| Totonho | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Nome completo | Carlos Antônio Bezerra da Silva |
| Nascimento | 2 de março de 1964 (62 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Gêneros | Coco, embolada, MPB, música eletrônica, funk, hip hop |
| Ocupação | Cantor, compositor, produtor musical |
| Instrumentos | Voz, violão |
| Gravadoras | Trama (2001–2005) YB Music (2018–atual) Taioba Music (2025) |
| Afiliações | Totonho e os Cabra Musiclube da Paraíba |
| Página oficial | totonhoeoscabra.com.br |
Carlos Antônio Bezerra da Silva (Monteiro, 2 de março de 1964), conhecido como Totonho, é um cantor, compositor e produtor musical brasileiro. À frente do grupo Totonho e os Cabra, mistura desde a década de 1990 os ritmos tradicionais do Nordeste, como o coco e a embolada, com música eletrônica, rock, funk e hip hop. Integrante da geração do Musiclube da Paraíba, venceu o Prêmio da Música Brasileira de 2026 na categoria melhor lançamento de funk com o álbum Aí Dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato.
Totonho nasceu no sítio Tinguí, em Monteiro, no Cariri paraibano, filho de Dona Luzia do Bolo. Cresceu ouvindo as cantorias de repentistas que frequentavam a casa da família e, antes de se dedicar à música, vendia buchada de bode. Aos nove anos montou sua primeira banda, Os Renegados, que tocava com instrumentos feitos de latas: "Foi ali que começou tudo e me tornei compositor". Em 1982 mudou-se para João Pessoa decidido a seguir a carreira musical e participou da formação do Musiclube da Paraíba, cooperativa de compositores por onde passaram Chico César, Milton Dornellas, Jarbas Mariz, Pedro Osmar, Paulo Ró e Adeildo Vieira. Na capital cursou Arte e Educação, iniciou um trabalho social junto a comunidades, foi alfabetizador em uma comunidade indígena e, entre 1991 e 1996, integrou o projeto Tocar por Prazer, cantando e tocando violão. Tem o grupo Jaguaribe Carne como uma de suas principais referências, do qual diz ter herdado "uma forma experimental e particular de fazer música".
No fim de 1988 transferiu-se para o Rio de Janeiro para cursar uma pós-graduação e tentar a vida como músico. Em 1996 abriu shows de Geraldo Azevedo e João Bosco e, no fim daquele ano, formou com outros músicos o grupo Totonho e os Cabra, que define como "não propriamente uma banda, mas um cata-cata de parceiros que faz para discos e shows". Classificado no Projeto Pixinguinha, estreou em março de 1997 uma turnê por sete capitais brasileiras e passou a ocupar o circuito alternativo carioca, até que, em 1999, uma fita demo chegou ao produtor Carlos Eduardo Miranda. O resultado foi o álbum Totonho & Os Cabra, lançado pela Trama em 2001, com catorze faixas, entre elas "Tudo Para Ser Feliz", "Musicacubana" e "Drum & Bass na Feira". A crítica destacou "um raro efeito de estranhamento no casamento da rusticidade de sua voz (aparentada à de Lenine) com os blips e blops sintetizados". Faixas do disco entraram em coletâneas internacionais como Nu Brazil (Manteca, 2003), Beginner's Guide to Brazil (Nascente, 2005) e La Nouvelle Musique Brésilienne (Trama, 2005).
No Rio, a partir de um trabalho social no Circo Voador, criou a ONG Projeto Ex-Cola e o programa OBA (Oficinas Básicas de Arte), voltado à comunidade da Lapa com a proposta de "cultura contra a violência", e apresentou um programa de rádio do Circo Voador que recebeu nomes como Fausto Fawcett, Jards Macalé e Moreno Veloso. Em 2005 lançou o segundo álbum, Sabotador de Satélite (Trama), com doze faixas, entre elas "Poeira Estelar", "Eu Mandei Meu Amor pro Espaço" e "Rita Leea de Itamaracá", que teve repercussão nacional e rendeu inclusão em coletâneas na França e nos Estados Unidos. Segundo o Dicionário Cravo Albin, o grupo apresentou-se na Ucrânia, na Bélgica, em Londres, na Rússia, na Guatemala, na França e em Portugal.
De volta a João Pessoa, Totonho idealizou com o compositor Seu Pereira, em 2014, uma ação de levar música gratuitamente a espaços públicos da Grande João Pessoa, que motivou novas composições e resultou no EP Coco Ostentação (2015), produzido por Renato Oliveira e gravado no estúdio Gôta Sonora, com participações de Escurinho, Alex Madureira, Os Gonzagas, Seu Pereira, Rica Amabis e Ricardo Imperatori. O trabalho reúne canções inéditas influenciadas pelo coco de roda e por samplers e batidas eletrônicas; para Totonho, "só se preserva a tradição se outras gerações aceitam, participam e interagem, por isso ela deve ser adequada aos olhares do seu tempo". Em março de 2016 apresentou o show Os Sambas que Cartola Não Quis Fazer, abrindo o projeto Samba de Casarão, e em março de 2017 foi o homenageado do 8º Festival de Cultura Popular do Cariri Zabé da Loca, em sua cidade natal.
Em 17 de outubro de 2018 lançou Samba Luzia Gorda (YB Music), primeiro álbum cheio em treze anos, com direção musical de Maurício Tagliari e arte de Shiko, selecionado no edital de 2015 do Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos e complementado por financiamento coletivo. O disco tem participações de Otto ("Amassar a Lataria"), Moreno Veloso ("Minha Gatinha Não"), André Abujamra ("Vai Nevar"), Felipe Cordeiro e Mbeji ("Judialva") e do Quinteto da Paraíba ("O Samba"). O álbum ganhou edição em vinil pelo selo paraibano Taioba Music em 2025. Em 5 de julho de 2023 lançou o EP ao vivo Canções pra Macho Chorar e Roer as Unhas, gravado em show na Usina Energisa, em João Pessoa, com participações de Seu Pereira e Paulo Ró.
Em 25 de julho de 2025 lançou, pela YB Music e com apoio do programa Rumos Itaú Cultural 2023–2024, o álbum Aí Dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato, produzido por André Abujamra, Renato Oliveira e Furmiga Dub, com participações de Bixarte, Ruanna Gonçalves, Helinho Medeiros, Mestra Ana do Coco e de Paulo Ró e Pedro Osmar, do Jaguaribe Carne. O disco funde a embolada nordestina ao funk e ao hip-hop para tratar, em linguagem que o autor compara à dos memes, de temas como o racismo e a destruição da Amazônia; o single "AmaZona" denuncia o garimpo ilegal em terras Yanomami. Totonho o descreve como "prontamente afro-tupi": "É um pensamento de falar coisas sérias através de um ritmo que ora é muito discriminado, ora é muito festejado". A pré-estreia ocorreu em 16 de maio de 2025 na Sala Itaú Cultural, em São Paulo.
O álbum figurou em listas de melhores de 2025 e, em 10 de junho de 2026, venceu a 33ª edição do Prêmio da Música Brasileira, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na categoria melhor lançamento de funk, o que Totonho classificou como "uma vitória para um disco produzido em João Pessoa". Em 2026 apresentou o disco no Festival Lula Côrtes e na festa Noites Analógicas, no Recife, acompanhado por Chico Limeira (baixo), Ernani Sá (guitarra) e Nildo Gonzalez (bateria). Em 7 de agosto de 2026 o cantor cearense Lucas Bezerra lançou seu primeiro álbum, Eu Mandei Meu Amor pro Espaço, inteiramente dedicado ao cancioneiro de Totonho: nove canções, com produção de Arthus Fochi, entre elas "Nhem Nhem Nhem", "Rosa da Matinha" (com Geraldo Azevedo), "O Arqueiro Zen" (com Rita Benneditto), "Vai Nevar", "Meu Amor é Pobre", "Amassar a Lataria" e a faixa-título (com Zé Ibarra). Ao comentar o disco, o crítico Mauro Ferreira observou que Totonho ganhou projeção nacional com o álbum de 2001, mas que a carreira "perdeu a amplitude nacional" após 2005, o que torna a homenagem "salutar e surpreendente".
O grupo carioca Fino Coletivo gravou três parcerias suas: "Dragão" (com Daniela Folha, Alvinho Cabral e Wado) e "Mão na Luva" (com Alvinho Cabral e Wado), no álbum de estreia Fino Coletivo (Dubas/Universal, 2007), e "Nhem Nhem Nhem", em Copacabana (Oi Música, 2010). "Nhem Nhem Nhem", sua canção mais conhecida, foi gravada também por Maria Alcina no álbum De Normal Bastam os Outros (2014), e "Eu Mandei Meu Amor pro Espaço" pela cantora Ana Clara em Canções de Depois (2014) e pela cantora paraibana Nathalia Bellar, com o Quinteto Uirapuru, em seu álbum de estreia, Catavento (2020). "Amassar a Lataria" foi regravada pela Sonora Sambagroove e deu nome a um festival no Centro Cultural Piollin, em João Pessoa. Totonho assina ainda parcerias com Milton Dornellas e Pedro Osmar ("Barqueiro de Luanda", gravada por Dornellas em Mandrágora, 1993, e Ancestrais, 1998, esta com participação de Chico César), com Wado e Paulo Ró ("Cenas de um Filme Inglês", em Cinema Auditivo, 2002) e com Toni Monteiro ("Musicacubana").
Sua primeira gravação, "Folha Corrida", saiu na Coletânea Musiclube (1997). Como convidado, cantou em "Drumembêis", de Zeca Baleiro (Pet Shop Mundo Cão, 2002), em "Quem Vem Lá?", de Escurinho (Malocage, 2003), em "Cara de Santo", de Adeildo Vieira (Diário de Bordo, 2000), em "Pra Ser Feliz", do rapper De Leve (2009), em "Mimo", de Xisto Medeiros, ao lado de Richard Bona (Black Xistus, 2013), e em discos de Donatinho (Zambê, 2014) e Arthur Vieira (Parahyba Vive, 2018); com Kennedy Costa gravou "Cafuçu (É Com Ele Que Eu Vou)" para a coletânea Folia de Rua 2000. Com o Jaguaribe Carne participou de Vem no Vento (2003) e assina e interpreta "Ciranda na Rua da Paz" em Isabel, 7 Cirandas Negras e Um Apito (2025).
Sobre seu processo de composição, afirma: "Eu parto da palavra: daí faço uma frase, desmancho, faço outra, mudo, transformo, busco um sinônimo… Eu sou tipo um pedreiro que vai quebrando um tijolo até ele caber em sua construção".