Os quinanaítas ou Banu Quinana (em árabe: كِنَاَنَة; romaniz.: Kināna) eram uma tribo árabe baseada em torno de Meca na área costeira de Tiama e nas montanhas do Hejaz. Os coraixitas de Meca, a tribo do profeta islâmico Maomé, eram um desdobramento dos quinanaítas. Diversas tribos modernas ao longo do mundo árabe traçam sua linhagem até essa tribo.
Na tradição genealógica árabe, o ancestral epônimo da tribo foi Quinana, que descendia do herói Adenane: Quinana ibne Cuzaima ibne Mudrica ibne Ilias ibne Modar ibne Nizar ibne Maade ibne Adenane. A tribo traçava sua ascendência até Ismael, que, segundo a tradição islâmica, casou-se com uma mulher da tribo iemenita dos jurumitas e se estabeleceu nas proximidades de Meca. Os quinanaítas eram politeístas, com seu culto centrado nos deuses Aluzá, Suá e Sair. Eram responsáveis pela prática do naci, que consistia em ajustar o calendário — inclusive acrescentando um mês quando necessário — para conciliar o ano lunar com o solar. A tradição islâmica sustenta que os quinanaítas e os outros descendentes de Ismael gradualmente se dispersaram pelo norte da Arábia, perdendo sua fé original e caindo na idolatria. Relata-se que o profeta islâmico Maomé teria dito: "Deus escolheu Ismail dentre os filhos de Ibraim, escolheu os quinanaítas dentre os descendentes de Ismail, escolheu os coraixitas dentre os quinanaítas, escolheu os haxemitas dentre coraixitas e, dentre eles, escolheu a mim". Os quinanaítas tradicionalmente viviam na parte do litoral de Tiama próxima a Meca em direção nordeste até as fronteiras do território de seus parentes tribais, os açaditas, descendentes de outro filho de Cuzaima, e nas montanhas do Hejaz. Faziam fronteira ainda com os hudailitas — seus parentes por meio de seu antepassado Mudrica — ao sudoeste da cidade. Havia seis ramos principais da tribo, a saber: os nadritas, maliquitas, milcanitas, amiritas, anritas e Abede Manate. Os nadritas eram a tribo-mãe dos coraixitas, a tribo de Maomé, que eram contabilizados independentemente dos quinanaítas. Os Abede Manate incluíam o subgrupo particularmente forte dos becritas, cujos principais ramos eram os mudlijitas, duilitas, laititas e dameraítas. O subgrupo guifarita pertencia aos dameraítas ou derivava diretamente de Abede Manate. Outro ramo, os Alharite ibne Abede Manate, formava o núcleo do grupo alabixitas, uma coleção de clãs pequenos e, muito provavelmente, não aparentados.
No período pré-islâmico, especialmente os becritas, em conjunto com os cuzaaítas, contribuiu para que o domínio de Meca passasse dos jurumitas aos cuzaaítas. O ancestral dos coraixitas, Fir ibne Maleque, emergiu como líder dos quinanaítas em data desconhecida, em sua vitória contra um ramo dos himiaritas da Arábia do Sul, que pretendiam transferir a Caaba de Meca ao Iêmem a fim de atrair peregrinos para suas terras, e saiu vitoriosa. Seu descendente, Cuçai ibne Quilabe, contou com o apoio dos quinanaítas na conquista da cidade-santuário de Meca; os becritas, em geral, se opuseram a Cuçai. Na batalha travada em Alábeta, muitos morreram. Para resolver o conflito, as partes designaram como árbitro Iamar ibne Aufe Alaiti, que decidiu em favor de Cuçai; assim, os serviços da Caaba e a administração de Meca passaram para os coraixitas. Iamar ficou conhecido pelo epíteto Xada (“o que esmaga”), por ter posto fim à disputa e às vinganças de sangue. As Guerras Sacrílegas foram precipitadas pelo assassinato de um chefe dos quilabitas pelo quinanaíta Albarrade ibne Caice, um homem dos dameraítas exilado por sua tribo, mas protegido pelos duilitas e que mantinha uma relação confederada com o chefe coraixita Harbe ibne Omaia. Os quilabitas e seus parentes tribais hauazinitas avançaram contra os coraixitas em retaliação, e os quinanaítas, incluindo os becritas, apoiaram os coraixitas. Após a morte do chefe becrita Amir ibne Iázide — assassinado por causa do envolvimento na morte de um jovem coraixita — alguns membros dos becritas passaram a nutrir hostilidade contra coraixitas; os costumes tribais não concediam aos jovens o mesmo status que aos chefes. Antes do islamismo, os quinanaítas também faziam parte do grupo dos ḥums, liderado pelos coraixitas, cujos membros se consideravam superiores às demais tribos árabes por descenderem de Ismail, habitarem Meca e servirem à Caaba, adotando privilégios e costumes específicos de caráter religioso e econômico. Quando Abramo, governador axumita do Iêmem, marchou contra Meca para destruir a Caaba, o chefe coraixita, Abede Almotalibe, foi ao seu encontro acompanhado por Iamar ibne Nufaça, líder dos becritas.
Os historiadores islâmicos não registraram as ações dos quinanaítas como uma tribo unificada no tempo de Maomé, embora vários de seus ramos, incluindo os coraixitas, tenham desempenhado papéis centrais na formação e expansão do Islã. Os coraixitas inicialmente se opuseram a Maomé e à sua mensagem monoteísta, mas, devido a tensões anteriores com os becritas, hesitaram em agir contra ele e seus seguidores na Batalha de Badre em 624 sem garantias de segurança por parte dos quinanaítas. O grupo mudlijita prometeu não atacar os coraixitas pela retaguarda, e estes então avançaram contra Maomé, que os derrotou nesse confronto. Ainda assim, posteriormente, os becritas voltaram a apoiar os coraixitas contra Maomé. Durante a Batalha da Trincheira (627), alguns quinanaítas integraram o exército de Abu Sufiane que sitiou Medina. Embora o Tratado de Hudaibia (628) previsse o fim da antiga vendeta entre os becritas e os cuzaaítas e estabelecesse uma paz de dez anos, os primeiros — com apoio dos coraixitas — atacaram os cuzaaítas à noite, matando muitas pessoas, incluindo seu ancião Cabe ibne Anre. Os cuzaaítas, aliados de Maomé, enviaram então uma delegação a Medina solicitando ajuda, e a campanha que Maomé empreendeu em resposta culminou na conquista de Meca (630). No exército de Maomé havia muitos companheiros provenientes dos ramos guifaritas, dameraítas e laititas.
Ibne Sade registra que Uátila ibne Alasca Alaiti chegou a Medina durante os preparativos para a Expedição de Tabuque (630), converteu-se ao Islã e participou da campanha. Segundo a mesma fonte, um grupo pertencente às tribos dos quinanaítas, muzainaítas, hacamitas e caraítas — que vivia nas regiões montanhosas de Tiama e se dedicava ao banditismo — enviou um representante a Maomé; este lhes concedeu um documento de segurança garantindo proteção, desde que se convertessem e cumprissem deveres como a oração e o zacate, assegurando ainda que não seriam responsabilizados por atos passados, nem sofreriam injustiça, e que seus escravos seriam libertados. Sabe-se também que Maomé encarregou Abu Ubaida ibne Aljarrá de recolher tributos das tribos muzainaítas, hudailitas e quinanaítas.
Os quinanaítas foram um dos principais componentes da guarnição tribal árabe de Junde de Filastine (distrito militar da Palestina) após sua conquista pelos muçulmanos na década de 630; os outros componentes principais eram os judamitas, lacmitas, cuzaaítas, catamitas e azeditas. O califa Omar (r. 634–644) nomeou dois quinanaítas, Alcama ibne Mujaziz e Alcama ibne Haquime, como governadores conjuntos da Palestina, com o primeiro baseado em Jerusalém e o segundo provavelmente em Lida, por volta de 638/9; este último permaneceu no cargo até ser substituído por Moáuia ibne Abi Sufiane pelo califa Otomão (r. 644–656). Um membro importante da tribo dos duilitas, Abu Alaçuade Aduali, tornar-se-ia aliado do califa Ali (r. 656–661), primo e genro de Maomé. Além disso, os firacitas (Banu Firas), do ramo maliquita dos quinanaítas, apoiaram Ali contra Moáuia na Batalha de Sifim (657); na mesma batalha, Abedalá ibne Jafar, sobrinho de Ali, comandou contingentes coraixitas, açaditas e quinanaítas. A cantora escrava do califa omíada Iázide II (r. 720–724), Hababa, mencionou a presença dos quinanaítas na Palestina em verso:
Um grupo dos quinanaítas ao meu redor
Na Palestina, montando rapidamente seus corcéis.
Segundo Atabari, por volta do ano 230 A.H. (845), a tribo ainda vivia nos arredores de Meca, mas havia se tornado fraca diante das incursões de tribos mais poderosas. Os quinanaítas e os bailaítas foram atacados pelos soleimitas, que saquearam seus bens e mataram muitos de seus membros; como as forças enviadas sob o comando de Hamade ibne Jarir Atabari não obtiveram sucesso, o califa abássida Aluatique (r. 842–847) enviou Buga, o Velho, que conseguiu neutralizar os soleimitas. Ao longo do tempo, alguns ramos da tribo migraram para regiões como Damieta, Acmim e Hermópolis Magna, no Egito, bem como para a Palestina e áreas da Síria, como Haurã e Sarade. Os emires e detentores de feudos dos quinanaítas no sul da Palestina partiram para o Egito fatímida após a captura da cidade portuária de Ascalão pelos Cruzados em 1153. O vizir fatímida Talai ibne Ruzique reassentou os membros da tribo em Damieta e seus arredores, onde passaram a ser conhecidos como quinanitas (Kinaniyya). Sob o Sultanato Aiúbida, os quinanitas eram contabilizados fiscalmente como tropas de segunda linha, recebendo metade do soldo dos soldados curdos, turcos e turcomenos, mas significativamente mais do que outros auxiliares árabes. Os guerreiros quinanitas lutaram com Cádi Alfadil, um comandante do sultão aiúbida Saladino, contra os cruzados na Batalha de Monte Gisardo perto de Ramla, onde as forças de Saladino foram derrotadas. Eles provavelmente foram utilizados devido à sua familiaridade com a região ao redor de Ramla, no sul da Palestina. Em junho de 1249, as forças navais de Luís IX, com cerca de 700 navios, desembarcaram em Damieta como parte da Sétima Cruzada. A guarnição quinanita da cidade, então conhecida por sua bravura, fugiu ao ver a chegada dos cruzados, juntamente com a guarnição egípcia liderada por Facradim. O sultão aiúbida Sale Aiube consequentemente executou os comandantes dos desertores quinanitas.