



Zigue-zague (substantivo masculino com hífen; derivado do francêsː zigzag; erroneamente grafado, em português, ziguezague – embora assim esteja na primeira edição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa –, zigzag ou zig-zag; com as formas sem hífen ziguezaguear, ziguezagueamento ou ziguezagueante sendo aceitas) é um padrão geométrico construído por uma sequência de segmentos lineares alternados quanto à direção, formando linhas quebradas com a presença de ângulos salientes e reentrantes, ou agudos e obtusos. O padrão pode ser visto na natureza ou como um artifício nas sociedades humanas.
Embora a origem da palavra não seja clara as suas primeiras aparições impressas foram em livros e objetos efêmeros de língua francesa do final do século XVII, mais precisamente documentada desde 1662. Como artifício a sua presença é tão antiga que há até mesmo o indício de um simples traço em forma de zigue-zague numa concha de um extinto bivalve dulciaquícola, feito há mais de 400.000 anos por um ancestral humano, o Homo erectus, em Java, Indonésia. Na língua portuguesa o seu primeiro registro é de 1836.
Um zigue-zague é composto por chevrons opostos, interligados e contínuos; cada chevron sendo um segmento em forma de V.
Nas sociedades humanas pré ou pós-colonização o zigue-zague pode ser encontrado em vexilologia, heráldica, artes plásticas, logotipos, arquitetura (incluindo pavimentação), moda (imortalizado pela grife italiana Missoni), design, origami e culinária (ver imagens). Nos grafismos indígenas dos guarani kaiowá o zigue-zague (hysy karêa) representa o andar da serpente, da água, ou o caminho estreito, sendo pintado de preferência em vermelho ou preto e utilizando pigmentos a base de urucum e jenipapo; com todos os trançados da cestaria em cipó guaimbê e, na falta dele, lona preta ou, no caso da tecelagem, linha preta; também estando presente nas pinturas corporais. Durante terremotos, os sismógrafos registram um traço em zigue-zague que mostra a amplitude variável das oscilações do solo abaixo do instrumento. Em física e eletrônica, a onda triangular e a onda dente de serra podem ser exemplos de zigue-zague. No design industrial aeronáutico podemos encontrar o zigue-zague rodeando a parte posterior das nacelas (o "corpo" aerodinâmico que envolve os propulsores, ou motores) dos aviões da Boeing, a partir de 2010, e sua função foi torná-los mais silenciosos e, assim, reduzir seu impacto de ruído, especialmente quando estão perto do solo, logo após a decolagem ou pouco antes do pouso. Tesouras com lâminas em zigue-zague são utilizadas em costura para provocar cortes em zigue-zague. Na cultura de massa um dos mais memoráveis exemplos de zigue-zague está presente na camiseta amarela do personagem de quadrinhos, ou banda desenhada, Charlie Brown. O termo ainda designa uma fita sinuosa de tecido de algodão ou seda, a sianinha, um tipo de costura em tecido têxtil ou determinados movimentos de navegação marítima e combate terrestre.
Na natureza o zigue-zague não segue o mesmo padrão de perfeição da mente humana, mas podemos ver seus indícios em uma série de organismos, em suas criações ou até mesmo na paisagem. Em botânica a planta da pimenta-malagueta (Capsicum frutescens) possui padrões de galhos em zigue-zague, também podendo ser visto esse padrão em galhos da planta neozelandesa Corokia cotoneaster ou na africana Decarya madagascariensis. Algumas espécies de animais com tal padronagem, classificadas pelo homem, incluindo Lineu, o pai da taxonomia atual, recebem o descritor específico ziczac em sua nomenclatura binomial, como é o caso dos moluscos marinhos Echinolittorina ziczac, Palmadusta ziczac ou Euvola ziczac. Em entomologia, o estudo zoológico dos insetos, zigue-zague é a nomenclatura vernácula dada para a mariposa (ou traça) europeia da espécie Lymantria dispar (Lepidoptera) ou para as libélulas (odonatos) da Região Norte e Nordeste do Brasil. No caso de aranhas, o estabilimento de teias de aranhas do gênero Argiope possui um padrão em zigue-zague. Em ornitologia existe uma ave Ardeidae sul-americana com a denominação vernácula socoí-zigue-zague (Zebrilus undulatus: cujo significado é "pequena zebra ondulada" ou "zebrinha ondulada" devido a sua plumagem). Em ictiologia o peixe ornamental amazônico charutinho-zigzag (Pyrrhulina zigzag) possui padrões de zigue-zague nas laterais de seu corpo, mas também existe um tetra zig-zag (Hyphessobrycon hexastichos), da mesma região, e uma enguia zig-zag (Mastacembelus armatus) asiática. E no sul da Austrália existe o ouriço-do-mar (equinodermo) nomeado Microcyphus zigzag. Em meteorologia os zigue-zagues são formados pelos raios durante as descargas elétricas atmosféricas.
White Zig-Zags, 1922 by Wassily Kandinsky.
Zigzag molding: An ornamental molding running of continued chevrons.