Vaalbara foi, em tese, o primeiro supercontinente da Terra, surgido há 3,1 bilhões de anos, no éon arqueano. Ele consistia no Cráton de Kaapvaal (localizado no que hoje é a África do Sul) e no Cráton de Pilbara (no atual noroeste da Austrália Ocidental). O nome da formação foi criado pelo pesquisador E.S. Cheney, que juntou as quatro últimas letras dos nomes de cada cráton.

O Cráton de Kaapvaal é marcado por eventos geológicos expressivos, como a intrusão do Complexo Ígneo de Bushveld, ocorrida há 2,045 bilhões de anos, e o impactou que criou a Cratera de Vredefort, ocorrido há 2,025 bilhões de anos. Nenhum vestígio desses eventos foi encontrado no Cráton de Pilbara, o que indica claramente que os dois crátons já estavam separados antes de 2,05 bilhões de anos atrás. Além disso, evidências geocronológicas e paleomagnéticas demonstram que os dois crátons apresentavam uma separação latitudinal de aproximadamente 30° de latitude, associada à rotação, no intervalo entre 2,78 e 2,77 bilhões de anos atrás. Isso indica que eles já não estavam unidos após aproximadamente 2,8 bilhões de anos atrás.
Os crátons de Pilbara e Kaapvaal contêm microfósseis arqueanos bem preservados. Perfurações revelaram vestígios de vida microbiana e de fotossíntese que remontam ao Arqueano, tanto na África quanto na Austrália. As evidências mais antigas amplamente aceitas de fotossíntese realizada por formas de vida primitivas são fósseis moleculares encontrados em folhelhos com 2,7 bilhões de anos no Cráton de Pilbara. Esses fósseis foram interpretados como vestígios de eucariotos e cianobactérias. No entanto, alguns cientistas argumentam que esses biomarcadores podem ter sido incorporados às rochas posteriormente e que, portanto, os fósseis datariam de um período entre 2,15 e 1,68 bilhão de anos atrás. Esse intervalo de tempo mais recente é compatível com estimativas baseadas em relógios moleculares, método que utiliza as diferenças genéticas entre organismos para estimar quando suas linhagens evolutivas divergiram. Segundo essas estimativas, o ancestral comum mais recente eucarioto teria vivido entre 1,8 e 1,7 bilhão de anos atrás. Se os fósseis de Pilbara forem realmente vestígios de eucariotos primitivos, eles poderão representar grupos que foram extintos antes do surgimento dos grupos de eucariotos existentes atualmente.