Dubianitas

Os dubianitas ou Banu Dubiane (em árabe: بنو ذبيان; romaniz.: Banū Dhubyān) foram uma tribo adenanita pertencente aos gatafanitas, descendente de Dubiane ibne Baguide ibne Raite ibne Gatafane. Constituíram um dos principais ramos dos gatafanitas e dividiram-se em três grandes clãs: os fazaraítas, os murraítas e os talabaítas. Inicialmente estabeleceram-se na região situada entre Temá e Haurã e, na época de Maomé, ocupavam principalmente Arrabada e Xaraba, ao nordeste de Iatrebe.

Durante o período pré-islâmico, os dubianitas participaram de alguns dos mais célebres episódios dos Dias Árabes, destacando-se a Guerra de Dais e Algabra, travada contra os abecitas e prolongada por cerca de quarenta anos. O conflito inspirou parte da produção de poetas como Anabiga Adubiani e Antara ibne Xadade, enquanto Alharite ibne Aufe Almurri e Harame ibne Sinane Almurri tornaram-se célebres por sua atuação na reconciliação entre as duas tribos. Após a paz, os dubianitas uniram-se aos demais ramos dos gatafanitas e derrotaram as tribos de hauazinitas e soleimitas.

A tribo aderiu gradualmente ao islão durante a vida de Maomé, mas parte de seus clãs participou das Guerras da Apostasia após sua morte, recusando-se inicialmente a pagar o zacate e apoiando a rebelião liderada por Uiaina ibne Hisne. Derrotados por Abu Becre e posteriormente por Calide ibne Alualide, os dubianitas voltaram a integrar a comunidade muçulmana e participaram das conquistas do Iraque e da Síria durante o califado de Omar (r. 634–644). Alguns de seus membros estabeleceram-se posteriormente em Baçorá, Cufa, Egito e, após a conquista islâmica da Península Ibérica, também em Sevilha.

Genealogia

Os dubianitas eram uma tribo adenanita pertencente aos gatafanitas. Segundo a tradição genealógica árabe, descendiam de Dubiane ibne Baguide ibne Raite ibne Gatafane ibne Sade ibne Caice Ailane ibne Modar ibne Nizar ibne Maade, cuja linhagem remontava a Adenane. Baguide teve ainda outros três filhos — Anemar, Amir e Abece — dos quais descendiam tribos consideradas irmãs dos dubianitas. A descendência de Dubiane prosseguiu por meio de seus filhos Fazara e Sade. De Fazara originaram-se os fazaraítas, enquanto de Sade descendiam os murraítas e os talabaítas, formando os três principais ramos históricos da tribo. Entre eles, os fazaraítas destacaram-se como o grupo mais numeroso e influente, exercendo papel de grande relevância durante os primeiros séculos da história islâmica. Além dos dubianitas pertencentes aos gatafanitas, as fontes genealógicas árabes registram outros grupos denominados dubianitas entre os azeditas, bajilaítas, balitas, rebiaítas e hamedanitas. Esses clãs não possuíam relação de descendência com os dubianitas dos gatafanitas, compartilhando apenas o mesmo nome tribal.

História

Os dubianitas estabeleceram-se inicialmente na região compreendida entre Temá e Haurã. À época do surgimento do islão, ocupavam principalmente a região de Arrabada e Xaraba, situada cerca de 175 quilômetros a nordeste de Iatrebe. Durante o período pré-islâmico, tornaram-se protagonistas de alguns dos mais célebres episódios dos Dias Árabes, sobretudo da Guerra de Dais e Algabra. O conflito teve início após uma disputa envolvendo uma corrida de cavalos pertencentes a Hudaifa ibne Badre, um dos chefes dos dubianitas, e Caice ibne Zuair, dos abecitas, quando membros dos dubianitas favoreceram injustamente seu próprio competidor. A guerra, inicialmente travada entre dubianitas e abecitas, ampliou-se com a participação de outras tribos e prolongou-se por aproximadamente quarenta anos, tornando-se um dos conflitos mais famosos da Arábia pré-islâmica. A guerra exerceu profunda influência sobre a literatura árabe antiga. Constituiu um dos principais temas da poesia de Anabiga Adubiani e de Antara ibne Xadade, ao passo que Alharite ibne Aufe Almurri e Harame ibne Sinane Almurri foram frequentemente elogiados por Zuair ibne Abi Sulma por seu papel decisivo na negociação da paz entre dubianitas e abecitas. Após o encerramento da guerra, os dubianitas passaram a atuar em conjunto com os demais ramos dos gatafanitas e derrotaram seus poderosos vizinhos meridionais, os hauazinitas e os soleimitas. Após a Conquista de Meca, os talabaítas enviaram uma delegação a Maomé em 8 A.H. (630), sendo seguidos, no ano seguinte, pelos fazaraítas e murraítas, que anunciaram sua conversão ao islão. As delegações dos fazaraítas e murraítas solicitaram ao profeta que rogasse pelo fim da seca que assolava suas terras, e a tradição relata que a chuva começou a cair após sua oração. A delegação dos murraítas era chefiada por Alharite ibne Aufe, já convertido ao islão, e recebeu presentes de Maomé, que também enviou um membro dos ançares para instruir a tribo nos ensinamentos da nova religião. Pouco depois, o emissário enviado por Maomé foi morto por integrantes dos talabaítas. O episódio causou grande pesar ao profeta, e Alharite ibne Aufe remeteu setenta camelos a Medina como pagamento da diya, entregues aos herdeiros da vítima. No mesmo ano, segundo a tradição, Maomé enviou Abedalá ibne Lutebia Alazedi aos dubianitas na qualidade de coletor do zacate.

Após a morte de Maomé, os ramos fazaraíta, murraíta e talabaíta dos dubianitas recusaram-se a pagar o zacate e, juntamente com os abecitas e os quinanaítas, tentaram atacar Medina sob a liderança de Uiaina ibne Hisne. Em Jamada Alula de 11 H (agosto de 632), o califa Abu Becre (r. 632–634) marchou contra os rebeldes à frente de uma força de cem cavaleiros medinenses e derrotou-os em Du Alcaça. Como os dubianitas e os abecitas passaram a matar membros de suas próprias tribos que permaneciam fiéis ao islão e a atacar comunidades muçulmanas da região, Abu Becre organizou uma nova expedição, derrotando os dubianitas em Abraque Arrabada, a leste de Medina. Após a vitória, destinou Abraque Arrabada como pastagem para os cavalos do exército muçulmano e transformou o restante de Arrabada em pastagem pública. Depois dessas derrotas, os dubianitas e os abecitas reuniram novamente suas forças sob o comando de Uiaina ibne Hisne e aderiram ao movimento liderado pelo autoproclamado profeta Tulaia ibne Cuailide. Em 27 de Jamada Alarrira de 11 A.H. (19 de setembro de 632), o exército muçulmano comandado por Calide ibne Alualide derrotou definitivamente os rebeldes na Batalha de Buzaca. Os integrantes dos dubianitas foram então submetidos à autoridade do califado e, com exceção daqueles que haviam participado da morte de muçulmanos, receberam perdão e voltaram a professar o islão. Durante o califado de Omar (r. 634–644), numerosos dubianitas participaram das conquistas do Iraque e da Síria. Alguns estabeleceram-se em Baçorá, Cufa e Egito, enquanto famílias pertencentes aos murraítas migraram posteriormente para Sevilha após a conquista islâmica da Península Ibérica. Entre os membros mais conhecidos da tribo destacam-se Junaide Almurri, governador do Coração e de Sinde, Muslim ibne Uqueba, comandante durante a Batalha de Harra, Otomão ibne Haiane Almurri, governador de Medina no período omíada, seu filho Ria ibne Otomão Almurri, que igualmente governou a cidade, e o poeta Anabiga Adubiani. Alguns descendentes do ramo de Iarbu ibne Gaiz ibne Murra ibne Aufe ibne Sade ainda habitavam o Hejaz e Tiama.

Referências

  1. 1 2 3 Azizova 2013, p. 527.

Bibliografia