Para o nascimento da startup, foram necessários dois anos de planejamento e investimento retirado do bolso dos próprios sócios. Seis meses depois do lançamento, a Tismoo já havia realizado cerca de 50 análises completas do genoma de pacientes.
No fim de 2015, na Universidade da Califórnia em San Diego, Muotri desenvolveu a técnica de criação de minicérebros, miniaturas tridimensionais de cérebros vivos — do tamanho de uma ervilha, como o cérebro de um feto — que simulam o desenvolvimento do cérebro humano a partir de células-tronco do paciente, usando técnica de células-tronco pluripotentes induzidas (criada pelo prêmio NobelShinya Yamanaka). A Tismoo planeja usar esta técnica dos minicérebros em busca de melhores tratamentos e o entendimento genético do autismo.
Histórico
Em maio de 2016, a Tismoo foi a primeira startup a publicar um trabalho na Nature, tendo sua pesquisa reconhecida em uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo. O trabalho é sobre o Zika vírus e sua relação com o alto índice de microcefalia no Brasil. Por meio de sua tecnologia de minicérebros, a startup brasileira ajudou a demonstrar a relação entre a versão brasileira do vírus e como ele atua causando malformação do córtex e levando a essa condição neurológica.
Em abril de 2018, a Tismoo lançou, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), o projeto 1.000 Genomas Brasileiros. O objetivo principal desta iniciativa é criar a maior base de dados genômicos de autistas brasileiros, a fim de ajudar a entender melhor o perfil genético do transtorno no Brasil, além de viabilizar a implantação de uma plataforma de Inovação Aberta (Open Innovation), disponível a cientistas do mundo todo e acelerando as inovações nesta área. Até o momento, em todo o mundo, a ciência já identificou quase 800 genes relacionados ao autismo, porém muitos deles ainda são desconhecidos. Para este projeto, serão priorizadas famílias com baixa-renda comprovada e autistas clássicos (não sindrômico).