Tiopurina designa uma classe de medicamentos imunossupressores e antineoplásicos que atuam como análogos sintéticos das purinas, as bases azotadas fundamentais para a estrutura e replicação do ADN e ARN. Os principais fármacos desta família são a azatioprina, a 6-mercaptopurina e a 6-tioguanina. Ao entrarem nas células, funcionam como antimetabolitos, sendo convertidos em nucleótidos tiopurínicos ativos que se incorporam nos ácidos nucleicos. Este processo bloqueia a síntese celular e induz a apoptose, afetando especialmente células de divisão rápida como os linfócitos T e B, o que permite modular a resposta imunitária. Clinicamente, são amplamente utilizados na manutenção da remissão de doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e colite ulcerosa), em patologias autoimunes (lúpus e hepatite autoimune), na prevenção da rejeição de transplantes e no tratamento da leucemia linfoblástica aguda. O metabolismo das tiopurinas é complexo e depende criticamente de enzimas como a metiltransferase de tiopurina (TPMT) e a hidrolase de nucleótidos NUDT15. Variações genéticas que reduzam a atividade destas enzimas provocam a acumulação perigosa de metabolitos tóxicos no sangue, pelo que se recomenda a realização de testes farmacogenéticos antes de iniciar o tratamento para ajustar a dosagem de forma segura. Apesar da eficácia, o seu uso exige monitorização médica rigorosa devido a efeitos secundários significativos, onde se destacam a mielossupressão (risco de infeções graves por leucopenia), a hepatotoxicidade, a pancreatite aguda e um risco ligeiramente aumentado de linfomas e cancros de pele não melanómicos a longo prazo.