Wega Nery

Wega Nery Gomes Pinto
Nascimento
10 de março de 1912

Morte
21 de maio de 2007

NacionalidadeBrasil brasileira
Pintora Wega Nery (1912-2007) retratada em matéria da revista Ícaro, em 1991 (foto Iara Venanzi)
O casal Geraldo Ferraz e Wega Nery, em 1973

Wega Nery Gomes Pinto (Corumbá, 10 de março de 1912 — Guarujá, 21 de maio de 2007) foi uma artista plástica brasileira, reconhecida também por suas atuações como poeta e professora.

Quem foi

Wega Nery nasceu em Corumbá (MS), em 1912. Aos 5 anos de idade foi enviada pelos pais para o internato do tradicional Colégio Sion, em São Paulo, onde ficou até os 12 anos. Depois viveu com a família em Campinas e Bauru. Tornou-se professora antes de ser nomeada inspetora federal de ensino. Na década de 1930, antes de dedicar-se às artes visuais, publicou poesias na seção "Parnaso Feminino" da revista carioca O Malho, utilizando o pseudônimo Vera Nunes. Desenhava desde criança e formou-se na Escola de Belas Artes de São Paulo, em 1949. Em 1950, ganhou a medalha de bronze no Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e também no Salão de Belas Artes de Santos. Sua primeira exposição individual foi no Masp, em 1955, só com desenhos. Ganhou o prêmio de Melhor Desenhista Nacional na 4ª Bienal de SP, em 1957. Durante a década de 1950, participou do Grupo Guanabara, ao lado de Tikashi Fukushima, Tomie Ohtake, Manabu Mabe e Arcangelo Ianelli, entre outros. Em 1953, também integra o Atelier Abstração, de Samson Flexor.Nos anos 1960, começou a pintar obras abstratas, suas Paisagens Imaginárias, que se tornariam sua marca.

É uma das recordistas de participações em Bienais de SP, com 13 aparições, sendo três Salas Especiais individuais, em 1963, 1973 e 1979, além de duas Salas Especiais coletivas. Na edição XI, em 1971, apresentou 20 obras - 3 desenhos e 17 óleos - na Sala Especial 20 anos de Bienal. Já na XX Bienal, em 1989, esteve presente na sala "Abstração, Efeito Bienal 1954-1963", com a obra Campo de Papoulas.

Além do Brasil, Wega expôs na Argentina, Uruguai, México, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e França.

Tem quadros nos principais museus do país como MASP, MAM-SP, Pinacoteca SP, MAC USP, MAM-RJ, Museu de Arte de Niterói, Museu da Pampulha, MAB-FAAP, Museu de Arte de Brasília, entre outros. Possui obras na sede da OEA (Organização dos Estados Americanos), na embaixada do Brasil em Washington, e em coleções particulares e coorporativas como Santander, Itaú, coleção Adolfo Lerner (Museu de Belas Artes de Houston), Senado Federal, Governo do Estado de SP etc.

Sua obra foi tema de dois poemas de Carlos Drummond de Andrade e um de Manoel de Barros.

Wega morreu em 2007, aos 95 anos, no Guarujá, cidade onde construiu sua casa batizada de Ilha Verde

Biografia

Uma das recordistas de participações em Bienais de Arte de São Paulo, com 13 aparições - sendo três com salas especiais (1963, 1973 e 1979) -, Wega foi uma desenhista e pintora brasileira. Nascida em Corumbá (MS), em 1912, era bisneta do Barão de Vila Maria e neta de Joaquim Eugênio Gomes da Silva, conhecido como Nheco, cujo apelido batizou a Nhecolândia, extensa região do Pantanal sul-mato-grossense. Aos 5 anos de idade, foi enviada com uma irmã ao então tradicional Colégio Sion, em São Paulo, onde viveu em regime de internato até os 12 anos. Foi a aluna mais nova daquela instituição de ensino. Depois viveu em Campinas e Bauru, antes de se estabelecer em São Paulo onde casou e teve um filho, Sebastião (Tão) Gomes Pinto (1939-2022), que viria a ser um jornalista de destaque de sua geração.

Pintora Wega Nery (1912-2007) em foto de catálogo da exposição realizada na galeria Subdistrito, em 1986, em São Paulo (crédito: Leonardo Crescenti)
Pintora Wega Nery (1912-2007) em foto da década de 1970 em sua casa, no Guarujá, São Paulo (crédito: Instituto Wega Nery)

Nos anos 1930, tornou-se professora, sendo nomeada inspetora federal de ensino. Simultaneamente, escreveu e publicou poemas na revista O Malho (Parnaso Feminino), como "Vera Nunes". De 1946 a 1949, estudou na Escola de Belas Artes, em São Paulo. Em 1950, ganhou a medalha de bronze no Salão Nacional de Belas Artes e também no Salão de Belas Artes de Santos. Apesar de ser uma grande artista, sentia-se inferiorizada como pintora em decorrência da sociedade patriarcal vigente que tratava mulheres como incapazes e, dessa forma, assinava como Van Arlen no início de sua carreira, um nome masculino.

Teve aulas com Theodoro Braga, Joaquim da Rocha Ferreira (1900-1965) e Yoshiya Takaoka (1909-1978), com quem fez parte do Grupo Guanabara (1950-1959), ao lado de Manabu Mabe (1924-1997), Arcângelo Ianelli, Tomie Ohtake, Tikashi Fukushima, Alina Okinaka, Alzira Pecorari e Ismênia Coaracy, entre outros, com quem dividiu espaços expositivos e o desafio de consolidar a abstração no país. Após período no Grupo Guanabara, aproximou-se do Atelier Abstração, importante espaço de formação artística na cidade de São Paulo na década de 1950, do pintor Samson Flexor (1907-1971), onde produziu pinturas abstratas, de tendência geométrica.

Participou de 13 edições da Bienal Internacional de São Paulo, com destaque para a IV Bienal, de 1957, quando arrebatou o prêmio de Melhor Desenhista Nacional. Além disso, na Bienal de SP teve 3 Salas Especiais individuais, em 1963, 1973 e 1979. Figurou no Salão Para Todos (57) e no VII Salão Paulista de Arte Moderna (Pequena Medalha de Prata). Foi membro do júri de seleção e premiação do IX Salão Paulista de Arte Moderna. Na Bienal de 63, recebeu o prêmio de Aquisição Nacional.

Sua primeira individual, com desenhos, ocorreu no Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 1955. Seguiram-se inúmeras exposições individuais e coletivas pelo Brasil afora, além de Argentina, Uruguai, Estados Unidos, México, Alemanha, França e Inglaterra.

Tem obras no acervo dos principais museus do Brasil, como o Museu de Arte de São Paulo (Masp), Museu de Arte Contemporânea (MAC-SP), Pinacoteca de SP, Museu de Arte Brasileira (Faap), Museu de Niterói (RJ), Museu de Arte Moderna (MAM-RJ), Museu de Arte da Pampulha (BH) e Museu de Belas Artes de Houston (coleção Adolpho Leiner), entre outros. Tem quadros na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), nas embaixadas do Brasil em Washington (EUA) e Berlim (Alemanha), na sede do Governo do Estado de SP (Palácio dos Bandeirantes e Campos do Jordão), no acervo do Senado Federal em Brasília, prefeituras e importantes coleções corporativas e particulares.

No início da década de 70, ao lado do companheiro Geraldo Ferraz, crítico de arte e escritor, estabeleceu-se no Guarujá, cidade litorânea de São Paulo, onde construiu uma casa na Praia de Pernambuco. Com projeto do arquiteto modernista ucraniano Gregori Warchavchik (1896-1971), a casa foi batizada de Ilha Verde, em alusão a um dos livros do escritor francês Victor Hugo (1802-1885). É o local onde Wega produziu boa parte de seus trabalhos. A casa inclusive chegou a fazer parte de um roteiro turístico-cultural da Prefeitura de Guarujá na década de 2010.

Sua arte foi tema de artigos de críticos como Sérgio Milliet (1898-1966), Vilém Flusser (1920-1991), Léo Gilson Ribeiro, Jacob Klintowitz, Radha Abramo, Olívio Tavares de Araújo, Alberto Beutenmuller, Mirian de Carvalho e Jorge Anthonio e Silva, entre outros.

Em 1984, realizou retrospectiva no Museu de Arte de São Paulo a convite de Pietro Maria Bardi. Em 1994, o Centro Cultural São Paulo realizou uma retrospectiva em homenagem aos 80 anos da artista.

Em 2022, obras de Wega fizeram parte das exposições Modernos/Pós-22, no Museu da Arte Brasileira, na Faap (SP), e também da mostra Constelação Clarice, sobre a escritora Clarice Linspector, no Instituto Moreira Salles (SP e RJ). Em 2023, esteve presente nas exposições coletivas Mulherio e Abstrações Utópicas, ambas na galeria Danielian, no Rio; e também na exposição Diálogos com Cor e Luz, no MAM-SP.

Wega Nery morreu por falência múltipla dos órgãos, aos 95 anos de idade, em 21/5/2007, no Guarujá (SP). Seu corpo foi cremado e as cinzas, jogadas no mar da Praia de Pernambuco.

Obras

Retrato de Takaoka, obra de Wega Nery que retrata seu professor Yoshiya Takaoka, pintada em 1950.
Igreja Nossa Senhora do Rosário (Cuiabá), pintada em 1968 por Wega Nery.

Wega Nery iniciou sua carreira com obras figurativas com temáticas que remetiam à sua infância e às suas familiaridades. Em seguida, sua pintura chegou à fase das linhas puras e abstratas monocromáticas, com desenhos em nanquim entre os anos 1955 e 1957. Nas décadas de 1960 e 1970, suas obras adentraram a pintura gestual, adquirindo cores vibrantes, movimentos expressivos e representando os territórios oníricos de suas "Paisagens Imaginárias" - que tornaram-se a temática principal de seu trabalho -, o que a garantiu a classificação como uma artista expressionista abstrata. Sua produção também tem sido associada ao abstracionismo lírico, em razão da ênfase na intensidade cromática, na espontaneidade do gesto e na exploração de conteúdos subjetivos e quiméricos, características frequentemente relacionadas a essa vertente.

A seguir estão listadas algumas obras de Wega Nery.

Prêmios

Exposições

Individuais

Coletivas

A palavra dos críticos

"Wega aparece em nosso cenário artístico como uma exceção" - MÁRIO PEDROSA em "Wega e o seu mundo" (1964)
"A primeira impressão que as telas causam são a do gesto amplo e violento. Mas uma inspeção mais atenta revela que este gesto aparentemente caótico se dá sobre um fundo de ordem cuidadosamente escondida. Pois é isto que caracteriza a essência do romantismo: não é um movimento ingênuo, ou “vital”, como ele próprio pretendia, mas é um movimento altamente sofisticado. Pois nessa cena que ameaça fechar-se, Wega representa uma abertura. Propõe contra o estruturalismo formalizante e o primitivismo acionante um renascimento do romantismo em novo nível de significado. E assim creio que devem ser lidas essas telas, em contexto. São testemunhas do desespero que toma atualmente todo artista verdadeiro" - VILÉM FLUSSER em "Wega, ou a essência do romantismo" (agosto/1968)
"A pintura de Wega está curiosamente isolada da pintura brasileira de seu tempo. Recusando-se todos os rótulos – action painting, tachismo, construtivismo – e todas as inovações técnicas – tintas acrílicas, objeto-escultura, recursos cinéticos, arte pop – ela é fiel a uma visão interior. É o equivalente a uma lei da natureza. Porque os quadros de Wega são comparáveis a abalos sísmicos, a explosões no espaço, à formação de novas galáxias. Áreas de cor intensa – azuis, vermelhos, amarelos, verdes – surgem na tela não dispostas pela mão do artista mas como que atiradas por fenômenos telúricos" - LEO GILSON RIBEIRO em "Wega e sua visão interior"
"Consequência de uma fundamentação, defrontamos este resultado efetivo. Não de uma pesquisa, mas de uma cristalização: pintura original, única, livre de qualquer coincidência à uniformidade das modas de vanguarda. A pintura de Wega é libertação e verdade" - GERALDO FERRAZ em "Wega Liberta em Arte" (outubro/1974)
"Wega, na verdade, continua fiel a um mundo de delicados devaneios, onde o objetivo da pintura é sugerir e envolver. Também estilisticamente ela continua fiel ao abstracionismo lírico que a consagrou. Pode-se argüir, hoje, que esse abstracionismo (por oposição à abstração construtiva, que é mais rigorosa) permite efeitos fáceis e até concessões de gosto. Mas o olho experimentado consegue distinguir claramente entre o pintor que domina sua linguagem e o prestidigitador que serve de truques ao acaso. Wega pertence ao primeiro grupo. Seus quadros correspondem a um projeto onde não há facilitações – e sim segurança artesanal. A coroá-la, finalmente, surgem as marcas de uma personalidade forte. Pode-se dizer que qualquer quadro de Wega, nos últimos 20 anos, é só seu e não se parece com a pintura de ninguém. Aí está sua maior vitória como artista: a posse de uma escritora inconfundivelmente pessoal" - OLÍVIO TAVARES DE ARAÚJO em "Uma pintura de marcas inconfundíveis" (abril/1981)
"Esta exposição (retrospectiva no MASP) é o resgate artístico de uma grande pintora brasileira. Nos anos 60 e 70, a pintura se torna a arma eloquente da criação de Wega. Largas pinceladas ou largas manchas de cor, feitas com a espátula que segue seu impulso emotivo, constroem paisagens imaginárias representativas do universo inconsciente da pintora. Cores fortes, azuis, negros, verdes, criam um intenso e vibrante cromatismo que compõe o discurso da cor pura e simplesmente. Na última fase, dos anos 80, a pintura de Wega funde o imaginário ao universo exterior, permitindo que as manchas e os golpes violentos de cores assumam a semelhança de paisagens reais. São paisagens incomuns, que de certa forma procuram sintetizar o sonho e o mundo real. Infelizmente, nem sempre temos capacidade emotiva para perceber à nossa volta esses mundos delicados, coloridos e sensíveis pintados por Wega" - RADHA ABRAMO em "A pintura na eloquência da criação" (agosto de 1985)

Referências

  1. ↑ «Wega Nery». VIAF (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 17 de dezembro de 2024
  2. ↑ «Freguesia do Ó, 1950.». www.acervo.sp.gov.br. Consultado em 21 de junho de 2026
  3. ↑ Cultural, Instituto Itaú. «Wega Nery». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 22 de junho de 2026. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2025
  4. ↑ «FUNDAÇÃO BIENAL DE SÃO PAULO. Wega Nery.». Arquivo Histórico Wanda Svevo. Consultado em 21 de junho de 2026
  5. ↑ Amaral, Maria Eugênia Carvalho do (2017). «Wega Nery (1912-2007), do Pantanal às paisagens imaginárias. In: FARIAS, Marisa de Fátima Lomba de; COSTA, Alexandra Lopes da; VIEIRA, Luciana Branco (org.). Mulheres na história de Mato Grosso do Sul.» (PDF). Repositório UFGD. Consultado em 21 de junho de 2026
  6. ↑ Barros, Regina Teixeira (2016). «Arte moderna na coleção da Fundação Edson Queiroz» (PDF). Fundação Iberê Camargo. Consultado em 21 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 11 de junho de 2025
  7. ↑ Rosin, Priscila (2010). «Territórios imagéticos de Wega Nery. In: 19º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas» (PDF). Consultado em 21 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 4 de julho de 2025
  8. ↑ AVANCINI, José Augusto Costa (2017). «As paisagens imaginárias de Antônio Bandeira e Wega Nery. In: COLÓQUIO DO COMITÊ BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA ARTE» (PDF). Comitê Brasileiro de História da Arte. Consultado em 21 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 7 de maio de 2025
  9. ↑ Cultural, Instituto Itaú. «Enciclopédia Itaú Cultural». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 21 de junho de 2026. Cópia arquivada em 6 de junho de 2026
  10. ↑ «MASP». MASP. Consultado em 21 de junho de 2026. Cópia arquivada em 16 de março de 2025
  11. ↑ «MAC USP | Acervo : Obra : Perspectivas [1964.2.6]». acervo.mac.usp.br. Consultado em 21 de junho de 2026
  12. ↑ «MASP». MASP. Consultado em 21 de junho de 2026. Cópia arquivada em 16 de março de 2025
  13. ↑ «MASP». MASP. Consultado em 21 de junho de 2026. Cópia arquivada em 16 de março de 2025
  14. ↑ «MASP». MASP. Consultado em 21 de junho de 2026. Cópia arquivada em 16 de março de 2025

Ligações externas