Os hauazinitas ou Banu Hauazine (em árabe: بنو هوازن; romaniz.: Banū Hawāzin) foram uma importante confederação tribal árabe dos caicitas, tradicionalmente descendente de Hauazine ibne Mançor e, através de Caice Ailane, vinculada à linhagem de Adenane. Seus territórios ocupavam uma extensa faixa do Hejaz, das proximidades de Meca e Tiama às regiões interiores em direção a Négede, abrangendo áreas em torno de Taife, Hunaine, Nacla e outros vales e serras da região. A ocupação desse espaço era distribuída entre numerosas linhagens, cujas terras frequentemente se sobrepunham ou confinavam com as de outros grupos tribais.
A maior parte de seus principais ramos descendia de Becre ibne Hauazine, entre eles os saditas, munabitas e moauiaítas. Destes últimos procediam os naceritas, juxamitas e, através de Saçaa, grupos como os amiritas e salulitas. Os taquifitas, estabelecidos sobretudo em Taife, eram igualmente associados aos hauazinitas por uma das tradições genealógicas, embora outra lhes atribuísse origem iadita. Durante a Jailia, a confederação desempenhou papel destacado nas disputas tribais da Arábia, envolvendo-se em conflitos com os gatafanitas e outros grupos e participando das Guerras Sacrílegas, nas quais enfrentou os coraixitas e seus aliados.
As relações dos hauazinitas com Maomé alternaram entre vínculos próximos com alguns de seus ramos e confrontos militares com outros. Maomé passou parte da infância entre os saditas, após ser entregue aos cuidados de Halima binte Abi Duaibe, enquanto os amiritas mantiveram em geral boas relações com ele. Após a Conquista de Meca em 630, porém, grande parte dos hauazinitas, aliada aos taquifitas e liderada por Maleque ibne Aufe Anáceri, enfrentou os muçulmanos na Batalha de Hunaine, na qual foi derrotada. A posterior restituição de seus prisioneiros favoreceu a reconciliação e conversão da tribo, e Maleque passou a colaborar com Maomé contra Taife. Os hauazinitas permaneceram integrados ao Estado islâmico após a morte de Maomé e, durante as primeiras conquistas, membros da confederação participaram da expansão muçulmana e figuraram entre os grandes agrupamentos tribais estabelecidos em Cufa.
Os hauazinitas eram um ramo dos caicitas, tradicionalmente considerados descendentes de Hauazine ibne Mançor ibne Icrima ibne Caçafa ibne Caice Ailane ibne Modar ibne Nizar ibne Maade ibne Adenane. A maior parte das principais linhagens atribuídas a Hauazine descendia de seu filho Becre. Entre os filhos deste estavam Sade, Munabi, Moáuia e Zaíde. Dos três primeiros procediam, respectivamente, os saditas, os munabitas e os moauiaítas. Os moauiaítas constituíam uma das linhagens mais ramificadas. Entre os filhos de Moáuia estavam Nácer, Juxame e Saçaa, ancestrais de importantes subdivisões dos hauazinitas. De Nácer e Juxame procediam, respectivamente, os naceritas e os juxamitas, enquanto entre os descendentes de Saçaa estavam os amiritas, através de seu filho Amir, e os salulitas, através de Murra. A posição dos taquifitas na genealogia era objeto de tradições divergentes. Na tradição que os considerava hauazinitas, descendiam de Caci, conhecido como Taquife, filho de Munabi ibne Becre ibne Hauazine, de modo que constituíam uma ramificação dos munabitas. Outra tradição, contudo, atribuía a Taquife origem entre os iaditas, divergência registrada por Ibne Alcalbi, que preserva ambas as genealogias.
Os territórios tradicionalmente associados aos hauazinitas abrangiam uma extensa faixa do Hejaz, entre as proximidades de Meca e as regiões interiores em direção a Négede. Ibne Xaba situa a ocupação da tribo desde o Gaur de Tiama até as proximidades de Uádi Bixa e Barca, incluindo áreas do Sarate, Taife, Dulmajaz, Hunaine e Autas, além das terras adjacentes. Alhamedani oferece uma delimitação complementar ao descrever toda a faixa de Tabala a Nacla como território dos hauazinitas, ocupado por diferentes ramos da confederação. Essa área compreendia ainda o Uádi Quilaque, mencionado no mesmo contexto geográfico. A ocupação desse espaço não era uniforme, e diferentes linhagens dos hauazinitas estavam associadas a áreas particulares. Os saditas estavam estabelecidos sobretudo nas áreas a leste e nordeste de Meca e ao norte e leste de Taife, alcançando os contrafortes ocidentais de Négede. Lugueda, no século IV A.H., descreveu-os como vizinhos dos hudailitas e registrou que, ao contrário destes, que permaneciam em Tiama, os saditas podiam avançar até os contrafortes de Négede; suas águas consistiam sobretudo em pequenas surgências, em vez de grandes mananciais permanentes. Fontes geográficas dos séculos IV–VI A.H., entre elas Albalqui, Alistacri, Ibne Haucal e Alidrissi, registram os saditas, juntamente com os hilálios (do ramo amirita) e grupos hudailitas, entre os principais habitantes das regiões de Meca voltadas para leste. Um de seus principais núcleos situava-se no vale de Nacla. Em Nacla Axamia, Caife Du Alcabre era no século III A.H. um assentamento povoado por saditas, masruítas (um ramo sadita), quinanaítas e outros habitantes, enquanto, em Nacla Iamânia, Azaima possuía uma propriedade fortificada e extensamente irrigada protegida pelos saditas de Aruã. Sua presença é igualmente atestada em Bátene Marre, na confluência das duas Naclas, e a poesia de Abu Uájeza Açadi associa-lhes Alauasse, outro vale nas proximidades dessa confluência, além de Amelá e Arraji.
A ocupação sadita prolongava-se de Nacla pelas serras ao norte e leste de Taife. Albaubate, nas cabeceiras de Nacla Iamânia e junto à antiga rota em direção a Négede, constituía um de seus territórios mais claramente documentados; Lugueda atribuiu-lhes também Carne Albaubate, vale proveniente do Sarate e compartilhado parcialmente com os coraixitas. Nas serras de Taife, os saditas ocupavam Aruã, cuja extensão histórica abrangia uma área consideravelmente maior que a do topônimo moderno e onde suas terras confinavam com as dos hudailitas. Ao norte de Taife encontravam-se a harra de Basse, associada aos saditas pela tradição poética, e Bassiã, definida por Albacri como uma montanha em suas terras. Outra formação vulcânica diretamente vinculada ao grupo era Aljumura, descrita por Ibne Alarabi e por Iacute Alhamaui como a harra dos saditas. Ao sul de Taife, Barate Arraga e Daadi aparecem igualmente associados ao grupo, enquanto ao norte de Meca os saditas são atestados em Badala, onde possuíam uma dar e participaram, ao lado dos samitas, de um combate contra cuzaaítas. Outros territórios saditas estendiam-se para o interior a partir dessas serras. Autas, a nordeste de Meca, aparece associado ao grupo na poesia de Abu Uájeza e em tradições relativas à família de leite de Maomé, que situam parentes de Halima Açadia em Danabe Autas. O Alaquique, identificado com o vale também conhecido como Aquique Uxaira, ao norte de Taife, aparece repetidamente na mesma tradição poética em conexão com os territórios saditas; um de seus afluentes, Quirã, era ocupado no século IV A.H. pelos guaítas, ramo dos saditas. Algarife, no sistema hidrográfico de Turaba, é igualmente definido por Albacri e Alcalil ibne Amade como território dos saditas. A presença do grupo alcançava ainda o Uádi Bixa, região compartilhada por numerosos grupos tribais, e testemunhos preservados por Maomé ibne Habibe incluíam Aslame e Xarura entre seus manāzil.
A região de Turaba constituía também uma das áreas associadas a Ujez Hauazine (em árabe: عُجْز هَوَازِن; romaniz.: ʿUjz Hawāzin; lit. "retaguarda dos hauazinitas"), designação coletiva aplicada a diferentes ramos da confederação. Turaba e Rania eram descritos como dois de seus vales, e uma expedição comandada por Omar encontrou em Turaba grupos de Ujez Hauazine que Albaladuri enumera como juxamitas, naceritas, saditas e taquifitas. A região conectava-se ao sistema de elevações que separava o Hejaz das terras ocidentais de Négede. Nesse setor, Hudã formava uma extensa elevação orientada aproximadamente de sul a norte, ligada ao sul às montanhas das Sarauate e à região de Turaba e dominando ao norte a planície de Raqueba. Nas proximidades de Hudane encontravam-se águas e territórios dos juxamitas, entre eles Taslabe, pertencente especificamente aos insanitas, e Harada, atribuída ao conjunto dos juxamitas; outra de suas águas era Alcala. Juxamitas e naceritas compartilhavam parte desse espaço na transição entre o Hejaz e Négede. Alasmai situava Basse, Bassiã e Raua em terras pertencentes conjuntamente aos dois grupos. Essa atribuição compartilhada sobrepunha-se em parte a tradições que associavam Basse e Bassiã especificamente aos saditas, ilustrando a ausência de limites tribais rígidos na região. Os naceritas possuíam ainda, mais especificamente, as formações de Aljamade e Abraque, além de Atalabute, vale dotado de grandes reservas de água e tradicionalmente associado aos descendentes de Nácer. Mais a oeste, Albaradane era atribuído principalmente aos naceritas, embora uma pequena parcela pertencesse aos uçaimaítas juxamitas, constituindo outro exemplo de possessões contíguas ou compartilhadas entre os dois ramos.
Nas proximidades de Taife, a ocupação nacerita acompanhava ainda importantes vales que desciam das terras altas em direção ao interior. O curso inferior de Bisle pertencia aos naceritas, enquanto o superior era ocupado pelos famitas; em Lia, o curso superior pertencia aos taquifitas e o inferior aos naceritas. Entre os dois vales situava-se Jildane, extensa área plana habitada pelos naceritas, onde se erguia a elevação escura de Buta. Nas terras de Taife encontrava-se também Futuque, aldeia pertencente aos naceritas. A presença desse ramo alcançava ainda Ucaz, onde possuía palmeirais e outras propriedades; segundo Albacri, transmitindo Abu Ubaide, essa posse territorial explica por que os naceritas permaneceram combatendo ao lado dos taquifitas no Dia de Xaribe, durante as Guerras Sacrílegas, mesmo após a retirada dos demais hauazinitas e caicitas. A distribuição dos hauazinitas tampouco implicava fronteiras fixas nas áreas mais próximas de Meca. Nas proximidades de Nacla, do monte Arafate, de Urana, de Bátene Numane, de Rail, de Cabecabe e Albaubate, grupos hauazinitas confinavam com os hudailitas, aos quais algumas das mesmas áreas também eram atribuídas pelas fontes geográficas. Outras localidades próximas a Meca apresentam igualmente ocupação compartilhada ou presença sadita localizada: fontes do século III A.H. atribuem aos saditas e masruítas aldeias em Ruate e Hudaibia, algumas compartilhadas com hudailitas e famitas, enquanto Mauzibe é descrito por Ibne Manzur como um lugar nas proximidades de Meca onde se ajoelhavam os camelos dos saditas e Alasraqui relaciona Jabal Marazim a um homem do mesmo grupo que ali residia. Os taquifitas, outro dos principais ramos atribuídos à confederação, tinham seu principal centro em Taife.

A religião da confederação não era uniforme. Entre os grupos de Ujez Hauazine, os naceritas, juxamitas e saditas figuravam expressamente entre os adoradores de Aluzá, cujo santuário se situava em Nacla. Outros grupos veneravam o ídolo Jiar, cultuado em Ucaz, cujo santuário era administrado por uma família do ramo dos naceritas; grupos hauazinitas vizinhos dos demais devotos de Dulcalaça prestavam-lhe culto em Tabala, enquanto parte da tribo adorava Ucaicir, santuário também frequentado por grupos árabes da Síria. Durante o século VI, os hauazinitas estiveram inicialmente sob a influência do Reino de Quinda. Em meados daquele século, passaram para a esfera de poder dos gatafanitas, chegando a pagar tributo ao seu chefe, Zuair ibne Jadima, dos abecitas. Essa situação perdurou até que Calide ibne Jafar, do ramo dos amiritas, matou Zuair durante a Batalha de Nafrauate, assegurando a independência da confederação. Apesar disso, a hostilidade entre hauazinitas e gatafanitas prosseguiu por longo tempo. Em algumas ocasiões, os confrontos envolveram a maior parte das duas confederações, frequentemente com os hauazinitas aliados aos soleimitas; em outras, restringiram-se a tribos específicas, como os fazaraítas e os juxamitas. Entre estes últimos destacou-se Duraide ibne Acima, chefe, porta-voz, poeta e comandante do grupo, que participou de numerosos combates da Jailia. Ao lado de seu irmão Abedalá, realizou uma incursão contra os gatafanitas em Liuá, da qual regressavam com abundante espólio quando foram alcançados e derrotados após seus adversários reunirem reforços. Abedalá morreu no confronto, e Duraide vingou posteriormente sua morte combatendo os gatafanitas no Dia de Gadir. Em outro conflito, participou da aliança formada pelos juxamitas e pelos soleimitas, que se encontravam sob sua proteção, contra os quinanaítas; Duraide foi então capturado pelos firacitas, ramo dos quinanaítas, mas acabou libertado. Os hauazinitas também sofreram derrotas em guerras travadas contra os abecitas e os dubianitas, dois dos principais ramos dos gatafanitas. Ao lado dos soleimitas, desempenharam papel central nas guerras tribais da Arábia pré-islâmica, sendo considerados uma das "pedras do fogão dos árabes", expressão aplicada às tribos que sustentavam o equilíbrio militar da península.
As disputas territoriais envolviam também diferentes ramos atribuídos à própria confederação. Nas proximidades de Taife, os naceritas entraram em conflito com os taquifitas depois que os alafitas, uma das duas grandes facções taquifitas, reservaram para seus cavalos uma área de pastagem em Jildane, pertencente aos naceritas. Estes, chefiados por Ufaife ibne Aufe, dos iarbuítas, um ramo nacerita, reagiram à ocupação, enquanto os alafitas eram comandados por Maçude ibne Muatibe. Os malequitas, rivais dos alafitas, aproveitaram o conflito para se aliar aos iarbuítas sob a chefia de Jundabe ibne Aufe. A guerra compreendeu sucessivos confrontos, entre eles o Dia de Taife, no qual os alafitas prevaleceram, o Dia de Gamer de Du Quinda, nas proximidades de Nacla, e o Dia de Curuna, nas proximidades de Huluã. O prolongamento das hostilidades levou os malequitas a procurar o auxílio dos daucitas, catamitas e outros grupos, enquanto os alafitas buscaram sem sucesso uma aliança com os ançares de Medina.
Na Jailia, destacaram-se ainda os quatro conflitos conhecidos como Guerras Sacrílegas, nos quais diferentes ramos hauazinitas aparecem como contingentes próprios. Na batalha de Nacla, travada em 584, os juxamitas eram comandados por Acima, pai de Duraide e, como o filho, chefe e poeta do grupo. A Primeira Guerra Sacrílega, travada entre hauazinitas e quinanaítas, teve início em Ucaz quando Badre ibne Maxar, dos guifaritas, proclamou-se o mais nobre dos árabes e desafiou quem reivindicasse posição superior a feri-lo. Amar ibne Mazine, identificado como membro dos damanitas ou, segundo outra tradição, dos naceritas, respondeu ao desafio e o feriu com uma espada, embora o confronto subsequente tenha terminado sem grande escalada. A Segunda Guerra Sacrílega começou depois que jovens quinanaítas importunaram em Ucaz uma mulher dos amiritas. No Dia de Xameta, associado nas tradições a esse segundo conflito, os naceritas constituíam um contingente próprio comandado, segundo Abu Alfaraje Alisfaani, por Atia ibne Afife Anáceri, enquanto os saditas também participaram dos combates; Abu Asma Adaribe, dos naceritas saditas, celebrou em versos a participação de seu povo. A Terceira Guerra Sacrílega decorreu da recusa de um quinanaíta em pagar uma dívida a um nacerita. A Quarta Guerra Sacrílega, a mais violenta das quatro, opôs uma aliança dos coraixitas e quinanaítas aos caicitas e foi desencadeada pelo assassinato do hauazinita Urua Arraal por Albarrade ibne Caice.
No ano do nascimento de Maomé, um grupo dos saditas chegou a Meca em busca de crianças para criação entre os beduínos. Entre eles encontrava-se Halima binte Abi Duaibe, que se tornou ama de leite de Maomé e o levou para viver entre seu povo. O vínculo de Maomé com os saditas por intermédio da amamentação não era isolado: seu tio Hâmeza também teria sido criado por uma família da tribo, e os filhos de Halima passaram a ser considerados irmãos de leite de Maomé. Esses vínculos permaneceriam relevantes nos contatos posteriores entre Maomé e os saditas, particularmente depois da Batalha de Hunaine. Os hauazinitas mantinham também estreita relação com a feira de Ucaz, da qual eram participantes regulares ao lado dos soleimitas e onde diferentes tribos possuíam espaços próprios. Os reis do Reino Lácmida de Hira e do Reino de Quinda enviavam anualmente caravanas à feira com objetivos comerciais e políticos, cabendo aos hauazinitas conduzir em segurança as caravanas de Hira. Em 585, Anumane III (r. 580–602) confiou a proteção de sua caravana a Urua Arraal, do ramo quilabita dos amiritas, cujo assassinato por Albarrade ibne Caice, aliado dos coraixitas, desencadeou a Quarta Guerra Sacrílega. O primeiro confronto da guerra ocorreu no Dia de Nacla, quando coraixitas e quinanaítas, informados da morte de Urua e temendo a vingança dos caicitas, procuraram alcançar o território sagrado de Meca antes de serem interceptados. Os hauazinitas e seus aliados perseguiram-nos e travaram combate em Nacla, mas interromperam a luta quando seus adversários conseguiram refugiar-se no Harame. As hostilidades prosseguiram posteriormente em novos confrontos entre a aliança formada por coraixitas e quinanaítas e os caicitas, entre os quais os hauazinitas constituíam um dos principais contingentes. Embora os caicitas tenham obtido vantagem nas fases iniciais, o último grande confronto terminou favoravelmente aos coraixitas e quinanaítas, após o que as partes chegaram a um acordo. Maomé participou dos combates ainda na juventude, ao lado de seus parentes coraixitas. A paz foi posteriormente restabelecida, e Taife passou ao controle da facção taquifita dos alafitas, subordinada politicamente a Meca. A rivalidade entre hauazinitas e coraixitas, contudo, persistiu e deu origem a outros confrontos, sendo alimentada, entre outros fatores, pela competição comercial entre Meca e Taife, cujos taquifitas integravam a confederação hauazinita ou mantinham estreita aliança com ela.
Após o Tratado de Hudaibia, as relações entre Maomé e parte dos hauazinitas permaneceram tensas. Alguns dos ramos nômades da confederação violavam as disposições relativas à segurança das estradas estabelecidas pelo acordo e realizavam ataques contra caravanas, levando Maomé a enviar sucessivas expedições contra eles. Em Xabã de 6 A.H. (dezembro de 627–janeiro de 628), após receber a informação de que os saditas se preparavam em Fadaque para auxiliar os judeus de Caibar contra os muçulmanos, Maomé enviou uma força de cem homens sob o comando de Ali ibne Abi Talibe; a expedição regressou sem combate, mas com parte dos rebanhos capturados. Em Xabã de 7 A.H. (dezembro de 628–janeiro de 629), chegou-lhe a notícia de que juxamitas, naceritas, saditas e taquifitas, pertencentes ao conjunto de Ujez Hauazine, haviam se reunido para atacar os muçulmanos. Omar foi enviado contra eles à frente de trinta cavaleiros, acompanhado por um guia hilálio conhecedor da região. Marchando durante a noite e ocultando-se durante o dia, a força alcançou Ablá, no extremo meridional do vale de Turaba, onde os grupos se haviam concentrado. Informados da aproximação dos muçulmanos, estes dispersaram-se antes de sua chegada, deixando para trás rebanhos que foram tomados como espólio. No caminho de volta, ao alcançarem Jader, o guia propôs atacar os catamitas, que haviam migrado para o local devido à seca em suas terras, mas Omar recusou por ter recebido ordens para agir somente contra os grupos que preparavam o ataque aos muçulmanos. Outra expedição foi posteriormente comandada por Abu Becre e, em Rabi Alaual de 8 A.H. (julho de 629), Xujá ibne Uabe Alaçadi conduziu 24 homens contra os amiritas que se encontravam em Assi, área de pastagem situada entre Meca e Medina. A força realizou um ataque de surpresa, capturando camelos, ovelhas e alguns prisioneiros. Em geral, contudo, Maomé manteve boas relações com os amiritas, enquanto um pequeno grupo dos saditas ligado à família de Halima havia abraçado precocemente o islão, sem que isso implicasse a conversão do conjunto da tribo; outros saditas viriam a combater contra os muçulmanos em Hunaine, ao passo que alguns de seus parentes tribais já se encontravam entre os partidários de Maomé.
Entre os juxamitas, Rifaa ibne Caice, homem de prestígio no grupo, chegou a Algaba acompanhado por numerosos membros de sua tribo e, segundo a tradição transmitida por Ibne Isaque, pretendia mobilizar os caicitas contra Maomé. Este enviou Abedalá ibne Abi Hadrade e outros dois homens para obter informações sobre o grupo. Na subsequente Expedição de Algaba, os três aproximaram-se do acampamento juxamita ao anoitecer; quando Rifaa se afastou sozinho à procura de um pastor que demorava a regressar, Abedalá emboscou-o e matou-o. Os expedicionários avançaram então sobre o acampamento, cujos ocupantes fugiram, abandonando camelos e ovelhas que foram capturados e levados a Medina. Dois meses depois, diante da concentração militar que precedeu Hunaine, Maomé enviou novamente Abedalá para infiltrar-se entre os adversários e obter informações sobre seus preparativos; cumprida a missão, ele retornou e comunicou o que havia apurado. A antiga hostilidade entre hauazinitas e coraixitas, alimentada em parte pela rivalidade comercial, passou também a atingir Maomé em razão de sua origem coraixita e da expansão do islão. Quando os hauazinitas souberam que Maomé partira de Medina à frente de um grande exército, ainda sem conhecer o objetivo da mobilização muçulmana, consideraram a possibilidade de serem eles próprios o alvo e começaram a reunir suas forças. Após a Conquista de Meca, concentraram-se em Autas sob a liderança de Maleque ibne Aufe Anáceri, dos iarbuítas, ramo dos naceritas, que se aliou aos taquifitas e, apesar da oposição de guerreiros mais experientes, ordenou que os combatentes levassem consigo suas mulheres, crianças, rebanhos e outros bens, na expectativa de que sua presença os desencorajasse de fugir do combate. Segundo Ibne Isaque, aderiram à mobilização os naceritas, juxamitas, saditas, taquifitas e um pequeno contingente de hilálios, enquanto outros ramos hauazinitas permaneceram de fora. Enquanto ainda organizava os assuntos de Meca, Maomé foi informado da concentração das forças inimigas. Cerca de dois mil mecanos juntaram-se então ao exército muçulmano, que alcançou doze mil homens. Maomé deixou Atabe ibne Acide e Muade ibne Jabal na administração de Meca e marchou em 6 de Xaual de 8 A.H. (27 de janeiro de 630) contra os hauazinitas e seus aliados.
Entre os juxamitas que participaram da mobilização encontrava-se Duraide ibne Acima, então com mais de cem anos e cego, que foi levado pelos hauazinitas como conselheiro militar. Ao saber que Maleque havia ordenado que mulheres, crianças e propriedades acompanhassem os combatentes, Duraide contestou a decisão e recomendou que fossem mantidas em segurança e que apenas os guerreiros enfrentassem o inimigo, mas Maleque recusou-se a alterar seus planos. Na Batalha de Hunaine, Maleque dispôs parte de seus homens em emboscada no vale de Hunaine. Surpreendidos durante a passagem, os muçulmanos inicialmente recuaram, mas reagruparam-se após os apelos de Maomé, retomaram a ofensiva e derrotaram os hauazinitas. Os vencidos dispersaram-se em diferentes direções: o maior contingente, acompanhado por Maleque, refugiou-se em Taife, enquanto outros grupos seguiram para Autas e Nacla. Maomé enviou forças em perseguição aos grupos dispersos e dirigiu-se posteriormente contra Taife. Os hauazinitas concentrados em Autas foram novamente derrotados, enquanto os que haviam seguido para Nacla refugiaram-se nas montanhas. Durante as operações contra o contingente de Autas, Duraide e seus homens foram alcançados pelas forças muçulmanas; o chefe juxamita foi morto por Rebia ibne Rufai, dos soleimitas, e seus seguidores, dispersados. Os muçulmanos capturaram grande número de prisioneiros e abundante espólio, que Maomé ordenou reunir em Aljirana, nas proximidades de Meca, antes de marchar para o Cerco de Taife.
Após levantar o cerco, Maomé retornou a Aljirana, onde haviam sido reunidos os prisioneiros e o espólio capturados dos hauazinitas. Segundo Önkal, adiou inicialmente sua distribuição na expectativa de que a tribo comparecesse para abraçar o islão e reclamá-los, mas, diante da demora da delegação hauazinita e da insistência de parte do exército pela partilha, separou-se o quinto destinado ao tesouro e o restante foi distribuído entre os combatentes. Quando finalmente chegou, uma delegação hauazinita de catorze homens anunciou a conversão da tribo e solicitou a restituição dos prisioneiros e bens. Entre seus representantes encontrava-se o sadita Zuair ibne Surade, chefe e porta-voz da delegação, que invocou os vínculos de parentesco de leite estabelecidos entre Maomé e os saditas durante sua infância, lembrando que entre os cativos se encontravam mulheres que haviam sido suas tias e amas de leite. Também havia sido capturada Xaima, filha de Halima e irmã de leite de Maomé, que se identificou perante ele, abraçou o islão e recebeu presentes antes de retornar para junto de seu povo. Ao mesmo argumento recorreu Abu Taruane ibne Abede Aluzá, sadita apresentado como tio de leite de Maomé, ao pedir a libertação dos prisioneiros. As tradições divergem, contudo, sobre a iniciativa da negociação: uma atribui a Xaima o pedido pela libertação dos demais cativos, enquanto outras apresentam a delegação hauazinita como responsável pela solicitação.
Maomé permitiu aos hauazinitas escolher entre a restituição de seus bens e a de suas mulheres e crianças, e eles optaram pelos cativos. Maomé anunciou então a libertação daqueles que pertenciam a ele e aos almotalibitas, levando a maior parte dos demais muçulmanos a fazer o mesmo; os que se recusaram a entregar gratuitamente seus cativos foram compensados com seis quotas por prisioneiro no primeiro espólio obtido posteriormente. Algumas tradições afirmam, contudo, que também lhes foram restituídos 24 mil camelos, 40 mil ovelhas e quatro mil uqias de prata. Segundo a Encyclopaedia of Islam, os hauazinitas ainda efetuaram um pagamento denominado siqdya, provavelmente relacionado à restituição das mulheres e crianças capturadas. Maomé havia preservado separadamente a família e os bens de Maleque e mandou informar ao chefe hauazinita, então refugiado em Taife, que os restituiria e lhe concederia cem camelos caso abraçasse o islão. Maleque aceitou a proposta, converteu-se e recebeu o que lhe fora prometido. Maomé nomeou-o então amil dos hauazinitas e dos tumalaítas, salimaítas e famitas, estabelecidos nas proximidades de Taife. Maleque passou a realizar ataques contra os taquifitas e outros grupos ainda não submetidos, e a pressão exercida por ele contribuiu posteriormente para a decisão dos taquifitas de enviar sua própria delegação a Medina e abraçar o islão em 9 A.H. Em 11 A.H. (632), Maleque é registrado à frente de Ujez Hauazine, abrangendo juxamitas, naceritas, taquifitas e saditas.
A integração dos diferentes ramos não ocorreu, contudo, necessariamente no mesmo momento. Entre os saditas, as tradições preservam a missão de Dimame ibne Talaba, dos biaditas, enviado por seu povo como representante a Maomé em Medina. Dimame interrogou-o acerca das prescrições do islão e, depois de aceitá-las, regressou a seu povo para transmitir-lhe a nova religião. Segundo a tradição atribuída a Abedalá ibne Abas, começou por condenar o culto a Alate e Aluzá e, ao final daquele mesmo dia, todos os homens e mulheres de seu acampamento haviam aderido ao islão. A cronologia do episódio é incerta: Aluaquidi situava a delegação em 5 A.H., enquanto Ibne Hixame, seguindo Abu Ubaide, a colocava em 9 A.H., data posteriormente considerada mais provável por Ibne Hajar Alascalani. Outra tradição registra entre os integrantes de uma delegação sadita Atia Açadi, então ainda jovem, que também figura nas notícias sobre os cativos de Hunaine entre aqueles cuja liberdade foi restituída por Maomé. Entre os salulitas, Carada ibne Nufata teria comparecido perante Maomé acompanhado por outros membros da tribo; segundo a tradição, eles abraçaram o islão e Carada foi designado chefe do grupo. Outro salulita, Nabique ibne Cuçai, teria solicitado a Maomé que o nomeasse chefe, enquanto Abu Mariame Maleque ibne Rebia Açaluli é mencionado entre aqueles que lhe prestaram juramento de fidelidade em Hudaibia.
Após a morte de Maomé, os hauazinitas inicialmente procuraram negociar sua relação com o novo governo. Dez dias depois da morte do profeta, membros da tribo chegaram a Medina e propuseram continuar realizando as orações e firmar a paz desde que fossem dispensados do pagamento da zacate, condição rejeitada por Abu Becre. Durante as Guerras da Apostasia, os hauazinitas permaneceram indecisos quanto à revolta de Tulaia ibne Cuailide, embora se recusassem a pagar a zacate. Após Calide ibne Alualide derrotar Tulaia e Uiaina ibne Hisne na Batalha de Buzaca, os hauazinitas, juntamente com os soleimitas e outras tribos, submeteram-se a Abu Becre, comprometendo-se a crer em Deus e em seu mensageiro, realizar as orações e pagar a zacate. Segundo Watt, a relativa moderação da atitude hauazinita durante a crise provavelmente refletiu a política conciliatória adotada por Maomé após Hunaine. Maleque permaneceu como amil de seu povo durante o califado de Abu Becre. Sob Omar (r. 634–644), Bixer ibne Ácime foi nomeado coletor da zacate entre os hauazinitas, mas demorou a assumir a função por temer a responsabilidade religiosa associada ao exercício de um cargo público. No mesmo período, os hauazinitas constituíram, juntamente com os tamimitas, um dos sete grandes agrupamentos tribais estabelecidos em Cufa, enquanto Maleque participou da Batalha de Cadésia e da conquista muçulmana da Síria, estabelecendo-se posteriormente em Damasco.
As conquistas muçulmanas foram acompanhadas pela dispersão de diferentes ramos hauazinitas para além de seus antigos territórios na Arábia. Grupos salulitas estabeleceram-se em Cufa, onde são documentados desde o período de Moáuia I (r. 661–680), e outros fixaram-se em Moçul e no Alandalus; neste último, alguns parecem ter sido incorporados aos amiritas. Os naceritas também participaram desses movimentos migratórios e são documentados particularmente no Egito. Durante o Período Abássida, famílias naceritas, juntamente com grupos amiritas, hauazinitas e soleimitas, migraram para a região situada entre o mar Vermelho e o rio Nilo; no reinado de Almançor (r. 754–775), o conjunto desses grupos teria alcançado cerca de cinco mil pessoas. A presença nacerita no Egito encontra paralelo nas tradições genealógicas, que registram descendentes de Juail, do ramo damanita, estabelecidos no país. Entre os saditas, alguns ramos alcançaram igualmente regiões distantes: os judiítas estabeleceram-se em Elvira, no Alandalus, onde continuavam a ser identificados como ramo sadita no século V A.H.