Vitroscopia, diascopia ou manobra de vitropressão é uma técnica de semiologia usada principalmente em dermatologia para avaliar a resposta de uma lesão cutânea à pressão exercida por um instrumento transparente, como uma lâmina de microscopia. A manobra permite observar se a coloração da lesão empalidece, auxiliando na diferenciação entre alterações provocadas por sangue contido em vasos superficiais e lesões em que há hemorragia ou extravasamento sanguíneo na pele.
Na diascopia, a lesão é comprimida com uma lâmina de vidro ou outro material transparente enquanto se observa a alteração de cor sob pressão. O empalidecimento ocorre quando a pressão desloca temporariamente o sangue dos vasos superficiais da área examinada; após a retirada da pressão, a coloração tende a retornar.
Lesões inflamatórias e vasculares superficiais costumam empalidecer à diascopia, pois a pressão esvazia transitoriamente os vasos locais. Já lesões hemorrágicas, como petéquias e púrpuras, não empalidecem, uma vez que a coloração decorre de sangue extravasado nos tecidos e não apenas de sangue dentro de vasos superficiais.
A vitroscopia é empregada como exame auxiliar no diagnóstico diferencial de lesões avermelhadas, violáceas ou pigmentadas da pele e das mucosas. Entre suas aplicações estão a distinção entre eritema e púrpura, a avaliação de lesões vasculares superficiais, como telangiectasias, e a observação de algumas lesões granulomatosas, que podem adquirir aspecto amarelo-acastanhado ou de "geleia de maçã" à pressão. De acordo com o Manual MSD, a diascopia também pode auxiliar na identificação de lesões cutâneas sarcoídicas.
A vitroscopia é um recurso clínico auxiliar e não substitui a avaliação dermatológica completa nem exames complementares quando indicados. O resultado deve ser interpretado em conjunto com a morfologia, a distribuição, a evolução e o contexto clínico da lesão.