| Pedro Osmar | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Nome completo | Pedro Osmar Gomes Coutinho |
| Nascimento | 29 de junho de 1954 (72 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Gêneros | MPB, música experimental, improvisação livre, música folclórica |
| Ocupação | Cantor, compositor, instrumentista, poeta, artista plástico, dramaturgo, educador |
| Instrumentos | Voz, viola de dez cordas, violão, piano, percussão |
| Gravadoras | Discos Polígono (1982) Musiclube (1993) Chita Discos (2003) Cooperativa de Música (2007–2009) Independente (2011–2017) Taioba Music (2025–atual) |
| Afiliações | Jaguaribe Carne Musiclube da Paraíba Farinha Digital Aguaúna Sampapeba |
| Página oficial | Jaguaribe Carne na Taioba Music |
Pedro Osmar Gomes Coutinho (João Pessoa, 29 de junho de 1954) é um cantor, compositor, músico, poeta, artista plástico, dramaturgo e educador brasileiro. Cofundador do grupo Jaguaribe Carne e idealizador do Musiclube da Paraíba, teve canções gravadas por Elba Ramalho, Lenine, Zé Ramalho, Amelinha, Chico César e Cátia de França, entre outros. Em 2022 sua obra foi declarada patrimônio cultural imaterial do estado da Paraíba.
Criado no bairro do Jaguaribe, no centro de João Pessoa, Pedro Osmar teve contato com a música desde a infância, nas rodas promovidas pelos vizinhos e em casa, onde o pai e o tio João Baliza, bandolinista, tocavam; na adolescência, nos anos 1960, misturava a cultura regional aos Beatles e à música contemporânea, que conheceu cantando no coral Madrigal do maestro Pedro Santos. Participou do movimento de poesia marginal com o Grupo Sanhauá, na chamada "geração mimeógrafo". Iniciou sua atividade musical na década de 60, tocando nos Festivais da Canção que aconteciam em João Pessoa. Foi nessa época que se inseriu no cenário musical, conhecendo e tocando junto a nomes como Vital Farias, Cátia de França e Zé Ramalho; em 1970 participou do IV Festival Paraibano de Música Popular Brasileira. Aos 16 anos foi para o Rio de Janeiro com Vital Farias e integrou por três anos o grupo de teatro Chegança, dirigido por Luiz Mendonça, de repertório nordestino. Em 1973 ingressou no curso de música do COEX-UFPB, que abandonou um ano depois para se dedicar à música livre e experimental.
Em 1974 fundou, juntamente com seu irmão Paulo Ró, o grupo Jaguaribe Carne, que mescla elementos de guerrilha cultural, experimentações musicais e cultura popular. Em plena ditadura, o grupo se apresentava na rua, em escolas e teatros com músicas de protesto e uma estética pautada em elementos de performance, música experimental e a música popular local: caboclinhos, frevo, cambindas e cirandas. Do grupo, que funcionou como escola para artistas como Chico César, Totonho, Escurinho, Adeildo Vieira e Milton Dornellas, derivaram a Coletiva de Música da Paraíba (1976), o Musiclube (1981), o projeto Fala Bairros (1982) e o Movimento dos Escritores Independentes (1984). Pedro Osmar define-se como "guerrilheiro cultural" e sustenta que "a arte deve estar posicionada no seu objetivo maior de educar e educar para transformar". Com o Jaguaribe Carne gravou Jaguaribe Carne Instrumental (1993), Vem no Vento (2003), cuja faixa-título, de sua autoria, venceu o festival Forrofest, e Isabel, 7 Cirandas Negras e Um Apito (2025), com poemas seus escritos após a morte da mãe, Dona Isabel, musicados por Paulo Ró. Foi ainda diretor musical, com Livardo Alves, e autor do projeto gráfico da coletânea Música da Paraíba Hoje (1982), primeiro registro da geração do Musiclube.
No fim da década de 1970 Pedro Osmar tocou viola de dez cordas na banda de Zé Ramalho durante os três primeiros anos de carreira do cantor: participa das faixas "Vila do Sossego", "A Dança das Borboletas" e "Adeus Segunda-Feira Cinzenta" do álbum de estreia Zé Ramalho (1978), assina a capa e o logotipo de A Peleja do Diabo com o Dono do Céu (1979) e aparece no registro ao vivo Cine Show Madureira 1979. No mesmo período suas canções chegaram aos discos de Elba Ramalho, que gravou "Baile de Máscaras" em Ave de Prata (1979), com Pedro na viola e no arranjo, e "Nó Cego" em Capim do Vale (1980); de Amelinha, que registrou "Beijo Morte Beijo" e "Foi Deus que Fez Você" em Porta Secreta (1980); e de Cátia de França, em cujo Estilhaços (1980) toca viola e canta "Meu Boi Surubim" ao lado de Clementina de Jesus.
Em 2004 mudou-se para Santo André, em São Paulo, para ampliar suas conexões musicais. Ali realizou três trabalhos importantes de grupo: o Farinha Digital, parceria com o músico eletrônico e percussionista Loop B (Lourenço Prado Brasil), que une a viola de dez cordas a bases eletrônicas e percussão em objetos de sucata; o projeto foi lançado em CD com o apoio do programa Petrobras Cultural e fez um circuito de lançamento pelo SESI Cultural por cidades do interior do estado de São Paulo. O Aguaúna, coletivo de improvisação livre com os músicos Célio Barros, Fabio Negroni e Guegué Medeiros, e o Sampapeba, com Vicente Barreto, Zeh Rocha, Rafa Barreto, Fábio Barros e Caê Rolfsen, circularam pelas cidades do interior de São Paulo por meio do PROAC do governo do estado. Desde 2000 ministra oficinas de "percussão criativa" em João Pessoa (projeto Folia Cidadã, no Porto do Capim) e em São Paulo (FEBEM-Arte, unidade Brás).
Em 2017 lançou Quem Vem Lá?, CD duplo com 32 canções de todas as fases de sua carreira, entre elas "Baile de Máscaras", "Nó Cego" e "Mote do Navio", que a crítica apontou como um retorno à canção após décadas dedicadas à vanguarda e elegeu entre os melhores discos paraibanos do ano.
Além das gravações de Elba Ramalho e Amelinha no início dos anos 1980, Lenine gravou "Auto dos Congos", parceria dos dois, e "Mote do Navio" no álbum Baque Solto (1983, com Lula Queiroga), "Véu da Noite" (com Lenine e Zé Rocha) no compacto Baque da Era (1984) e voltou a "Mote do Navio" em O Dia em que Faremos Contato (1997); Elba Ramalho regravou "Nó Cego" em Solar (1999) e gravou "Boi Cavalo de Tróia", parceria com Paulo Ró, em ¿Qual o Assunto que Mais Lhe Interessa? (2007); Zé Ramalho gravou "Beijo-Morte-Beijo" (com Jaiel de Assis) em Nação Nordestina (2000); Chico César gravou "Marcha da Calcinha", parceria dos dois, em Francisco Forró y Frevo (2008); o Quinteto da Paraíba, "Auto dos Congos" (2007); o Grupo Cascabulho, "Flora Mourão" (2002); Jarbas Mariz, "Bate Coxa", feita apenas de percussão corporal (2006); e Milton Dornellas gravou várias parcerias com ele em Mandrágora (1993), Ancestrais e Alinhavo (2002). Em 2005 Cátia de França gravou, em produção independente, o álbum Cátia de França canta Pedro Osmar, seu primeiro trabalho apenas como intérprete, reunindo doze composições dele, entre elas "Baile de Máscaras", "Nó Cego", "Mote do Navio" e "Beijo Morte Beijo", além de parcerias com Paulo Ró, Fuba, Águia Mendes e Jaiel de Assis; o disco não chegou a ser lançado comercialmente. Xangai, Zeca Baleiro, Totonho, Escurinho e Gláucia Lima também são citados entre os intérpretes de suas canções.
Textos de Pedro Osmar foram montados por grupos de teatro, como Quem é Palhaço Aqui? (1978, direção de Edilson Dias), Em Sentido Contrário às Máquinas (1992; segundo lugar no Festival de Teatro Comunitário do SESC em 2002, pelo grupo Prefácio) e Fogo Prestes (1998, direção de Horieby Ribeiro, Edmilson Cantalice e Jacinto Moreno). Publicou folhetos e livretos distribuídos pelo estado e os livros Rinocerontes na Sala, Cantigas de Junho e Textos do Equívoco e Outras Taras; integra os movimentos de poesia-processo e arte postal, ao lado de Paulo Bruscky e Daniel Santiago, com exposições e publicações no exterior. Como artista gráfico, assinou capas e encartes de discos, entre eles A Peleja do Diabo com o Dono do Céu e Música da Paraíba Hoje. Organiza o livro A Geração Musiclube e Outras Canções Populares, com depoimentos, fotografias e discografias do período.
O Jaguaribe Carne foi retratado no curta Jaguaribe Carne: alimento da Guerrilha Cultural (2007), de Marcelo Garcia e Fabia Fuzeti. Em 2016 foi lançado o filme Pedro Osmar: Prá Liberdade Que Se Conquista, com direção de Eduardo Consonni e Rodrigo Marques, que resgata o início da história do compositor e mostra um pouco de sua produção recente.
Em 25 de fevereiro de 2022 foi publicada no Diário Oficial do Estado a lei, de autoria da deputada Estela Bezerra e sancionada pelo governador João Azevêdo, que declara a obra de Pedro Osmar patrimônio cultural imaterial do estado da Paraíba, passando seus bens à proteção do poder público nos termos do artigo 216 da Constituição Federal. Em 2024, ao completar 70 anos, foi homenageado com programa especial da Funesc e da Rádio Senado.
Em março de 2021 Pedro Osmar sofreu um acidente vascular cerebral considerado leve e ficou internado por três dias no Hospital Nossa Senhora das Neves, em João Pessoa, recebendo alta em 13 de março. Em 2024 sofreu um novo AVC. Em 9 de novembro daquele ano, integrantes do Musiclube da Paraíba e convidados, entre eles Paulo Ró, Adeildo Vieira, Milton Dornellas, Escurinho, Naldinho Freire, Sandra Belê, Chico Limeira, Gláucia Lima, Fuba e o Coral Voz Ativa, realizaram no Teatro de Arena do Espaço Cultural José Lins do Rego o show beneficente "Eu Canto Música de Amor", acompanhado de uma feira de livros, gravuras e pinturas, para custear as terapias de sua recuperação; o evento foi produzido pelo Coletivo Vem no Vento, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura, da Funesc e da Parahybólica. Pedro Osmar recupera-se em casa, em tratamento com terapias de reabilitação.
Em 1º de julho de 2025, o Conselho Estadual de Políticas Culturais da Paraíba (Consecult-PB), em reunião realizada em Serra Talhada, aprovou a inclusão de Pedro Osmar, ao lado de Mestre Seu Antônio, de Taperoá, e Mestre Chicola, de Pombal, no Registro no Livro de Mestres das Artes (REMA), instituído pela Lei Canhoto da Paraíba (Lei estadual nº 7.694, de 2004), que concede aos mestres e mestras das artes o título e um auxílio vitalício de dois salários mínimos mensais, com a contrapartida de transmitir seus conhecimentos a aprendizes. Ele foi escolhido entre 39 candidatos, após seleção iniciada em edital de 2024.