Tim Samaras

Tim Samaras
Kathryn Sullivan (à esquerda) com Samaras (à direita) em 2012
Nome completoTimothy Michael Samaras
Conhecido(a) porPesquisa de campo sobre tornados
Nascimento
Morte
31 de maio de 2013 (55 anos)

Condado de Canadian, Oklahoma, EUA
Causa da morteIncidente com tornado
CônjugeKathy Samaras
Filho(a)(s)4
OcupaçãoEngenharia, meteorologia
Carreira científica
InstituiçõesApplied Research Associates

Timothy Michael Samaras (12 de novembro de 1957 – 31 de maio de 2013), foi um engenheiro e caçador de tempestades americano, mais conhecido por suas pesquisas de campo sobre tornados e por sua participação no programa Storm Chasers, do Discovery Channel. Ele morreu durante o tornado de El Reno de 2013, ocorrido em 31 de maio de 2013.

Início da vida

Samaras nasceu em 12 de novembro de 1957, em Lakewood, Colorado, filho de Paul T. e Margaret L. Samaras. Seu pai era fotógrafo e distribuidor de aeromodelos, tendo atuado como operador de projeção do Exército durante a Segunda Guerra Mundial. Tim ajudava nas atividades de fotografia e na oficina. O interesse de Samaras por tornados surgiu quando ele tinha seis anos, ao assistir ao filme O Mágico de Oz na televisão com sua mãe. "Quando o tornado apareceu", recordou ele, "fiquei fascinado!"

Samaras frequentou a Lasley Elementary e a O'Connell Junior High em Lakewood, antes de se formar na Alameda International Junior/Senior High School em 1976. Quando tinha vinte e poucos anos, começou a perseguir tempestades "não pela emoção, mas pela ciência".

Carreira

Samaras era autodidata e nunca obteve diploma universitário. Tornou-se radioamador aos 12 anos e construía transmissores utilizando televisores antigos. Já adulto, possuía a licença "Amateur Extra Class", a categoria mais alta de radioamadorismo nos Estados Unidos, e era proficiente em código Morse. Ele utilizava o rádio amador para se comunicar enquanto perseguia tempestades e atuava também como observador de tempestades, relatando a ocorrência de condições meteorológicas perigosas. Aos 16 anos, trabalhava como técnico de rádio e, aos 17, já era encarregado de oficina. Logo após concluir o ensino médio e sem apresentar currículo, foi contratado após se apresentar pessoalmente no Instituto de Pesquisa da Universidade de Denver. Aos 20 anos, já havia obtido credenciamento de segurança do Pentágono, trabalhando na construção e nos testes de sistemas de armas.

Samaras foi um engenheiro de destaque na Applied Research Associates, concentrando-se inicialmente em testes de explosão e investigações de acidentes aéreos. O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) reconheceu seu trabalho nas investigações do acidente do Voo TWA 800. Suas pesquisas envolviam fotografia de alta velocidade, como em estudos de balística. Ele também trabalhou na National Technical Systems e no Hyperion Technology Group.

Além dos tornados, ele se interessava por todos os aspectos das tempestades convectivas, com foco especial em pesquisas sobre raios, para as quais utilizava câmeras capazes de capturar até 1,4 milhão de quadros por segundo. Fotógrafo e cinegrafista talentoso, ele também empregava a fotogrametria, utilizando imagens obtidas por câmeras instaladas em sondas que operavam no interior dos tornados. Samaras também fotografava e filmava por arte e lazer. Era um astrônomo amador entusiasta e também se interessava por eletrônica e invenções.

Samaras foi o fundador de uma equipe de pesquisa de campo chamada Tactical Weather Instrumented Sampling in Tornadoes EXperiment (TWISTEX), que buscava compreender melhor os tornados. Seu trabalho foi financiado em grande parte pela National Geographic Society (NGS), que lhe concedeu 18 subsídios para suas atividades de campo.

Samaras projetou e construiu suas próprias sondas meteorológicas e as posicionou na trajetória de tornados para obter dados científicos sobre o funcionamento interno desses fenômenos. Com uma dessas sondas de medição in situ, ele registrou a maior queda de pressão atmosférica já documentada, 100 hPa (mb) em menos de um minuto, quando um tornado de categoria F4 atingiu uma das várias sondas colocadas perto de Manchester, Dakota do Sul, em 24 de junho de 2003. Esse feito consta no Guinness World Records como a "maior queda de pressão medida em um tornado". A sonda foi posicionada à frente do tornado que se aproximava apenas 82 segundos antes do impacto. A medição também representa a pressão mais baixa (ajustada para a altitude) já registrada na superfície da Terra: 850 hectopascals (25,10 inHg). Mais tarde, Samaras descreveu esse tornado como o mais memorável de sua carreira. As sondas aerodinâmicas de Samaras representaram um avanço em termos de projeto devido à sua capacidade de resistir às condições no interior dos tornados. Havia uma patente pendente para um instrumento de medição de ventos em 3D. Samaras detinha uma patente, em conjunto com Jon M. Lesko, intitulada "Sistema de imagem térmica para motores de combustão interna".

Samaras e sua equipe registraram mais de 35 000 milhas (56 000 km) dirigindo durante os dois meses de pico da temporada de tornados a cada ano. Quando questionado, Samaras disse que a parte mais perigosa de seguir os tornados não são as tempestades em si, mas sim os perigos da estrada encontrados ao longo do caminho. No total, ele rastreou mais de 125 tornados durante sua carreira. Seus colegas o consideravam um dos caçadores mais cuidadosos do ramo.

Em 1998, Samaras fundou e coproduziu (com Roger Hill) a National Storm Chasers Convention, um evento anual realizado perto de Denver que reunia centenas de caçadores de tempestades de todo o mundo. A viúva de Samaras, Kathy, revelou em sua primeira entrevista após a morte dele que daria continuidade à ChaserCon, evento que atrai regularmente cientistas e caçadores de renome como palestrantes. Em 2005, ele foi nomeado "Emerging Explorer" (Explorador Emergente) pela National Geographic Society. De 2009 até o cancelamento do programa em 2012, Samaras foi uma das figuras de destaque na série Storm Chasers, do Discovery Channel. Ao longo de sua carreira, ele também trabalhou para a Boeing, realizando testes de campo em revestimentos de aeronaves resistentes a granizo, e para o governo federal. Segundo Eileen O'Neill, presidente das redes Discovery, o trabalho de Samaras foi diretamente responsável pelo aumento do tempo de antecedência dos alertas de tornados.

Samaras foi coautor, juntamente com Stefan Bechtel e Greg Forbes, do livro Tornado Hunter: Getting Inside the Most Violent Storms on Earth (ISBN 978-1426203022), em 2009. Ele escreveu ou participou da autoria de cerca de uma dúzia de artigos científicos e também colaborou com a revista Storm Track. Apareceu em matérias de destaque da National Geographic em abril de 2004, junho de 2005, agosto de 2012 e novembro de 2013. Além disso, concedeu inúmeras entrevistas a emissoras de notícias, jornais e revistas, e participou de documentários.

Morte

Os destroços do veículo do TWISTEX perto do cruzamento da Reuter Road com a S. Radio Road, a aproximadamente 4,8 mi (7,7 km) a sudeste de El Reno, Oklahoma.

Na primavera de 2013, a TWISTEX realizava pesquisas sobre raios (inclusive com o uso de uma câmera de precisão) quando, entre meados e o final de maio, ocorreram períodos de intensa atividade de tornados; Samaras decidiu, então, instalar sondas de pressão atmosférica e testar sensores de infrassom para tornados que ainda estavam em fase de desenvolvimento. Às 18h23 de 31 de maio de 2013, Samaras (engenheiro e meteorologista), seu filho Paul, de 24 anos (fotógrafo), e Carl Young, membro da equipe TWISTEX de 45 anos (meteorologista), morreram atingidos por um violento tornado em forma de cunha com ventos de 295 mph (475 km/h), nas proximidades do Aeroporto Regional de El Reno, em Oklahoma. O veículo da TWISTEX foi atingido e arremessado por um subvórtice, estruturas responsáveis ​​pelos ventos mais intensos, alguns dos quais atingiam velocidades de 175 mph (282 km/h) dentro do tornado principal. Pouco antes de morrerem, Young observou que não havia chuva ao redor do veículo e que o vento havia se tornado "assustadoramente calmo". Tim Samaras respondeu: "Na verdade, acho que estamos em uma situação perigosa". Segundo a policial Betsy Randolph, da Patrulha Rodoviária de Oklahoma, foi possível ouvir os três gritando "Nós vamos morrer, nós vamos morrer" pelo rádio da viatura, momentos antes do impacto.

O tornado foi medido pelo radar RaXPol da Universidade de Oklahoma com uma largura de 2,6 milhas (4,2 km), sendo o tornado mais largo já registrado. O tamanho real do tornado de vórtices múltiplos confundiu os observadores devido às suas proporções gigantescas — apresentando sub-vórtices em órbita maiores do que tornados comuns e uma ampla circulação externa que variava de transparente a translúcida. Ventos fortes de influxo e de circulação externa, somados a estradas de cascalho e a um veículo com potência relativamente insuficiente, também dificultaram a fuga do tornado. O tornado fez, simultaneamente, uma curva brusca e inesperada em direção à posição deles, acelerando rapidamente em poucos minutos de cerca de 20 mph (32 km/h) para até 60 mph (97 km/h) em seu deslocamento frontal e expandindo-se velozmente de cerca de 1 milha (1,6 km) para 2,6 milhas (4,2 km) de largura em cerca de 30 segundos; além disso, estava em grande parte oculto por precipitação intensa, fatores que, combinados, levaram vários outros caçadores de tempestades a serem atingidos ou a escaparem por pouco. Esse foi o primeiro caso conhecido de um caçador de tempestades ou meteorologista morto por um tornado.

Mesmo antes de se saber que Samaras, seu filho e Young haviam morrido, o incidente levou muitos a questionar as táticas de perseguição a tempestades, especialmente aquelas realizadas muito perto de tornados. Além dos três membros da TWISTEX, o tornado matou outras cinco pessoas, incluindo o morador local Richard Charles Henderson, que havia decidido seguir a tempestade.

Cientistas atmosféricos e caçadores de tempestades iniciaram um grande projeto para coletar informações e analisar os acontecimentos, tanto em relação às ações dos caçadores quanto aos fenômenos meteorológicos. Um memorial improvisado foi erguido no local logo após o incidente e, porteriormente, estabeleceu-se um memorial permanente financiado por meio de arrecadação coletiva, iniciativa liderada por Doug Gerten, o policial que encontrou os destroços do veículo. No entanto, o memorial foi alvo de vandalismo no final de março de 2016: o monumento foi atingido por disparos de arma de fogo e a bandeira americana foi cortada e retirada do mastro.

Meteorologistas do Storm Prediction Center (SPC) divulgaram um comunicado expressando profunda tristeza pela morte de Tim. "Samaras era um respeitado pesquisador de tornados e um amigo... que trouxe para a área um conjunto único de conhecimentos em engenharia, ciência, redação e videografia", dizia a nota. O especialista em fenômenos meteorológicos severos Greg Forbes descreveu Samaras como "um pioneiro no tipo de pesquisa que realizava sobre tempestades severas e tornados". O meteorologista Jim Cantore comentou: "Este é um dia muito triste para a comunidade meteorológica e para as famílias dos nossos amigos que perderam a vida. Tim Samaras era um pioneiro e um grande homem". A National Geographic declarou: "Tim era um cientista corajoso e brilhante que, destemidamente, perseguia tornados e raios em campo na tentativa de compreender melhor esses fenômenos". No Facebook, o irmão de Samaras afirmou que ele morreu "fazendo o que [ele] AMAVA: perseguir tornados". Em 2 de junho, o Discovery dedicou Mile Wide Tornado: Oklahoma, um especial sobre o tornado que atingiu Moore, Oklahoma, em 20 de maio, à memória de Samaras e de seus colegas da TWISTEX.

Samaras deixou a esposa Kathy, duas filhas, um filho de um relacionamento anterior, os irmãos Jim e Jack e dois netos. A cerimônia em sua memória foi realizada em 6 de junho de 2013, na Mission Hills Church em Littleton, Colorado.

Vida pessoal

Samaras e sua esposa, Kathy, tiveram três filhos: Paul (12 de novembro de 1988 – 31 de maio de 2013), Amy Gregg e Jennifer Samaras. Na época de sua morte, a família vivia em uma propriedade de 35 acres perto de Bennett, Colorado. O amplo espaço permitia que Tim instalasse torres de radioamadorismo e outras estruturas, além de oferecer bastante espaço para oficinas. Ele conheceu a propriedade por meio de um trabalho paralelo de investimento imobiliário, ao qual foi apresentado por seu irmão, Jim. Samaras tinha outro filho, Matt Winter — cuja existência ele só descobriu sete anos antes de morrer e que foi acolhido pela família. Winter também era fascinado por meteorologia e soube por sua mãe que Tim era seu pai depois de ouvir Samaras palestrar na Conferência sobre Tempestades Severas e Radar Doppler de 2006, em Des Moines, Iowa.

Em 2011, Samaras fez uma pausa na atividade de perseguição a tempestades para ajudar a construir casas no Alabama para as vítimas dos tornados ocorridos no início daquele ano. Segundo O'Neill, ele trabalhou "do amanhecer ao anoitecer" com "a mesma dedicação e o mesmo foco que aplicava ao seu trabalho meteorológico".

Referências

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Leitura complementar

Ligações externas