Wilma de Faria | |
|---|---|
| Governadora do Rio Grande do Norte | |
| Período | 1.º de janeiro de 2003 a 31 de março de 2010 |
| Vice-governadores | Antônio Jácome (2003–2007) Iberê Ferreira de Souza (2007–2010) |
| Antecessor(a) | Fernando Freire |
| Sucessor(a) | Iberê Ferreira de Souza |
| Primeira-dama do Rio Grande do Norte | |
| Período | 15 de março de 1979 a 15 de março de 1983 |
| Governador | Lavoisier Maia |
| Antecessor(a) | Teresa Maia |
| Sucessor(a) | Anita Maia |
| Deputada federal pelo Rio Grande do Norte | |
| Período | 1.º de fevereiro de 1987 a 1.º de janeiro de 1989 |
| Prefeita de Natal | |
| Período | 1.º de janeiro de 1997 a 5 de abril de 2002 |
| Vice-prefeitos | Marcílio Carrilho (1997–2000) Carlos Eduardo Alves (2001–2002) |
| Antecessor(a) | Aldo Tinoco Filho |
| Sucessor(a) | Carlos Eduardo Alves |
| Período | 1.º de janeiro de 1989 a 1.º de janeiro de 1993 |
| Vice-prefeito | Ney Lopes |
| Antecessor(a) | Garibaldi Alves Filho |
| Sucessor(a) | 1.º- Aldo Tinoco Filho |
| Vice-prefeita de Natal | |
| Período | 1.º de janeiro de 2013 a 1.º de janeiro de 2017 |
| Prefeito | Carlos Eduardo Alves |
| Antecessor(a) | Paulinho Freire |
| Sucessor(a) | Álvaro Dias |
| Vereadora de Natal | |
| Período | 1.º de janeiro de 2017 a 15 de junho de 2017 |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Wilma Maria de Faria |
| Nascimento | 17 de fevereiro de 1945 Mossoró, Rio Grande do Norte |
| Morte | 15 de junho de 2017 (72 anos) Natal, Rio Grande do Norte |
| Nacionalidade | brasileira |
| Alma mater | Universidade Federal do Rio Grande do Norte |
| Prêmio(s) | Ordem do Mérito Militar |
| Cônjuge | Lavoisier Maia (1959–1992) Hérbat Spencer (1992–2001) Maurício Souza (2008–2017) |
| Partido | ARENA (1966-1979) PDS (1980-1988) PDT (1988-1992) PSB (1992-2016) PTdoB (2016-2017) |
| Religião | catolicismo |
| Profissão | professora, política |
Wilma Maria de Faria (Mossoró, 17 de fevereiro de 1945 — Natal, 15 de junho de 2017), também conhecida durante parte da carreira como Wilma Maia, foi uma professora universitária e política brasileira. Exerceu os cargos de primeira-dama e secretária de Estado do Rio Grande do Norte, deputada federal constituinte, prefeita e vice-prefeita de Natal, governadora do Rio Grande do Norte e vereadora da capital. Foi a primeira mulher eleita deputada federal pelo estado, a primeira a governar Natal pelo voto popular e a primeira a chefiar o Poder Executivo estadual potiguar.
Formada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde se tornou professora, especializou-se em Sociologia e concluiu mestrado em Educação. Sua projeção pública começou no fim da década de 1970, quando, como esposa do governador Lavoisier Maia, dirigiu entidades de assistência social. Em 1983, passou a comandar a Secretaria Estadual do Trabalho e Bem-Estar Social. Depois de uma primeira candidatura à Prefeitura de Natal, em 1985, elegeu-se deputada federal em 1986 e participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1987.
Eleita prefeita de Natal em 1988, voltou ao cargo em 1996 e foi reeleita em 2000, tornando-se uma das principais lideranças políticas da capital. Renunciou em abril de 2002 para disputar o governo estadual e venceu a eleição no segundo turno, com 61,05% dos votos válidos. Reeleita em 2006, permaneceu no governo até março de 2010, quando se desincompatibilizou para concorrer ao Senado. Sua administração estadual combinou políticas sociais e de desenvolvimento rural, investimentos em infraestrutura e expansão da UERN, mas também foi atingida por investigações envolvendo integrantes do governo e familiares.
Após deixar o governo, foi derrotada nas eleições para o Senado em 2010 e 2014. Entre 2013 e 2016, exerceu a vice-prefeitura de Natal, na gestão de Carlos Eduardo Alves. Em 2016, depois de mais de duas décadas no PSB, transferiu-se para o PTdoB e elegeu-se vereadora de Natal. Morreu em junho de 2017, aos 72 anos, durante o mandato, após tratamento contra um câncer no sistema digestivo.
Wilma Maria de Faria nasceu em Mossoró, no oeste do Rio Grande do Norte, filha de Morton Mariz de Faria e Francisca Sales Paraguai Faria. Passou parte da infância e juventude em Caicó, na região do Seridó. Sua família possuía vínculos com grupos tradicionais da política potiguar, incluindo relações de parentesco com os ex-governadores Juvenal Lamartine de Faria e Dinarte Mariz. Estudos sobre sua trajetória assinalam que, apesar desse ambiente familiar, sua entrada efetiva na política ocorreu somente na vida adulta, inicialmente por meio das funções sociais associadas ao governo do então marido.
Casou-se com o médico e professor Lavoisier Maia, com quem teve quatro filhos: Ana Cristina, Cíntia, Lauro e Márcia Maia. O casamento terminou em divórcio. Ao longo da carreira, utilizou tanto o nome Wilma Maia, associado ao primeiro casamento, quanto Wilma de Faria; durante a campanha municipal de 1996, a mudança de nome foi objeto de cobertura da imprensa por coincidir com uma tentativa de apresentar uma imagem política mais autônoma em relação ao grupo Maia.
Concluiu o curso de Letras da UFRN em 1975. Em seguida, tornou-se professora-assistente do Departamento de Educação do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da universidade. Trabalhou como assessora da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Natal, entre 1976 e 1977, e como coordenadora de projetos e convênios da Pró-Reitoria de Planejamento e Coordenação Geral da UFRN, entre 1977 e 1978. Posteriormente, realizou especialização em Sociologia e mestrado em Educação, aposentando-se como professora da instituição.
Com a posse de Lavoisier Maia no governo estadual, em 1979, Wilma tornou-se primeira-dama do Rio Grande do Norte. Nessa condição, coordenou no estado o Programa Nacional do Voluntariado, ligado à Legião Brasileira de Assistência, e presidiu o Movimento de Integração e Orientação Social (MEIOS) e a seção estadual da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. Essa atuação aproximou-a de clubes de mães, associações comunitárias, grupos de idosos e entidades voltadas a pessoas com deficiência, formando uma base de relações que seria mobilizada em suas primeiras campanhas eleitorais.
O cientista social Fagner Torres de França identifica nesse período a origem de dois elementos duradouros de sua imagem pública: a apresentação como “professora”, que evocava formação técnica e proximidade com a educação, e o vínculo com a assistência social, que favorecia uma identidade política maternal e comunitária. Segundo o autor, essas representações foram reelaboradas nas campanhas posteriores e combinadas, nos anos 2000, à imagem da “guerreira”, associada à persistência eleitoral e à capacidade de enfrentar estruturas políticas tradicionais.
Em 1983, no início do primeiro governo de José Agripino Maia, Wilma foi nomeada secretária estadual do Trabalho e Bem-Estar Social. Permaneceu no cargo até 1985, quando se afastou para disputar a Prefeitura de Natal pelo Partido Democrático Social (PDS). Sua candidatura reuniu o apoio de Lavoisier Maia e José Agripino, mas foi derrotada por Garibaldi Alves Filho, do PMDB, na primeira eleição direta para prefeito da capital após o regime militar. A campanha, contudo, ampliou seu reconhecimento eleitoral e a transformou em um nome próprio dentro do grupo governista.
Na eleição de 1986, Wilma foi eleita deputada federal pelo Rio Grande do Norte, tornando-se a primeira mulher do estado a alcançar o cargo. Tomou posse em 1.º de fevereiro de 1987 e integrou a Assembleia Nacional Constituinte. Foi titular da Subcomissão dos Direitos dos Trabalhadores e Servidores Públicos, vinculada à Comissão da Ordem Social, e suplente da Subcomissão da Família, do Menor e do Idoso, da Comissão da Família, da Educação, Cultura e Esportes, da Ciência e Tecnologia e da Comunicação.
Sua atuação parlamentar concentrou-se em temas trabalhistas, educação, proteção social e políticas familiares. Registros da Câmara dos Deputados preservam pronunciamentos nos quais defendeu a valorização do ensino e a preparação dos jovens para o trabalho. Em outubro de 1988, licenciou-se do mandato por 120 dias para participar da campanha à Prefeitura de Natal. Eleita, renunciou à Câmara em 1.º de janeiro de 1989 para assumir o Executivo municipal.
Filiada ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), Wilma venceu a eleição municipal de 1988 e tomou posse em 1.º de janeiro de 1989. Sua vitória representou a primeira eleição de uma mulher para a Prefeitura de Natal e marcou a consolidação de uma liderança já menos dependente da identificação pública com o ex-marido. Ao fim do mandato, apoiou a candidatura de seu secretário de Planejamento, Aldo Tinoco Filho, eleito prefeito em 1992.
A primeira administração criou, em 1991, a Guarda Municipal de Natal, inicialmente com duzentas vagas distribuídas igualmente entre homens e mulheres. A corporação foi instituída para proteger bens, serviços e instalações municipais e colaborar com ações preventivas de segurança e de preservação ambiental. A composição paritária do primeiro concurso foi posteriormente destacada em registros institucionais como uma característica pioneira da formação inicial da guarda.
Na área urbana e cultural, a gestão participou da elaboração do chamado Plano Natal, conjunto de estudos de planejamento e integração metropolitana apresentado no início da década de 1990. Também promoveu intervenções em equipamentos municipais e em áreas tradicionais da cidade. Entre as iniciativas associadas às administrações de Wilma esteve a restauração do prédio histórico da antiga Capitania dos Portos, posteriormente transformado na sede da Fundação Cultural Capitania das Artes.
Depois de deixar a prefeitura, Wilma atuou como assessora do governo de Miguel Arraes em Pernambuco. Filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e, em 1994, concorreu pela primeira vez ao governo do Rio Grande do Norte. Obteve 35.591 votos, equivalentes a 3,83% dos votos válidos, e terminou em quarto lugar. Embora o desempenho tenha sido modesto, a candidatura marcou sua aproximação com um campo de centro-esquerda e o início da construção de uma organização partidária própria no estado.
Em 1996, Wilma voltou a disputar a Prefeitura de Natal pelo PSB. Liderou o primeiro turno e venceu Fátima Bezerra no segundo, em uma eleição que colocou duas mulheres na disputa final pelo comando da capital. A campanha valorizou sua experiência administrativa, a identidade feminina e a imagem de independência em relação às oligarquias locais. Tomou posse em janeiro de 1997 e, em 2000, foi reeleita ainda no primeiro turno, com 57,7% dos votos válidos.
Durante esses mandatos, a prefeitura deu continuidade a ações de urbanização, planejamento, cultura e assistência social, ao mesmo tempo em que fortaleceu a presença política de Wilma nos bairros populares de Natal. Sua administração também ampliou a capacidade de articulação com associações comunitárias e lideranças locais, componente apontado por estudos acadêmicos como decisivo para a formação de uma base eleitoral urbana estável. Em 1999, rompeu politicamente com José Agripino Maia; no pleito de 2000, recebeu o apoio do então governador Garibaldi Alves Filho, antigo adversário, sinalizando uma reconfiguração das alianças estaduais.
Em 5 de abril de 2002, renunciou ao terceiro mandato para concorrer ao governo do Rio Grande do Norte. A prefeitura foi assumida pelo vice, Carlos Eduardo Alves. A passagem direta da prefeitura para a campanha estadual permitiu que sua candidatura se apoiasse na elevada votação obtida na capital e na imagem de administradora municipal, mas exigiu a expansão de seu grupo político para o interior do estado.
Wilma concorreu ao governo em 2002 por uma coligação liderada pelo PSB e formada principalmente por partidos de menor porte. No primeiro turno, recebeu 492.756 votos, ou 37,59% dos válidos, ficando à frente do governador interino Fernando Freire, candidato do PPB. No segundo turno, ampliou a coligação, recebeu apoios de setores do PT e de antigas forças adversárias e venceu com 820.541 votos, correspondentes a 61,05%. Tomou posse em 1.º de janeiro de 2003, tornando-se a primeira mulher a governar o Rio Grande do Norte.
O primeiro secretariado reuniu quadros do PSB, aliados de centro-esquerda e integrantes de grupos políticos que haviam aderido à candidatura no segundo turno. A composição refletia o caráter heterogêneo da aliança que a levou ao governo. Ao longo do mandato, Wilma manteve relação de cooperação com o governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de alianças locais que nem sempre reproduziam a coalizão nacional.

Uma das principais políticas de combate à pobreza rural foi o Programa Desenvolvimento Solidário, executado em parceria com o Banco Mundial e baseado no financiamento de projetos definidos por associações comunitárias. Os recursos apoiaram sistemas de abastecimento de água, eletrificação, pequenas unidades produtivas, agroindústrias, criação de animais e iniciativas de geração de renda. Segundo avaliação divulgada pelo Banco Mundial, o programa alcançou cerca de 2.100 associações e aproximadamente 400 mil moradores rurais pobres entre 2002 e 2010, período que abrangeu o fim da gestão anterior e os dois mandatos de Wilma.
Em 2008, o governo iniciou uma nova fase do Desenvolvimento Solidário, com previsão de investimentos de cerca de 30 milhões de dólares e atuação em 165 municípios. O desenho financeiro combinava recursos do Banco Mundial, contrapartida estadual e participação das comunidades. O programa foi apresentado pelo governo como mecanismo de descentralização, mas sua execução também dependia da capacidade organizativa das associações e da seleção técnica dos projetos.
O Programa do Leite, política estadual de compra e distribuição de leite para famílias de baixa renda, foi reorganizado e regulamentado em 2003. A administração ampliou o número de beneficiários e utilizou as compras governamentais como instrumento de apoio à pecuária leiteira. Dados divulgados pela coordenação do programa indicavam que o Estado adquiria parcela relevante da produção potiguar, embora o programa também tenha enfrentado debates sobre custos, cadastro de beneficiários e regularidade dos pagamentos aos fornecedores.
A obra de maior visibilidade do período foi a Ponte Newton Navarro, sobre o rio Potengi, ligando a zona leste à zona norte de Natal e facilitando o acesso ao litoral setentrional. O projeto teve participação do governo estadual, da Prefeitura de Natal e do governo federal. Inaugurada em novembro de 2007, a ponte tornou-se um dos principais marcos urbanos da capital e foi apresentada por Wilma como a obra emblemática de sua administração. A prefeitura participou de desapropriações, projetos de acessibilidade e obras complementares, enquanto o governo estadual conduziu a construção da travessia.
O governo também executou obras rodoviárias e pontes no interior, com financiamento estadual e federal, e participou do programa Pró-Transporte, voltado a intervenções viárias na zona norte de Natal. Na gestão dos recursos hídricos, firmou com o Banco Mundial o Projeto de Gestão Integrada dos Recursos Hídricos, concebido para fortalecer instituições estaduais, melhorar a infraestrutura e ampliar a capacidade de planejamento do uso da água em um estado sujeito a secas recorrentes.
Na região metropolitana, o governo e a prefeitura celebraram convênios para obras de mobilidade, drenagem e saneamento. Entre os projetos estavam intervenções viárias na zona norte e investimentos em bairros de Natal e municípios do interior. A execução de parte das obras estendeu-se além dos mandatos de Wilma, razão pela qual avaliações sobre o período distinguem a captação e contratação de recursos da conclusão física dos empreendimentos.
Na educação superior estadual, Wilma apoiou a implantação do curso de Medicina da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em Mossoró. O processo de criação foi conduzido em cooperação com a universidade e resultou no primeiro curso de medicina sediado no interior potiguar. Registros institucionais da UERN atribuem sua criação a uma articulação que envolveu a governadora, reitores e representantes políticos da região.
A administração também apoiou a expansão da UERN em Natal e no Seridó. Em 2009, iniciou a obra do complexo destinado ao campus da universidade na capital, aproveitando a área da antiga Penitenciária João Chaves. Parte do conjunto foi entregue em 2010 como Complexo Cultural de Natal; a sede definitiva do campus somente seria concluída em administração posterior. A política de interiorização incluiu novos cursos e o fortalecimento de unidades existentes, embora o financiamento da universidade permanecesse sujeito a restrições orçamentárias estaduais.
Na política cultural, foram realizadas intervenções em equipamentos como o Teatro Alberto Maranhão, a Casa do Estudante e o Complexo Cultural da Zona Norte. O governo também apoiou eventos e projetos turísticos, entre eles a modernização do Centro de Convenções de Natal. Essas ações integravam uma estratégia de vincular cultura, turismo e requalificação urbana, ainda que parte dos investimentos tenha sido executada por meio de parcerias com municípios, empresas e órgãos federais.
A política industrial utilizou como principal instrumento o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proadi), que concedia incentivos financeiros a empresas em contrapartida a investimentos e geração de empregos. Estudo acadêmico sobre o período de 2003 a 2007 apontou a relevância do programa para a atração e manutenção de empreendimentos, mas também discutiu limitações de mensuração, concentração espacial e necessidade de acompanhamento dos benefícios concedidos.
O período coincidiu com a expansão da atividade petrolífera, do turismo e dos primeiros grandes projetos de energia eólica no estado. O governo buscou captar investimentos e ampliar a infraestrutura associada a esses setores. Como muitos empreendimentos dependiam de decisões federais e privadas, a literatura e a imprensa divergem quanto ao peso específico da política estadual em seus resultados; por isso, a expansão econômica do período é geralmente analisada como produto da combinação entre incentivos locais, conjuntura nacional e investimentos de empresas públicas e privadas.
Wilma concorreu à reeleição em 2006 tendo como principal adversário o senador Garibaldi Alves Filho. No primeiro turno, recebeu cerca de 49,6% dos votos válidos, contra aproximadamente 48,6% do adversário, resultado que levou a disputa ao segundo turno. Na etapa final, foi reeleita com 824.101 votos, ou 52,38%, enquanto Garibaldi obteve 47,62%. A vitória foi favorecida por sua votação na região metropolitana, pelo apoio do presidente Lula e por uma coalizão local que incluiu partidos situados em campos diferentes no plano nacional.
O segundo mandato começou com uma base ampla na Assembleia Legislativa, mas enfrentou maior desgaste político e fiscal. O governo precisou administrar pressões por reajustes salariais, demandas de custeio dos serviços públicos e a continuidade de obras contratadas no primeiro mandato. A composição do secretariado foi negociada com PSB, PT, PCdoB e outros integrantes da coalizão, ao mesmo tempo em que Wilma procurava preservar autonomia em relação aos principais grupos oligárquicos do estado.
Em 31 de março de 2010, Wilma renunciou ao governo para concorrer ao Senado. Foi sucedida pelo vice-governador Iberê Ferreira de Souza, que concluiu o mandato. A renúncia encerrou um período de sete anos e três meses no Executivo estadual, o mais longo exercício contínuo do cargo por uma mulher no Rio Grande do Norte até então.
Em junho de 2008, a Polícia Federal deflagrou a Operação Hígia, destinada a investigar suspeitas de fraudes em licitações e desvios em contratos de terceirização vinculados à área de saúde estadual. Entre os presos estavam servidores, empresários e Lauro Maia, filho da governadora. As investigações e ações penais posteriores atingiram integrantes da administração e produziram forte repercussão política. Wilma não foi presa na operação; as fontes oficiais sobre a ação criminal concentraram as acusações nos denunciados nominalmente pelo Ministério Público Federal.
Outro caso relacionado ao período foi conhecido como “Foliaduto”, investigação sobre contratos da Fundação José Augusto para apresentações artísticas que não teriam ocorrido. A Justiça condenou parte dos acusados e absolveu outros, entre eles Carlos Faria, irmão da governadora, no processo criminal noticiado em 2013. Como as decisões recaíram sobre gestores e particulares específicos, o episódio deve ser distinguido de uma condenação pessoal de Wilma, embora tenha contribuído para o desgaste de sua administração.
Em processo distinto, relativo ao período em que era prefeita de Natal, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, em 2009, que o uso da Procuradoria Municipal para representá-la em processo perante a Justiça Eleitoral poderia caracterizar ato de improbidade administrativa. O tribunal deu parcial provimento ao recurso do Ministério Público e determinou o retorno dos autos à instância de origem para definição das consequências jurídicas. O julgamento não se relacionava aos contratos investigados pela Operação Hígia.
Na eleição de 2010, Wilma disputou uma das duas vagas do Rio Grande do Norte no Senado. Embora chegasse à campanha como uma das candidatas mais conhecidas do estado, terminou em terceiro lugar, com 651.358 votos, equivalentes a 21,89% dos votos válidos computados para o cargo. As vagas foram conquistadas por Garibaldi Alves Filho e José Agripino Maia. O resultado também refletiu a derrota do candidato de seu grupo ao governo, Iberê Ferreira, vencido por Rosalba Ciarlini.
Após a derrota, Wilma reassumiu a direção estadual do PSB e reorganizou sua atuação em Natal. Manteve presença em eventos partidários e na articulação da oposição ao governo Rosalba Ciarlini. Sua liderança, porém, passou a conviver com o crescimento de novos quadros do partido e com disputas internas pelo controle da legenda.
Em 2012, após considerar uma candidatura própria, Wilma aceitou integrar como vice a chapa de Carlos Eduardo Alves à Prefeitura de Natal. A aliança reuniu dois ex-prefeitos e reconstruiu a parceria iniciada quando Carlos Eduardo fora seu vice e sucessor em 2002. A chapa venceu o segundo turno com 214.687 votos, ou 58,31% dos válidos, e tomou posse em 1.º de janeiro de 2013.
Como vice-prefeita, participou de articulações políticas e representou o município em compromissos institucionais. Em 2014, assumiu interinamente a prefeitura durante viagem do titular. A substituição gerou discussão jurídica porque ocorreu no período de seis meses anterior à eleição em que ela concorreria ao Senado. O Tribunal Superior Eleitoral, contudo, manteve seu registro de candidatura ao concluir que a assunção temporária não impedia a disputa nas circunstâncias examinadas.
Na eleição de 2014, Wilma concorreu ao Senado por uma ampla coligação que apoiava Henrique Eduardo Alves ao governo. Recebeu 636.896 votos, equivalentes a 43,23% dos válidos, e foi derrotada por Fátima Bezerra, eleita com 54,84%. A disputa simbolizou uma inversão da eleição municipal de 1996, quando Wilma vencera Fátima no segundo turno para a Prefeitura de Natal.
A derrota reduziu sua influência sobre a coalizão estadual. Nos anos seguintes, a relação com Carlos Eduardo também se deteriorou, e a disputa pelo comando do PSB potiguar terminou com a ascensão do deputado federal Rafael Motta. Em 2016, Wilma deixou a legenda que presidira por cerca de duas décadas e filiou-se ao Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), atual Avante.
Nas eleições municipais de 2016, Wilma candidatou-se a vereadora de Natal pelo PTdoB. Foi eleita com 4.421 votos e tomou posse em 1.º de janeiro de 2017. Na Câmara Municipal, integrou a Mesa Diretora como segunda vice-presidente. Seu mandato, entretanto, foi interrompido pelo agravamento do câncer; em abril, licenciou-se das atividades parlamentares para tratamento.
A trajetória de Wilma foi marcada por mudanças de partido, recomposições de alianças e progressiva autonomização em relação aos grupos que apoiaram sua entrada na política. Iniciou a carreira no PDS, ligado ao campo conservador que sustentara o regime militar, migrou para o PDT no fim dos anos 1980 e consolidou-se no PSB a partir da década de 1990. No governo, aliou-se tanto a partidos de esquerda quanto a setores de centro e centro-direita, estratégia que ampliou sua competitividade, mas também produziu críticas sobre pragmatismo e personalismo.
Pesquisas acadêmicas sobre suas campanhas destacam a importância da comunicação política na criação de uma biografia pública coerente. A imagem inicial de primeira-dama dedicada à assistência social foi reelaborada como a de professora e gestora; após derrotas e rompimentos, ganhou centralidade o epíteto “Guerreira”. A narrativa combinava atributos de cuidado, coragem e capacidade administrativa, procurando converter obstáculos eleitorais e a condição de mulher em elementos positivos de identificação com o eleitorado.
Seu desempenho foi especialmente forte em Natal e na região metropolitana, onde exerceu três mandatos de prefeita e manteve redes comunitárias de longa duração. A eleição de 2002 demonstrou sua capacidade de transferir esse capital político para o interior. Ao mesmo tempo, a dependência de uma liderança pessoal forte dificultou a institucionalização duradoura de seu grupo: os sucessores apoiados por ela nem sempre preservaram a mesma base, e as alianças foram frequentemente reorganizadas entre eleições.
Como pioneira feminina, Wilma ocupou posições até então monopolizadas por homens no estado. Sua carreira, contudo, não se estruturou originalmente em torno de uma plataforma feminista programática; a condição de mulher foi mobilizada sobretudo como elemento de representação, identidade e superação de barreiras políticas. Nas homenagens posteriores, instituições legislativas passaram a associar sua trajetória à ampliação da presença feminina nos espaços de poder.
Do casamento com Lavoisier Maia nasceram quatro filhos. Márcia Maia seguiu carreira política, elegendo-se deputada estadual e exercendo funções administrativas. Lauro Maia atuou como advogado e assessor parlamentar; Ana Cristina e Cíntia mantiveram menor exposição política. Nos últimos anos de vida, Wilma mantinha relacionamento com José Maurício Souza. Fontes biográficas e obituários registram que ela conciliou a extensa vida pública com uma família numerosa, composta também por netos.
Católica, manteve relações com instituições religiosas e participou de solenidades da Igreja no estado. Durante seu governo, sancionou legislação estadual que reconheceu o dia dos mártires de Cunhaú e Uruaçu, celebrado em 3 de outubro, como feriado estadual. Sua religiosidade, embora presente na vida pública, não constituiu o eixo central de sua identidade eleitoral, que se apoiava mais frequentemente na docência, na assistência social e na experiência administrativa.
Wilma foi diagnosticada em 2015 com câncer no sistema digestivo. Submeteu-se a cirurgias e sessões de quimioterapia em Natal e São Paulo, alternando o tratamento com atividades políticas. O quadro agravou-se em 2017, levando ao afastamento do mandato de vereadora e à internação na Casa de Saúde São Lucas, em Natal, no início de junho.
Morreu às 23h40 de 15 de junho de 2017, aos 72 anos, em decorrência de falência múltipla de órgãos associada à evolução da doença. O governo estadual, a Prefeitura de Natal, a Assembleia Legislativa e a Câmara Municipal decretaram luto e divulgaram notas oficiais. O corpo foi velado em cerimônias públicas, incluindo passagem pela Catedral Metropolitana de Natal e pelo Palácio Potengi.
O sepultamento ocorreu no cemitério Morada da Paz, em Parnamirim, na noite de 17 de junho, com honras prestadas pela Polícia Militar. O cortejo reuniu familiares, autoridades, correligionários e eleitores. Discursos no funeral enfatizaram seu pioneirismo feminino, a atuação social e a presença na política potiguar por quase quatro décadas.
A avaliação de seu legado reúne dimensões distintas. A primeira é institucional e simbólica: sua eleição para a Câmara dos Deputados, a Prefeitura de Natal e o governo estadual abriu precedentes para mulheres na política potiguar. A segunda é administrativa, associada por apoiadores e instituições locais à Ponte Newton Navarro, à expansão da UERN e a programas de desenvolvimento rural e assistência social. A terceira é político-eleitoral: Wilma construiu uma liderança pessoal capaz de vencer grupos tradicionais, mas também governou por meio de amplas coalizões e deixou uma organização partidária menos duradoura do que sua própria popularidade.
Seu nome foi atribuído a espaços, honrarias e equipamentos públicos. A Câmara Municipal de Natal instituiu a Comenda Wilma de Faria para reconhecer pessoas com atuação na assistência social. Em 2022, o Senado Federal concedeu-lhe, in memoriam, o Diploma Bertha Lutz, destinado a personalidades que contribuíram para os direitos das mulheres. A Assembleia Legislativa denominou a RN-023 “Rodovia Governadora Wilma Maria de Faria”, e, em 2025, o Complexo Turístico da Redinha recebeu oficialmente seu nome.
Em 2017, familiares e antigos colaboradores organizaram um memorial itinerante com fotografias, documentos e objetos relacionados à sua carreira. A iniciativa buscou preservar a memória da política e circular por municípios onde havia desenvolvido atividades públicas. O acervo também serviu de base para eventos e produções audiovisuais posteriores sobre sua trajetória.
| Ano | Eleição | Cargo | Partido | Coligação | Titular/Vice/Suplentes | Votos para Wilma | Resultado | Ref | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| T. | Total | % | P. | |||||||||
| 1985 | Municipal de Natal | Prefeita | PDS | Aliança Comunitária | Vice: Pedro Lucena (PFL) | 1.º | 82.136 | 44,63% | 2.ª | Não Eleita | ||
| 1986 | Estadual do RN | Deputada Federal | Aliança Popular | — | 1.º | 143.583 | 15,48% | 1.ª | Eleita | |||
| 1988 | Municipal de Natal | Prefeita | PDT | Oposição Unida | Vice: Ney Lopes (PFL) | 1.º | 93.728 | 46,92% | 1.ª | Eleita | ||
| 1994 | Estadual do RN | Governadora | PSB | Frente Popular Pela Cidadania | Vice: Binha Torres (PSB) | 1.º | 35.591 | 3,83% | 4.ª | Não Eleita | ||
| 1996 | Municipal de Natal | Prefeita | Frente Democrática pela Vontade do Povo | Vice: Marcílio Carrilho (PFL) | 1.º | 92.244 | 35,79% | 1.ª | Segundo Turno | |||
| 2.º | 136.396 | 51,68% | 1.ª | Eleita | ||||||||
| 2000 | Municipal de Natal | Unidade Popular a Favor de Natal | Vice: Carlos Eduardo Alves (PMDB) | 1.º | 178.016 | 57,71% | 1.ª | Eleita | ||||
| 2002 | Estadual do RN | Governadora | Vitória do Povo | Vice: Antônio Jácome (PSB) | 1.º | 492.756 | 37,59% | 1.ª | Segundo Turno | |||
| 2.º | 820.541 | 61,05% | 1.ª | Eleita | ||||||||
| 2006 | Estadual do RN | Vitória do Povo | Vice: Iberê Ferreira (PSB) | 1.º | 764.016 | 49,58% | 1.ª | Segundo Turno | ||||
| 2.º | 824.101 | 52,38% | 1.ª | Eleita | ||||||||
| 2010 | Estadual do RN | Senadora | Vitória do Povo | 1° Suplente: Luiz Cláudio Macedo (PSB)
2° Suplente: Pedro Terceiro de Melo (PSB) |
1.º | 651.358 | 21,89% | 3.ª | Não Eleita | |||
| 2012 | Municipal de Natal | Vice-prefeita | União Por Natal | Titular: Carlos Eduardo Alves (PDT) | 1.º | 153.464 | 40,42% | 1.ª | Segundo Turno | |||
| 2.º | 214.687 | 58,31% | 1.ª | Eleita | ||||||||
| 2014 | Estadual do RN | Senadora | União pela mudança
(PSB, PMDB, PR, DEM, PSDB, Solidariedade, PROS, PDT, PPS, PTB, PRB, PSC, PV, PHS, PMN, PSDC, PRP, PTN) |
1° Suplente: Flávio Azevedo (PMDB)
2° Suplente: Edmilson Gomes (PMDB) |
1.º | 636.896 | 43,23% | 2.ª | Não Eleita | |||
| 2016 | Municipal de Natal | Vereadora | PTdoB | A Favor de Natal | — | 1.º | 4.421 | 1,21% | 14.ª | Eleita | ||
| Cargos civis | ||
|---|---|---|
| Precedido por Fernando Freire |
Governadora do Rio Grande do Norte 2003–2010 |
Sucedido por Iberê Ferreira de Souza |
| Precedido por Garibaldi Alves Filho |
Prefeita de Natal 1989–1993 |
Sucedido por Aldo Tinoco Filho |
| Precedido por Aldo Tinoco Filho |
Prefeita de Natal 1997–2002 |
Sucedido por Carlos Eduardo Alves |