| Batalha de Hunaine | |||
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| Data | 11 de Xaual de 8 A.H. (1.º de fevereiro de 630) | ||
| Local | Hunaine, Arábia | ||
| Desfecho | Vitória muçulmana | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
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A Batalha de Hunaine ou Gázua de Hunaine (em árabe: غَزْوَة حُنَيْن; romaniz.: Ghazwat Ḥunayn), também conhecida como Campanha de Hunaine, foi um confronto travado em 11 de Xaual de 8 A.H. (1.º de fevereiro de 630) entre os muçulmanos liderados por Maomé e a confederação formada pelos hauazinitas e taquifitas, comandada por Maleque ibne Aufe Anáceri, no vale de Hunaine, entre Meca e Taife. O combate ocorreu poucas semanas após a Conquista de Meca e representou a principal tentativa das tribos do Hejaz de conter a rápida expansão do Estado islâmico. Após a conquista de Meca, os hauazinitas e seus aliados reuniram suas forças em Autas, levando consigo suas famílias, rebanhos e bens por decisão de Maleque ibne Aufe, que pretendia impedir qualquer retirada de seus guerreiros. Informado da mobilização inimiga, Maomé marchou de Meca com cerca de doze mil combatentes.
Ao penetrarem nas gargantas estreitas do vale de Hunaine, os muçulmanos foram surpreendidos por uma emboscada que provocou a dispersão inicial de grande parte do exército. Reorganizadas as fileiras em torno de Maomé, porém, os muçulmanos retomaram a ofensiva e infligiram uma derrota decisiva à confederação, que se dispersou entre Taife, Autas e Nacla. A vitória foi seguida pelo Cerco de Taife, pela perseguição aos contingentes derrotados e pela captura de um vasto espólio, composto por milhares de prisioneiros, camelos, ovinos e grandes quantidades de prata. Posteriormente, uma delegação dos hauazinitas aceitou o islã e obteve de Maomé a restituição da maior parte dos cativos. Mencionada nominalmente na sura at-Tawba, a batalha consolidou a supremacia muçulmana no Hejaz e marcou o colapso da última grande coalizão tribal que procurou resistir militarmente à autoridade de Maomé após a conquista de Meca.
A Conquista de Meca, em Ramadã de 8 A.H. (630), alterou profundamente o equilíbrio político do Hejaz. Entre os principais adversários remanescentes dos muçulmanos encontrava-se a confederação dos hauazinitas, cuja rivalidade com os coraixitas remontava ao período pré-islâmico e era alimentada, em parte, pela competição comercial entre ambos. Em razão de sua vinculação aos coraixitas, Maomé e o islã também passaram a ser alvo dessa hostilidade. Alguns grupos hauazinitas, sobretudo tribos nômades, chegaram a violar as cláusulas de segurança estabelecidas pelo Tratado de Hudaibia, levando Maomé a enviar pequenas sárias contra eles. Em vez de reduzir as tensões, essas expedições contribuíram para aprofundar o antagonismo entre as duas partes. Quando Maomé iniciou os preparativos para marchar sobre Meca, os hauazinitas ainda ignoravam seu verdadeiro objetivo. Segundo a tradição, até mesmo Abu Becre desconhecia o destino da expedição, ao que Aixa respondeu que o exército poderia dirigir-se contra os soleimitas, os hauazinitas ou os taquifitas, evidenciando que essas tribos eram consideradas os adversários mais prováveis do nascente Estado islâmico. Ao tomarem conhecimento da saída do exército de Medina, os hauazinitas concluíram que seriam o alvo da campanha e iniciaram seus próprios preparativos militares.
A situação tornou-se mais tensa após a conquista de Meca, quando Maomé ordenou a destruição do ídolo Aluzá, situado em Nacla. Temendo que Alate, principal divindade cultuada em Taife, tivesse o mesmo destino, os taquifitas uniram-se aos grupos hauazinitas mobilizados para o confronto. Segundo Ibne Isaque, o comando da coalizão foi assumido pelo jovem Maleque ibne Aufe Anáceri, dos naceritas, ao qual se reuniram os naceritas e os juxamitas em sua totalidade, os saditas e um pequeno contingente de hilálios, além dos taquifitas. Outros ramos hauazinitas não participaram da campanha: os cabitas e os quilabitas, ambos pertencentes aos amiritas, permaneceram ausentes, e nenhum de seus homens de destaque tomou parte no combate. As forças reunidas concentraram-se em Autas, onde Maleque estabeleceu seu acampamento e, apesar da oposição de guerreiros mais experientes, ordenou que seus combatentes levassem consigo as mulheres, as crianças, os rebanhos e os demais bens da tribo. Sua intenção era impedir qualquer possibilidade de retirada, obrigando os homens a lutar para proteger suas famílias e seus bens mais valiosos.
Enquanto isso, o serviço de informações de Maomé acompanhava os movimentos da coalizão. Seu espião, Abedalá ibne Abi Hadrade, foi enviado para averiguar as intenções dos grupos mobilizados e confirmou a concentração das forças hauazinitas e taquifitas sob o comando de Maleque. Diante dessas notícias, Maomé decidiu agir imediatamente. Cerca de dezessete dias após a conquista de Meca, em 6 de Xaual de 8 A.H. (27 de janeiro de 630), partiu da cidade à frente de um exército de cerca de doze mil homens para enfrentar a coalizão antes que ela pudesse tomar a iniciativa. Dos doze mil homens que compunham o exército muçulmano, cerca de dez mil haviam acompanhado Maomé desde Medina durante a campanha de conquista de Meca, enquanto os dois mil restantes eram mequenses recém-incorporados às suas fileiras, movidos tanto pela expectativa de participar do espólio quanto pela antiga rivalidade com os hauazinitas. Para equipar essa força, Maomé tomou emprestados cem cotas de malha, armamentos correspondentes e cinquenta mil dirrãs de Safuane ibne Omaia, que ainda não havia abraçado o islã, mas gozava de um período de garantia concedido após a conquista de Meca. Também obteve trezentas lanças de Naufal ibne Alharite, além de quarenta mil dirrãs de Abedalá ibne Abi Rebia e igual quantia de Huaitibe ibne Abede Aluzá, comprometendo-se a restituir todos os bens após a campanha. Além dos combatentes, acompanhavam o exército algumas mulheres, entre elas Ume Umara, Ume Alharite e Ume Solaime, que prestavam auxílio aos feridos e desempenhavam outras funções de apoio durante a expedição.

O exército muçulmano alcançou o vale de Hunaine durante a noite de 10 para 11 de Xaual de 8 A.H. (1.º de fevereiro de 630). Ao amanhecer, Maomé ordenou o avanço da coluna, precedida pela vanguarda de cerca de cem cavaleiros dos soleimitas sob o comando de Calide ibne Alualide. Os hauazinitas, porém, haviam chegado antes ao vale e ocultado suas forças nas passagens estreitas do terreno, preparando uma emboscada. Quando a vanguarda muçulmana penetrou nas gargantas de Hunaine, foi surpreendida por uma intensa saraivada de flechas lançada pelos hauazinitas. A escuridão das primeiras horas da manhã dificultava a identificação das posições inimigas, enquanto o terreno acidentado e os animais assustados provocaram a desorganização da coluna. O recuo da vanguarda rapidamente transformou-se numa retirada desordenada de grande parte do exército. Segundo as fontes islâmicas, ao lado de Maomé permaneceram apenas alguns muajiritas, ançares e membros de sua família.
A tradição relata que, diante da retirada, alguns mequenses recém-submetidos manifestaram satisfação com o aparente revés sofrido pelos muçulmanos. O Alcorão relaciona esse momento de crise ao excesso de confiança inspirado pelo grande efetivo do exército, recordando que a superioridade numérica não lhes trouxe qualquer vantagem quando o combate começou. Enquanto conclamava seus homens a regressarem ao campo de batalha, Maomé teria bradado: "Ó homens! Para onde ides? Vinde a mim! Eu sou o Mensageiro de Deus! Eu sou Maomé, filho de Abedalá!". Como poucos conseguiam ouvir sua voz em meio à confusão, seu tio Alabás ibne Abede Almotalibe, conhecido pela voz potente, repetiu o chamado, conseguindo reunir novamente os combatentes dispersos. Com o retorno gradual dos homens ao campo de batalha, os muçulmanos reorganizaram suas fileiras e lançaram um contra-ataque que rompeu a formação da coalizão hauazinita-taquifita. A tradição islâmica atribui a reviravolta ao reagrupamento do exército em torno de Maomé e ao auxílio divino. Essa interpretação aparece na sura at-Tawba, que apresenta Hunaine como exemplo de que a superioridade numérica não assegurava a vitória e afirma que Deus fez descer Sua tranquilidade sobre o profeta e os fiéis e enviou "exércitos que não víeis" contra os descrentes.
Os números de mortos transmitidos pelas fontes variam consideravelmente. Algumas tradições atribuem aos muçulmanos cerca de duzentos mortos e à coalizão adversária aproximadamente trezentos, entre eles o veterano poeta e guerreiro Duraide ibne Acima. A Encyclopaedia of Islam, contudo, observa que os relatos mais antigos mencionam perdas muçulmanas muito menores, de cerca de doze mortos. Esses mesmos relatos registram, em contraste, um número extremamente elevado de prisioneiros e de animais capturados, indicando que, após o reagrupamento muçulmano, a resistência adversária desmoronou rapidamente. Durante o confronto, Maomé proibiu expressamente a morte de mulheres, crianças, servos e escravos. As tradições relatam que manifestou pesar ao encontrar uma mulher morta no campo de batalha e reiterou a proibição de atacar aqueles que não participavam diretamente dos combates.
Após a derrota, as forças hauazinitas dispersaram-se em diferentes direções. A maior parte de seus combatentes, acompanhando Maleque ibne Aufe, refugiou-se em Taife, enquanto outro contingente retirou-se para Autas e um terceiro grupo dirigiu-se para Nacla. No dia seguinte à batalha, Maomé dividiu suas forças: marchou pessoalmente contra Taife e enviou destacamentos para perseguir os grupos que haviam fugido para Autas e Nacla. O contingente enviado a Nacla interrompeu a perseguição quando os fugitivos se dispersaram pelas montanhas. Já a força destacada para Autas, sob o comando de Abu Amir Alaxari, derrotou os hauazinitas ali reunidos, embora seu comandante tenha morrido durante o combate. O comando passou então para Abu Muça Alaxari, que conduziu os prisioneiros e o espólio até Aljirana, conforme as instruções de Maomé. Enquanto isso, Maomé cercou Taife, onde se haviam refugiado Maleque ibne Aufe e o principal contingente inimigo. O cerco prolongou-se por cerca de um mês, mas foi abandonado com a aproximação dos meses sagrados e em razão da resistência da cidade. O exército muçulmano retornou então a Aljirana, onde haviam sido reunidos os prisioneiros e os bens capturados durante a campanha. Segundo as fontes, o espólio compreendia cerca de seis mil mulheres e crianças feitas prisioneiras, mais de vinte e quatro mil camelos, quarenta mil ovinos e quatro mil onças de prata. Após a separação do quinto, os bens foram distribuídos entre os combatentes, cabendo uma parcela especialmente generosa aos integrantes dos mu'allafa al-qulub, cuja fidelidade ao islã Maomé procurava consolidar.
Após o retorno de Maomé a Aljirana, uma delegação hauazinita de catorze homens apresentou-se diante dele, já professando o islã, para solicitar a restituição dos prisioneiros e dos bens capturados em Hunaine. Entre seus representantes saditas encontrava-se Zuair ibne Surade, chefe e porta-voz da delegação, que invocou diante de Maomé os vínculos estabelecidos durante sua infância entre os saditas, afirmando que entre os cativos se encontravam mulheres que haviam exercido as funções de tias e amas do profeta. Outro membro sadita da delegação, Abu Taruane ibne Abede Aluzá, apresentado como tio de leite de Maomé, recorreu ao mesmo vínculo ao pedir a libertação dos prisioneiros. Maomé declarou que os hauazinitas deveriam optar entre a devolução dos prisioneiros e a restituição dos bens, tendo a delegação preferido recuperar as mulheres e as crianças. Em seguida, o profeta solicitou aos muçulmanos que renunciassem à parte que lhes cabia nos cativos. A maioria aceitou imediatamente, enquanto os que hesitavam foram convencidos pela promessa de receber, em futuras campanhas, seis partes de espólio por cada prisioneiro devolvido. Entre os cativos encontrava-se Xaima binte Alharite, filha de Halima Açadia e irmã de leite de Maomé. Ao ser conduzida à presença dele, identificou-se como sua irmã de leite e, depois de ser reconhecida, foi tratada com consideração, recebeu presentes e pôde escolher entre permanecer junto dele ou regressar ao seu povo, optando pelo retorno. Maleque ibne Aufe, que ainda se encontrava em Taife, recebeu a promessa de que sua família e seus bens lhe seriam restituídos e de que receberia cem camelos caso aceitasse o islã. Apresentou-se posteriormente a Maomé, converteu-se e foi nomeado amil de sua tribo e de grupos vizinhos. A vitória em Hunaine e a subsequente submissão dos grupos hauazinitas que haviam participado da campanha ampliaram a autoridade de Maomé no Hejaz após a conquista de Meca.