, então candidato à deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT), bem como de outros parlamentares do partido.
A TVento Levou voltaria ao ar no dia 24 de dezembro de 1986, na véspera de natal, mas dessa vez no canal 13 VHF, antes ocupado pela TV Rio, que estava fora do ar desde 1977. Para anunciar a sua segunda transmissão, os funcionários anônimos realizaram mais de mil telefonemas para moradores da Zona Sul carioca. Ás 20 horas do mesmo dia, uma voz grave anunciava a abertura das transmissões com os seguintes dizeres:
Atenção! Atenção! No céu da cidade, tremula mais uma vez o pavilhão pirata. Atenção para o top de oito segundos. Para que top? Não temos cadeia nacional, nem regional. Odiamos cadeia, por isso, se pirateia!
— Voz desconhecida, TVento Levou
Com a leitura do segundo manifesto, a emissora exibiu novamente a imagem da bandeira pirata escrita "AR LIVRE" e logo depois, foi ar uma sátira do Roberto Carlos Especial, tratada como especial de natal, com uma música de Roberto Carlos completamente adulterada por uma dublagem. Na sequência, foi ar uma paródia de um depoimento do então presidente da república, José Sarney, trazendo algumas promessas não cumpridas deste. Com o fim da programação, a TVento Levou prometeu voltar em 1987, mas planejando uma nova invasão no sinal da TV Globo, só que mais completa. O Departamento Nacional de Telecomunicações (DENTEL) chegou a ir atrás dos transmissores da TVento Levou, mas sem sucesso, apesar de suspeitas do sinal ter sido gerado em um apartamento da Zona Sul.
A TVento Levou prometeu entrar no ar com uma maratona no período de 15 a 17 de maio de 1987, firmando uma parceria com a TV Cubo. Em um anúncio nos jornais, a emissora fez uma entrevista nas ruas, onde o repórter Careta (não identificado), perguntou aos populares quem eles gostariam de ver congelado, com a maioria das citações sendo feitas ao presidente Sarney. O último registro da emissora foi datado de abril de 1987 e não se sabe se a transmissão conjunta com a Cubo realmente foi ao ar.