Tratado de 815

Tratado de 815
Tipopaz
Assinado815
Signatário(s)Império Bizantino e Império Búlgaro
Língua(s)grego e búlgaro

O Tratado de 815 (em búlgaro: Договор от 815) foi um acordo de paz de 30 anos assinado em Constantinopla entre o cã Omortague e o imperador Leão V, o Armênio.

Antecedentes e tratado

Leão sendo coroado imperador. Iluminura do Escilitzes de Madri

Com a sucessão do trono búlgaro por Crum em 803 começou a última e decisiva parte de uma prolongada sucessão de conflitos bizantino-búlgaros que começou em 756. Por um pouco mais de uma década até sua morte em 814, Crum alcançou significativos sucessos sobre o Império Bizantino, sitiando a importante cidade de Sérdica em 809 e derrotando decisivamente os exércitos bizantinos no passo de Varbitsa e em Versinícias. Seu filho e sucessor Omortague tentou continuar a política agressiva de Crum mas sua campanha em 814 foi parada pelos bizantinos. Como ambos os Estados estavam exaustos pelo esforço militar, as negociações de paz começaram.

No começo de 815 Omortague enviou emissários para Constantinopla para negociar a paz. A cerimônia de assinatura foi um evento solene e foi realizado na presença de numerosas pessoas. O acordo visava que o Império Bizantino devia prometer voto aos costumes pagãos búlgaros e os emissários de Omortague as leis cristãs. Os historiadores bizantinos estavam indignados pelas ações do imperador. Eles registram que o governante "mais cristão" teve que derramar água de um copo no chão, pessoalmente colocar selas em cavalos, tocar rédeas triplas e levantar grama alto acima do solo.[a] Outro historiador acrescentou que Leão até mesmo teve que dilacerar cães como testemunhas de seu voto.

Termos

Cã Omortague assiste a execução do bispo Manuel. Iluminura do Escilitzes de Madri
Omortague envia uma delegação à Constantinopla. Iluminura do Escilitzes de Madri

Registros bizantinos dos termos do tratado não foram preservadas, porém os primeiros dois artigos dos quatro originais sobreviveram na Inscrição Süleymanköy em língua grega:

Rescaldo

Ataque búlgaro sob Omortague às tropas de Tomás. Iluminura do Escilitzes de Madri

Embora o tratado foi favorável à Bulgária, era um pausa bem-vinda para os bizantinos, que tinham reagrupado suas forças após sucessivas derrotas, e que enfrentaram outro turno de tumulto interno devido ao ressurgimento da iconoclastia. A Bulgária por outro lado também enfrentou problemas religiosos, como o surgimento de numerosos cristãos perturbando Omortague: o cã começou perseguições anti-cristãs, nas quais seu filho mais velho Enravota também foi vitima. Os búlgaros também tinham restaurado sua economia após os conflitos sangrentos da primeira década do século, enquanto sua capital Plisca ainda estava em ruínas.

O tratado de paz foi reafirmado em 820 quando o imperador Miguel II, o Amoriano assumiu o trono bizantino. Omortague e Miguel II adicionalmente concordaram em providenciar ajuda um ao outro em caso de perigo. Fiel à sua palavra, em 823 Omortague libertou Constantinopla do cerco do rebelde Tomás, o Eslavo; devido a escassez de fontes não há consenso se os búlgaros venceram ou não o exército rebelde.

Notas

[a] ^ O juramento pagão búlgaro tinha um significado simbólico profundo. O derramamento de água foi um lembrete que se o juramento é quebrado, sangue seria derramado. No mesmo sentido foi explicado o girar da sela - um aviso que o infrator não seria capaz de andar e cairia morte de seu cavalo durante batalha. A rédea tripla simbolizava a resistência do acordo e o levantamento da grama lembra que não grama sobraria no país inimigo se a paz fosse quebrada. O sacrifício de cães foi um costume comum entre os povos turcos que fortaleceu ainda mais o tratado.
[b] ^ Para a interpretação dos assentamentos ver Zlatarski, Notices for the Bulgarians, pp. 67—68.

Referências

  1. ↑ Cedreno século XI, p. 54.
  2. ↑ Zonaras século XII, p. 381.
  3. ↑ Boor 1880, p. 206-207.
  4. 1 2 3 4 Andreev 1996, p. 58.
  5. ↑ Zlatarski 1971, p. 385.
  6. ↑ Zlatarski 1971, p. 387.
  7. ↑ Zlatarski 1971, p. 429-430.
  8. ↑ Zlatarski 1971, p. 389.
  9. ↑ Kazhdan 1991, p. 1210.
  10. ↑ Parry 2010, p. 48.
  11. ↑ Bury 1912, p. 101-102.
  12. ↑ Lemerle 1965, p. 279–281, 291.
  13. ↑ Treadgold 1988, p. 240.

Bibliografia