Os abuceus (em latim: Abucaei; em grego: Ἀβουκαῖοι; romaniz.: aboukaioi), abedalcaicitas ou Banu Abede Alcaice (em árabe: بنو عبد القيس; romaniz.: Banū ʿAbd al-Qays) foram uma antiga tribo árabe do ramo dos rebiaítas das tribos do norte da Arábia (adenanitas). Segundo a tradição genealógica árabe, descendiam de Adenane e compartilhavam ascendência comum com o profeta Maomé. Seus membros eram conhecidos pelos gentílicos Abedi, Caici, Abecaici e Abecaci. Originalmente estabelecidos na Tiama, migraram posteriormente para a Arábia Oriental, onde ocuparam as regiões costeiras e interiores de Barém, Alhaça e Omã, vivendo tanto em comunidades sedentárias nos oásis quanto em grupos nômades. Durante esse processo passaram a conviver com persas, judeus, cristãos e outras tribos árabes, além de realizarem frequentes incursões contra a Pérsia.
Quando atingiu a maioridade, o xá Sapor II (r. 309–379) promoveu uma grande campanha contra os abuceus, devastando extensas áreas da Arábia Oriental e da Síria, matando numerosos membros da tribo e deportando muitos outros para a província da Carmânia. Nos séculos seguintes, permaneceram sob domínio sassânida e, às vésperas do surgimento do islã, parte da tribo professava o cristianismo, enquanto outra continuava praticando cultos politeístas, entre os quais se destacava a veneração ao ídolo Du Alaba em Almuxacar.
Os abuceus estiveram entre as primeiras tribos da Arábia Oriental a estabelecer relações com Maomé, enviando uma delegação a Medina em 629 e adotando oficialmente o islã. Após a morte do profeta, permaneceram em sua maioria fiéis ao novo credo durante as Guerras da Apostasia, participaram ativamente das conquistas muçulmanas e migraram em grande número para regiões como Tavaz, Baçorá, Cufa, Moçul, Ispaã, Merve e o Coração, onde cerca de quatro mil de seus guerreiros acompanharam Cutaiba ibne Muslim em suas campanhas no início do século VIII. Em geral apoiaram Ali ibne Abi Talibe durante a Primeira Guerra Civil Islâmica, combatendo a seu lado nas batalhas do Camelo e de Sifim. Um dos ramos da tribo eram os murraítas, dos quais descendeu a dinastia uiúnida, que governou Alhaça entre os séculos XI e XIII.
Segundo a tradição genealógica árabe, os abuceus integravam um conjunto de tribos originalmente estabelecidas na região correspondente à moderna província de Alaride. Em época posterior, esse conjunto passou a ser identificado pelos genealogistas como pertencente ao ramo dos rebiaítas. No esquema genealógico apresentado por Kindermann, os abuceus, por meio de seu ancestral epônimo Abede Alcaice, faziam remontar sua descendência a Jadila, filho de Açade ibne Rebia. Rebia, por conseguinte, descendia de Nizar ibne Maade ibne Adenane. De Jadila descendiam, em linha direta, Dumi, Afexa, Himbe e Cácite. Cácite foi pai de Anamir, epônimo dos anamiritas, e Uail, pai de Becre, epônimo dos becritas, e Taglibe, epônimo dos taglibitas.
Já no século V, parte dessas tribos iniciou um processo de nomadização, deslocando-se tanto para o interior quanto para além do arco do Jabal Tuaique. Os abuceus integraram esse movimento e, durante o século VI, estabeleceram-se nos dois principais distritos de oásis da Arábia Oriental: o interior de Barém — posteriormente conhecido como Alhaça — e a região costeira de Catife. O principal núcleo de ocupação da tribo situava-se no grande oásis de Barém, região irrigada por numerosas nascentes, poços e canais naturais e artificiais. Seu centro político era Hajar, onde se erguia a fortaleza de Almuxacar, enquanto outras localidades fortificadas incluíam Jauata. Na faixa costeira, cuja capital era Zara, próxima de Catife, conviviam árabes, persas, indianos, judeus e mandeus, refletindo o caráter cosmopolita da região sob influência do comércio do Golfo Pérsico. A tribo dividia-se em dois grandes ramos, os xanitas (Xane) e lucaizitas (Lucaiz). Este último compreendia as tribos dos nucraítas (Nucra), dilitas (Dil), ijeítas (Ije) e moaribitas (Moaribe ibne Anre). Os três últimos grupos eram conhecidos coletivamente como Alumur para distingui-los dos anemaritas, compostos pelos ramos amirita (Amir ibne Alharite) e jadimaíta (Jadima ibne Aufe). Entre estes destacavam-se diversos subclãs, incluindo os murraítas e os malequitas, pertencentes ao ramo amirita. A distribuição dos diferentes ramos acompanhava a ocupação dos oásis. Os moaribitas habitavam principalmente as aldeias do interior de Barém, enquanto os jadimitas concentravam-se em Catife e os nucritas em Zara. Durante o verão, os grupos do norte da tribo reuniam seus rebanhos nas proximidades de Uádi Faruque, ao passo que os nucritas utilizavam as pastagens entre Zara e a região de Bainuna. Desde época antiga, o crescimento populacional favoreceu a emigração de diferentes segmentos da tribo tanto para Omã quanto para a costa persa do golfo.
A chegada dos abuceus à Arábia Oriental ocorreu quando ainda subsistiam na região remanescentes da tribo dos iaditas, que então migrava em direção ao Iraque. Ao norte estabeleceram contato com os Caice ibne Salaba, ramo dos becritas que ocupava a faixa compreendida entre Tadi, Cazima e Falaje. Seus principais adversários eram os saditas, um ramo dos tamimitas que percorria as áreas situadas em ambos os lados do deserto de Dana, estendendo-se até os uádis Faruque e Assaba. Quando atingiu a maioridade, o xá Sapor II (r. 309–379) dedicou-se a puni-los. Liderou um exército no Golfo Pérsico e devastou grandes partes da Arábia Oriental e Síria, massacrando a maioria deles e deportando vários para a província da Carmânia. A partir desse ponto, os oásis costeiros permaneceram sob domínio direto do Império Sassânida. O interior de Barém integrou, no início do século VI, o Reino de Quinda, sendo posteriormente governado por um ramo secundário dessa dinastia sediado em Hajar. Após a extinção desse governo, por volta de 530, a região passou ao controle dos lácmidas de Hira, provavelmente com o consentimento das autoridades persas. Durante o reinado de Anumane III (r. 580–602), sucessivas expedições de saque enfraqueceram a resistência dos ramos xanitas e lucaizitas. Com a queda do Reino Lácmida, a administração de Barém voltou diretamente às mãos dos sassânidas. Um aspabedes persa estabelecido em Almuxacar governava a região com o auxílio de um representante árabe local. A convivência prolongada entre árabes, persas, judeus e cristãos marcou profundamente a vida dos oásis. Os abuceus encontravam-se então sob soberania sassânida; parte da tribo havia adotado o cristianismo, enquanto outra preservava antigos cultos árabes, entre eles a veneração ao ídolo Du Alaba em Almuxacar. Segundo Caskel, a receptividade demonstrada tanto pelos governadores persas quanto pelos próprios abuceus às cartas e aos emissários enviados por Maomé pode ser explicada pela crise sucessória que atingiu o Império Sassânida após 628. A instabilidade política enfraqueceu o apoio que os administradores provinciais recebiam da corte persa e favoreceu sua aproximação com a comunidade muçulmana emergente na Arábia.
As tradições relativas aos primeiros contatos entre os abuceus e Maomé apresentam algumas divergências. Segundo uma tradição considerada fidedigna, integrantes da tribo encontraram o profeta pela primeira vez durante a Batalha de Uude, quando chegaram a Medina acompanhando uma caravana. Outros membros converteram-se durante a campanha contra os mustaliquitas. Em resposta à carta enviada por Maomé convidando-os ao islã, uma delegação de vinte representantes da tribo dirigiu-se a Medina em 629, chefiada por Abedalá ibne Aufe Alaxaje. Hospedados na casa de Ramela binte Alharite, permaneceram cerca de dez dias na cidade, período em que aprenderam os fundamentos do islã e do Alcorão. Maomé, que conhecia a região por ter frequentado anteriormente as feiras de Almuxacar e Diba, dispensou especial atenção aos visitantes. Dirigindo-se ao chefe da delegação, conhecido pelo epíteto Alaxaje em razão de uma cicatriz na testa, afirmou que nele se reuniam duas qualidades amadas por Deus: a mansidão e a modéstia. Também incentivou seus companheiros a presentearem os membros da delegação e determinou que os abuceus observassem a oração, o pagamento do zacate, o jejum do Ramadã e a entrega de um quinto dos despojos de guerra ao erário público, proibindo ainda o uso de determinados recipientes tradicionalmente empregados para a fermentação de bebidas alcoólicas. A tradição preserva ainda que a mesquita de Jauata, situada em território dos abuceus, foi a primeira fora de Medina autorizada por Maomé a realizar regularmente a oração comunitária de sexta-feira. Também sobreviveram diversas cartas enviadas pelo profeta à tribo tratando de questões tributárias e administrativas.
Após a morte de Maomé, os abuceus permaneceram majoritariamente fiéis ao islã durante as Guerras da Apostasia. Sob a liderança de Aljarude Alabedi, pertencente ao ramo dos amiritas-jadimaítas, combateram os grupos que haviam abandonado a nova religião. Parte da tribo, contudo, acompanhou o chefe dos caicitas ibne Salaba no reconhecimento de um príncipe lácmida como governante. Os muçulmanos leais refugiaram-se em Jauata, onde resistiram a um cerco até a chegada de reforços provenientes da campanha vitoriosa contra Muçailima. Em 633 retomaram a ofensiva e, no ano seguinte, forçaram a rendição da guarnição persa estabelecida em Zara, consolidando o domínio muçulmano sobre Barém. As fontes também atribuem aos abuceus papel decisivo na derrota do rebelde Laquite ibne Maleque em Diba, bem como na repressão das revoltas em Mara e no Iêmem. As conquistas islâmicas inauguraram uma nova fase de migrações da tribo. Antigos grupos dos abuceus participaram de uma expedição naval contra Pérsis e estabeleceram-se principalmente em Tavaz, perto de Dalaqui. Outros contingentes fixaram-se em Baçorá, onde a presença tribal tornou-se expressiva, enquanto uma parcela menor migrou para Cufa. Acompanhando os exércitos muçulmanos, alcançaram ainda Moçul, Ispaã, Merve e o Coração, onde, segundo Caskel, cerca de quatro mil de seus guerreiros integravam as forças comandadas por Cutaiba ibne Muslim em 715. Embora não tenham desempenhado papel predominante na política das províncias conquistadas, adaptaram-se às realidades locais e participaram das rivalidades tribais que marcaram Baçorá e o Coração.
Os abuceus permaneceram, em sua maioria, partidários de Ali ibne Abi Talibe durante a Primeira Guerra Civil Islâmica. Combatendo ao seu lado nas batalhas do Camelo e de Sifim, conservaram posteriormente uma tradição de simpatia pelos álidas, sobretudo em Cufa. Entre seus membros mais destacados figuraram Saça ibne Suane, célebre por sua oposição a Moáuia I, e Abedalá ibne Aljarude, que liderou uma revolta dos habitantes de Cufa e Baçorá contra Alhajaje ibne Iúçufe, sendo posteriormente executado por ordem do governador. Também pertenceu à tribo Harime ibne Haiane, um dos primeiros ascetas do islã e precursor de Alhaçane de Baçorá. Na Arábia Oriental, os abuceus tentaram conter, sem sucesso, a expansão do movimento carijita liderado por Nájeda ibne Amir na Iamama, entre 686 e 687. A partir desse período, a distribuição territorial da tribo sofreu profundas alterações. Apenas os ramos dos jadimaítas e dos moaribitas permaneceram em seus antigos territórios, estes últimos estendendo sua ocupação ao porto de Ucair. Os descendentes de Amir ibne Alharite conservaram Zara e uma das ilhas de Barém, provavelmente Sitra, enquanto grande parte das antigas possessões tribais foi progressivamente ocupada pelos tamimitas, que fundaram a povoação de Alhaça. Ao mesmo tempo, grupos dos azeditas provenientes de Omã estabeleceram-se na costa e compartilharam com os abuceus alguns oásis do interior, entre eles Tuame.
Durante o século IX, diversos chefes abuceus governaram pequenos principados nos oásis da Arábia Oriental. Um membro dos azeditas dominava Zara, enquanto Ibne Mismar, do ramo jadimaíta, controlava Catife. Os hafecitas estabeleciam-se em Safuá, ao passo que Hajar e Jauata eram governadas, respectivamente, por Alaiaxe Almoaribi e Uriane, pertencente aos malequitas. Entre 863 e 868, um pretendente álida procurou conquistar Barém, mas foi derrotado pela ação conjunta dos chefes dos abuceus. Poucos anos depois, entretanto, a região tornou-se um dos principais centros de expansão do movimento cármata, liderado por Abuçaíde Aljanabi, que conquistou Catife, incendiou Zara, tomou Hajar e estabeleceu em Alhaça a capital de seu Estado. O domínio cármata chegou ao fim em 1076 ou 1077, quando a dinastia uiúnida, pertencente ao ramo dos murraítas dos abuceus, conquistou Alhaça e restaurou o governo de uma linhagem tribal local. Apesar de um breve período de recuperação no final do século XII, a dinastia entrou em declínio e desapareceu por volta de 1245. Segundo Caskel, a tentativa do governante Ali ibne Mucarrabe de reviver a antiga glória dos abuceus por meio de sua poesia fracassou, em razão das profundas transformações sociais ocorridas na Arábia Oriental e da intensa imigração de novos grupos para os oásis da região.
Os abuceus constituíam um dos principais ramos dos rebiaítas e apresentavam uma organização interna complexa, composta por numerosos clãs e subclãs. Segundo a tradição genealógica, a tribo dividia-se em dois grandes agrupamentos, xanitas e lucaizitas. O ramo lucaizita compreendia os nucraítas, dilitas, ijeítas e moaribitas. Os três últimos eram conhecidos coletivamente como Alumur, denominação empregada para distingui-los dos anemaritas. Estes, por sua vez, reuniam os descendentes dos amiritas e dos jadimaítas. Entre os descendentes de Amir ibne Alharite encontravam-se os murraítas e os malequitas, enquanto o ramo dos jadimaítas compreendia os clãs Abede Xemece, Hiai e Anre, que em determinado momento formaram uma aliança conhecida como Baradim para contrabalançar o poder exercido pelos amiritas. Além desses agrupamentos, as fontes mencionam os hafecitas, que desempenharam papel político relevante na Arábia Oriental durante o século IX, estabelecendo um pequeno principado em Safuá. A distribuição dos diferentes ramos refletia a ocupação dos principais oásis da Arábia Oriental. Os moaribitas concentravam-se nas aldeias do interior de Barém, os jadimitas ocupavam Catife, enquanto os nucritas habitavam Zara. Hajar distinguia-se por possuir uma população heterogênea, composta por habitantes sem vínculos tribais definidos, situação que provavelmente também ocorria em outras cidades da região. Durante os meses de verão, diversos ramos conduziam conjuntamente seus rebanhos para as áreas de pastagem situadas ao redor do Uádi Faruque, ao passo que os nucritas utilizavam as terras compreendidas entre Zara e Bainuna. Desde período relativamente antigo, a elevada densidade populacional dos oásis favoreceu a migração de diversos segmentos da tribo. Alguns estabeleceram-se em Omã, enquanto outros atravessaram o Golfo Pérsico e fixaram residência na costa persa. Esse processo intensificou-se após as conquistas islâmicas, quando numerosos abuceus passaram a integrar os contingentes militares que se instalaram em Baçorá, Cufa, Tavaz, Ispaã, Merve e outras cidades do recém-formado califado. Apesar das migrações e das transformações políticas ocorridas ao longo dos séculos, alguns ramos conservaram sua identidade até a Baixa Idade Média. Os murraítas deram origem à dinastia uiúnida, que restaurou o domínio de uma linhagem dos abuceus sobre Alhaça no século XI, enquanto outros clãs continuaram exercendo autoridade local em diferentes centros da Arábia Oriental durante o período imediatamente anterior à conquista uiúnida.
Antes da adoção do islã, os abuceus professavam diferentes crenças religiosas. A maior parte da tribo parece ter sido cristã durante o período imediatamente anterior ao surgimento do islã, embora também persistissem práticas religiosas árabes tradicionais. Em Almuxacar, um dos principais centros urbanos de Barém, era cultuado o ídolo Du Alaba, enquanto a convivência prolongada com persas, judeus, cristãos e outros povos da Arábia Oriental conferia à região um ambiente religioso diversificado. A antiga religião da tribo é conhecida apenas de forma fragmentária. Alguns antropônimos preservados pelas fontes, como Abede Xemece e Abede Anre, constituem vestígios de antigos cultos politeístas. Também é atestado entre os abuceus o cargo de afecal (afkal), termo derivado do babilônico apkallu ("sacerdote"), que parece ter sido herdado da antiga civilização urbana da Arábia Oriental. A tradição islâmica posterior, já sem compreender a origem dessa função religiosa, transformou Anre Alafecal em exemplo de arrogância e soberba. As tradições sobre a conversão dos abuceus ao islã são variadas. Segundo uma das versões consideradas mais confiáveis, alguns integrantes da tribo encontraram Maomé pela primeira vez durante a Batalha de Uude, quando chegaram a Medina acompanhando uma caravana. Outros converteram-se durante a campanha contra os mustaliquitas. A adoção oficial do islã ocorreu em 629, quando uma delegação de vinte representantes da tribo, chefiada por Abedalá ibne Aufe Alaxaje, visitou Medina em resposta à carta enviada por Maomé convidando os abuceus à nova religião.
Durante os cerca de dez dias em que permaneceram em Medina, os integrantes da delegação aprenderam os fundamentos do islã e do Alcorão. Conhecedor da região por haver frequentado anteriormente as feiras de Almuxacar e Diba, Maomé dispensou-lhes atenção especial. Segundo a tradição, ao dirigir-se ao chefe da delegação, conhecido pelo epíteto Alaxaje, afirmou que nele se reuniam duas qualidades apreciadas por Deus: a mansidão e a modéstia. O profeta também determinou que os membros da tribo observassem regularmente a oração, pagassem o zacate, jejuassem durante o Ramadã e destinassem um quinto dos despojos de guerra ao erário público, proibindo ainda o uso de determinados recipientes tradicionalmente empregados para a fermentação de bebidas alcoólicas. Os abuceus figuraram entre as primeiras comunidades da Arábia Oriental a organizar formalmente a vida religiosa islâmica. Segundo um hádice preservado por Albucari, a mesquita de Jauata, situada em território da tribo, foi a primeira fora de Medina autorizada por Maomé a celebrar regularmente a oração comunitária de sexta-feira. Também sobreviveram diversas cartas enviadas pelo profeta aos abuceus tratando de assuntos tributários e administrativos, testemunhando a rápida integração da tribo à comunidade política e religiosa do nascente Estado islâmico.
Os abuceus gozavam de reputação entre os árabes por sua eloquência e bravura, qualidades frequentemente mencionadas pelas fontes medievais. Sua importância histórica motivou a composição de obras dedicadas especificamente à tribo, entre elas o Kitāb Khabar ʿAbd al-Qays, de Abu Ubaida Mamar ibne Almutana, citado por Ibne Anadim como uma das principais referências sobre sua história e tradições. A produção poética dos abuceus é conhecida principalmente por intermédio de alguns de seus representantes mais antigos. Entre eles figuram Almutacabe Alabedi e Almumazaque Alabedi, ambos pertencentes ao ramo dos nucritas, além de Iázide e Suaide ibne Alcadade, oriundos do ramo xanita. As fontes atribuem a Iázide — ou, segundo outra tradição, a Almumazaque — um episódio singular da poesia árabe antiga, no qual o poeta descreve o próprio sepultamento como se o observasse em vida. Já Açalatane Alabedi, contemporâneo de Jarir ibne Atia, destacou-se em Baçorá, enquanto Ziade Alajame, ativo na Pérsia, era cliente (maula) do ramo amirita.
A tradição genealógica da tribo apresenta numerosas lacunas e inconsistências. Caskel observa que, em comparação com outras tribos árabes, as genealogias preservadas para os abuceus são excepcionalmente incompletas. Diversos agrupamentos conhecidos por outras fontes foram omitidos, enquanto a posição genealógica de companheiros de Maomé e integrantes da delegação enviada ao profeta varia consideravelmente entre as diferentes obras. O autor assinala ainda erros tanto na tabela genealógica publicada por Ferdinand Wüstenfeld quanto em manuscritos da Jamharat Ansāb al-ʿArab, de Ibne Házeme. O dialeto dos abuceus também despertou o interesse dos filólogos árabes. A poesia de Mutacabe conserva diversos empréstimos do persa, além de expressões pouco usuais em outros dialetos árabes. Apesar disso, Caskel ressalta que a fala da tribo não deve ser confundida com o dialeto posteriormente associado à província de Barém, frequentemente considerado inferior pelos gramáticos árabes. Entre as peculiaridades linguísticas registradas pelas fontes destaca-se a coexistência das formas Dil, Dul e Du'il para um mesmo antropônimo e etnônimo, fenômeno igualmente observado entre os becritas e os quinanaítas.