Cudaide (em árabe: قديد; romaniz.: Qudayd) é uma localidade histórica do Hejaz, na atual Arábia Saudita, situada na antiga rota entre Meca e Medina. Associada aos cuzaaítas e, em particular, aos mustaliquitas, destacou-se nos primeiros tempos do Islã por sua posição no caminho entre as duas cidades. Maomé passou pela localidade durante a Hégira e em outros deslocamentos, incluindo a marcha para a Conquista de Meca e a Peregrinação de Despedida.
Cudaide é uma localidade do Hejaz, na Arábia Saudita, situada na rota histórica entre Meca e Medina. Iacute Alhamaui descreve-a como uma localidade próxima de Meca e registra diferentes explicações para a origem de seu nome. Segundo uma delas, atribuída ao poeta Cutair, o topônimo estaria relacionado à divisão das águas das torrentes no local. Outra tradição, transmitida por Ibne Alcalbi, afirma que, quando Abu Caribe Açade retornava de Medina após combater seus habitantes, acampou em Cudaide e um vento rasgou (qaddat) as tendas de seus homens, circunstância da qual teria derivado o nome do lugar. Nas fontes relativas aos primeiros tempos do Islã, é descrita como uma aldeia dessa rota e aparece entre os principais assentamentos associados aos cuzaaítas. A região era conhecida pela abundância de fontes de água e jardins.
Após os cuzaaítas perderem para os coraixitas o domínio sobre Meca, muitos de seus integrantes dispersaram-se por outras partes do Hejaz, ocupando sobretudo a região que se estendia de Marre Azarã até as proximidades de Medina. Cudaide, juntamente com Ajelã e Araque, figurava entre seus territórios mais importantes. No local encontrava-se ainda o santuário de Manate, constituído por uma pedra cultuada na rota entre Meca e Medina. Segundo as tradições reunidas por Rentz, o santuário pertencia aos hudailitas ou era compartilhado por eles com os cuzaaítas. Um dos ramos cuzaaítas que se estabeleceu na região foram os mustaliquitas, que migraram para o norte com outros segmentos da tribo depois da perda de Meca e se fixaram na região de Cudaide, embora seus territórios também se estendessem por outros pontos da rota Meca–Medina, incluindo as proximidades de Rabigue e Usfã.
Cudaide adquiriu particular importância nas tradições sobre a Hégira de Maomé. Durante sua viagem de Meca para Medina, Maomé seguiu a rota costeira e chegou à aldeia, onde parou junto à tenda de Ume Mabade, uma mulher cuzaaíta que vivia no local com o marido. Sua tenda situava-se nos arredores de Cudaide, em um ponto posteriormente conhecido como Tenda de Ume Mabade, a cerca de 120 quilômetros de Meca. Segundo as tradições, Maomé e seus companheiros procuraram obter alimentos no local e ali ocorreu o episódio em que ele teria ordenhado uma ovelha ou cabra debilitada que não produzia leite. Ume Mabade e sua família teriam posteriormente abraçado o Islã. A localidade continuou a figurar nos deslocamentos entre as duas cidades durante a vida de Maomé. Em 630, durante a Conquista de Meca, os cabitas, ramo dos cuzaaítas, reuniram em Cudaide uma força de 500 homens que se incorporou ao exército muçulmano em marcha para Meca. Dois anos depois, Cudaide voltou a integrar o itinerário de Maomé durante a Peregrinação de Despedida, aparecendo na rota seguida de Medina para Meca entre Aljufa e Usfã.