Dumate Aljandal Dūmat al-Jandal | |
|---|---|
| Ruínas de Dumate Aljandal | |
| Localização atual | |
| Localização do sítio na Arábia Saudita | |
| Coordenadas | 29° 48′ 41″ N, 39° 52′ 06″ L |
| País | Arábia Saudita |
| Província | Jaufe |
| Notas | |
| Patrimônio | Património Mundial Provisório |
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Dumate Aljandal (em árabe: دومة الجندل; romaniz.: Dūmat al-Jandal), também conhecida modernamente como Aljaufe, é uma antiga cidade-oásis situada na província de Jaufe, no norte da Arábia Saudita. Localiza-se na extremidade meridional do Uádi Sirã, numa depressão cercada por colinas calcárias que historicamente favoreceu o armazenamento de água, o desenvolvimento da agricultura e o estabelecimento de populações sedentárias. Sua posição entre o Hejaz, o sul do Levante e a Mesopotâmia transformou-a num dos principais cruzamentos das rotas comerciais transarábicas durante a Antiguidade e o período pré-islâmico.
Conhecida nas fontes assírias como Adumatu (Adummatu), a localidade foi um dos centros da confederação tribal dos quedaritas durante a Idade do Ferro. Foi conquistada no século VII a.C. pelo rei assírio Senaqueribe, que a descreveu como a “fortaleza dos árabes”. Posteriormente integrou as redes políticas e comerciais dos nabateus e, após a anexação do Reino Nabateu em 106, passou a fazer parte da província romana da Arábia Petreia. Vestígios arqueológicos testemunham uma ocupação prolongada do oásis desde o Neolítico, incluindo necrópoles, fortificações, residências, estruturas hidráulicas e uma muralha monumental que protegia seus jardins e áreas habitadas.
No início do século VII, Dumate Aljandal era governada por líderes cristãos e habitada por grupos sedentários e tribos como os calbitas, taiítas e jadilaítas. A cidade foi alvo de três expedições muçulmanas durante a vida de Maomé, a última das quais, comandada por Calide ibne Alualide, resultou na submissão de seu governante Ucaidir ibne Abalmaleque Alquindi. Durante a Primeira Guerra Civil Islâmica, foi associada às negociações entre os representantes de Ali ibne Abi Talibe e Moáuia I após a Batalha de Sifim. Com o deslocamento dos centros políticos e das rotas comerciais para a Síria e o Iraque, perdeu progressivamente sua antiga importância, embora tenha voltado a adquirir valor estratégico nos séculos XIX e XX, antes de ser incorporada aos domínios de Abdalazize ibne Saúde em 1921.
O topônimo Dumate Aljandal é tradicionalmente explicado pela combinação de Duma e al-Jandal. Segundo autores árabes antigos, como Ibne Alcalbi e Azajaji, a primeira parte derivaria de Duma, também referido como Dume ou Dumane, um dos filhos de Ismael. De acordo com essa tradição, o crescimento da descendência de Ismael teria reduzido as pastagens disponíveis na Tiama, levando Duma a migrar para a região do uádi Sirã, onde construiu uma fortaleza que passou a ser conhecida por seu nome. A associação também aparece na tradição bíblica, na qual Duma figura entre os filhos de Ismael e dá nome a um grupo ismaelita. A interpretação tradicional relaciona o elemento al-Jandal ao substantivo árabe jandal, que significa "pedra", em referência à fortaleza e às muralhas construídas com esse material. Alguns pesquisadores propuseram, contudo, que a cidade tenha recebido o nome de uma tribo denominada Jandal ou Banu Jandal. A arqueologia e as fontes assírias indicam que o topônimo é muito anterior à tradição genealógica árabe: a localidade aparece nos anais neoassírios do século VII a.C. como Adumatu (Adummatu), forma da qual provavelmente deriva o nome árabe posterior. Desde pelo menos o século XIX, o oásis e sua região passaram a ser amplamente conhecidos como Aljaufe, do árabe al-jawf, termo aplicado a uma grande depressão ou bacia baixa na qual a água se acumula. Embora os geógrafos medievais ainda utilizassem Dumate Aljandal, a designação Aljaufe tornou-se progressivamente predominante para a região administrativa e para o conjunto de assentamentos do oásis. As fontes também registram outras localidades chamadas Duma, uma próxima de Damasco e outra nas proximidades de Hira, coincidência que ocasionou confusões na atribuição de determinados acontecimentos históricos.
Dumate Aljandal situa-se na extremidade meridional do Uádi Sirã, corredor natural que se estende de sudeste a noroeste e estabelece uma ligação entre a Arábia central, o sul do Levante e a Mesopotâmia. A cidade encontra-se aproximadamente a meio caminho entre a costa levantina e o baixo Iraque e ocupa uma posição estratégica na rota mais direta entre Medina e Damasco. Nas fontes medievais, a viagem a pé desde Medina era estimada em cerca de quinze dias, enquanto a distância até Damasco podia ser percorrida em pouco mais de sete dias. O oásis ocupa uma ampla depressão em forma de V, com cerca de oito quilômetros de comprimento por seis de largura, situada aproximadamente 600 metros acima do nível do mar e cercada por colinas calcárias baixas. A depressão corresponde à parte inferior do chamado graben de Aluádi, cuja configuração geológica favoreceu historicamente a recarga de aquíferos. Pequenos uádis provenientes do noroeste desembocam na Sebkha de Aljaufe, depressão endorreica e improdutiva, enquanto as fontes de água, os palmeirais e os jardins concentraram a ocupação humana junto às escarpas ocidentais. A disponibilidade de água permitiu o desenvolvimento de agricultura irrigada e de assentamentos permanentes em pleno ambiente desértico. Viajantes dos séculos XIX e XX destacaram a qualidade da água e a existência de poços, canais e outras estruturas hidráulicas. Levantamentos arqueológicos recentes identificaram ainda um complexo sistema de canates, responsável no passado por conduzir água subterrânea às áreas cultivadas e habitadas. Atualmente, o abastecimento depende em grande medida da exploração de aquíferos fósseis profundos e não renováveis, enquanto a urbanização moderna expandiu-se para as elevações desérticas circundantes.
As evidências arqueológicas indicam que a região de Dumate Aljandal é ocupada desde o Neolítico. Levantamentos realizados nas últimas décadas identificaram vestígios de assentamentos humanos datados do século VI a.C., além de numerosas estruturas funerárias, plataformas de pedra, armadilhas de caça conhecidas como desert kites, estruturas de pedra utilizadas como armadilhas coletivas de caça, e sítios de arte rupestre, demonstrando que o oásis constituiu um importante núcleo de ocupação humana muito antes do surgimento dos primeiros Estados da região. Datações por radiocarbono revelam uma presença humana recorrente desde a segunda metade do VI até o I milênio a.C., favorecida pela disponibilidade de água e pela posição estratégica do oásis em meio ao deserto. A primeira referência histórica conhecida à localidade aparece nos anais do Império Neoassírio, que a mencionam como Adumatu durante o século VII a.C.. Nessa época, a cidade constituía um dos principais centros da confederação tribal dos quedaritas e exercia papel destacado nas rotas caravaneiras entre o sul da Arábia e a Mesopotâmia. Os anais de Senaqueribe relatam que a rainha árabe Teelunu, aliada de Hazael de Quedar, refugiou-se em Adumatu após a derrota de suas forças. O soberano assírio conquistou a chamada "fortaleza dos árabes", deportou a rainha para Nínive e levou consigo as imagens de diversas divindades veneradas na cidade, posteriormente restituídas por Assaradão. Inscrições descobertas na região confirmam a existência de parte desse antigo culto religioso.
As escavações arqueológicas confirmam a importância de Adumatu durante a Idade do Ferro. Materiais de tradição assíria e pós-assíria foram encontrados tanto no setor histórico quanto na área de Assunaimiate, enquanto uma extensa muralha de pedra e tijolos de adobe, atualmente preservada por cerca de 2,6 quilômetros, protegia os jardins e os assentamentos contra incursões de tribos nômades. Além de sua função defensiva, essa fortificação representava uma demonstração do poder político e econômico exercido pelo oásis sobre as rotas comerciais do norte da Arábia. Entre o século I a.C. e o II d.C., Dumate Aljandal integrou a esfera de influência dos nabateus, aparecendo nas fontes clássicas como Domata e Dumeta. Escavações revelaram residências de alto padrão, edifícios de armazenamento, necrópoles monumentais, inscrições nabateias e abundante cerâmica importada do Levante, testemunhando a intensa circulação de mercadorias e pessoas. Embora a cultura material apresente forte influência nabateia, os vestígios arqueológicos indicam a convivência entre populações sedentárias locais e grupos nômades, refletida também pela coexistência de inscrições em diferentes sistemas de escrita. Com a anexação do Reino Nabateu pelo Império Romano em 106, Dumate Aljandal passou a integrar a província da Arábia Petreia. Inscrições registram a presença de destacamentos militares romanos encarregados de patrulhar a rota entre o oásis e o uádi Sirã, enquanto materiais arqueológicos demonstram a continuidade da ocupação durante os períodos romano e bizantino. A cidade manteve estreitas ligações comerciais com o Levante, como evidenciam ânforas e outras cerâmicas importadas, ao mesmo tempo em que preservou sua função de entreposto entre a Síria, a Mesopotâmia e o interior da Península Arábica.
Nos séculos que antecederam o surgimento do islão, Dumate Aljandal permaneceu como um dos principais centros urbanos e comerciais do norte da Península Arábica. Situada no cruzamento das rotas que ligavam o Hejaz, a Síria e a Mesopotâmia, a cidade sediava um dos mais importantes mercados da Arábia, realizado anualmente durante o mês de Rabi Alaual, e exercia influência política sobre diversas tribos vizinhas. Sua prosperidade decorria tanto da posição estratégica nas caravanas transarábicas quanto do desenvolvimento da agricultura irrigada no interior do oásis. A população da região era formada por grupos sedentários e tribais. As fontes árabes mencionam sobretudo os calbitas, que ocupavam grande parte das estepes entre Dumate Aljandal e os montes Aja e Salma, território que lhes fora atribuído após um acordo interno da tribo. No interior do oásis vivia também uma comunidade de cristãos oriundos de Hira, conhecidos como ibades, que se dedicavam ao comércio e à agricultura. A coexistência entre habitantes sedentários e tribos nômades explica a existência de diferentes chefias políticas na região, distinção importante para compreender os acontecimentos do início da expansão islâmica.
A diversidade religiosa da cidade refletia sua posição como centro de intercâmbio cultural. Antes da difusão do cristianismo, Dumate Aljandal abrigava um importante santuário dedicado ao deus Uade, uma das principais divindades da Arábia setentrional. Fontes clássicas e descobertas arqueológicas indicam ainda a persistência de outros cultos locais durante os períodos romano e bizantino, coexistindo posteriormente com comunidades cristãs. Evidências epigráficas confirmam a presença do cristianismo na região pelo menos desde o século VI, enquanto a descoberta de um sino litúrgico de prata sugere a existência de um local de culto cristão no interior do oásis, possivelmente nas proximidades da atual Mesquita de Omar. No início do século VII, Dumate Aljandal era governada por Ucaidir ibne Abalmaleque Alquindi, soberano cristão aliado do imperador bizantino Heráclio (r. 610–641). A cidade constituía um dos principais bastiões dos aliados árabes cristãos da fronteira meridional do Império Bizantino e controlava um importante eixo de circulação entre a Síria e o interior da Arábia. Sua posição estratégica e sua relevância econômica explicam o interesse despertado entre os primeiros muçulmanos, que organizaram três expedições contra a cidade durante a vida de Maomé.
Dumate Aljandal foi alvo de três expedições militares durante a vida de Maomé, motivadas por sua posição estratégica no extremo meridional do uádi Sirã e por seu controle das rotas comerciais entre Medina, a Síria e a Mesopotâmia. As fontes islâmicas descrevem a cidade como um importante centro comercial e militar do norte da Arábia, governado por chefes cristãos aliados do Império Bizantino. A primeira campanha ocorreu em 24 de agosto de 626, quando Maomé partiu pessoalmente de Medina após receber informações de que forças concentradas na região estariam atacando caravanas e preparando incursões contra os muçulmanos. Ao aproximar-se do oásis, porém, seus habitantes abandonaram a localidade e dispersaram-se pelo deserto, impedindo qualquer confronto decisivo. A expedição terminou sem combates importantes, e o exército regressou a Medina pouco depois. A segunda expedição foi realizada em dezembro de 627 ou janeiro de 628, sob o comando de Abederramão ibne Aufe. Segundo as fontes, o comandante foi enviado para convidar os habitantes da região ao islão antes de iniciar qualquer combate. Ao final da missão, Alasbague ibne Anre Alcalbi, chefe dos calbitas, aceitou converter-se ao islão, sendo acompanhado por parte de sua tribo. A tradição também registra o casamento de Abederramão com Tamadir binte Alasbague, filha do líder calbita.
A terceira campanha ocorreu após a Campanha de Tabuque, em 630, quando Maomé enviou Calide ibne Alualide à frente de cerca de quatrocentos homens contra Ucaidir ibne Abalmaleque Alquindi, governante cristão de Dumate Aljandal. A fortaleza foi tomada, Ucaidir foi capturado e conduzido a Medina, onde celebrou um tratado comprometendo-se a pagar jizia em troca da manutenção de sua autoridade local. Algumas tradições afirmam que ele também se converteu ao islão e recebeu de Maomé um documento formalizando o acordo, enquanto outras mencionam apenas o tratado tributário. Com essa campanha, Dumate Aljandal passou a integrar a esfera de influência do Estado islâmico de Medina. A aparente diferença entre Alasbague e Ucaidir como interlocutores dos muçulmanos levou alguns estudiosos modernos a questionar a historicidade dessas narrativas. Entretanto, a distinção estabelecida pelas fontes entre os calbitas, tribo nômade que dominava amplas áreas ao redor do oásis, e a população sedentária de Dumate Aljandal oferece uma explicação plausível: Alasbague exercia a chefia tribal dos calbitas, enquanto Ucaidir governava a cidade propriamente dita e sua população de agricultores, comerciantes e artesãos.
Após a morte de Maomé, Ucaidir rompeu o acordo firmado com Medina, abandonou o islão segundo algumas tradições e interrompeu suas relações com o califado. Em resposta, o califa Abu Becre (r. 632–634) enviou inicialmente uma força sob o comando de Iade ibne Ganme e, posteriormente, determinou que Calide ibne Alualide marchasse para Dumate Aljandal em apoio às operações. As tradições divergem quanto ao desfecho da campanha: algumas afirmam que Ucaidir foi capturado e executado, enquanto outras sustentam que morreu posteriormente em Duma, nas proximidades de Hira. Em qualquer caso, ao término das Guerras da Apostasia, o oásis voltou ao domínio do califado. Durante as primeiras conquistas islâmicas, Dumate Aljandal conservou importância militar por controlar um dos principais acessos entre a Arábia e a Síria. A cidade serviu de base para operações conduzidas por Iade ibne Ganme e outros comandantes na conquista da Alta Mesopotâmia. Algumas fontes também relacionam o oásis à célebre travessia do deserto realizada por Calide ibne Alualide em 633, embora Laura Veccia Vaglieri considere mais provável que os relatos referentes a esse episódio digam respeito à Duma situada nas proximidades de Hira, e não a Dumate Aljandal, atribuindo a confusão à existência de diferentes localidades com o mesmo nome.
Após a Batalha de Sifim, Dumate Aljandal tornou-se tradicionalmente associada à arbitragem entre os representantes de Ali ibne Abi Talibe e Moáuia I. As fontes islâmicas divergem, contudo, sobre o local das negociações: algumas situam a reunião em Adru, enquanto outras a localizam em Dumate Aljandal. Uma tradição conciliatória sustenta que ocorreram duas reuniões sucessivas, inicialmente no oásis e, meses depois, em Adru. Poucos anos mais tarde, em 660, Moáuia enviou forças à região para pressionar Ali, que conseguiu expulsá-las, embora os habitantes de Dumate Aljandal tenham se recusado a reconhecer a autoridade de qualquer um dos dois pretendentes ao califado. Com a transferência do centro político do califado para a Síria, durante a dinastia omíada, e posteriormente para o Iraque, sob os abássidas, Dumate Aljandal perdeu progressivamente sua importância estratégica e comercial. O deslocamento das principais rotas de comércio e de peregrinação reduziu a cidade a um pequeno oásis agrícola, situação refletida tanto pelos relatos dos geógrafos medievais quanto pelas evidências arqueológicas, que apontam empobrecimento gradual das construções e da cultura material a partir dos primeiros séculos da Hégira. Apesar desse declínio, o mercado regional continuou ativo durante parte do período medieval, e numerosas inscrições árabes desse período demonstram que a região permaneceu ocupada de forma contínua.
Após séculos de relativa estagnação, Dumate Aljandal voltou a adquirir importância estratégica a partir do século XVIII, em razão da expansão do movimento uaabita e de sua localização na fronteira entre a Arábia central e a Síria. O oásis tornou-se novamente um ponto de interesse militar e político, ao mesmo tempo em que as rotas terrestres da região passaram a atrair exploradores e viajantes europeus, cujos relatos forneceram as primeiras descrições modernas da cidade e de seus monumentos históricos. Durante o declínio do domínio otomano na Península Arábica, o controle de Dumate Aljandal alternou-se entre diferentes chefes regionais. Em meados do século XIX, a cidade passou para a autoridade de Talal ibne Abedalá Arraxide, emir dos Xamar, tornando-se dependência de Hail. Em 1909 foi ocupada por Nuri ibne Xalane, chefe da confederação tribal dos Ruala, mas retornou temporariamente ao domínio dos Xamar em 1920. No ano seguinte, Abdalazize ibne Saúde conquistou o oásis durante o processo de unificação da Arábia, incorporando-o aos domínios da Casa de Saúde.
A incorporação de Dumate Aljandal provocou disputas fronteiriças entre o nascente Estado saudita e a Transjordânia, que procurou estender sua fronteira até o Nefude. A questão permaneceu sem solução durante o Congresso do Cuaite de 1923–1924, sendo definitivamente resolvida pelo Acordo de Hada, firmado em 2 de novembro de 1925 entre Abdalazize ibne Saúde e o representante britânico Sir Gilbert Clayton. O tratado confirmou a incorporação do uádi Sirã, de Aljaufe e de Curaiate Almil ao Négede, estabelecendo os contornos gerais da fronteira setentrional da atual Arábia Saudita. Relatos de viajantes dos séculos XIX e XX descrevem Dumate Aljandal como um conjunto de mais de uma dezena de pequenas aldeias cercadas por muralhas de adobe, distribuídas entre palmeirais e áreas cultivadas. Cada povoado possuía um único acesso fortificado e um espaço central utilizado como mercado e abrigo para caravanas. Escavações arqueológicas iniciadas na segunda metade do século XX e intensificadas a partir de 2009 por uma missão conjunta saudita, italiana e francesa transformaram o conhecimento sobre a cidade, revelando estruturas que documentam uma ocupação contínua desde o Neolítico até o período islâmico. Entre os principais monumentos preservados destacam-se o Castelo de Maride, a Mesquita de Omar, extensos trechos das antigas muralhas, bairros históricos, sistemas de irrigação subterrâneos, necrópoles e numerosos sítios epigráficos e arqueológicos distribuídos pelo oásis.
Dumate Aljandal constitui um dos mais importantes sítios arqueológicos do norte da Península Arábica. As escavações e levantamentos realizados desde a segunda metade do século XX demonstraram que a ocupação do oásis se estende do Neolítico aos períodos islâmicos, permitindo acompanhar a evolução contínua do assentamento ao longo de mais de sete milênios. Desde 2009, uma missão arqueológica conjunta da Arábia Saudita, da Itália e da França vem conduzindo escavações sistemáticas que ampliaram significativamente o conhecimento sobre a história urbana da cidade e de suas redes comerciais. Os trabalhos concentram-se em três grandes setores arqueológicos. O primeiro corresponde ao núcleo histórico de Adiria (al-Ḍīrīya), onde se localizam o Castelo de Maride e a Mesquita de Omar. O segundo é o chamado assentamento ocidental, no bairro de Alhaça, delimitado por uma extensa muralha construída com pedra e tijolos de adobe, cuja extensão preservada ultrapassa 2,6 quilômetros. O terceiro compreende a área de Assunaimiate, onde escavações revelaram bairros residenciais, necrópoles monumentais e vestígios de ocupação que remontam à Idade do Ferro e ao período nabateu.
As pesquisas arqueológicas revelaram uma grande diversidade de estruturas urbanas e rurais. Entre elas destacam-se edifícios residenciais organizados em torno de pátios porticados, armazéns, instalações agrícolas, fortificações, muralhas defensivas e sistemas hidráulicos destinados ao aproveitamento das águas subterrâneas. Levantamentos recentes permitiram reconstruir parte da antiga rede de canates que abastecia o oásis, além de identificar centenas de poços, canais e outras obras hidráulicas responsáveis pelo desenvolvimento da agricultura irrigada em ambiente desértico. Os vestígios materiais documentam as sucessivas fases de ocupação da cidade. Nas camadas da Idade do Ferro foram encontrados materiais associados às tradições assíria e pós-assíria, enquanto o período nabateu forneceu inscrições, edifícios públicos, necrópoles coletivas e abundante cerâmica importada do Levante. A ocupação romana e bizantina está representada por inscrições militares, moedas, altares votivos e cerâmicas provenientes de diferentes regiões do Mediterrâneo oriental. Já os níveis islâmicos registram a continuidade da ocupação urbana, embora revelem uma redução progressiva da qualidade das construções e dos materiais empregados, compatível com o declínio econômico observado pelas fontes históricas. Além das estruturas arquitetônicas, a região de Dumate Aljandal preserva um expressivo conjunto de monumentos pré-históricos e epigráficos. Foram identificadas plataformas de pedra do final do Neolítico, armadilhas de caça conhecidas como desert kites, mais de 500 moledros funerários distribuídos ao redor do oásis e numerosos sítios de arte rupestre. Também foram descobertas inscrições em diferentes sistemas de escrita, incluindo textos dumaítas, tamúdicos, nabateus e árabes, que testemunham a diversidade cultural e linguística da região ao longo de sua história.
A prosperidade de Dumate Aljandal esteve historicamente ligada à sua posição geográfica no extremo meridional do uádi Sirã, corredor natural que conectava o Hejaz, a Síria e a Mesopotâmia. Essa localização transformou o oásis num dos principais entrepostos das rotas caravaneiras da Arábia setentrional desde a Antiguidade, favorecendo o intercâmbio de mercadorias, pessoas e influências culturais entre o sul da Península Arábica, o Levante e o Crescente Fértil. Durante os períodos assírio, nabateu e romano, a cidade desempenhou papel relevante no comércio transarábico, função confirmada tanto pelas fontes históricas quanto pelos vestígios arqueológicos de produtos importados e pela presença de instalações destinadas ao armazenamento e à circulação de mercadorias. No período pré-islâmico, Dumate Aljandal sediava um dos mais importantes mercados da Arábia, realizado anualmente durante todo o mês de Rabi Alaual. A cidade também concentrava atividades agrícolas favorecidas pela abundância de água subterrânea, explorada por meio de poços, canais e um complexo sistema de canates que irrigava palmeirais, pomares e áreas cultivadas do oásis. Essa combinação entre agricultura irrigada e comércio caravaneiro sustentou a prosperidade local durante vários séculos e permitiu o desenvolvimento de uma população sedentária dedicada ao cultivo da terra, ao artesanato e às atividades mercantis. A partir dos primeiros séculos do período islâmico, entretanto, a economia local entrou em declínio. A transferência dos centros políticos do califado para a Síria e, posteriormente, para o Iraque, aliada ao redirecionamento das principais rotas comerciais e de peregrinação, reduziu progressivamente a importância de Dumate Aljandal como entreposto regional. As escavações arqueológicas confirmam esse processo ao revelar o empobrecimento gradual das construções e da cultura material nos níveis islâmicos mais recentes, embora o mercado regional e a agricultura irrigada tenham permanecido como as principais bases da economia do oásis durante a Idade Média.