| Tuvaluano Te Ggana Tuuvalu | ||
|---|---|---|
| Pronúncia: | [tɛ 'ŋːa.na ˌtːuː.'va.lu] | |
| Outros nomes: | Eliceano | |
| Falado(a) em: | Tuvalu | |
| Região: | Polinésia | |
| Total de falantes: | c. 13 mil (2015) | |
| Família: | Austronésia Malaio-polinésia Oceânica Polinésia Samoica Tuvaluano | |
| Escrita: | Alfabeto latino | |
| Estatuto oficial | ||
| Língua oficial de: | | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | -- | |
| ISO 639-2: | tvl | |
| ISO 639-3: | tvl
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| Glottolog: | tuva1244
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O tuvaluano é classificado como uma língua definitivamente ameaçada segundo o Atlas Mundial das Línguas em Perigo (2010) da UNESCO
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A língua tuvaluana (em tuvaluano: te ggana tuuvalu, AFI: [tɛ 'ŋːa.na ˌtːuː.'va.lu]), também conhecida como eliceano, é uma língua pertencente ao ramo polinésio da família austronésia, utilizada pelo povo nativo das nove ilhas e atóis de Tuvalu, na região da Polinésia, no Oceano Pacífico.
É uma das línguas oficiais de Tuvalu, cuja população é de 10 643 habitantes, de acordo com o censo de 2022. Estima-se que haja cerca de 13 mil falantes da língua ao redor do mundo. Há uma importante comunidade tuvaluana na Nova Zelândia composta por cerca de 4 mil pessoas, das quais mais da metade é capaz de falar o idioma. No entanto, a influência crescente do inglês, particularmente entre as gerações mais jovens, gerou preocupações em relação à preservação da língua, sendo atualmente classificada como "definitivamente ameaçada" pelo Atlas Mundial das Línguas em Perigo de 2010 da UNESCO.
Existem sete dialetos diferentes do tuvaluano, cada um pertencente a um dos atóis em que a língua é nativamente falada, sendo todos mutualmente inteligíveis. Os idiomas que mais a influenciaram ao longo do tempo foram o kiribati, o samoano e o inglês, principalmente durante e após o período colonial. Uma grande ameaça à preservação do tuvaluano atualmente são as mudanças climáticas e a elevação do nível dos mares e oceanos, que comprometem a integridade territorial de Tuvalu.
Desde a extinção do "Tuvaluan Language Board" (TLB), não há um órgão regulador do idioma, que apresenta sistemas ortográficos concorrentes para a representação de consoantes geminadas e vogais alongadas, características que são fonêmicas na língua. Marcadores prepostos aos verbos indicam tempo, aspecto e modo. A ordem da frase mais comum é OVS, ainda que existam indícios de que a ordem padrão originalmente era VSO, e o alinhamento é ergativo-absolutivo.
O termo te ggana tuuvalu é um endônimo, significando literalmente "a língua tuvaluana". Tuuvalu, por sua vez, remete a algo como "oito tradições" ou "oito ficam juntos", uma referência às oito das nove ilhas e atóis do país naturalmente habitados. Os nativos também se referem ao idioma mais frequentemente e menos formalmente como te ggana a taatou, traduzido como "a nossa língua".
Menos comumente, o termo "eliceano" pode ser utilizado, um exônimo derivado do nome que os britânicos atribuíram ao arquipélago durante o período colonial, Ilhas Ellice, quando a região fazia parte do protetorado das Ilhas Gilbert e Ellice. O capitão Arent de Peyster avistou as ilhas em 1819 enquanto navegava com o navio Rebecca, e deu ao atol de Funafuti o nome de "Ilha de Ellice", em homenagem ao político e mercador britânico Edward Ellice, dono da carga do navio.

O tuvaluano é nativamente falado em sete das ilhas e atóis naturalmente habitados de Tuvalu, na Polinésia, no sul do Pacífico Central. Cada uma delas apresenta um dialeto distinto. Os habitantes de Nui tradicionalmente falam kiribati, o idioma do Kiribati, mas atualmente são em sua maioria fluentes também em tuvaluano e inglês. Existem cerca de 10 mil falantes da língua em Tuvalu.
Existem comunidades importantes de tuvaluanos em diversos outros países, principalmente na Nova Zelândia, com cerca de 4 mil pessoas dessa etnia, sendo que aproximadamente metade delas fala a língua. Outros importantes destinos de emigrantes tuvaluanos são Austrália, Kiribati, Fiji, Ilhas Marshall, Nauru e Estados Unidos.
Cada uma das sete ilhas e atóis em que o tuvaluano é falado nativamente possui um dialeto próprio. Os dialetos são todos mutualmente inteligíveis e se diferenciam principalmente na fonologia (particularmente na fonologia suprassegmental) e no léxico e, em menor nível, através de morfemas gramaticais que apresentam uma forma diferente ou estão ausentes em outros dialetos. Todos os dialetos possuem essencialmente a mesma estrutura sintática.
Apesar da ausência, atualmente, de um estudo aprofundado nas variações dialetais do tuvaluano, existe uma divisão clara em duas regiões dialetais: uma agrupando Nanumea, Nanumaga e Niutao, ao norte, e outra reunindo Funafuti, Vaitupu, Nukufetau e Nukulaelae, ao sul. No norte, as falas de Nanumea e Nanumaga compartilham mais características entre si que com a fala de Niutao, enquanto no sul não há evidências de subdivisões. Os estudos das diferenças dialetais são dificultados pelos constantes contatos e interações entre os dialetos ao longo do tempo, um influenciando o outro.
Os dialetos de Funafuti e Vaitupu, muito semelhantes entre si, tornaram-se dominantes desde a primeira metade do século XX, formando juntos uma forma de língua padrão chamada pelos nativos de te ggana maasani ("a língua comum"). Funafuti é a sede do governo nacional e transmite a Radio Tuvalu, ouvida por grande parte da população, enquanto Vaitupu abriga a maior (e por muitos anos a única) escola secundária do país. O maior fluxo de migrações internas no país vai em direção a esses dois atóis e todos os falantes de tuvaluano estão, no mínimo, familiarizados com esses dois dialetos, embora os falantes dos dialetos do norte muitas vezes usem o seu próprio dialeto em contextos públicos fora das respectivas comunidades.
O tuvaluano é uma das aproximadamente trinta línguas polinésias, que são por sua vez um ramo das austronésias oceânicas, fazendo parte do subgrupo das línguas polinésias nucleares, mais especificamente das línguas samoicas.
| Samoica |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Português | Tuvaluano | Niueano | Samoano | Sikaiana | Takuu | Havaiano |
|---|---|---|---|---|---|---|
| céu | /laŋi/ | /laŋi/ | /laŋi/ | /lani/ | /ɾani/ | /lani/ |
| mulher | /fafine/ | /fifine/ | /fafine/ | /hahine/ | /ffine/ | /wahine/ |
| casa | /fale/ | /fale/ | /fale/ | /hale/ | /faɾe/ | /hale/ |

As três línguas que mais influenciaram o tuvaluano foram o kiribati, o samoano e o inglês. O contato entre o tuvaluano e o kiribati remonta ao período pré-colonial, quando muitas técnicas e tecnologias kiribatis foram assimiladas pelos tuvaluanos, e com elas parte de seu vocabulário técnico. Durante o período colonial, a administração do protetorado estava concentrada no Kiribati, fazendo desse arquipélago e de sua cultura importantes para o povo tuvaluano.
A influência do samoano deve-se principalmente à influência dos missionários cristãos que foram de Samoa a Tuvalu.
O inglês foi a última língua a exercer uma influência grande sobre o tuvaluano. Mesmo durante o período colonial, o contato entre as línguas era mínimo, já que grande parte das decisões políticas estavam centradas no Kiribati. Nesse período, formas crioulas eram usadas para se comunicar com os ingleses. A partir da independência de Tuvalu, a influência do inglês sobre o tuvaluano cresceu consideravelmente. Atualmente, existem diversos empréstimos ingleses na língua, e o inglês é ensinado nas escolas como uma segunda língua, sendo falado pela maioria dos tuvaluanos.
A partir do século XX, as migrações de tuvaluanos para outras localidades em busca de oportunidades se tornou comum, principalmente para outras regiões do Pacífico. Destacam-se as comunidades tuvaluanas em Kioa e Suva, que ficam em Fiji; em Nauru, onde muitos tuvaluanos foram trabalhar nas minas de fosfato; no Kiribati, devido à aproximação causada pelo colonialismo britânico; em Apia, capital de Samoa; e em diversas localidades da Austrália. No entanto, o destino que recebeu a maior quantidade de tuvaluanos foi a Nova Zelândia, principalmente as cidades de Auckland e Wellington. Como exceção, os Estados Unidos também abrigam uma significativa comunidade tuvaluana, apesar do distanciamento geográfico.
Além dos fatores históricos, outro importante motivo que leva tuvaluanos a migrarem para outros países atualmente são as mudanças climáticas e a elevação do nível dos mares e oceanos. Por sua constituição por atóis, Tuvalu está especialmente vulnerável a essas mudanças (a elevação média do território tuvaluano é de 2 metros acima do nível do mar). Projeções da NASA especulam que em 2050 metade do atol de Funafuti, onde a maior parte dos tuvaluanos vive, estará coberta por água.
Em 2023, o então primeiro-ministro de Tuvalu Kausea Natano e o primeiro-ministro da Austrália Anthony Albanese assinaram o primeiro acordo bilateral a se voltar para questões climáticas na história, o Tratado de Falepili, que determina, entre outras resoluções que 280 tuvaluanos poderiam migrar para a Austrália anualmente como forma de proteção aos refugiados climáticos.

Atualmente, existe um esforço por parte das autoridades e do povo tuvaluanos para que a cultura e a identidade nacionais sejam preservados em outras localidades, mesmo com a ameaça constante à integridade física do território, sendo a preservação do idioma tuvaluano uma de suas prioridades.
Como todas as outras línguas polinésias, o tuvaluano descende de uma língua ancestral, que é referida por linguistas históricos como proto-polinésio, falada há aproximadamente 2 mil anos.
Tradições orais indicam que os primeiros habitantes do arquipélago vieram de Samoa ou de regiões próximas, o que é confirmado pela proximidade linguística dos idiomas. Não se sabe ao certo quando esse estabelecimento ocorreu, mas arqueólogos estimam que tenha sido por volta dos séculos III e IV da era cristã.

Até o começo do século XX, Tuvalu permaneceu essencialmente isolado de culturas não polinésias. Ainda que o explorador espanhol Álvaro de Mendaña de Neira tenha avistado Nui e Niulakita no século XVI, poucos navios atracaram nas ilhas do grupo antes do fim do período colonial.
Por estar fora das principais rotas de comércio e por causa de sua falta de recursos exploráveis, por muito tempo Tuvalu deixou de ser alvo do colonialismo europeu vivenciado por outras regiões do Pacífico. A história política e religiosa do grupo também contribuiu para seu isolamento.
Depois de se tornar um protetorado britânico em 1892, o grupo foi reunido junto com as Ilhas Gilbert (atualmente Kiribati) e outros grupos menores na colônia das Ilhas Gilbert e Ellice.
Durante sua história colonial, Tuvalu foi a parte negligenciada de um território por si só marginalizado. Além disso, não recebeu o fluxo de contato associado aos esforços missionários europeus e estadunidenses observados em outras localidades do Pacífico. A missionação das ilhas do grupo foi, em essência, realizada por pastores samoanos treinados pela escola da Sociedade Missionária de Londres em Malua, Samoa.
Esse processo deixou marcas profundas em muitos aspectos da sociedade tuvaluana, incluindo a língua. Até recentemente, toda a população de Tuvalu era fluente em uma variante bem “tuvaluanizada” do samoano, ainda que tivessem pouco contato com os nativos, já que era nessa língua que estavam disponíveis as Escrituras Sagradas Cristãs, base não só religiosa como também para a alfabetização.
Hoje em dia, o conhecimento do samoano está decrescendo de forma acelerada, processo que tende a se intensificar com a recente tradução de materiais religiosos para a língua tuvaluana. Ainda assim, o idioma samoano deixou uma marca perene no vocabulário e na morfologia do tuvaluano.
A língua tuvaluana foi mencionada pela primeira vez na literatura em 1846 por Horatio Hale, um filólogo da Expedição de Exploração dos Estados Unidos. Em seu trabalho filológico, Hale apresenta uma lista de 120 palavras do dialeto Vaitupu do tuvaluano, apontando significativas semelhanças entre a língua e o toquelauano. Diversos outros trabalhos publicados no início do século XX apresentaram listas de vocabulário com extensões variadas e outras características gerais do idioma.
Ao longo do século XX, foram produzidos estudos mais detalhados a respeito da morfologia, sintaxe, léxico e variação dialetal da língua, bem como explorando aspectos da linguística antropológica e sociolinguística.
Em 1999, Geoffrey e Jenny Jackson publicaram uma introdução à língua tuvaluana, ideal para um primeiro contato com o idioma. No ano seguinte, Niko Besnier publicou a primeira gramática da língua. Foi Besnier quem produziu a maior quantidade de material a respeito do tuvaluano, tanto descritivo quanto lexical. Atualmente, o linguista e cientista político Emanuel Fuchs destaca-se no estudo do idioma.
Como a maioria das outras línguas polinésias, o tuvaluano apresenta relativamente poucas unidades fonológicas distintas em seu inventário fonêmico. No entanto, consoantes podem ser geminadas e vogais podem ser alongadas, em contraste a outras línguas mais próximas, em que apenas vogais podem apresentar a forma mais longa.
O tuvaluano possui 11 fonemas consonantais, dos quais 10 apresentam tanto a forma simples como a geminada. Todas as plosivas são desvozeadas, enquanto a única fricativa vozeada é o /v/. Ademais, a língua apresenta três consoantes nasais e a aproximante lateral alveolar /l/. A fricativa glotal desvozeada /h/ é usada apenas em circunstâncias muito restritas no dialeto Nukulaelae.
| Bilabial | Labiodental | Alveolar | Velar | Glotal | ||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Plosiva | simples desvozeada | p | t | k | ||
| geminada desvozeada | pː | tː | kː | |||
| Nasal | simples | m | n | ŋ | ||
| geminada | mː | nː | ŋː | |||
| Fricativa | simples desvozeada | f | s | h | ||
| geminada desvozeada | fː | sː | ||||
| simples vozeada | v | |||||
| geminada vozeada | vː | |||||
| Lateral | simples | l | ||||
| geminada | lː | |||||
O tuvaluano apresenta cinco vogais. Há pouca variação na realização fonética, a não ser pelo fato de que as vogais médias podem se tornar um pouco mais baixas quando um /a/ tônico precede ou sucede esses sons. Todas as vogais podem apresentar duração curta ou longa.
| Anterior | Central | Posterior | ||
|---|---|---|---|---|
| Fechada | curta | i | u | |
| alongada | iː | uː | ||
| Semiaberta | curta | ɛ | ɔ | |
| alongada | ɛː | ɔː | ||
| Aberta | curta | a | ||
| alongada | aː | |||
O tuvaluano lembra a maior parte das outras línguas polinésias ao permitir apenas sílabas abertas (sílabas que terminam em sons vocálicos, geralmente longos) e não permitindo encontros consonantais (a não ser pelas consoantes geminadas). Sequências de vogais, no entanto, são teoricamente ilimitadas. Qualquer consoante pode aparecer no início de palavras.
As vogais podem aparecer em qualquer posição na palavra e todas as combinações de duas vogais foram atestadas. Combinações de três ou quatro vogais também existem, mas são menos comuns. Só existem duas combinações de cinco vogais, eiauee e oiauee, interjeições de lamento ou dor.
A estrutura silábica do tuvaluano pode ser resumida da seguinte forma: (C(:))V(:), ou seja: uma consoante opcional que pode ser simples ou geminada, seguida por uma vogal obrigatória curta ou longa.
Vogais longas contam como duas moras, e seu tempo de duração é um pouco menor que o dobro do de vogas curtas. Não há diferenças significativas em outras características articulatórias de vogais curtas e longas. Quando, no processo morfológico, ocorre uma sequência de três ou mais vogais idênticas, geralmente elas são simplificados para uma vogal longa só, com duas moras.
Quando há duas consoantes idênticas separadas por uma vogal curta átona, essa vogal é eliminada e a consoante se torna geminada. A geminação de consoantes nasais, fricativas e líquidas se dá através de um pequeno aumento no tempo de articulação desses sons. Já as plosivas são mais fortemente aspiradas.
Em tuvaluano, a tonicidade é previsível e, portanto, não fonêmica. O acento tônico primário sempre recai sobre a penúltima mora da palavra. O acento tônico secundário acontece em palavras com quatro moras ou mais, sendo posicionado duas moras antes do acento tônico primário. O acento tônico terciário recai sobre a mora imediatamente anterior à que recebe a tonicidade primária, desde que não seja parte de uma vogal longa que já esteja recebendo acento tônico primário ou secundário.
Quando uma vogal longa recebe um acento tônico, ele se distribui pelas duas moras da vogal. De forma geral, vogais tônicas são pronunciadas com maior entonação, intensidade e duração, enquanto vogais átonas são pronunciadas de forma mais rápidas e, às vezes, desvozeada.
Quando uma vogal fechada não geminada vem imediatamente depois da vogal tônica primária que não seja fechada, ela é pronunciado como uma consoante aproximante. Se essa vogal receberia a tônica primária, ela é pronunciada como aproximante e o acento tônico passa pra vogal não fechada anterior. Vogais fechadas átonas também podem ser pronunciadas dessa forma.
O tuvaluano não tem uma ortografia padronizada, e esforços para desenvolver esse sistema não foram bem sucedidos até então. A maior parte dos escritores tuvaluanos usam uma ortografia baseada na ortografia da língua samoana, por sua vez derivada do alfabeto latino a qual não marca consistentemente nem comprimento vocálico, nem geminação consonantal. Ocasionalmente, o comprimento vocálico pode ser marcado através de um mácron ou duplicando-se o símbolo da vogal. A geminação consonantal pode ser marcada por um apóstrofo precedendo seu símbolo, pela duplicação do símbolo da consoante ou até mesmo marcando-se a vogal que a sucede. Na ortografia usual, não há marcação das geminações. Geralmente, o grafema <g> representa a nasal velar /ŋ/, mas esse som também pode ser representado pelo dígrafo <ng>.
| Maiúscula | Minúscula | Nome | Fonema (AFI) | Aproximação |
|---|---|---|---|---|
| A | a | ā | /a/ ⓘ | alma |
| E | e | ē | /ɛ/ ⓘ | ela |
| I | i | ī | /i/ ⓘ | ilha |
| O | o | ō | /ɔ/ ⓘ | óleo |
| U | u | ū | /u/ ⓘ | urna |
| F | f | fā | /f/ ⓘ | filho |
| G | g | gā | /ŋ/ | sing (inglês) |
| H | h | hā | /h/ ⓘ | rato (em algumas variações) |
| K | k | kā | /k/ ⓘ | cama |
| L | l | lā | /l/ ⓘ | lama |
| M | m | mō | /m/ ⓘ | mala |
| N | n | nū | /n/ ⓘ | nada |
| P | p | pī | /p/ ⓘ | pata |
| S | s | sā | /s/ ⓘ | sala |
| T | t | tī | /t/ | tamanho |
| V | v | vī | /v/ ⓘ | vala |
| Nasal velar /ŋ/ | Consoante geminada | Vogal alongada | |
|---|---|---|---|
| N. Besnier | g | CC | VV |
| J. Noricks | ng | CC | V̄ |
| E. Fuchs | g | CV̀ | V́ |
| Tuvaluan Language Board (TLB) | g | ˈC | V̄ |
| Ortografia comum | g | C | V |
Há quatro artigos possíveis em tuvaluano, dois definidos e dois indefinidos, devendo concordar em número com o nome a que se referem. A presença dos artigos é obrigatória para todos os nomes.
| Número | Definidos | Indefinidos |
|---|---|---|
| Singular | te | ø |
| Plural | se | ne |
Vale destacar que a semântica desses morfemas é complexa, não sendo exatamente um contraste definido/indefinido, mas envolvendo também referencialidade e genericidade.
O artigo te, quando antecede uma palavra iniciada em /t/, passa por uma mudança fonológica muito recorrente na língua, a coalescência, com a eliminação da vogal do artigo e a junção dos sons consonantais em uma consoante geminada. Às vezes, o artigo pode ainda ser anteposto ao substantivo mesmo após o processo de coalescência:

Como essa mudança é previsível, por vezes ela não é marcada na ortografia. Quando uma palavra já se inicia em /tː/, não ocorre mais nenhum processo e a forma singular é indistinguível da plural caso não seja anteposta por te (já que o artigo definido plural é o morfema zero.
Em tuvaluano, os pronomes pessoais variam de acordo com a pessoa gramatical (primeira, segunda ou terceira), com o número (singular, dual e plural) e, no caso da primeira pessoa, com a inclusividade ou exclusividade. Os pronomes não variam de acordo com com gênero gramatical.
| Pessoa | Singular | Dual | Plural |
|---|---|---|---|
| 1ª inclusiva | au | taaua | taatou |
| 1ª exclusiva | maaua | maatou | |
| 2ª | koe | koulua | koutou |
| 3ª | ia/ø | laaua | laatou |
Aos pronomes apresentados na tabela somam-se o pronome anafórico ei (que se torna ai quando precedido por /a/) e kita, utilizado para se referir a uma entidade da primeira ou segunda pessoa do singular de forma carinhosa e afetiva.
Formas reduzidas dos pronomes pessoais são utilizadas em alguns contextos: como clíticos nominais de verbos que apresentam o sufixo transitivizador -gina, como clíticos nominais seguindo o complementizador moo- e, no caso do dual e do plural da segunda pessoa, em frases imperativas.
Como a maioria das outras línguas oceânicas, o tuvaluano tem um inventório de pronomes possessivos extenso, que expressam um espectro amplo de informação semântica. Além da informação de posse, marcam também a pessoa gramatical do possuidor, se o possuído é definido ou não e o número de ambos.
A estrutura dos pronomes possessivos é composta por três partes. A primeira delas é um artigo, que determina o possuído. Em seguida, há um marcador da classe do possuído, sendo o para posses inalienáveis (que não podem ser perdidas, como parentes e partes do corpo) e a para alienáveis (todas as demais). Por fim, adiciona-se uma forma reduzida do pronome pessoal correspondente ao possuidor, conforme listado na tabela:
| Pessoa | Singular | Dual | Plural |
|---|---|---|---|
| 1ª inclusiva | -ku | -taa | -ttou |
| 1ª exclusiva | -maa | -motou | |
| 2ª | -u | -lua | -ootou |
| 3ª | -na | -laa | -lotou |
Os verbos em tuvaluano apresentam as categorias gramaticais de modo, tempo e aspecto.
Em tuvaluano, tempo, modo e aspecto são marcados por por partículas independentes que precedem o verbo, chamadas genericamente de "marcadores de tempo-modo-aspecto". Esses marcadores são frequentemente omitidos quando seu conteúdo pode ser deduzido pelo contexto.
Não existem muitas divisões de tempo no idioma. Há uma separação clara entre o tempo pretérito, marcado por ne, e os tempos não-pretérito (que engloba o presente e o futuro) e universal (usado em situações em que se quer dar a ideia de algo que engloba passado presente e futuro ou quando o tempo não é relevante para a ação), marcados por e. A ideia de futuro pode ser expressa por marcadores de modo.
| Marcador | Tempo | Exemplo na língua | Tradução | |
|---|---|---|---|---|
| e | Universal | E mataku i agaaga | Ele tem medo de fantasmas | |
| Não-pretérito | Ideia de presente | E tonu koe | Você tem razão | |
| Ideia de futuro | Koe e fano maataeao | Você vai partir amanhã | ||
| ne | Pretérito | Ko koe ne fiafia kee fano koe ki loto i faigaa mea kolaa | Era você quem queria ir àqueles eventos | |
O futuro também pode ser diferenciado do presente e do tempo universal pelo marcador kaa. A diferença entre e e kaa é sutil, mas o segundo marcador adiciona mais camadas de significado ligadas ao modo, podendo variar com o contexto, mas estando geralmente ligadas a incerteza.
Assim como na maioria das línguas, o aspecto verbal (propriedade relativa à duração e as características de uma ação verbal) no tuvaluano pode ser demarcado através de uma variedade de formas, algumas mais gramaticalizadas que as outras. No idioma, o aspecto é demonstrado principalmente por meio de marcadores aspectuais, verbos que denotam aspecto (que funcionam como um elemento principal ao qual o resto da oração está subordinado) e advérbios aspectuais, entre outras estratégias.
As marcações de aspecto verbal na língua são muito complexas, com diferentes formas tanto gramaticais quanto não gramaticais de demonstrar essas ideias. Um mesmo aspecto pode ser marcado de diversas maneiras diferentes, enquanto determinado marcador pode expressar diferentes aspectos a depender do contexto. A tabela a seguir resume os principais aspectos do tuvaluano e dá exemplos de como eles podem ser marcados:
| Aspecto | Exemplo de marcador | Exemplo na língua | Tradução |
|---|---|---|---|
| Perfeito | koo | Tino kolaa koo vaaivvai olotou foitino, koo maassaki. | Essas pessoas perderam suas forças, elas estão doentes. |
| kai | Kai llaka aka loo ou vae i se fenua? | Você já viu um pé em outra ilha? | |
| Habitual | saale (advérbio) | Kooi ttino e folifoli saale i tua? | Quem é esse vadiando lá fora? |
| Contínuo e progressivo | koi | Koi fai vaa ssuaa maaloo ki ssuaa maaloo. | A relação entre esses países ainda é ruim. |
| Inceptivo | faatoe | Faatoe iloa nee au iaa koe se tino Nukufetau. | Eu acabei de descobrir que você é de Nukufetau. |
| Terminativo | oti (verbo) | Koo oti telaa ffusuuga. | Eles terminaram de lutar. |
| Iterativo | Reduplicação | Te mea loo koo taa nee laatou, katikati ki te naifi. | Então eles começaram a atacá-lo, eles continuaram atacando-o com uma faca. |
| Repetição (principalmente em narrativas) | Iinu iinu iinu iinu iinu maatou, koo poo. | A gente continuou bebendo, até que a noite caiu. | |
| Semelfactivo | fakatasi (advérbio) | Ne vau fakatasi fua kkonei. | Ela veio até aqui uma vez. |
Assim como é o caso do tempo e do aspecto, o modo verbal pode ser demonstrado por meio de uma variedade de estratégias, gramaticalizadas ou não. A tabela a seguir resume os principais aspectos do tuvaluano e dá exemplos de como eles podem ser marcados:
| Modo | Exemplo de marcador | Exemplo na língua | Tradução |
|---|---|---|---|
| Indicativo | ∅ | E tagi me e mataku i te kulii. | Ele está chorando porque ele está com medo do cachorro. |
| Condicional | kaa | Kaa foki mai koe, koo olo taaua o taaffao ki motu. | Se você voltar, nós iremos às ilhotas e nos divertiremos. |
| kaafai (conjunção) | Kaafai koo foki mai koe, koo olo taaua o taaffao ki motu. | ||
| Imperativo | ∅ (afirmativo, sujeito na 2ª pessoa) | Tuu ki luga! | Levante-se! |
| saa (negativo, sujeito na 2ª pessoa) | Saa tele makini iaa koe maa too! | Não corra tão rápido, se não você vai cair! | |
| Optativo | kee (desejo para o futuro) | Kee naa oko mai te vaka kee toe kkai taatou ki laisi mo falaoa! | Que o navio chegue logo para termos arroz e pão novamente! |
| moi (arrependimento em relação ao passado ou ao presente) | Koe naa moi oko mai iaa Mee! | Se apenas você tivesse estado aqui em maio! | |
| Debitivo | kee | Ioane kee manatua mai nee ia au mana kai ana ika, ia maatou koo tai mmate i te fia kai ika | Ioane deveria pensar em mim quando ele come peixe, porque nós estamos prestes a morrer de fome por peixe |
| ttau (verbo) | Me peefea tou maalosi me peefea tou matua, koe e ttau o kau ki mea a te fenua. | Não importa quão vigoroso, não importa quão velho você seja, você deve participar das atividades da ilha. | |
| Potencial | mafai (verbo) | Teenaa te maalamalama koo mafai ei o faaite a mea tau maallosi. | Esse é o tipo de civilização que permite que se construam armas nucleares. |
| maua (verbo) | Ttamaliki teenaa koo maua nee ia o saasaale. | Aquela criança já consege andar. | |
| Precaucionário | maa | Koe naa saa pati maasei iaa koe maa maalaia. | Não use palavrões, se não você será amaldiçoado. |
| Desiderativo | fia (advérbio) | Au e fia fesoasoani atu ki tau gaaluega. | Eu quero te ajudar no teu trabalho. |
Nada na estrutura morfossintática do tuvaluano indica um contraste entre voz passiva ou antipassiva. Uma variedade de processos morfossintáticos têm funções semânticas e pragmáticas próximas à da voz passiva, como a marcação da proeminência informacional de argumentos não agentivos, a "reorientação" do verbo em direção a argumentos que não são o sujeito ou a possibilidade de omissão de participantes da ação. Dentre essas estratégias, as principais envolvem a diminuição ou aumento da valência verbal, ou seja, do número de argumentos que o verbo recebe.
Reduplicação é uma característica onipresente na língua, usada para muitos propósitos semânticos diferentes. Ela vem em duas formas: total e parcial. A reduplicação total só está presente em palavras com duas moras, e geralmente indica aspecto iterativo ou sentido de repetição.
Em palavras com duas moras, a reduplicação parcial se dá pela repetição da mora tônica e da consoante precedente. Já em palavras com três ou mais moras esse processo pode se assemelhar a um sufixo, com a repetição das duas últimas moras e as consoantes que as precedem, ou como um infixo, com a repetição da consoante que precede a mora tônica e da vogal anterior a ela. Quando a mora tônica não é imediatamente precedida por uma consoante, há um alongamento da vogal da mora tônica e da vogal anterior.
As funções semânticas da reduplicação são a intensificação ou suavização da ação, indicação de aspecto iterativo ou atividade repetitiva, pluralização, indicação de ampla distribuição geográfica da ação ou mudança completa de significado.
A formação de verbos causativos em tuvaluano se dá principalmente por meio de duas estratégias: a adição do prefixo faka- e por meio do verbo fai ("fazer"). O prefixo faka- pode ser adicionado a verbos de todas as valências, mas é mais frequente em verbos intransitivos.
O uso de fai como causativo gera sentenças complexas em que esse se torna o verbo principal, muitas vezes traduzido como "causar (alguma coisa)" ou "fazer (alguém fazer alguma coisa)", e é adicionado um verbo subordinado a ele que denota a situação à qual se refere.
Em orações independentes, todas as ordens frasais em que o verbo não está no fim da oração e há mais de um argumento são gramaticais, ainda que existam algumas restrições a depender dos argumentos. A ordem mais comum é OVS, apesar de existirem indícios de que a ordem padrão originalmente era VSO. A ordem frasal é importante do ponto de vista pragmático na atribuição de ênfase e topicalização. O adjetivo segue o substantivo em todas as frases. A frase "Niu pescou aquele bonito", por exemplo, pode ser expressa das seguintes maneiras:
Assim como a maioria das línguas polinésias, o tuvaluano segue um alinhamento morfossintático ergativo-absolutivo, em que, de forma geral, o caso absolutivo (sujeitos de verbos intransitivos e objetos diretos de verbos transitivos) é marcado pelo morfema zero e o ergativo (sujeitos de verbos transitivos) é marcado por nee, que precede o sintagma nominal e é obrigatório quando o sujeito vem após o verbo.
A ênfase pode ser demarcada através de uma variedade de estratégias. A entonação pode acentuar certos elementos da mensagem, mas seu efeito está mais relacionado à pragmática. Um sintagma nominal pode receber ênfase se for posicionado antes do verbo e precedido pelo morfema ko, enquanto essa estratégia exige também uma nominalização no caso de verbos. Advérbios de intensidade (como eiloa) também podem assumir essa função.
A topicalização se difere da ênfase por não levar o marcador ko e se dá pelo posicionamento do tópico antes do verbo. Esse sintagma deve levar artigo definido, não recebe marcador de caso ergativo e geralmente é um termo já mencionado no discurso. Apenas sujeitos e objetos diretos podem ser topicalizados.
De maneira simplificada, a principal diferença pragmática entre focalização (ênfase) e topicalização é que o elemento em foco geralmente é novo e está sendo introduzido no discurso, enquanto o tópico, em regra, já foi mencionado anteriormente. Assim, o foco é um elemento que se destaca dentre os outros próximos a ele, enquanto o tópico determina qual é o assunto da discussão.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um documento internacional adotado em 1948 pela terceira sessão regular da Assembléia Geral das Nações Unidas. Embora não possua força legal, a declaração é a base para os subsequentes tratados das Nações Unidas, organização da qual Tuvalu faz parte. Não existe uma tradução oficial fornecida pelas Nações Unidas do documento para o tuvluano, mas traduções informais de alguns segmentos já foram feitas. A seguir, está seu primeiro artigo na versão em tuvaluano acompanhada da versão oficial em português:
| Tuvaluano | Oficial em português |
|---|---|
| E faannau mai a tino katoa i te saolotoga kae e ppau telotou tuulaga fakaaloalogina mo telotou aiaa. Ne tuku atu ki a laatou a te mafaufau mo te loto lagona, teelaa laa, e ttau o gaallue fakatasi laatou e peelaa me ne taina. | Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. |

"Tuvalu para o Todo-Poderoso" (Tuvalu mo te Atua) é o hino nacional de Tuvalu. A letra e a música são de autoria do compositor tuvaluano Afaese Manoa. Ele foi adotado em 1978, quando o país se tornou independente do Reino Unido. A expressão também serve como lema nacional e como título do Brasão de Armas de Tuvalu. A seguir, está sua versão oficial em tuvaluano, acompanhada de sua transcrição fonética e tradução para o português:
| Oficial em tuvaluano | Transcrição fonética (AFI) | Tradução para o português |
|---|---|---|
I |
1 |
I |
| Tuvaluano | Português |
|---|---|
| Talofa | Saudações/Oi |
| Talofa koutou | Saudações, todo mundo |
| Tofa fano la | Tchau (àqueles que estão saindo) |
| Tofa nofo la | Tchau (àqueles que estão ficando) |
| Fakamolemole | Por favor |
| Fakafetai | Obrigado |
| Fakatoese | Perdão |
| Fakamolemole/Tulou | Com licença |
| Ko oi tou igoa? | Qual é o seu nome? |
| Koe se tino mai fea? | De onde você é? |
| Koe e value i fea? | Onde você trabalha? |
| Ea koe/koulua/koutou? | Como está você (SG)/estão vocês (DU/PL)? |
