Suraca ibne Maleque

Abu Sufiane Suraca ibne Maleque ibne Juxume Alquinani Almudliji (em árabe: ابو سفيان سراقة بن مالك بن جعشم الكناني المدلجي; romaniz.: Abū Sufyān Surāqa b. Mālik b. Juʿshum al-Kinānī al-Mudlijī; m. 645) foi um árabe no século VII, membro da tribo dos quinanaítas da região de Meca, e um dos primeiros convertidos ao islamismo.

Vida

Suraca pertencia ao ramo Abede Manate da tribo dos mudlijitas, uma das tribos aparentadas aos quinanaítas. Residiu originalmente em Cudaide, próximo de Meca, mas posteriormente foi contabilizado entre os habitantes de Medina. Seu pai chamava-se Maleque. Por vezes foi referido nas fontes como Suraca ibne Juxume, em referência a seu avô. Nas primeiras décadas do século VII, era chefe dos mudlijitas. Nessa posição, esteve presente na assembleia de seu clã quando um emissário dos politeístas coraixitas chegou e anunciou que seria dado como recompensa 200 camelas a quem capturasse Maomé e seu companheiro Abu Becre, que haviam partido de Meca. Os dois passaram por Cudaide quando dirigiam-se para Medina e um dos mudlijitas informou Suraca. Diz-se que Suraca desviou a atenção dos presentes, alegando que eram desconhecidos que perderem seus camelos e saíram à sua procura. Pouco depois, Suraca os perseguiu, mas supostamente teve dificuldade por conta da intercessão divina. Diz-se que Maomé teria dito a Abu Becre, que estava apreensivo, "Não temas, Deus está conosco", e suplicou, "Ó Deus, protege-nos do mal dele!". O cavalo de Suraca teria tropeçado e ele caiu no chão. Depois, tentou atacá-los novamente, mas falhou.

Suraca, supostamente convencido do favor divino a Maomé, pediu-lhe desculpas, solicitou um salvo-conduto para uso futuro e comprometeu-se a impedir seus perseguidores. Maomé instruiu Amir ibne Fuaira, escravo de Abu Becre, que redigisse o documento solicitado. Em troca, Suraca ofereceu provisões e outros suprimentos, mas Maomé não os aceitou e pediu seu sigilo. Anos depois, após a campanha de Taife de 629 (8 A.H.), quando ocorreu a distribuição dos despojos obtidos na Batalha de Hunaine, Suraca compareceu em Aljirana. Foi-lhe negado o direito de falar com Maomé, mas Suraca apresentou seu salvo-conduto e recebeu a permissão. Diz-se que Suraca decidiu converter-se ao islamismo, nessa ocasião, embora erroneamente tenha sido alegado que ele também pode ter decidido se converter mais adiante, após a Conquista de Meca (630). Em certa ocasião, diz-se que Suraca questionou Maomé do que acontecia caso permitisse que um camelo perdido bebesse da água de seus próprios camelos, e recebeu a resposta de que todos aqueles que ajudavam um ser vivo deviam ser louvados. Faleceu em 645.

Suraca era um poeta reconhecido e diz-se que ele poetizou favoravelmente sobre Maomé após o episódio de Cudaide, o que trouxe sobre si as reprimendas de Abu Jal, um dos maiores adversários coraixitas dos muçulmanos. Suraca compôs um poema no qual afirmou que se Abu Jal tivesse visto o estado de seu cavalo com as patas cravadas ao chão, entenderia que Maomé era protegido pelo favor divino. Ao mesmo tempo, aconselhou os inimigos do islamismo a desistirem de suas hostilidades. Sobre seu talento como rastreador, as fontes afirmam que, quando Abu Sufiane lhe pediu para identificar o rastro de Maomé, teria respondido: "Este rastro se assemelha mais à pegada na Estação de Abraão". Maomé supostamente profetizou que a Pérsia seria conquistada e que Suraca utilizaria a coroa do xainxá Cosroes II (r. 590–628). Durante o califado de Omar (r. 634–644), após a conquista da Pérsia, a joalheria de Cosroes foi levada a Medina, onde o califa vestiu Suraca com as roupas e ornamentos do xainxá, que louvou a Deus por ter sido agraciado com essa honra, apesar de ser um beduíno. As fontes registram dezenove tradições transmitidas por Suraca (Ibne Hasme, p. 124), narradas por companheiros como Ibne Abas, Abedalá ibne Anre ibne Alás e Jabir ibne Abedalá, bem como por sucessores como Saíde ibne Almuçaíbe, Alhaçane de Baçorá, Taus ibne Caiçane, Atá ibne Abi Rabá e seu filho Maomé ibne Suraca.

Referências

  1. 1 2 3 4 Ünal 2010, p. 161.

Bibliografia