Alabixitas

Os alabixitas (em árabe: الأحابيش; romaniz.: al-Aḥābīsh) eram uma confederação de tribos árabes que habitavam as proximidades de Meca e mantinham uma antiga aliança com os coraixitas. No período pré-islâmico, combateram ao lado deles nas Guerras Sacrílegas e, após o surgimento do Islã, participaram das batalhas de Uude e da Batalha da Trincheira contra Maomé. Embora tenham se oposto aos coraixitas durante os acontecimentos que conduziram ao Tratado de Hudaibia, permaneceram seus aliados até a Conquista de Meca, em 630, após a qual se converteram ao Islã.

História

O termo al-Aḥābīsh (em árabe: الأحابيش) corresponde ao plural de uhbūsh ou uhbūsha, palavra árabe que designa um grupo de pessoas pertencentes a diferentes povos. A denominação era aplicada a várias tribos que habitavam as regiões ao norte e ao sul de Meca, entre elas os descendentes de Alharite ibne Abede Manate dos quinanaítas, adalitas, dixitas, duilitas e caritas dos descendentes de Haune ibne Cuzaima, além dos mustaliquitas e haiaítas dos cuzaaítas. Segundo uma tradição, essas tribos teriam recebido a designação de alabixitas porque celebraram sua aliança com os coraixitas nas proximidades do monte Hubexi, perto de Meca. Jauade Ali propôs outra explicação para a origem do nome. Segundo ele, a denominação poderia ter sido aplicada aos quinanaítas que habitavam Tiama e que, muito antes do surgimento do Islã, haviam reconhecido a autoridade dos abissínios, bem como aos seus descendentes, cuja pele teria se tornado mais escura em consequência de casamentos com mulheres abissínias, e aos aliados desses grupos. Henri Lammens, por sua vez, sustentou que os coraixitas teriam formado um exército composto por soldados abissínios para proteger suas caravanas e empregá-los em guerras e que seus integrantes teriam sido denominados alabixitas. Essa interpretação, contudo, não é aceita nos meios acadêmicos.

A aliança dos alabixitas com os coraixitas remontava aos períodos de Cuçai ibne Quilabe, Abede Manafe ibne Cuçai e Almotalibe ibne Abede Manafe e continuou depois do surgimento do Islã. No período pré-islâmico, os alabixitas combateram ao lado dos coraixitas nas Guerras Sacrílegas, travadas entre os coraixitas e os Caice Ailane. Posteriormente, permaneceram ao lado dos coraixitas durante o boicote imposto aos haxemitas em razão da proteção que estes concediam a Maomé. Os alabixitas levavam uma vida predominantemente beduína nas proximidades de Meca. Segundo Mehmet Ali Kapar, não são corretas as interpretações que lhes atribuem papel de importância excepcional nas guerras travadas pelos coraixitas contra Maomé. Assim como outras tribos que auxiliavam os coraixitas, combateram ao seu lado em troca de diferentes promessas. Na Batalha de Uude, participaram com cerca de dois mil homens. Após a batalha, seu chefe, Hulais ibne Dibane, condenou energicamente as indignidades praticadas pelos coraixitas contra os muçulmanos mortos no campo de batalha. Os alabixitas também participaram da Batalha da Trincheira como aliados dos coraixitas.

Apesar dessa aliança, os alabixitas ocasionalmente se opuseram aos coraixitas. Quando Maomé se dirigiu com seus companheiros a Meca para realizar a unra no ano 6 A.H. (628), consideraram injustificada a decisão dos coraixitas de impedir a entrada dos muçulmanos na cidade. Os alabixitas declararam que romperiam sua aliança caso os muçulmanos fossem impedidos de realizar a unra e não se chegasse a um acordo. Durante as negociações em Hudaibia, seu chefe, Alhuaice ibne Alcama, impediu uma tentativa de matar Quiraxe ibne Omaia, enviado de Maomé aos coraixitas. Ao final do Tratado de Hudaibia, as tribos árabes receberam liberdade para escolher entre se aliar aos coraixitas ou aos muçulmanos, e os alabixitas optaram por permanecer ao lado dos primeiros. Assim como seus aliados coraixitas, converteram-se ao Islã depois da Conquista de Meca, no ano 8 A.H. (630). Continuaram a viver nas regiões próximas de Meca até o Período Omíada.

Referências

  1. 1 2 Kapar 1994, p. 496.
  2. ↑ Kapar 1994, pp. 496–497.
  3. ↑ Kapar 1994, p. 497.

Bibliografia