Em esportes, tríplice coroa no Brasil e triplete em Portugal são termos desportivos que se referem ao feito de uma equipe conquistar três competições diferentes em uma mesma temporada.
A simbologia da "tríplice coroa" remete ao período dos grandes impérios, evocando a figura de um rei ou militar, que administra simultaneamente três territórios. Está presente no Brasão de armas da Suécia, da província de Munster (Irlanda) e da cidade de Kingston upon Hull (Inglaterra), entre outros. "Tríplice coroa" é também um dos nomes dados à Tiara papal ("Tríplice Tiara" ou "Triregnum"), utilizada desde o século XIV como símbolo da autoridade do Papa da Igreja Católica e abandonada por Paulo VI em 1963, que encerrou a segunda sessão da Concílio Vaticano II. O 3 é um número de forte simbolismo em diferentes áreas.
O termo tríplice difere das equivalentes sucessoras (quádrupla, quíntupla e sêxtupla), não sendo tripla coroa uma expressão habitual, do mesmo modo que quadrúplice coroa também não o é. Dentre os sinônimos, destaca-se triplete.
Em Diva (1864), José de Alencar, renomado escritor cearense, fez o seguinte uso da expressão: (...) não perdoavam a Emília tantas superioridades, como ela tinha; pois cingia-lhe a fronte a tríplice coroa da beleza, do espírito e da riqueza (p. 10).
Entidades esportivas, imprensa especializada e estudiosos do esporte consideram diferentes conceitos de "tríplice coroa" no futebol, mas não existe um real caráter de "oficialidade", sendo uma conquista simbólica, com o seu significado segundo o consenso social.
De forma ampla, pode-se ter como referência não uma temporada-ano, como é mais comum, mas uma sequência de conquistas consecutivas, interligadas ou não, em anos diferentes.
Outrossim, o termo é usado quando se conquista os diferentes níveis (profissional, sub-20 e sub-17, por exemplo) de certa competição seguidamente.
Conceito popular no futebol brasileiro para conquistas internacionais sequenciadas entre seleções nacionais. O termo é usado em conquistas diferentes consecutivas ou conquistas dos diferentes níveis (profissional e categorias de base) da mesma disputa.
Em alguns países, além da liga e da copa nacional, possuem uma copa secundária nacional. Assim, a tríplice doméstica (em inglês: domestic treble) se refere a conquista das três competições nacionais em uma mesma temporada.
Dois exemplos da façanha: o clube português Benfica conseguiu um inédito feito na temporada de 2013–14, ao conquistar a Primeira Liga, a Taça de Portugal e a Taça da Liga; o clube escocês Celtic venceu a Liga Escocesa, a Copa da Escócia e a Copa da Liga Escocesa em quatro temporadas consecutivas, 2017 a 2020.
Na Europa, chama-se dobradinha (em inglês: double) a conquista, em uma mesma temporada, da liga e da copa de um país. A tríplice continental (em inglês: continental treble), em geral chamada de tríplice coroa (em inglês: triple crown ou treble) é conferida ao clube que, além de conquistar a dobradinha no seu país, vence também a competição continental mais importante, a Liga dos Campeões da UEFA.
Apenas 11 vezes uma equipe europeia conquistou uma tríplice coroa, formando um conjunto de 9 clubes:
Considerando a Copa da UEFA, foram os vencedores:
A "tríplice coroa brasileira", como ficou consagrada a inédita trinca do Cruzeiro em 2003, envolve as duas grandes competições da CBF (Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil) e o estadual. De modo geral, porém, no Brasil usa-se o termo "tríplice coroa" para a conquista de três títulos oficiais quaisquer numa mesma temporada. Em 2021 o Atlético Mineiro, repetiu o feito de seu maior rival, conquistando a "tríplice coroa brasileira", apelidada pelos atleticanos de "triplete alvinegro".
Exemplos do termo aplicado a feitos de jogadores:
No futsal brasileiro, a "tríplice coroa nacional" é a aplicação mais popular do título. A honraria é conquistada por equipes que vencem a Liga Nacional (competição de maior relevância do país), a Taça Brasil (copa nacional mais tradicional) e o campeonato estadual na mesma temporada.
Até o momento, apenas quatro clubes alcançaram o feito: Vasco da Gama, em 2000; Jaraguá, em 2005 e 2008; Carlos Barbosa, em 2009; e Joinville, em 2017.[carece de fontes]
A tríplice coroa do automobilismo é composta pelas três seguintes conquistas: O Grande Prêmio de Mônaco, as 500 Milhas de Indianápolis e as 24 Horas de Le Mans.
No beisebol, a tríplice coroa não se refere a títulos conquistados pelos clubes, mas sim a conquistas dos atletas individualmente.
Na National Football League (NFL), a liga de futebol americano dos Estados Unidos, diz-se que um recebedor conquistou a tríplice coroa se ele liderar a liga em recepções, jardas recebidas e touchdowns recebidos em uma temporada específica. Terminar em primeiro lugar empatado em qualquer uma ou todas essas três categorias também é considerado suficiente. O termo tríplice coroa tem sido usado para descrever esse feito pelo menos desde 1990, quando foi alcançado por Jerry Rice.
Desde que a NFL começou a manter estatísticas em 1932, a tríplice coroa foi conquistada dezessete vezes por treze jogadores diferentes, incluindo um jogador (Lance Alworth) que atingiu tal marca jogando na American Football League (AFL), a NFL adotou os recordes da AFL quando as duas ligas se fundiram em 1970.
Fala-se em "tríplice coroa da atuação" (em inglês, "Triple Crown of Acting") para atores ou atrizes que sejam premiados por seus trabalhos nos três diferentes veículos: cinema, teatro e televisão, respectivamente com os Prêmios Óscar, Tony e Emmy.
No mundo dos concursos de beleza, a imprensa especializada dos Estados Unidos atribui a "tríplice coroa" para modelos que sejam premiadas em seu estado nos três diferentes sistemas (Miss Teen USA, Miss USA e Miss America).
Seleção da França comemora a conquista da tríplice coroa: Copa do Mundo em 1998, Eurocopa em 2000 e a Copa das Confederações em 2001
[...] o termo é usado aqui de qualquer forma.
De uma maneira geral, a Tríplice Coroa não tem obrigatoriedade de títulos específicos