As referências deste artigo necessitam de formatação. (março de 2022) |
| Sigla | UFLA |
|---|---|
| Lema | Ciência e prática |
| Fundação | 1908 (118 anos) |
| Tipo | Pública, Federal |
| Mantenedora | |
| Afiliações | RENEX |
| Funcionários técnico-administrativos | Servidores Técnicos: 564 |
| Reitor(a) | José Roberto Soares Scolforo |
| Vice-reitor(a) | Jackson Antônio Barbosa |
| Docentes | Servidores Docentes: 767 |
| Estudantes | 16.582 |
| Graduação | 8.360 |
| Pós-graduação | 8.221 |
| Localização | |
| Página oficial | UFLA.br |
![]() | |
A Universidade Federal de Lavras (UFLA) é uma instituição de ensino superior pública federal brasileira, com campi nas cidades de Lavras e São Sebastião do Paraíso no estado de Minas Gerais. É uma autarquia, vinculada ao Ministério da Educação, órgão responsável por sua manutenção. Possui cursos de graduação e também cursos de pós-graduação lato sensu e stricto sensu.
De acordo com os Índices Gerais de Cursos das Instituições (IGC) divulgado pelo MEC, a UFLA possui um dos melhores índices de qualidade do Brasil entre as universidade públicas e privadas pesquisadas. A universidade já havia se destacado em 2008 e 2009 como a 4º do Brasil e 2º de Minas.
A Escola Agrícola de Lavras (EAL) foi idealizada por Samuel Rhea Gammon e fundada em 1908, com o seu primeiro diretor, Benjamin Harris Hunnicutt. Nos primeiros anos, a instituição funcionou junto ao Ginásio do Instituto Evangélico, hoje Instituto Presbiteriano Gammon. A Fazenda Modelo Ceres, destinada às atividades práticas da Escola, foi inaugurada em 1911 e posteriormente se tornaria o núcleo do atual câmpus da universidade. Em 14 de julho de 1920 foi lançada a pedra fundamental do primeiro prédio que recebeu o nome de Álvaro Botelho (atual edifício do Museu Bi Moreira). Essa pedra fundamental era lavrada e nela estava cravada outra pedra de mármore, contendo a inscrição "Sciencias, A.D. 1920". Como costume, autoridades presentes impuseram suas mãos na pedra, sendo o Cel. Pedro Salles, que representava o Secretário de Agricultura de Minas, Mr. H. Haberle, cônsul geral americano, Duque da Rocha, promotor de justiça e o Cel. Augusto Salles, agente executivo. Após esse gesto, a pedra foi enterrada junto com uma caixa, contendo documentos importantes da fundação da atual Universidade Federal de Lavras, dentre os quais se encontrava o discurso pronunciado pelo cônsul americano no momento dessa cerimônia.
A primeira turma da Escola Agrícola concluiu o curso em 1911. Entre seus integrantes estava Oswaldo Tertuliano Emrich, que posteriormente realizou especialização nos Estados Unidos e retornou à instituição como professor. Emrich e Emanuel Deslandes, também integrante da primeira turma, estiveram entre os primeiros ex-alunos a se tornarem professores da Escola Agrícola.
A cerimônia foi precedida por uma invocação da bênção de Deus pelo pastor Rev. J. Goulart e, após as boas-vindas, foi cantado o Hino Nacional Brasileiro. Ao final, mais dois hinos foram cantados: um dos hinos nacionais da América do Norte e a Marselhesa, Hino Nacional Francês, provavelmente em função da coincidência de datas, quando se comemorava também a Queda da Bastilha. Em 14 de julho de 1922, foram inaugurados os Edifícios Álvaro Botelho e Carlos Prates, constituindo assim os primeiros prédios da Escola Agrícola de Lavras. Com a inauguração do edifício Álvaro Botelho, a sede da Escola Agrícola foi transferida para a Fazenda Ceres. O prédio Álvaro Botelho, também denominado de Pavilhão de Ciências foi utilizado como sala de aulas, biblioteca, laboratórios, além de ter sido instalada a diretoria e alguns setores da Escola Agrícola. O prédio Carlos Prates, conhecido como Jaratataca (apelido atribuído em função do cheiro desagradável do local) abrigava, no seu primeiro pavimento, o restaurante e, no segundo, o dormitório dos alunos. Atualmente, esse edifício é sede da Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural - FUNDECC.
A partir de 1927, outro nome de destaque na administração da instituição foi o professor John Henry Wheelock, que ocupou a direção da Escola em diferentes períodos entre as décadas de 1920 e 1950. Wheelock havia chegado a Lavras em 1922 e teve participação na consolidação acadêmica e administrativa da Escola Agrícola, sucedendo a geração de Gammon e Hunnicutt na condução da instituição.
Além dos prédios Álvaro Botelho e Carlos Prates, no entorno da área central que se transformaria em praça, outro fora construído e denominado Edifício Odilon Braga, em homenagem ao então Ministro da Agricultura. A pedra fundamental foi lançada em 1936 e, também, uma urna foi disponibilizada para que os presentes depositassem alguma lembrança, além de jornais locais, revistas e publicações científicas. A inauguração ocorreu em 24 de agosto de 1937, durante a 10ª Exposição Agropecuária Regional de Lavras. Completando o círculo dessa área central, há o Prédio de Química Apolônio Sales, inaugurado em agosto de 1943, por ocasião do cinquentenário do Instituto Gammon, com a presença do então ministro da Agricultura, Apolônio Sales.
Em 1936, a Escola Agrícola de Lavras foi reconhecida pelo governo federal. Dois anos depois, em 1938, passou a denominar-se oficialmente Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL), nome que conservaria até sua transformação em universidade, em 1994.
Nessa área, formou-se uma espécie de praça da então Escola Agrícola. Em setembro de 1922, foi realizada, nesse local, a I Exposição Agropecuária e Industrial de Minas Gerais e a II Festa do Milho. Em 1923, nesse mesmo local, ocorreu a II Exposição Agropecuária e Cultural de Lavras, que contou com um cinema ao ar livre. Na década de 1940, era comum a realização da Festa da Primavera, com coroação da rainha, evento esse realizado no dia da Árvore.
Um dos principais marcos da história da instituição ocorreu em 23 de dezembro de 1963, quando a Lei nº 4.307 autorizou a federalização da Escola Superior de Agricultura de Lavras. Até então mantida pelo Instituto Gammon, a ESAL passou a integrar o sistema federal de ensino superior, com a União assumindo a responsabilidade pela instituição e incorporando ao patrimônio federal bens utilizados pela Escola.
Entre os professores envolvidos no período de federalização e reorganização institucional estava Alysson Paolinelli, formado em Agronomia pela própria ESAL em 1959. Paolinelli tornou-se professor da instituição, participou do processo de federalização e dirigiu a Escola entre 1966 e 1971. Durante esse período ocorreu uma reorganização da estrutura acadêmica da ESAL, incluindo a implantação de departamentos. Posteriormente, Paolinelli ocuparia os cargos de secretário de Agricultura de Minas Gerais e ministro da Agricultura.
Em 7 de junho de 1972, pelo Decreto nº 70.686, a ESAL foi transformada em autarquia federal de regime especial. No mesmo ano, durante a gestão do professor Fábio Pereira Cartaxo, foi constituída uma comissão para estudar a implantação da pós-graduação na instituição e criada a Coordenadoria de Pós-Graduação. No primeiro semestre de 1975, começaram os primeiros cursos de pós-graduação stricto sensu da ESAL: os mestrados em Agronomia, com concentração em Fitotecnia, e em Administração Rural.
O processo de diversificação da formação oferecida pela ESAL também avançou na década de 1970. Em 1975, foi criado o curso de graduação em Zootecnia, ampliando a atuação da instituição na formação de profissionais das Ciências Agrárias. A trajetória do curso acompanhou as transformações ocorridas na produção animal e no ensino superior brasileiro, passando de uma formação inicialmente marcada pelas demandas de modernização e aumento da produtividade agropecuária para uma abordagem que incorporou, ao longo das décadas seguintes, áreas como melhoramento genético, nutrição, biotecnologia, bem-estar animal e sustentabilidade. Em 2025, o curso completou cinquenta anos de existência.
Em 15 de dezembro de 1994, a Lei nº 8.956 criou a Universidade Federal de Lavras (UFLA) por transformação da Escola Superior de Agricultura de Lavras. A mudança ocorreu durante a presidência de Itamar Franco eleva a ESAL à condição de Universidade Federal de Lavras (UFLA). Silas Costa Pereira, que havia dirigido a ESAL entre 1991 e 1994, tornou-se o primeiro reitor pro tempore da Universidade Federal de Lavras, permanecendo no cargo até 1996.
No ano de 2006 a UFLA foi classificada pelo Guia do Estudante como a terceira melhor universidade do país. Sendo a mais bem colocada de Minas Gerais. O primeiro lugar ficou com a Universidade de São Paulo e o segundo com a Universidade Federal de São Carlos.
No Ranking Universitário Folha (RUF) de 2025, a UFLA ficou na 26ª colocação nacional e na 4ª colocação entre as universidades de Minas Gerais.
Em 2026, a Universidade Federal de Lavras mantém 51 cursos de graduação presenciais, dos quais 40 são classificados pela Pró-Reitoria de Graduação como cursos em andamento regular e 11 como cursos em implantação. Além deles, a instituição mantém três cursos de graduação na modalidade a distância. A oferta presencial distribui-se entre o câmpus de Lavras, onde se concentra a maior parte das graduações, e o câmpus de São Sebastião do Paraíso.
A oferta acadêmica abrange bacharelados, licenciaturas e cursos superiores de tecnologia nas áreas de Ciências Agrárias, Engenharias, Ciências da Saúde, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas.
Câmpus de Lavras
No câmpus de Lavras são oferecidos cursos vinculados à Escola de Ciências Agrárias de Lavras (ESAL), Escola de Engenharia (EENG), Faculdade de Ciências da Saúde (FCS), Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas (FCSA), Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas, Educação e Letras (FAELCH), Faculdade de Zootecnia e Medicina Veterinária (FZMV), Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas (ICET) e Instituto de Ciências Naturais (ICN).
Câmpus de São Sebastião do Paraíso
Graduação a distância
Além dos cursos presenciais, a UFLA oferece três cursos de graduação na modalidade a distância:
A pós-graduação stricto sensu da Universidade Federal de Lavras teve início em 1975, quando a então Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL) implantou seus primeiros cursos de mestrado, em Agronomia, com concentração em Fitotecnia, e em Administração Rural. A estruturação havia começado em 1972, durante a gestão do professor Fábio Pereira Cartaxo, com a criação de uma comissão destinada a estudar a implantação da pós-graduação e, posteriormente, da Coordenadoria de Pós-Graduação.
Em 2026, a UFLA mantém 43 programas de pós-graduação stricto sensu, sendo 35 programas acadêmicos e oito profissionais. Todos possuem curso de mestrado e 25 deles também oferecem doutorado, correspondendo a 43 cursos de mestrado e 25 cursos de doutorado. A oferta abrange áreas das Ciências Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Exatas, Engenharias, Ciências Humanas, Letras e Ciências Sociais Aplicadas.
Programas acadêmicos
Os programas acadêmicos de pós-graduação stricto sensu da UFLA são:
Programas profissionais
Além dos programas acadêmicos, a UFLA mantém oito programas profissionais:
A Universidade Federal de Lavras é apoiada por duas fundações credenciadas: a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FAEPE) e a Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC). As fundações de apoio são entidades de direito privado e sem fins lucrativos, juridicamente distintas da Universidade, que atuam na execução administrativa e financeira de projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e inovação. Sua relação com as instituições federais de ensino superior é disciplinada pela Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, e pelo Decreto nº 7.423, de 31 de dezembro de 2010.
Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FAEPE)
A Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FAEPE) foi criada em 1976, quando a Universidade ainda era denominada Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL). Sua criação ocorreu em um período de expansão das atividades de ensino, pesquisa, extensão e pós-graduação da instituição. Em 2026, a Fundação completou 50 anos de funcionamento.
A FAEPE possui personalidade jurídica de direito privado, não tem fins lucrativos e mantém autonomia administrativa, financeira e patrimonial. Sua sede está localizada no câmpus histórico da UFLA. Ao longo de sua trajetória, passou a atuar no gerenciamento administrativo e financeiro de projetos, programas e iniciativas de ensino, pesquisa, extensão e desenvolvimento institucional, além de atividades de qualificação profissional e prestação de serviços especializados.
A Fundação teve participação no desenvolvimento de diferentes projetos acadêmicos e institucionais da antiga ESAL e, posteriormente, da UFLA, atuando na celebração de convênios, gestão de recursos e apoio a pesquisadores e equipes responsáveis pela execução dos projetos. Ao completar cinco décadas, em 2026, a UFLA destacou sua participação na viabilização de projetos científicos, tecnológicos, acadêmicos e culturais desenvolvidos pela Universidade.
Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC)
A Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC) foi fundada em 23 de março de 2006. Assim como a FAEPE, é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos e com autonomia administrativa, financeira e patrimonial, sediada no câmpus histórico da Universidade.
A FUNDECC foi criada com o objetivo de apoiar principalmente a elaboração, administração e execução financeira de projetos de ensino, pesquisa, extensão, inovação e desenvolvimento científico e tecnológico. Sua atuação inclui a administração de recursos provenientes de órgãos públicos, agências de fomento, empresas e outras instituições parceiras, permitindo a execução de projetos conduzidos por pesquisadores e grupos vinculados à Universidade.
Em 2026, ano em que completou 20 anos, a FUNDECC administrava 436 projetos ativos, que correspondiam a aproximadamente 527 milhões de reais em recursos em execução. Segundo levantamento divulgado pela UFLA naquele ano, a Fundação havia gerenciado aproximadamente 1,4 bilhão de reais desde sua criação, incluindo recursos destinados a projetos científicos, tecnológicos e de inovação.
Entre suas atribuições estão a gestão financeira dos projetos, aquisição de equipamentos e materiais, contratação de serviços, gerenciamento de bolsas e outras atividades administrativas necessárias à execução das iniciativas apoiadas, observadas as normas aplicáveis às fundações de apoio.