Os mudlijitas ou Banu Mudlije (em árabe: بنو مدلج; romaniz.: Banū Mudlij) foram uma tribo árabe, aparentada com os quinanaítas.
Os mudlijitas pertenciam ao ramo dos Abede Manate, que estavam ligados à tribo dos quinanaítas. Seu ancestral epônimo, Mudlije, descende do herói Adenane através de Murra ibne Abede Manate ibne Quinana ibne Cuzaima. Eram vizinhos dos dameraítas, muzainaítas e juainaítas e no começo do século VII, no contexto do surgimento do islamismo, habitavam os arredores de Iambo Anal, a oeste de Medina. Durante a Jailia, eram conhecidos por sua experiência em seguir rastros, inferir informações sobre pessoas a partir de pegadas (ʿiyāfa) e deduzir linhagem, caráter e qualidades morais com base em características físicas (quiafa); diz-se, por exemplo, que certo Mujaziz ibne Auar, ao observar os pés de Uçama, deduziu que era filho de Zaíde, o que teria agradado Maomé. Nesse mesmo período, os mudlijitas faziam parte das tribos privilegiadas religiosa e economicamente, graças a sua aliança com os coraixitas, os mustaliquitas, os cuzaaítas e os dameraítas. Segundo uma tradição, o costume de considerar pecaminoso o uso de certas camelas (Bahīra) teria sido iniciado pelos mudlijitas. Por sua vez, Almubarrade transmitiu um relato segundo o qual o poder de alterar a ordem dos meses sagrados estava nas mãos deles, embora se saiba que essa prerrogativa pertencia aos fucaimitas, outro ramo dos quinanaítas. No tempo da Hégira, o chefe dos mudlijitas, Suraca ibne Maleque, perseguiu Maomé para obter a recompensa prometida pelos mecanos, mas diz-se que seu cavalo tropeçou e ele foi lançado ao chão. Por conta do episódio, teria compreendido o favor divino a Maomé, se desculpou e pediu um salvo-conduto para uso futuro. Em meados de 2 A.H. (final de 623), Maomé perseguiu uma caravana coraixita até Date Aluxaira, no território dos mudlijitas, onde foi recebido com hospitalidade e firmou um acordo com eles e com os dameraítas.
Certo Abu Abedalá Harmala ibne Juxume, dos mudlijitas, dirigiu-se a Maomé, aceitou se converter, mas obteve permissão de permanecer em sua terra sem emigrar. Antes da Conquista de Meca de 630, parte dos mudlijitas evitou apoiar seus parentes dos becritas no ataque contra os cuzaaítas, aliados de Maomé, e parece que alguns membros da tribo já haviam se convertido nesse período. Sabe-se que Uacas ibne Mujaziz, dessa tribo, foi morto na Expedição de Du Carade no ano 6 A.H. (627). Sabe-se também que combatentes dos mudlijitas participaram da Conquista de Meca e, após ela, integraram o contingente enviado sob o comando de Calide ibne Alualide à tribo dos jadimaítas. Suraca ibne Maleque tornou-se muçulmano no ano 8 A.H. (629), durante a distribuição dos despojos de Hunaine em Jirana; contudo, uma parte significativa de sua tribo permaneceu fiel à antiga religião até a estação da peregrinação do ano 9 A.H. (março de 631), quando Maomé anulou os tratados com os politeístas. As fontes mencionam os mudlijitas, juntamente com cuzaaítas, entre as tribos politeístas com as quais havia pactos sem prazo determinado ou que permaneceram fiéis a seus tratados. No ano 9 A.H. (630), Maomé nomeou Alcama ibne Mujaziz comandante da primeira expedição naval. Alguns combatentes dessa tribo que participaram da conquista do Egito alinharam-se, após o assassinato de Otomão (656), com os partidários do califa, estabelecidos por algum tempo em Hiribeta sob a liderança de Iázide ibne Alharite Almudliji, recusando-se a prestar juramento ao governador de Ali. Posteriormente, alguns membros dos mudlijitas estabeleceram-se em Damieta e seus arredores. Entre as figuras notáveis da tribo contam-se o transmissor de tradições Abederramão ibne Maleque ibne Juxume, Sacre ibne Abedalá ibne Harmala, o juiz egípcio Abu Nadla Hibane ibne Calide e o jurista xafeíta Camaladim Amade ibne Anre.