Trichoderma reesei é um fungo filamentoso mesofílico, anamorfo e saprófito que revolucionou a biotecnologia industrial devido à sua extraordinária capacidade de secretar grandes quantidades de enzimas celulolíticas. Isolado originalmente nas Ilhas Salomão durante a Segunda Guerra Mundial, após degradar de forma destrutiva as tendas de algodão e fardamentos militares do exército norte-americano, este micro-organismo foi inicialmente identificado como Trichoderma viride e, posteriormente, renomeado em homenagem ao cientista Elwyn T. Reese. O fungo converte eficientemente a biomassa lignocelulósica complexa em açúcares simples através da secreção sinérgica de um poderoso coquetel enzimático composto por celobio-hidrolases (exoglucanases), endoglucanases, betaglicosidases e hemicelulases. Na indústria contemporânea, linhagens hiperprodutoras obtidas por mutagénese clássica e engenharia genética são amplamente exploradas na produção global de bioetanol de segunda geração a partir de resíduos agrícolas, no biotratamento de fibras na indústria têxtil, no desbaste enzimático e branqueamento de pasta de papel, e na melhoria da digestibilidade de rações na nutrição animal. O sequenciamento completo do seu genoma revelou um número surpreendentemente reduzido de genes codificadores de hidrolases de glicosídeo quando comparado com outros fungos decompositores, um paradoxo biológico que evidencia uma maquinaria de transcrição e expressão proteica altamente especializada e eficiente que consolidou esta espécie como o principal sistema hospedeiro e modelo de bioengenharia para a transição em direção a uma bioeconomia sustentável.