| Terra em Transe | |
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Cartaz promocional | |
| Brasil 1967 • p&b • 106 min | |
| Género | drama |
| Direção | Glauber Rocha |
| Produção | Glauber Rocha Luiz Carlos Barreto Cacá Diegues Raymundo Wanderley Reis |
| Produção executiva | Zelito Viana |
| Roteiro | Glauber Rocha |
| Elenco | Jardel Filho Glauce Rocha José Lewgoy Paulo Autran Paulo Gracindo |
| Música | Sérgio Ricardo |
| Cinematografia | Luiz Carlos Barreto |
| Direção de arte | Paulo Gil Soares |
| Figurino | Clóvis Bornay Guilherme Guimarães Paulo Gil Soares |
| Edição | Eduardo Escorel |
| Companhia produtora | Mapa Produções Cinematográficas Ltda. |
| Distribuição | Difilm |
| Lançamento | 19 de maio de 1967 |
| Idioma | português |
Terra em Transe é um filme brasileiro de 1967 do gênero drama, dirigido e escrito por Glauber Rocha. No elenco estão nomes como Jardel Filho, Glauce Rocha, José Lewgoy, Paulo Autran, Paulo Gracindo, Francisco Milani, Hugo Carvana, Jofre Soares e Flávio Migliaccio. A trama segue Paulo, um poeta e jornalista idealista que tenta provocar mudanças políticas, influenciando homens poderosos. A história se passa no país fictício da América Latina Eldorado, que se encontra entre o golpe de Estado e o populismo, entre a crise e a transformação. É uma alegoria da história do Brasil entre 1960 e 1966.
Considerada uma das principais obras do período, teve sua estreia mundial na 20ª edição do Festival de Cinema de Cannes, na França, em 3 de maio de 1967, onde competiu pela Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival. No Festival, recebeu o Prêmio Luis Buñuel e o Prêmio Fipresci. No mesmo ano, ainda recebeu o Leopardo de Ouro e o Grand Prix do júri paralelo no Festival de Locarno, na Suíça. Foi lançado no mercado estrangeiro com o título Entranced Earth.
Em 1999, uma pesquisa do jornal Folha de S.Paulo realizada com 24 críticos e estudiosos do cinema brasileiro indicou Terra em Transe como um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Em novembro de 2015, o filme ficou em quinto lugar na lista dos cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Em maio de 2026, foi incluído na lista dos cem filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos, da mesma associação. Foi listado por Jeanne O Santos, do Cinema em Cena, como um dos "clássicos nacionais".
Na fictícia República de Eldorado, Paulo Martins é um jornalista idealista e poeta ligado ao político conservador em ascensão, o tecnocrata Porfírio Diaz e sua amante, a meretriz Silvia, com quem também mantêm um caso, formando um triângulo amoroso. Quando Diaz se elege senador, Paulo se afasta e vai para a província de Alecrim, onde conhece a ativista Sara. Juntos eles resolvem apoiar o vereador populista Felipe Vieira para governador, na tentativa de lançarem um novo líder político, supostamente progressista, que guie a mudança da situação de miséria e injustiça que assola o país.
Ao ganhar a eleição, Vieira se mostra fraco e controlado pelas forças econômicas locais que o financiaram e não faz nada para mudar a situação social, o que leva Paulo, desiludido, a abandonar Sara e retornar à capital e voltar a se encontrar com Sílvia. Aproxima-se de Júlio Fuentes, o maior empresário do país, e conta-lhe que o presidente Fernandez tem o apoio econômico de uma poderosa multinacional que quer assumir o controle do capital nacional. Quando Diaz vai à disputa da Presidência com o apoio de Fernandez, Fuentes cede um canal de televisão a Paulo, o qual o usa a fim de atacar o candidato.
Vieira e Paulo unem-se novamente na campanha da presidência até que Fuentes trai a ambos e faz um acordo com Diaz. Paulo quer partir então à luta armada, porém Vieira desiste.
O filme foi gravado nas instalações do Instituto de Belas Artes. A direção de fotografia coube a Luís Carlos Barreto e Dib Lutfi; a música foi de Sérgio Ricardo; e a montagem de Eduardo Escorel. Luís Carlos Barreto, Cacá Diegues, Zelito Viana e Raimundo Wanderley, juntos a Glauber Rocha, foram os produtores associados no filme. Ele pode ser entendido como uma parábola da história do Brasil no período 1960-66, na medida em que metaforiza em seus personagens diferentes tendências políticas presentes no Brasil no contexto. Realiza uma exaustiva crítica de todos aqueles que participaram desse processo, incluindo as diferentes correntes da chamada esquerda brasileira. Terra em Transe foi mal recebido pela crítica e pelos intelectuais nacionais.
O filme enfrentou, na época, problemas com a censura estabelecida no Brasil, ao mostrar um fictício país latino-americano, denominado Eldorado, governado pelo déspota Diaz. A cidade onde a trama se passa, Alecrim, não é a capital de Eldorado, como se pode constatar no diálogo em que Vieira apresenta Sílvia a Martins, logo ao início do filme (0°20'54"). Em abril de 1967, o filme foi proibido em todo o território nacional, por ser considerado subversivo e irreverente com a Igreja e só foi liberado com a condição de que fosse dado um nome ao padre interpretado por Jofre Soares. Porfirio Díaz foi o nome de um ditador que governou o México por 31 anos. Este filme esteve proibido pela censura fascista portuguesa até 1974.
Festival de Cannes 1967 (França)
Festival de Havana 1967 (Cuba)
Festival de Locarno 1967 (Suíça)
Festival de Cinema de Juiz de Fora (Brasil)
Prêmio Governo do Estado de São Paulo (Brasil)