| Sandre | |||||||||||||||||
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
Pouco preocupante (IUCN 3.1) | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
Sander lucioperca, comummente conhecida como sandre ou lucioperca (também grafado lúcio-perca), é uma espécie de peixe actinopterígio da família dos percídeos, onde também se inclui a perca e as acerinas. É encontrado em habitats de água doce e salobra na Eurásia Ocidental. É um peixe de caça popular e foi introduzido em diversas localidades fora de sua área de distribuição nativa. É a espécie-tipo do género Sander.
Quanto ao nome científico desta espécie:
A espécie foi descrita pela primeira vez em 1758 como Perca lucioperca por Carolus Linnaeus na décima edição do Systema Naturae. Quando Lorenz Oken (1779–1851) criou o gênero Sander, ele fez de Perca lucioperca sua espécie-tipo. O sandre faz parte do clado europeu dentro do gênero Sander, que se separou de um ancestral comum com o clado norte-americano, ao qual pertencem o picão-verde (S. vitreus) e o picão-canadense (S. canadensis), há cerca de 20,8 milhões de anos. Dentro do clado europeu, o lúcio-do-volga (S. volgaensis) é o táxon mais basal e compartilha características com o clado norte-americano, como ser um reprodutor de transmissão. Em contraste, no sander e na perca-estuarina (S. marinus), os machos constroem ninhos e as fêmeas desovam nesses ninhos, e os machos então guardam os ovos e os filhotes. Acredita-se que a linhagem que levou ao sandre tenha divergido do ancestral comum com o lúcio do Volga há cerca de 13,8 milhões de anos, enquanto a separação da perca estuarina ocorreu há cerca de 9,1 milhões de anos.

O sandre é o maior membro dos Percidae e geralmente tem um corpo longo e musculoso que tem alguma semelhança com um lúcio comum (Esox lucius), daí o nome comum alternativo: lúcio-perca. A parte superior do corpo é verde-acastanhada e se estende para os lados como barras verticais escuras, em um padrão não muito diferente do da perca-europeia (Perca fluviatilis), enquanto a parte inferior do corpo é branco-creme. A barbatana caudal é escura e as barbatanas peitorais, pélvicas e anal são de cor branca mais clara. As barbatanas dorsal e caudal são marcadas com fileiras de manchas pretas nas membranas entre os espinhos e os raios, sendo estas maiores e mais evidentes na primeira barbatana dorsal. Os juvenis são prateados, tornando-se mais escuros à medida que envelhecem. Eles têm mandíbulas poderosas que são dotadas de muitos dentes afiados com dois longos caninos na frente de cada mandíbula. Possuem grandes olhos bulbosos que são opacos quando o peixe vive em condições particularmente turvas, uma adaptação à pouca luz. Há um único espinho plano no opérculo. Como outros membros da família das percas, o sandre tem uma barbatana dorsal dividida, com a primeira barbatana dorsal tendo 13–20 espinhos e 18–24 raios moles, enquanto a barbatana anal tem 2–3 raios e 10–14 raios moles. A barbatana caudal é longa e bifurcada.
Possui um comprimento máximo de 100 centímetros, embora sejam mais comummente encontrados em torno de 50 centímetros.
A espécie é amplamente distribuída pela Eurásia, ocorrendo nas drenagens das bacias do Mar Cáspio, Báltico, Negro, Aral, do Norte e do Mar Egeu. O limite norte de sua distribuição fica na Finlândia. Foi introduzido na Grã-Bretanha, no sul da Europa e na Europa continental a oeste das drenagens do Elba, Ebro, Tejo e Júcar, bem como na Anatólia, Norte de África, Sibéria, Quirguistão e Cazaquistão.
A espécie foi introduzida em Portugal, primeiro nos Açores, durante a década de 1970 pelos Serviços Florestais dos Açores, nas lagoas da Ilha de São Miguel. Posteriormente, no final da década de 90, foi introduzida em Portugal Continental, de forma ilegal, na barragem do Ermal, sita na parte superior do rio Ave. Daqui, a espécie grassou para outros rios do Norte do país. Subsequentemente, já nos inícios dos anos 2000, houve nova invasão desta espécie nos rios nacionais, desta vez vindos de Espanha, através dos grandes rios transibéricos (Douro, Tejo e Guadiana).
Considera-se uma espécie invasora, representando um perigo para várias espécies nacionais como a boga e o barbo.
Habita corpos de água doce, especialmente grandes rios e lagos eutróficos, sendo que toleram água salobra e frequentam lagos e estuários costeiros.
Os sandres são piscívoros e os adultos alimentam-se de cardumes de peixes menores. Graças a estudos realizados no Mar Báltico descobriu-se que os sandres se alimentam de eperlanos-europeus (Osmerus eperlanus), acerinas-eurasiáticas ( Gymnocephalus cernua), percas-europeias, coregonos-brancos (Coregonus albula) e pardelhas-dos-alpes (Rutilus rutilus). Também se alimentam de alevins de trutas-mariscas (Salmo trutta morph. trutta) e salmões-do-atlântico (Salmo salar). No Reino Unido, houve relatos de predação de gobiões (Gobio gobio).
Também se consideram canibais de sandres menores.
A desova geralmente ocorre sobre cascalho em água corrente. Os machos defendem um território no qual cavam depressões rasas na areia ou cascalho, com cerca de 50 centímetros de largura e 5 a 10 cm de profundidade. Os ninhos estão normalmente a profundidades de 1 a 3 metros em água turva. A desova ocorre em pares, à noite e ao amanhecer. Durante a desova, a fêmea fica imóvel acima do ninho do macho e este nada rapidamente ao seu redor, mantendo uma distância de cerca de 1 metro da depressão de nidificação. O casal nada rapidamente, liberando os óvulos e espermatozoides. A fêmea parte após liberar seus ovos. O macho permanece fica responsável pela defesa do ninho. As larvas são atraídas pela luz e após saírem do ninho alimentam-se de zooplâncton e de pequenos animais pelágicos. A temporada normal de desova ocorre em abril e maio, embora excepcionalmente eles possam desovar do final de fevereiro até julho, dependendo da latitude e altitude. O factor mais determinante são as temperaturas atingidas, antes do início da desova.

O sandre é considerado um dos peixes alimentares mais valiosos nativos da Europa. É apreciado por sua carne leve, macia com poucos ossos e sabor delicado. Embora geralmente não seja criado para alimentação, sua adaptabilidade torna a pesca do sandre bastante sustentável. Com efeito, nalgumas regiões a libertação de sandres jovens é restrita, pois as reservas naturais já fornecem suprimento suficiente para o mercado, enquanto aumentar a população desse grande predador teria um efeito adverso nas populações de suas presas. A carne torna-se especialmente adequada para filé. Também pode ser servido inteiro, assado, defumado ou cozido. Em alguns círculos culinários, o sandre é ainda mais apreciado que o salmão. Até mesmo as miudezas podem ser cozidas em consommé.
A crescente procura por sandre para consumo humano atraiu grande atenção por parte dos piscicultores. Hoje, existem protocolos elaborados para a reprodução e crescimento de S. lucioperca. Em toda a Europa, um número crescente de instalações de aquicultura produz para estocagem ou consumo humano, principalmente em sistemas de recirculação aquícola (SAR).