| Trap | |
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| Origens estilísticas | |
| Contexto cultural | Década de 1990 em Atlanta, Geórgia, EUA |
| Instrumentos típicos | Caixa de ritmos, sampler, sequenciador, sintetizador, fonógrafo, teclado |
| Subgêneros | |
| Gêneros de fusão | |
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Trap é um subgênero da música hip-hop que se originou no sul dos Estados Unidos, com referências líricas à trap a partir de 1991, mas o som moderno do trap aparecendo em 1999. O gênero recebe seu nome do termo do gueto de Atlanta "trap house", uma casa usada exclusivamente para vender drogas. A música trap é conhecida por suas produções simples, rítmicas e minimalistas que usam bateria sintetizada, e é caracterizada por padrões complexos de pratos, caixas, bumbos, alguns afinados com um longo decaimento para emitir uma frequência de graves (originalmente da bateria Roland TR-808), e conteúdo lírico que muitas vezes se concentra no uso de drogas e na violência urbana.
Ganhou popularidade nos Estados Unidos em meados de 2007 com o surgimento de vários grupos de rap e rappers como Gucci Mane, OJ da Juiceman e produtores como Drumma Boy, Shawty Redd e DJ Zaytoven, Logo depois surgiu Lex Luger com a produtora 808 Mafia, ganhando sucesso internacional em 2016. O trap da música eletrônica se originou ao movimento hip-hop que inspirou vários DJ de electronic dance music. O estilo é caracterizado por ritmo calmo há agressivo e som que incorpora a caixa de ritmos Roland TR-808, bumbos sub-baixo, em tempo duplo, em tempo triplo e outros tempos mais rápidos de divisão chimbais, sintetizadores em camadas, e cordas "cinematográficas", sendo estes elementos muito utilizados no house music e suas vertentes.
O trap chegou finalmente ao rap brasileiro em 2014, através do álbum Cores & Valores do grupo Racionais MC's; o álbum foi finalizado no Quad Recording Studios NYC (o mesmo utilizado por artistas como 2Pac e Biggie) e trouxe não só batidas diferentes, como letras que abordavam temas como: ostentação, o bem estar, a recuperação dos principais membros do grupo, e até amor. O novo estilo não agradou muitos fãs antigos do grupo, acostumados com Boom Bap e letras "cruas"; no entanto, isso não impediu o crescimento do subgênero no país, já que a partir deste ponto de partida, artistas como: Naio Rezende, Jé Santiago, Dfideliz, Matuê e Raffa Moreira dentre outros começaram a incorporar elementos do gênero em suas músicas. A fusão do trap com influências do funk carioca, do pop e da música eletrônica brasileira resultou em um estilo autêntico e inovador.
Trap é um estilo instrumental, onde combinam ritmos de diferentes músicas, sons, onomatopeias e incorpora um extenso uso de sintetizadores multidimensionais e melódicas bem desalinhadas; músicas boas, laços nítidos e rítmicos; profundos 808, bumbos, sub-graves; em tempo duplo, triplo e em tempo semelhante divididos chimbais; e uma utilização cinematográfica e sinfônica de instrumentos de corda, de sopro e teclado criando uma atmosfera sombria, densa, cruel e um contexto triste e desolador para os ouvintes.
Outros temas líricos da música trap incluem criminalidade, tráfico de drogas, festas, sexo, cadeia, religião, violência, armas, gangues, problemas sociais, familiares, amigos, emoções e sentimentos pessoais, o niilismo, negócios, mudanças da indústria da música, rebelião, ressentimento, palavrões, o racismo, a consciência, vida, morte, política, materialismo e riqueza.
Em 2012, novos estilos do trap, como "trap house", "trap-ah-ton", começaram a ganhar popularidade. A maioria destes subgêneros combinava padrões de bateria/caixa de ritmos em estilo trap com sintetizadores EDM e, bumbo marcante da bateria Roland TR-808, criando batidas e melodias fora do comum. Produtores de eletrônica, como Diplo, Dj Kington, DJ Snake, Dillon Francis, GTA, NGHTMRE, Tomsize, Boaz Van De Beatz, GRANDTHEFT, Zeds Deads, Ookay, TNGHT, Baauer, Flosstradamus, RL Grime, e Yellow Claw expandiram a popularidade destes desenvolvimentos da música trap, ganhando a atenção dos fãs de música eletrônica.
Na segunda metade de 2012, essas novas ramificações da música trap desenvolvida ganhou popularidade viral e fez um impacto notável sobre música eletrônica. A música foi inicialmente apelidada simplesmente como "trap" pelos produtores e fãs, o que levou ao termo "trap" sendo usado para tratar a música de ambos os rappers e produtores eletrônicos, isso gerou muita confusão entre os seguidores de ambos. Em vez de se referir a um único gênero, o termo "trap" tem sido usado para descrever dois gêneros distintos de rap e dance music. A nova onda do gênero tem sido rotulada por alguns como EDM trap para distingui-lo do gênero rap. A evolução do EDM trap tem visto incorporações e influências estilísticas de dubstep, com Rebecca Haithcoat do LA Weekly dizendo "você poderia basicamente chamá-lo a próxima fase do dubstep. Toca-se em um clube-ready 140 bpm, enquanto mantêm "gotas de dubstep" e ele continua a crescer em popularidade.
Em 2013, um vídeo feito por um fã de música eletrônica da canção do produtor de música trap Baauer, "Harlem Shake", se tornou um meme da internet, impulsionando a caminho de se tornar a primeira música em estilo trap a chegar ao topo da Billboard Hot 100. Cinco populares produtores de música trap EDM se apresentaram no Ultra Music Festival nos Estados Unidos - Carnage, ƱZ, DJ Craze, Baauer e Flosstradamus. O festival Tomorrowland 2013 contou com uma "Trap Stage".
Em 10 de fevereiro de 2013, All Trap Music lançou seu primeiro álbum de compilação que contou com dezenove faixas de artistas como RL Grime, Flosstradamus, Baauer, Bro Safari, Buku, 12th Planet, Hucci e UZ. Descrito pela imprensa musical como o primeiro álbum de seu tipo alcançou o número dois na parada dance iTunes com a Vibe Magazine afirmando que foi o "mais vendido álbum trap do mundo de todos os tempos".
Os pioneiros do gênero são DJ Paul, Shawty Redd, 808 Mafia e Lex Luger. Rappers como Chief Keef e Waka Flocka Flame, Gucci Mane, Rick Ross, Nicki Minaj, Future e Fetty Wap também estão na lista, Young Thug e Migos são grandes influenciadores do mesmo.
Trap-soul é um gênero que surgiu da fusão entre o trap e o soul/R&B, que se tornou popular através do álbum de estreia "Trapsoul" do cantor estadunidense Bryson Tiller, lançado em 2015 e consiste em um ritmo de música mais suave, oposto ao conteúdo pesado do trap, que agrada tanto os amantes de trap, quanto aos amantes da música soul. Que segundo o portal BET.com: o trap-soul é “um novo gênero de soul que foi criado no século XXI, que infunde soul, rap e R&B". Jhené Aiko, Kehlani, PartyNextDoor, Khalid, Summer Walker, Alicia Keys, Ty Dolla $ign, Tory Lanez, são alguns dos artistas expoentes do gênero.
O trapfunk é a fusão do trap com funk brasileiro, dancehall e R&B, um subgênero do rap brasileiro, que une o batidão clássico funk e o som pesado do trap, a vivência das favelas brasileiras com o estilo gringo de ostentação. Um cenário que mostra o reconhecimento deste gênero musical nos grandes festivais, foi o show no Lollapalooza 2020 com WC, Ludmilla, PK, Filipe Ret, Haikais, Felp 22 e, Kevin O Chris.
Fusão do trap com o pagode.
O gênero trap possui termos linguísticos que usados na cultura do hip-hop: "skrt" usado no início das músicas de trap, e referencia ao barulho que os carros fazem durante a derrapagem na pista (drift); "drip" representa pessoas com estilo marcante, usam roupas de grifes; "hype" termo é usado para mostrar que algo ou alguém que está em alta na mídia; “hoe” e em português "do job" refere-se as pessoas que trabalham com prostituição; "ballena" refere-se à uma bebida alcoólica; "glock" refere-se a uma arma.
Dia Nacional do Trap é uma denominação informal usada por artistas e fãs para se referir à mobilização ocorrida em 23 de novembro 2025, quando diversos músicos de trap brasileiro organizaram apresentações alternativas após o cancelamento do último dia do festival CENA 2K25, que aconteceria na Neo Química Arena, em São Paulo. O termo passou a circular nas redes sociais como referência ao dia em que a comunidade do trap se uniu para manter as apresentações ao público, apesar da suspensão do evento principal.
O festival CENA surgiu em 2019 como um evento dedicado ao rap e ao trap, reunindo artistas nacionais e internacionais. Em sua edição de 2025, intitulada CENA 2K25, o festival enfrentou problemas operacionais e estruturais que culminaram em seu cancelamento parcial. Em 22 de novembro de 2025, uma briga entre a equipe do rapper Major RD e seguranças do evento resultou em tumulto nos bastidores, incluindo a explosão de um artefato.
No dia seguinte, a Polícia Militar reprovou a estrutura de atendimento médico apresentada pelos organizadores, considerada insuficiente para garantir a segurança do público, resultando na suspensão do terceiro dia de festival. Diversas atrações internacionais — incluindo Young Thug, ASAP Ferg, Skepta, Lil Gotit, Oodaredevil e Zukenee — cancelaram suas apresentações devido a problemas contratuais e alegações de falta de pagamento.
Após o cancelamento, diversos artistas anunciaram espontaneamente que realizariam apresentações alternativas para não deixar o público desassistido. O rapper M’Dep (meninodep) foi o primeiro a declarar que realizaria um show independente e convidou outros artistas a fazer o mesmo. Em poucas horas, foram organizados quatro eventos simultâneos na Grande São Paulo, com participação de M’Dep, Matuê, Veigh, Raffa Moreira (BC Raff), Aka Rasta, Menor MC, PHL Noturnboy e outros artistas.
As apresentações ocorreram em diferentes casas de shows:
Os shows alternativos lotaram rapidamente, e muitos artistas permitiram a entrada de fãs que apresentassem o ingresso do CENA 2K25, sem custo adicional. O episódio foi interpretado por parte do público como um gesto de união dentro da cena do trap.
A expressão "Dia Nacional do Trap" se popularizou nas redes sociais como forma de marcar simbolicamente a data da mobilização coletiva. A denominação, entretanto, não possui reconhecimento oficial.