Abu Azinade (em árabe: أبو الزناد; romaniz.: Abū al-Zinād), cujo nome era Abedalá ibne Dacuane (em árabe: عبد الله بن ذكوان; romaniz.: ʿAbd Allāh ibn Dhakwān; c. 684/5 – 748), foi um tradicionalista e jurista muçulmano da geração dos tabis, ativo sobretudo em Medina. Considerado um transmissor confiável por importantes autoridades do hádice, destacou-se também como professor de jurisprudência e teve entre os estudiosos que transmitiram por sua autoridade Sufiane Atauri, Maleque ibne Anas e Sufiane ibne Uiaina. Além de sua atividade erudita, exerceu funções administrativas sob os omíadas, incluindo a administração do Baite Almal de Cufa, e é-lhe atribuída uma obra de fiqh que não chegou aos tempos modernos.
Abu Azinade nasceu por volta de 65 A.H. (684–685). Seu nome era Abedalá ibne Dacuane e Abu Azinade era um lacabe do qual, segundo as fontes, não gostava. Seu pai, Dacuane, havia sido escravo liberto de Râmela binte Xaiba, esposa do califa Otomão (r. 644–656), ou de Aixa, filha do califa, havendo ainda uma versão mais genérica segundo a qual teria sido liberto de algum membro da família de Otomão. Também se transmitiu a informação de que Dacuane era irmão de Abu Lulua, assassino do califa Omar (r. 634–644). Abu Azinade recebeu tradições de Anas ibne Maleque e de Abu Umama ibne Sal, que teria visto Maomé, bem como de numerosos tabis, entre eles Axabi, Abane ibne Otomão, Saíde ibne Almuçaiabe, Carija ibne Zaíde e Abederramão ibne Hurmuz, de quem transmitiu grande número de hádices. Entre os estudiosos que transmitiram por sua autoridade estiveram seus filhos Abederramão e Abu Alcácime, além de Ibne Abi Mulaica, Sale ibne Caiçane, Muça ibne Uqueba, Hixame ibne Urua, Sufiane Atauri, Maleque ibne Anas e Sufiane ibne Uiaina.
Abu Azinade alcançou grande reputação como tradicionalista e jurista em Medina. Ali ibne Almadini incluiu-o entre os quatro principais estudiosos medinenses da geração imediatamente posterior aos grandes tabis, enquanto Sufiane Atauri referiu-se a ele como amīr al-muʾminīn fī al-ḥadīth ("comandante dos crentes no hádice"). Amade ibne Hambal e Iáia ibne Maine consideravam-no um transmissor confiável. Segundo Albucari, a cadeia formada por Abu Azinade, Abederramão ibne Hurmuz e Abu Huraira constituía o isnad mais confiável para as tradições deste último. Seus hádices foram incorporados às seis principais coleções canônicas. Além do hádice e do fiqh, era conhecido por seus conhecimentos de cálculo e poesia. Abede Rabi ibne Saíde relatou tê-lo visto entrar na Mesquita do Profeta acompanhado de centenas de estudantes, numa comitiva que lhe pareceu semelhante à de um soberano; seus discípulos consultavam-no sobre jurisprudência, hádice, cálculo e questões religiosas que não conseguiam solucionar. Segundo Alaite ibne Sade, chegou a ensinar na mesquita a cerca de trezentas pessoas, todas pertencentes à geração dos tabis. Com o tempo, porém, seus alunos passaram a frequentar o círculo de Rebia Arrai, circunstância que teria contribuído para o afastamento entre os dois estudiosos. Abu Hanifa, que conheceu ambos em Medina, considerava Abu Azinade superior a Rebia no fiqh, enquanto Amade ibne Hambal afirmou, de modo mais geral, que era mais erudito que ele.
Durante o reinado do califa omíada Hixame ibne Abalmaleque, Abu Azinade exerceu funções no divã responsável pelos assuntos financeiros de Medina. Posteriormente, o califa Omar II encarregou-o da administração do Baite Almal de Cufa. Alegou-se que Maleque ibne Anas se referia a ele de maneira depreciativa por ter servido aos omíadas, chamando-o de "secretário daqueles homens"; contudo, a presença de cinquenta e quatro tradições transmitidas por Abu Azinade no Al-Muwatta é apresentada como indício contrário à veracidade dessa alegação. Abu Azinade morreu em Medina em 17 de Ramadã de 130 A.H. (20 de maio de 748), embora também se registre o ano de 131 A.H. (749). As fontes mencionam ainda que escreveu uma obra de fiqh, cujo conteúdo e características não são conhecidos. Seu filho Abederramão, considerado o mais confiável dos discípulos de Hixame ibne Urua, também se tornou conhecido como jurista e tradicionalista.