Victoriapithecus

Como ler uma infocaixa de taxonomiaVictoriapithecus
Ocorrência:
17 – 15 Milhões de anos
Crânio KNM-M13 18993
Crânio KNM-M13 18993
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Cordados
Classe: Mamíferos
Infraclasse: Placentalia
Ordem: Primatas
Superfamília: Cercopithecoidea
Família: †Victoriapithecidae
Género: †Victoriapithecus
von Koenigswald [en], 1969 [en]
Espécie: †V. macinnesi
Nome binomial
'†Victoriapithecus macinnesi'''
von Koenigswald [en], 1969 [en]

Victoriapithecus macinnesi foi um primata do Mioceno Médio que viveu aproximadamente há 17 a 15 milhões de anos no norte e no leste da África. Através de um amplo trabalho de campo na ilha Maboko [en], no lago Vitória, Quénia, mais de 3.500 espécimes foram encontrados, tornando Victoriapithecus macinnesi um dos primatas fósseis mais bem conhecidos. Pensava-se anteriormente que talvez múltiplas espécies de Victoriapithecus tivessem sido encontradas, no entanto, a maioria dos fósseis descobertos indica a existência de apenas uma espécie, V. macinnesi. Victoriapithecus mostra semelhanças com as subfamílias extantes Colobinae e Cercopithecinae. No entanto, Victoriapithecus precede o último ancestral comum desses dois grupos e, em vez disso, é considerado um táxon-irmão.

Anatomia

Restauração por Mauricio Antón [en]

Victoriapithecus é o menor dos antropoides terrestres conhecidos, com uma massa corporal entre 3 e 5 kg.

Victoriapithecus tinha uma fórmula dentária superior e inferior de 2:1:2:3. Ao contrário dos cercopitecídeos modernos, que possuem molares bilofodontes, Victoriapithecus tinha uma estrutura molar mais primitiva e carecia do lofo distal transverso.

Com base em moldes cranianos, estimou-se que o volume endocraniano do fóssil KNM-MB 29100, um espécime de Victoriapithecus com 15 milhões de anos, era de cerca de 35,6 cm³[qual?], relativamente pequeno para um macho de seu tamanho. Apesar do tamanho menor, escaneamentos descobriram que o cérebro de Victoriapithecus era bastante complexo. Tais descobertas fornecem uma visão sobre a evolução de cérebros complexos, sugerindo que a complexidade veio antes do tamanho maior nos primatas primitivos. Victoriapithecus também possuía grandes bulbos olfatórios projetados anteriormente, que serviam como a única fonte de detecção de estímulos olfatórios, pois careciam do órgão vomeronasal encontrado em muitos outros primatas.

Victoriapithecus tinha uma crista sagital bem desenvolvida, sugerindo uma dependência de mastigação pesada. Órbitas altas e estreitas, ossos nasais estreitos e arcos zigomáticos relativamente altos, bem como um focinho moderadamente longo e uma região facial média, são semelhantes aos macacos cercopitecíneos extantes. Um hálux divergente e oponível permitia maior agilidade ao escalar árvores, mas a morfologia geral dos membros também sugere um movimento terrestre eficaz.

O tamanho aumentado dos caninos de Victoriapithecus sugere um grau de dimorfismo sexual semelhante ao dos primatas extantes. O dimorfismo sexual também estava presente no tamanho geral de Victoriapithecus, com machos pesando em média entre 4 e 5 kg e fêmeas pesando em torno de 3 kg.

Ambiente e Comportamento

V. macinnesi viveu principalmente em bosques semiráridos, clareiras de gramíneas e florestas tropicais. As evidências apontam para uma dieta altamente frugívora, embora o consumo de algumas folhas e sementes fosse provável. Sua capacidade de se adaptar a fontes de alimento que mudavam sazonalmente perto do solo permitiu que tivessem maior sobrevivência à medida que o clima se tornava mais sazonal no leste da África.

As características de dimorfismo sexual sugerem que, como muitos primatas extantes, Victoriapithecus vivia em grupos com múltiplos machos, onde a competição e o desejo de dominância são altos. A alta presença de fósseis de machos adultos jovens encontrados no Leito 5 na ilha Maboko provavelmente indica que os machos migravam para fora de seus grupos de nascimento e, devido à competição ou falta de apoio comunitário, tinham maior probabilidade de morrer na puberdade.

Victoriapithecus era quadrupedal e adaptado à vida terrestre. No entanto, mantinha algumas características arbóreas que ajudavam na corrida sobre galhos e na caminhada em suportes arbóreos de grande diâmetro. A capacidade de viver de forma arbórea e terrestre permitiu que Victoriapithecus explorasse uma gama mais ampla de recursos.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 Benefit, Brenda R. “Victoriapithecus, the Key to Old World Monkey and Catarrhine Origins.” Evolutionary Anthropology Issues News and Reviews. January 1999.
  2. 1 2 Benefit, Brenda R.; McCrossin, Monte L. “Earliest known Old World monkey skull.” Nature vol. 388. 24 July 1997.
  3. 1 2 Gonzales, Lauren A.; Benefit, Brenda R.; McCrossin, Monte L.; Spoor, Fred. “Cerebral complexity preceded enlarged brain size and reduced olfactory bulbs in Old World monkeys.” Nature Communications. DOI: 10.1038/ncomms8580.
  4. 1 2 Dean, M. Christopher; Leakey, Meave G. “Enamel and dentine development and the life history profile of Victoriapithecus macinnesi from Maboko Island, Kenya.” Annals of Anatomy, 186: 405-412. (2004).
  5. ↑ Smith, Robin A. "Old World Monkey Had Tiny, Complex Brain." Duke University, 2015. today.duke.edu/2015/07/monkeybrains.
  6. ↑ Benefit, Brenda R.; McCrossin, Monte L. “Ancestral facial morphology of Old World higher primates.” Proc. Natl. Acad. Sci. USA, vol. 88, pp. 5267-5271, Junho de 1991.
  7. 1 2 3 4 5 Harrison, Terry. “New postcranial remains of Victoriapithecus from the middle Miocene of Kenya.” Journal of Human Evolution. Vol. 18, pp. 3-54. 1989.
  8. ↑ Fleagle, John G. “Primate Adaptation and Evolution”, 3ª Edição 2013, Capítulo 3.

Ligações externas