Os taimitas ou Banu Taime ibne Murra (em árabe: بنو تيم بن مرة; romaniz.: Banū Taym ibn Murra) foram um clã árabe dos coraixitas, descendente de Taime ibne Murra e estabelecido originalmente em Meca. Entre seus membros mais destacados estiveram Abu Becre, primeiro califa ortodoxo, Talha ibne Ubaide Alá e, no período pré-islâmico, Abedalá ibne Judane, célebre por sua riqueza e generosidade. Na Jailia, participaram das alianças que estruturavam as relações entre os clãs coraixitas, integrando os mutaiabitas e posteriormente os alfudulitas, cuja aliança foi celebrada na casa de Abedalá ibne Judane. Também combateram nas Guerras Sacrílegas ao lado dos demais coraixitas.
Alguns taimitas estiveram entre os primeiros seguidores de Maomé, sobretudo Abu Becre e Talha, e a ascensão do primeiro ao califado conferiu ao clã uma posição de destaque na primeira comunidade muçulmana. Seus membros participaram das disputas políticas posteriores, por vezes em campos opostos: Talha combateu Ali na Batalha do Camelo, enquanto Maomé ibne Abi Becre tornou-se partidário de Ali e seu governador no Egito. Os taimitas adquiriram extensas propriedades agrícolas e, durante os períodos omíada e abássida, exerceram funções administrativas e judiciais em diferentes regiões do califado. Originalmente concentrados em Meca e Medina, dispersaram-se também pelo Iraque, Síria, Egito e Norte da África.
Os taimitas eram um clã dos coraixitas de Meca. Descendiam de Taime ibne Murra, cuja genealogia tradicional é apresentada como Taime ibne Murra ibne Cabe ibne Luai ibne Galibe ibne Fir ibne Maleque ibne Nadre ibne Quinana ibne Cuzaima ibne Mudrica ibne Ilias ibne Modar ibne Nizar ibne Maade ibne Adenane. Taime era, portanto, irmão de Quilabe ibne Murra e Iacaza ibne Murra, pertencendo a uma linhagem que, através de Fir, integrava os coraixitas. A descendência de Taime prosseguiu através de seu filho Sade, do qual se originaram os ramos de Cabe ibne Sade e Harita ibne Sade. As principais figuras conhecidas do clã no período imediatamente anterior ao islã e durante as primeiras décadas da história islâmica pertenciam à linhagem de Anre ibne Cabe ibne Sade ibne Taime. Entre elas estavam Abu Becre, Talha ibne Ubaide Alá e o tio paterno deste, Mamar ibne Otomão. Antes do advento do islã, uma das figuras mais proeminentes do clã era Abedalá ibne Judane, conhecido nas tradições por sua riqueza e generosidade. Segundo uma tradição citada por Lecker, durante sua vida os taimitas eram comparados aos membros de uma única família sustentada por ele. Outros membros da mesma linhagem também eram celebrados pela generosidade, entre eles Anre ibne Cabe ibne Sade e seu filho Otomão ibne Anre, conhecido pelo epíteto Xaribe Adaabe ("bebedor de ouro"). Essa reputação continuou entre alguns taimitas do período islâmico, particularmente Talha ibne Ubaide Alá e seus descendentes.
Na Jailia, os taimitas participaram das alianças que estruturavam as relações políticas entre os diferentes clãs coraixitas. Na disputa pela distribuição dos cargos associados à Caaba, aliaram-se aos abedemanafitas, juntamente com os açaditas, zuraítas e alharititas, contra os abedadaritas. Essa coalizão ficou conhecida como mutaiabitas (al-Muṭayyabūn). Posteriormente, os taimitas participaram também dos alfudulitas, aliança destinada a proteger aqueles que sofressem injustiças em Meca. O pacto foi celebrado na casa do próprio Abedalá ibne Judane, que desempenhou papel central em sua formação. Os taimitas também integraram, ao lado dos aditas, uquelitas, muzainaítas, dabaítas e tauritas, outra aliança conhecida como Hilfe Arribabe. Durante as Guerras Sacrílegas, combateram na quarta e última dessas guerras, a chamada Guerra Sacrílega de Albarrade, ao lado dos demais coraixitas, aliados dos quinanaítas. As forças taimitas eram então comandadas por Abedalá ibne Judane, considerado o principal chefe do clã naquele período.
Diversos taimitas estiveram entre os primeiros habitantes de Meca a aceitar o islã. O mais importante deles foi Abu Becre, neto de Amir ibne Anre ibne Cabe, que posteriormente se tornou o primeiro califa ortodoxo. Também se converteram nos primeiros anos da pregação de Maomé Talha ibne Ubaide Alá, Alharite ibne Calide e sua esposa, Raita binte Alharite; estes últimos participaram da Migração para a Abissínia. Nem todos os membros do clã, contudo, aderiram inicialmente à nova religião. Maleque ibne Ubaide Alá, irmão de Talha, combateu ao lado dos politeístas na Batalha de Badre e morreu durante o confronto, enquanto outros taimitas se converteram posteriormente. A ascensão de Abu Becre conferiu aos taimitas uma posição que excedia o prestígio de que haviam desfrutado anteriormente entre os coraixitas. Durante o califado de Omar, quando foram organizados os registros do divã, o clã de Abu Becre foi colocado depois dos haxemitas e antes dos aditas. Ao mesmo tempo, algumas das principais famílias taimitas acumularam grandes fortunas, em parte provenientes da agricultura. Abu Becre recebeu de Maomé um pomar em Medina que anteriormente pertencera aos nadiritas e desenvolveu a propriedade mediante o plantio de tamareiras. Talha, por sua vez, é apresentado como o primeiro a cultivar trigo em Medina e teria obtido rendimentos consideráveis de suas propriedades na Arábia e no Iraque, utilizando parte de sua riqueza para sustentar membros necessitados do próprio clã.
A posição dos taimitas nas disputas políticas da primeira comunidade muçulmana não foi uniforme. Talha ibne Ubaide Alá, um dos seis membros do conselho designado por Omar para escolher seu sucessor, aliou-se posteriormente a Aixa e combateu as forças de Ali na Batalha do Camelo, na qual morreram ele e seu filho Maomé. Outro membro destacado do clã, Maomé ibne Abi Becre, envolveu-se nas conturbações do califado de Otomão e, durante a Primeira Guerra Civil Islâmica, combateu ao lado de Ali nas batalhas do Camelo e de Sifim. Nomeado por Ali governador do Egito, foi morto em 38 A.H. (658) pelos partidários de Moáuia ibne Abi Sufiane. Apesar da proeminência de algumas dessas figuras, relativamente poucos taimitas exerceram cargos de autoridade durante as primeiras décadas do islã. Um membro do clã serviu como governador de Meca durante o califado de Omar, enquanto Maomé ibne Abi Becre governou o Egito em nome de Ali. Posteriormente, um filho de Talha, primo de Moáuia I, foi encarregado pelo califa da administração do caraje do Coração. A posição política dos taimitas tornou-se mais destacada durante o governo de Abedalá ibne Azobair, que era neto de Abu Becre por parte de mãe. Um neto de Talha administrou então o caraje de Cufa, onde sua família possuía uma grande propriedade; um bisneto de Abedalá ibne Judane serviu a Ibne Azobair como cádi e muezim, enquanto um neto de Mamar ibne Otomão foi nomeado governador de Baçorá e outro governou Pérsis.
Alguns taimitas estiveram ainda envolvidos em revoltas durante o período omíada. Abu Becre ibne Abederramão ibne Abedalá, descendente do califa Abu Becre, promoveu uma revolta em Susa durante o reinado de Maruane II (r. 744–750), mas o movimento foi reprimido. Outro membro do clã, Omar ibne Muça ibne Ubaide Alá, participou da revolta de Ibne Alaxate e foi morto em 83 A.H. (702) pelo governador omíada Alhajaje ibne Iúçufe. Além da atividade política e militar, membros do clã alcançaram destaque no direito e na administração. Entre eles estava Alcácime ibne Maomé ibne Abi Becre, considerado um dos sete célebres juristas de Medina, e seu filho Abederramão ibne Alcácime. Durante os períodos omíada e abássida, numerosos taimitas exerceram a função de cádi em Medina, Meca, Baçorá, Baguedade e no Egito, enquanto outros ocuparam especialmente em Cufa cargos de comando da xurta. Lecker registra igualmente a presença de taimitas como juízes, sobretudo em Medina e Baçorá, e como comandantes da xurta de Cufa durante o período abássida. Embora originários de Meca, os taimitas dispersaram-se por diferentes regiões com a expansão do mundo islâmico. Além de permanecerem em Meca e Medina, estabeleceram-se nas proximidades de Cufa e Baçorá, onde alguns membros do clã haviam adquirido terras produtivas durante o período das primeiras conquistas muçulmanas. Outros grupos migraram para a Síria, o Egito e o Norte da África. No século XI, Ibne Hasme ainda registrava no Egito a presença de taimitas descendentes de Abu Becre.
Azizova, Elnure (2012). «Teym b. Mürre (Benî Teym b. Mürre)». Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 41. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı. pp. 52–53