| Tarabai Shinde | |
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| Nascimento | |
| Morte | 1910 (60 anos) |
| Nacionalidade | indiana |
| Ocupação | ativista feminista |
Tarabai Shinde (Maharashtra, 1850 – 1910) foi uma ativista feminista indiana que criticou o patriarcado e o sistema de castas na Índia do século XIX.
Ela é conhecida principalmente por sua obra Stri Purush Tulana (Uma Comparação entre Mulheres e Homens), publicada originalmente em marata em 1882. O texto é uma crítica contundente tanto ao sistema de castas quanto à dominação patriarcal, sendo frequentemente considerado o primeiro texto feminista moderno da Índia.
A obra causou grande polêmica em sua época por questionar diretamente as escrituras religiosas hindus como uma das fontes da opressão das mulheres, uma posição que ainda hoje gera debates. Tarabai também foi integrante da organização Satyashodhak Samaj.
Tarabai nasceu em 1850, em uma família marata, na região de Buldhana, na então província de Berar (atual estado de Maharashtra). Seu pai, Bapuji Hari Shinde, era um homem de ideias progressistas e trabalhava como chefe de escritório no setor de arrecadação do governo. Ele também escreveu um livro intitulado Hint to the Educated Natives, em 1871. Na época, não havia escolas para meninas na região. Por isso, Tarabai foi educada em casa pelo próprio pai, que lhe ensinou marata, sânscrito e inglês, algo bastante incomum para mulheres naquele período. Ela era a única menina entre quatro irmãos. Casou-se ainda jovem, como era costume na época, mas teve uma condição relativamente mais livre do que a maioria das mulheres maratas, pois seu marido passou a viver na casa de seus pais.
Tarabai esteve ligada aos importantes reformadores sociais Jyotirao Phule e Savitribai Phule, um casal pioneiro na luta por justiça social na Índia. Ela participou da organização fundada por eles, a Satyashodhak Samaj (“Sociedade dos Buscadores da Verdade”). Os Phule e Tarabai compartilhavam a compreensão de que a opressão social na Índia não se limitava a um único fator: ela envolvia tanto o gênero quanto o sistema de castas, que atuavam de forma interligada.
A obra mais conhecida de Tarabai Shinde é Stri Purush Tulana. Nesse ensaio, ela critica não apenas as desigualdades de gênero, mas também o sistema de castas e até mesmo outros reformadores sociais que consideravam a casta o principal problema da sociedade hindu, ignorando a opressão das mulheres.
Segundo estudiosas modernas, o texto pode ser considerado um dos primeiros argumentos feministas completos da Índia, especialmente após o período da literatura devocional Bhakti. O que torna a obra ainda mais significativa é o fato de que, enquanto muitos intelectuais da época se concentravam em problemas mais visíveis, como o sofrimento das viúvas, Tarabai ampliou a análise para questionar toda a estrutura ideológica do patriarcado. Para ela, a opressão das mulheres era uma realidade comum, independentemente do contexto.
O ensaio foi escrito como resposta a um caso divulgado em 1881 por um jornal conservador de Pune. A notícia relatava o julgamento de uma jovem viúva brâmane chamada Vijayalakshmi, acusada de matar seu filho ilegítimo por medo da vergonha pública e da exclusão social. Inicialmente condenada à morte, sua pena foi posteriormente reduzida. Tarabai, que já conhecia a situação de viúvas impedidas de se casar novamente, muitas vezes vítimas de abuso dentro da própria família, utilizou esse caso para refletir sobre a difícil posição das mulheres na sociedade. Em sua análise, elas eram constantemente forçadas a se equilibrar entre os papéis impostos de “mulher honesta” e “prostituta”, sem espaço para autonomia. A obra foi publicada em 1882, em Pune, com uma tiragem de 500 exemplares. No entanto, a recepção negativa da sociedade e da imprensa da época fez com que Tarabai não publicasse outros trabalhos posteriormente.
Apesar disso, o texto foi elogiado por Jyotirao Phule, que a tratava com carinho e recomendou a leitura de seu panfleto a colegas. A obra também foi mencionada em uma revista ligada à Satyashodhak Samaj em 1885. Mesmo assim, Stri Purush Tulana permaneceu praticamente desconhecida por décadas, até ser redescoberta e republicada em 1975, quando passou a receber o reconhecimento que tem hoje como um marco do pensamento feminista indiano.