A torina (também conhecida pelos nomes toron ou toronol) é um reagente químico orgânico amplamente utilizado em química analítica como indicador metalocrómico e agente cromogénico. Estruturalmente, é um derivado do ácido fenilarsónico ligado a um grupo naftol através de uma ponte azo, possuindo a fórmula molecular C₁₆H₁₁AsN₂Na₂O₁₀S₂. Apresenta-se geralmente como um pó de cor vermelha a castanho-avermelhada, sendo altamente solúvel em água e estável em condições normais de laboratório, embora a sua manipulação exija precauções rigorosas devido à presença de arsénio na sua composição, o que lhe confere uma elevada toxicidade.
A principal aplicação da torina reside na deteção e quantificação de iões metálicos específicos, com destaque para o tório (Th), elemento do qual deriva o seu nome. Quando em solução, o reagente forma complexos coloridos estáveis com metais das séries dos lantanídeos e actinídeos, permitindo a sua determinação por métodos espetrofotométricos ou colorimétricos. A especificidade e sensibilidade da torina tornam-na uma ferramenta indispensável no controlo de qualidade industrial e na monitorização ambiental, sendo frequentemente utilizado para medir traços de urânio, lítio e zircónio em amostras complexas.
Para além da sua afinidade com metais pesados, a torina desempenha um papel crucial na análise de águas e da atmosfera através da determinação de sulfatos. Neste processo, a torina atua como indicador numa titulação com iões de bário; a formação de um complexo rosa-avermelhado sinaliza o ponto final da reação, permitindo calcular a concentração de enxofre em amostras de chuva ácida ou efluentes industriais. Embora novos reagentes tenham surgido no mercado, a robustez da torina em meios ácidos e a sua capacidade de mascarar interferências (frequentemente com o auxílio de agentes como o ácido tartárico) garantem a sua permanência nos protocolos-padrão de laboratórios de referência mundial.
Historicamente, o reagente foi sintetizado pela primeira vez por V. I. Kuznetsov em 1941, marcando um avanço significativo na microanálise química de elementos radioativos durante o século XX. Devido ao seu potencial perigo por ingestão e aos riscos ambientais associados aos compostos arsenicais, o seu uso é estritamente regulamentado, exigindo protocolos de descarte de resíduos químicos especializados para evitar a contaminação de solos e cursos de água.