| Vítor Rua | |
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| Informações gerais | |
| Nome completo | Vítor Manuel Ferreira Rua |
| Nascimento | 23 de julho de 1961 (65 anos) Mesão Frio, Portugal |
| Gêneros | Rock, música experimental, improvisação livre, música contemporânea |
| Ocupação | Guitarrista, compositor, improvisador, videasta |
| Instrumento | Guitarra |
| Período em atividade | 1971–presente |
| Gravadoras | Valentim de Carvalho, Clean Feed, Orfeu, ReR |
| Afiliações | GNR, Telectu, Vidya Ensemble, The Metaphysical Angels |
Vítor Manuel Ferreira Rua (Mesão Frio, 23 de julho de 1961) é um guitarrista, compositor, improvisador e videasta português. Foi um dos fundadores do grupo rock GNR, cuja gravação do primeiro álbum, Independança (1982), dirigiu, e formou em 1982 com Jorge Lima Barreto o duo Telectu, um dos primeiros grupos portugueses dedicados à música eletrónica improvisada. Desde o final da década de 1980 dedica-se também à composição de música contemporânea, incluindo óperas e música para teatro, dança e cinema.
Músico em grande parte autodidata, estudou guitarra na Escola de Música Duarte Costa, no Porto, entre 1974 e 1976. Em 1976–1977 integrou a King Fisher's Band. Segundo o Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa (MIC.pt), fundou os GNR com Alexandre Soares em 1979; um programa da Universidade do Porto situa a fundação em 1980, e o Público refere apenas que foi cofundador do grupo «no início dos anos 1980». Dirigiu a gravação do primeiro LP do grupo, Independança (1982), e deu o seu último concerto com os GNR no festival de Vilar de Mouros, em 1982. Foi também coprodutor de Anjo da Guarda, de António Variações. Divergências jurídicas sobre a propriedade da sigla GNR prolongaram-se até meados da década de 1990. Em 1982 mudou-se do Porto para Lisboa e, a partir de 1983, dedicou-se sobretudo aos Telectu.
Conheceu o músico e musicólogo Jorge Lima Barreto em 1982, segundo o MIC.pt, ou em 1981, segundo a Time Out; o duo Telectu formou-se em 1982 para a II Bienal de Arte de Cerveira. O primeiro disco, CTU (1982), editado pela Valentim de Carvalho/EMI e com temas inspirados na ficção científica de Philip K. Dick, foi reeditado em vinil em 2019. Seguiu-se Belzebu (Cliché, 1983), apresentado pelo duo como a primeira gravação minimalista editada em Portugal. Segundo Vítor Belanciano, no Público, a música do duo situava-se nas margens de várias correntes (minimalismo, ambient, música concreta, improvisação, jazz); Rua afirmou que os Telectu escreveram em partitura Belzebu, Off Off (1984), Halley (1986) e Rosa-Cruz (1987), antes de passarem à improvisação total. O MIC.pt distingue uma fase de música minimal repetitiva (1982–1985), outra de improvisação (1985–1987) e, a partir de 1989, o uso de técnicas instrumentais expandidas e de processamento eletrónico.
Os Telectu atuaram ou gravaram com músicos como Elliott Sharp [en], Evan Parker, Chris Cutler [en] e Louis Sclavis [en]; no triplo CD Quartetos (2003), com Tom Chant, tocaram com os bateristas Sunny Murray, Eddie Prévost e Gerry Hemingway [en]. A morte de Lima Barreto, em 2011, pôs fim ao duo. Em junho de 2018, por ocasião da reedição de Belzebu, que inaugurou o catálogo da editora Holuzam, Rua reativou os Telectu com António Duarte, colaborador do duo desde o início e que adquirira o seu acervo instrumental, para interpretar o disco no Teatro Maria Matos, em Lisboa, a partir das partituras e com os instrumentos originais. Nesse ano o duo apresentou Belzebu também no festival OUT.FEST. Em 2022, Sonosfera Telectu, documentário realizado por Carlos Mendes, Ilda Teresa Castro, Vasco Bação e Rua, estreou-se no IndieLisboa e recebeu uma menção especial do júri do prémio IndieMusic.
A partir do final da década de 1980 Rua aprendeu notação musical por conta própria e começou a compor música erudita. Em 1990 concebeu e produziu a antologia de música improvisada Vidya e em 1994 formou o Vidya Ensemble para interpretar as suas obras. Compôs música para dança, teatro, cinema, performance, vídeo e instalações; o saxofonista Daniel Kientzy e o pianista John Tilbury [en] interpretaram obras suas, e o trombonista Giancarlo Schiaffini participou na criação de Síndroma de Babel. É autor dos livros A música na era do porquinho Baby, Eu só queria dizer o seguinte e Mala de sons (ambos 9 Musas, 2022). A sua ópera cómica Uma Vaca Flatterzunge estreou-se na Culturgest, em Lisboa, a 31 de janeiro de 2009. Em abril de 2024, no âmbito dos 50 anos do 25 de Abril, estreou-se no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal, a sua ópera 1976, A Evolução dos Cravos, inspirada na Constituição de 1976, com libreto de Risoleta C. Pinto Pedro e Rua na guitarra; foi a terceira obra da tetralogia As Constituições Portuguesas, um projeto da Associação Setúbal Voz.
Heavy Mental (Orfeu, 2011) foi gravado em 1999, num só take, numa guitarra híbrida de 18 cordas concebida por Rua, com a colaboração de Lima Barreto, e construída pelo luthier Gil Oliveira. Com o grupo The Metaphysical Angels editou em julho de 2017 o duplo CD Do Androids Dream of Electric Guitars? (Clean Feed), parte de uma trilogia, com um disco de guitarra a solo e outro com os mesmos temas tocados em sexteto; Rua descreveu o método como compor «sobre improvisações», gravadas com cada músico em separado. Seguiu-se When Better Isn't Quite Good Enough (ReR, 2018), com improvisações a solo depois orquestradas para o grupo. Em 2020 a editora Marte Instantânea editou Electronic Music 1995–2010, compilação de música eletrónica sua.
Em 2026 estreou-se o documentário Rua (Isto não é um filme, é um cometa), de Nuno Calado e Bigos Campaniço, na secção IndieMusic do IndieLisboa.
Em 2017, Rua descreveu assim a sua posição na música portuguesa: «O meu lugar é provavelmente não ter lugar. Os do rock não me consideram do rock, os do jazz idem e os da música contemporânea a mesma coisa». O MIC.pt destaca na sua música o humor, os fragmentos musicais curtos, as técnicas instrumentais invulgares, a notação gráfica e a amostragem, e compara-o a Frank Zappa, pelas raízes no rock e na improvisação e pelo uso do humor e da ironia.