Calbitas

 Nota: Para a dinastia siciliana, veja Dinastia cálbida.

Os calbitas ou Banu Calbe (em árabe: بنو كلب; romaniz.: Banū Kalb) foram uma tribo árabe que habitou principalmente o deserto e as estepes do noroeste da Arábia e da região central da Síria. Antes do advento do islã, dominavam a região de Jaufe, Uádi Sirã e Samaua, extensa área desértica situada entre a Síria e o Iraque. Estiveram envolvidos na política tribal das fronteiras orientais do Império Bizantino, possivelmente desde o século IV, e, no VI, haviam adotado em grande parte o miafisismo, ficando submetidos à autoridade dos gassânidas, principais aliados árabes dos bizantinos. Durante a vida de Maomé, alguns de seus companheiros mais próximos eram calbitas, destacando-se Zaíde ibne Harita e Dia Alcalbi, embora a maior parte da tribo ainda fosse cristã quando o Profeta morreu, em 632. Os calbitas começaram a converter-se em grande número quando os muçulmanos obtiveram avanços significativos na conquista da Síria bizantina, conflito no qual inicialmente permaneceram neutros. Por constituírem uma numerosa tribo nômade dotada de considerável experiência militar, tornaram-se aliados especialmente cobiçados pelo novo Estado islâmico. Seus principais clãs estabeleceram vínculos matrimoniais com a família omíada, e a tribo tornou-se um dos principais sustentáculos militares do Califado Omíada, sediado no Bilade Axame, desde o reinado de Moáuia I (r. 661–680) até os primeiros anos de Abalmaleque (r. 685–705).

Durante a Segunda Guerra Civil Islâmica, os calbitas derrotaram seus principais rivais, os caicitas, na Batalha de Marje Raite, em 684, dando início a uma prolongada sucessão de ataques e represálias na qual os caicitas acabaram por obter vantagem. Na rivalidade tribal que passou a dominar a política omíada, os calbitas tornaram-se um dos principais componentes dos iamanitas. Perderam sua influência durante o reinado do califa favorável aos caicitas Maruane II, situação que se prolongou sob o Califado Abássida. Entre os séculos VIII e X, partiram de suas bases nos oásis de Guta e Palmira para promover diversas revoltas contra os abássidas, inicialmente em apoio a pretendentes omíadas ao califado e, posteriormente, como importante força militar dos cármatas. Ainda figuravam entre as três maiores tribos da Síria no início do domínio fatímida, no final do século X, mas sua progressiva sedentarização colocou-os em desvantagem diante dos mais numerosos e nômades taiítas e quilabitas. Sua relativa fraqueza favoreceu uma estreita aliança com os fatímidas durante o século XI, interrompida sobretudo quando se uniram aos taiítas e quilabitas numa revolta destinada a repartir a Síria entre as três tribos, em 1024–1025, durante a qual fracassaram em conquistar Damasco. Após a conquista islâmica, haviam expandido sua presença para as Colinas de Golã, o norte do vale do Jordão, Damasco e seus arredores, Hómece e Palmira; no século XI, seu principal núcleo deslocou-se da região entre Damasco e Palmira para as áreas sedentárias situadas entre a capital síria, Haurã e o Antilíbano. A tribo continuou seu processo de sedentarização até o século XII, desaparecendo depois disso do registro histórico.

Território

As áreas de ocupação mais antigas conhecidas dos calbitas situavam-se nos arredores de Dumate Aljandal, no noroeste da Arábia

Os calbitas eram uma tribo beduína (nômade), conhecida pela criação de camelos. Antes do advento do islã, no século VII, suas pastagens localizavam-se no noroeste da Arábia. Sua área de ocupação mais antiga conhecida, durante o período bizantino (séculos IV–VII), situava-se na depressão de Jaufe, incluindo o oásis de Dumate Aljandal. A tribo concentrava-se principalmente nessa região, junto às fronteiras orientais do Império Bizantino. Dali migrava sazonalmente para o interior da vasta estepe desértica entre a Síria e a Mesopotâmia, denominada pelas fontes árabes Samaua ou "Samaua dos Calbitas", sobretudo em sua porção sudoeste. A oeste de Jaufe, o ramo Amir Alaquebar (Banu Amir Alaquebar) percorria a região compreendida entre o oásis de Temá e os poços de Curaquir, no norte do Uádi Sirã. Os calbitas começaram a expandir suas áreas de pastagem para leste, em direção ao rio Eufrates, após a retirada dos taglibitas, por volta de 570. Seu território fazia fronteira, ao norte, com os poderosos taiítas, seus estreitos aliados; a oeste, sudeste e leste, confinava, respectivamente, com os balcainitas, os gatafanitas e os anazaítas.

O domínio do Uádi Sirã e de Jaufe colocou os calbitas em posição privilegiada para expandirem-se para a Síria. Com a expansão islâmica na década de 630, passaram a instalar-se em grande número nas Colinas de Golã, no norte do vale do Jordão e nos arredores de Damasco. Tornaram-se importantes proprietários de terras nos jardins de Guta, ao redor da cidade, mantendo ao mesmo tempo um modo de vida seminômade nas pastagens de Marje, situadas nos limites desse oásis. Também se estabeleceram em Hómece e Palmira. Uma pequena parcela da tribo fixou-se em Cufa, um dos principais amsar e centros administrativos do Iraque, enquanto numerosos calbitas participaram das forças expedicionárias sírias enviadas para Alandalus, estabelecendo-se ali durante o século VIII.

Segundo o geógrafo do século X Ibne Haucal, os diares (diyār; territórios tribais) dos calbitas estendiam-se da região de Sifim, próxima de Raca, na margem ocidental do Eufrates, até Temá. Essa extensão excluía a região de Arraba e confinava, em grande parte, com os diares meridionais da Síria e setentrionais do Hejaz pertencentes aos fazaraítas, ramo dos gatafanitas. Em razão de sua crescente sedentarização, os calbitas perderam gradualmente, ao longo do século X, a posição dominante em Jaufe e no Uádi Sirã para seus aliados taiítas. Os grupos que permaneceram nômades migraram para junto de seus parentes estabelecidos na Síria central ou continuaram ocupando discretamente suas antigas áreas de pastagem. Pressões militares também obrigaram a tribo a abandonar a região de Hómece em meados do século X, restringindo sua área de influência aos arredores de Palmira e Damasco. Grupos nômades calbitas continuaram habitando o deserto a leste de Palmira até o final do século XI. Posteriormente, mesmo esses grupos adotaram um modo de vida sedentário, deslocando o principal núcleo da tribo da faixa entre Damasco e Palmira para as áreas povoadas compreendidas entre Damasco, o Antilíbano e Haurã, sobretudo nesta última região. Pequenos contingentes também se estabeleceram ao norte de Hómece e no delta do Nilo, no Baixo Egito.

Genealogia

Na tradição genealógica árabe, o ancestral epônimo da tribo chamava-se Calbe, nome que significa "cão" em árabe. Seu pai era Uabara e sua mãe, Asma binte Duraime ibne Alcaine ibne Auade, da tribo dos baraítas, era conhecida como Ume Alasbu ("mãe dos animais selvagens"), pois todos os seus filhos receberam nomes de animais selvagens. Os calbitas integravam a confederação dos cudaaítas, cuja área de ocupação estendia-se do norte do Hejaz à estepe do norte da Síria. Constituíam o maior componente da metade setentrional dos territórios percorridos pela confederação. A origem dos cudaaítas permaneceu controversa entre os genealogistas árabes: algumas tradições faziam de Cudaa um filho de Maade, atribuindo-lhes origem norte-arábica, enquanto outras o consideravam descendente de Himiar, o lendário patriarca dos árabes meridionais.

Com exceção de três pequenos clãs, todos os ramos dos calbitas descendiam de Rufaida ibne Taure ibne Calbe. O mais importante deles era o Banu Abedalá ibne Quinana, especialmente seu maior sub-ramo, o janabita (Banu Janabe), do qual provinham os chefes da tribo. Dessa linhagem descendia também a família aristocrática Banu Harita ibne Janabe, predominante entre os séculos VI e VII, bem como os ramos ulaimita (Banu Ulaime) e ulaicita (Banu Ulais). Outro importante ramo era o Banu Quinana ibne Aufe. De seu sub-ramo Banu Aufe ibne Quinana descendiam os Banu Abede Uade e os Banu Amir Alaquedar. Este último pode ter sido originalmente uma família de sacerdotes não calbitas ligada ao culto pré-monoteísta do ídolo Uade, posteriormente incorporada à tribo quando esse culto se difundiu em Dumate Aljandal. Os quatro grandes genealogistas calbitas de Cufa no século VIII — Maomé ibne Açaíbe, Hixame, Axarqui ibne Alcutami e Auana ibne Aláqueme — descendiam todos dos Banu Abede Uade, e suas obras constituem as principais fontes para a genealogia da tribo. Outro ramo importante era o Banu Amir ibne Aufe ibne Becre, mais conhecido como Banu Amir Alaquebar, para distingui-lo de outros clãs calbitas de nome semelhante.

Período pré-islâmico

Relações com os bizantinos

Os calbitas podem ter chegado à Síria ainda no século IV, embora as informações sobre a tribo nesse período sejam escassas. O historiador Irfan Shahîd considera provável que Mávia, rainha guerreira das tribos árabes do sul da Síria, pertencesse aos calbitas. Se essa hipótese estiver correta, a tribo teria integrado a aliança liderada pelos tanuquitas, principal força militar de Mávia. Assim como os calbitas, os tanuquitas reivindicavam descendência da confederação dos cudaaítas. O território dos calbitas situava-se ao longo da Fronteira da Arábia, na fronteira oriental do Império Bizantino, abrangendo parte da Diocese do Oriente, denominação coletiva das províncias orientais do império. Segundo Shahîd, é possível que os calbitas tenham sido a tribo não identificada que lançou uma grande invasão contra a Celessíria, a Fenícia, a Palestina Secunda e o Egito romano em 410. O autor relaciona essa ofensiva ao declínio de seus aliados tanuquitas e à substituição destes pelos saliítas como principais federados árabes do Império Bizantino. Os saliítas também descendiam da confederação cudaaíta.

Nos últimos anos do século V, as tensões entre calbitas e saliítas culminaram numa batalha nas Colinas de Golã, em que o filarco saliíta Daúde ibne Habula Açalii foi morto por Talaba ibne Amir Alaquebar, dos calbitas, e por seu aliado Moáuia ibne Hujair Anumairi, da tribo dos numairitas, considerada aparentada aos calbitas. Não está claro se esse confronto decorreu de uma disputa pessoal entre Talaba e Daúde ou se fazia parte do conflito mais amplo entre calbitas e saliítas. Embora a importância dos calbitas na política tribal árabe do Império Bizantino durante o século V seja evidente, as fontes contemporâneas não permitem determinar quando se iniciaram seus contatos com os bizantinos. No início do século VI, os saliítas foram substituídos pelos gassânidas como principais filarcos das tribos árabes sob domínio bizantino. Tal como os gassânidas, os calbitas adotaram o monofisismo. Subordinados à autoridade gassânida, receberam, juntamente com outras tribos aliadas, a responsabilidade de defender a fronteira oriental do império contra o Império Sassânida e seus vassalos árabes de Hira, os lácmidas. Segundo o historiador Johann Fück, sua estreita integração ao sistema dos federados bizantinos fez com que os calbitas se habituassem à disciplina militar e à ordem administrativa.

Atividades na Arábia

Os calbitas aparecem apenas esporadicamente na literatura dos Dias dos Árabes, coletâneas de poemas pré-islâmicos que constituem uma das principais fontes para a história das tribos da Arábia pré-islâmica, sobretudo no que diz respeito às batalhas e expedições em que participaram. Uma exceção é o chamado Dia de Urair, durante o qual o chefe calbita Maçade ibne Hisne ibne Maçade foi morto pelos abecitas. A tradição histórica calbita preservada na Cufa do século IX menciona ainda cinco confrontos pré-islâmicos envolvendo a tribo. Os três principais foram o Dia de Nuada, travado por volta de 570 entre os ramos Banu Abedalá ibne Quinana e Banu Quinana ibne Aufe; o Dia de Caatine; e o Dia de Ciaife, travado entre os calbitas e os taglibitas por ocasião da Batalha de Di Car entre os sassânidas e uma coalizão de tribos árabes. Os dois confrontos menores foram o Dia de Ula, contra os taglibitas, e o Dia de Arraba, contra a tribo dos açaditas. O mais célebre chefe calbita do período pré-islâmico foi Zuair ibne Janabe, que exerceu grande influência entre os beduínos do norte da Arábia. Em nome de Abramo, governante axumita da Arábia do Sul em meados do século VI, Zuair comandou uma expedição contra as tribos dos taglibitas e dos becritas. Ainda em meados do século VI, liderou uma guerra contra os gatafanitas, motivada pela construção, por Zalime ibne Açade, de um harame ("recinto sagrado") em um lugar chamado Busse, em Hurade. Esse santuário procurava emular a Caaba de Meca, então um dos mais importantes centros religiosos da Arábia pagã, fato que provocou a oposição das tribos vizinhas, entre elas os calbitas. Zuair derrotou decisivamente os gatafanitas e destruiu o harame rival.

Período islâmico

Relações com Maomé

Embora os gassânidas fossem o principal agrupamento tribal árabe da Síria bizantina e exercessem autoridade sobre as tribos árabes federadas do Império Bizantino na estepe síria durante todo o século VI, sua influência começou a declinar na década de 580. Perderam sua posição predominante e grande parte de seu prestígio quando os sassânidas conquistaram a Síria bizantina entre 613 e 614. A região foi reconquistada pelos bizantinos em 628, mas os gassânidas permaneceram enfraquecidos e divididos em diversos grupos, cada qual liderado por um chefe diferente. Nesse contexto, os calbitas, embora continuassem aliados dos gassânidas, passaram gradualmente a ocupar partes de seu território dentro das fronteiras do Império Bizantino. Desde a época de Maomé, na década de 620, os muçulmanos haviam tentado estabelecer uma aliança com os gassânidas, mas sem sucesso. Segundo o historiador Khalil Athamina, "os muçulmanos foram, portanto, obrigados a procurar outro aliado na região", encontrando-o nos calbitas, cuja importância estava em ascensão.

Alguns calbitas residentes em Meca converteram-se ao islã, entre eles Zaíde ibne Harita e Dia Alcalbi, tradicionalmente identificado como o emissário de Maomé junto ao imperador bizantino Heráclio (r. 610–641). Segundo o historiador Fred Donner, embora alguns membros da tribo tenham aderido precocemente ao islã, são escassas as informações sobre as relações entre Maomé e os calbitas como um todo. Na condição de federados bizantinos, os calbitas combateram inicialmente o avanço muçulmano no norte da Arábia e da Síria. O primeiro confronto ocorreu durante a Segunda Expedição de Dumate Aljandal, em 627 ou 628, quando Abederramão ibne Aufe conseguiu converter ao islã o chefe cristão dos calbitas em Dumate Aljandal, Alasbague ibne Anre. O acordo firmado entre Maomé e, ao menos, a facção da tribo liderada por Alasbague constituiu o primeiro passo importante para a futura aliança entre os calbitas e o Estado muçulmano. Esse pacto foi reforçado pelo casamento de Abederramão com Tumadir, filha de Alasbague, estabelecendo o primeiro vínculo matrimonial entre os calbitas e os coraixitas, tribo de Maomé e de Abederramão.

Apesar do acordo firmado por Alasbague, a maior parte dos calbitas provavelmente permaneceu cristã. Uma parcela da tribo passou à autoridade do agente muçulmano Inru Alcaice ibne Alasbague, filho de Alasbague, durante a campanha contra tribos árabes pró-bizantinas na Expedição de Date Assalacil, no noroeste da Arábia. Depois que Zaíde ibne Harita morreu na Batalha de Muta contra os bizantinos e seus aliados árabes, em 629, Maomé nomeou seu filho Uçama ibne Zaíde para comandar uma expedição contra a Síria, que somente seria realizada após a morte do Profeta, em 632. Segundo Athamina, a escolha de Uçama pode ter sido influenciada por sua ascendência calbita. Na época da morte de Maomé, a maior parte dos calbitas ainda permanecia fora da autoridade do nascente Estado muçulmano. Embora Alasbague tenha permanecido fiel ao governo de Medina durante as Guerras da Apostasia, outra facção da tribo em Dumate Aljandal, liderada pelo chefe Uadia, rebelou-se, sendo posteriormente derrotada.

Neutralidade durante a conquista da Síria

As Guerras da Apostasia estavam praticamente encerradas em 633, quando o califa Abu Becre iniciou a conquista da Síria bizantina, no final desse ano ou no início de 634. Apesar de seus tradicionais vínculos com o Império Bizantino, os calbitas permaneceram, em sua maioria, neutros durante a campanha. Ao menos parte da tribo combateu ao lado das tribos árabes cristãs contra o exército de Calide ibne Alualide em Aziza, na Transjordânia, em 634. Enquanto Johann Fück considera que os calbitas já convertidos ao islã não participaram da conquista, Athamina sustenta que há fortes indícios de que um ou mais grupos da tribo combateram ao lado dos muçulmanos desde as primeiras fases da invasão. Um calbita, Alcama ibne Uail, recebeu a responsabilidade de distribuir o espólio obtido após a decisiva Batalha do Jarmuque, tarefa particularmente delicada em razão da diversidade de tribos que compunham o exército muçulmano. Ainda assim, a maior parte dos calbitas não participou da batalha, seja para evitar envolver-se no conflito entre bizantinos e muçulmanos, seja porque seu território se encontrava distante do campo de batalha, no norte do vale do Jordão. É provável que a conversão da maior parte da tribo ao islã tenha ocorrido apenas após Jarmuque, cuja vitória destruiu o principal exército bizantino na Síria e consolidou a conquista muçulmana da região.

A conquista foi essencialmente concluída em 638. Nessa época, os calbitas dominavam as estepes ao redor de Hómece e Palmira e constituíam o principal e mais poderoso componente da confederação dos cudaaítas. Segundo Atamina, a necessidade de organizar um sistema defensivo baseado nas experientes tribos árabes sírias, anteriormente aliadas do Império Bizantino, levou o Estado muçulmano a estreitar suas relações com os calbitas, bem como com os judamitas e os lacmitas, já estabelecidos na estepe do sul da Síria. Essa política tornou-se ainda mais necessária porque os muçulmanos não dispunham de um exército permanente, enquanto seus contingentes tribais oriundos da Arábia precisavam ser distribuídos por diferentes frentes de combate. Em meados da década de 630, o califa Omar ibne Alcatabe destituiu Calide ibne Alualide do comando supremo da Síria e transferiu para a frente sassânida no Iraque as tropas sob seu comando, compostas principalmente por membros das confederações modaritas e rebiaítas. Atamina atribui essa decisão, ao menos em parte, à provável oposição dos calbitas ao grande contingente de combatentes provenientes da Arábia e de suas famílias, cuja presença era percebida pelos calbitas e por suas tribos vizinhas como uma ameaça ao equilíbrio político, econômico e social da Síria.

Apogeu sob os omíadas

Período sufiânida

Mapa do Bilade Axame no início do século VII, com as áreas habitadas pelas tribos árabes, incluindo os calbitas

Em 639, Omar ibne Alcatabe nomeou Moáuia I, membro do poderoso clã omíada dos coraixitas, governadofr dos jundes de Damasco e da Jordânia, que, em conjunto, correspondiam à região central da Síria. Desde o início de seu governo, Moáuia estabeleceu estreitos vínculos com os calbitas, uma das principais fontes de poder militar na Síria. Durante o reinado de seu parente omíada, o califa Otomão ibne Afane (r. 644–656), sua autoridade foi gradualmente ampliada para abranger o restante da Síria. A partir desse período, os calbitas estabeleceram vínculos matrimoniais com os omíadas. Otomão casou-se com a nobre calbita Naila binte Alfurafiça, prima paterna de Tumadir binte Alasbague. Hinde, irmã de Naila, casou-se com o governador omíada Saíde ibne Alás, parente de Otomão. Moáuia, por sua vez, casou-se com duas nobres calbitas, entre elas Maiçune binte Badal, filha de Badal ibne Unaife, o chefe mais proeminente da tribo, que permaneceu cristão até sua morte, ocorrida antes de 657. Os vínculos matrimoniais entre os calbitas e os omíadas tornaram-se uma das principais fontes da considerável influência política da tribo.

Durante o conflito entre Moáuia e o califa Ali (r. 656–661), os calbitas prestaram apoio decisivo a Moáuia. Os filhos e netos de Badal serviram como comandantes contra os partidários de Ali na Batalha de Sifim, em 657, encerrada sem uma vitória decisiva para qualquer dos lados. Ali foi morto em 661 e, poucos meses depois, Moáuia tornou-se califa. Para manter seu domínio na Síria, continuou a apoiar-se nos calbitas. Badal obteve de Moáuia importantes privilégios para os calbitas e seus aliados entre os cudaaítas, incluindo o direito de serem consultados em todas as principais decisões do califado, de proporem e vetarem medidas e de receberem estipêndios anuais hereditários de valor elevado, concedidos a dois mil nobres calbitas e cudaaítas. Com isso, os calbitas tornaram-se a tribo mais influente durante o período sufiânida (661–684) do Califado Omíada. Moáuia procurou preservar o apoio da tribo, impedindo que os grupos caicitas e modaritas recém-chegados à Síria se estabelecessem em grande número nos territórios calbitas das regiões central e meridional. Iázide I (r. 680–683), filho e sucessor de Moáuia com Maiçune, também se casou com uma calbita e manteve os privilégios concedidos por seu pai aos cudaaítas. Moáuia escolheu Iázide como sucessor em detrimento de um filho mais velho que tivera com uma mulher coraixita, decisão que demonstra o papel fundamental dos calbitas como base do poder sufiânida. A ascensão de Moáuia II (r. 683–684), filho de Iázide com sua esposa calbita, deveu-se em grande medida às articulações de Haçane ibne Maleque, neto de Badal e mais conhecido como Ibne Badal.

Período maruânida

Moáuia II morreu poucas semanas após assumir o poder, mergulhando o califado numa crise sucessória. Ibne Badal defendia a escolha de um dos outros filhos, ainda jovens, de Iázide como sucessor, enquanto o influente ex-governador do Iraque Ubaide Alá ibne Ziade apoiava a candidatura de um omíada pertencente a outro ramo da família governante, Maruane ibne Aláqueme. Este havia estreitado laços com a família de Alasbague ao casar-se com sua neta, Laila binte Zabane, de quem teve seu filho Abdalazize ibne Maruane. A família de Alasbague representava o principal clã calbita do norte da Arábia, enquanto a de Badal liderava os calbitas da estepe síria. Um terceiro pretendente omíada ao califado era Anre Alasdaque, filho de Saíde ibne Alás, que também havia estabelecido vínculos matrimoniais com uma importante família calbita. Segundo o historiador Andrew Marsham, os casamentos entre diferentes famílias dos omíadas e dos calbitas "refletiam a competição tanto no interior dos calbitas quanto do próprio grupo familiar omíada". Enquanto isso, o pretendente rival ao califado, Abedalá ibne Azobair, sediado em Meca, contestava a liderança omíada e conquistava crescente apoio na Síria. Determinado a preservar os privilégios políticos e econômicos que os calbitas haviam adquirido sob os sufiânidas, Ibne Badal prestou juramento de fidelidade (baia) a Maruane em troca da manutenção desses privilégios e da primazia dos calbitas em sua corte.

Adaaque ibne Caice Alfiri, antigo colaborador de destaque dos sufiânidas, e os caicitas, principais rivais tribais dos calbitas, apoiaram Abedalá ibne Azobair. Ibne Badal mobilizou os calbitas e seus aliados tribais e derrotou Adaaque e os caicitas na Batalha de Marje Raite, em agosto de 684. Após a batalha, intensificou-se a rivalidade entre caicitas e calbitas, enquanto Maruane passou a depender inteiramente dos calbitas e de seus aliados para sustentar seu governo. As tribos sírias que invejavam os privilégios dos cudaaítas passaram a opor-se a eles ou a procurar integrar-se à sua aliança. Os judamitas da Palestina e as tribos sul-arábigas estabelecidas no Junde de Hómece aderiram aos cudaaítas após Marje Raite, formando a coalizão dos iamanitas em oposição aos caicitas. Os caicitas, sob o comando de Zufar ibne Alharite Alquilabi, e o descontente comandante omíada Omeir ibne Alhubabe Açulami, estabelecidos na Jazira, enfrentaram os calbitas comandados por Humaide ibne Huraite ibne Badal numa série de incursões e contra-incursões (ayyām) entre 686 e 689. Os calbitas foram repetidamente atacados em seus territórios na Samaua e, apesar das represálias, acabaram obrigados a abandonar essa região e retirar-se para o vale do Jordão. Por volta de 690, Humaide lançou uma ofensiva contra os caicitas na Jazira, mas os calbitas sofreram uma pesada derrota em um lugar chamado Banate Caine, entre 692 e 694. Em represália, o califa Abalmaleque (r. 685–705), filho de Maruane, mandou executar os chefes caicitas considerados responsáveis pela derrota, entregando-os aos calbitas. Esse episódio marcou o último grande confronto entre caicitas e calbitas.

Os calbitas continuaram a constituir a espinha dorsal do exército omíada durante os primeiros anos do reinado de Abalmaleque. Contudo, após a reconciliação do califa com Zufar, em 691, medida à qual os calbitas se opuseram, os caicitas foram reintegrados ao exército, encerrando o monopólio calbita e inaugurando uma política de equilíbrio entre os interesses caicitas e calbito-iamanitas. Além disso, Abalmaleque não possuía vínculos ancestrais nem matrimoniais com os calbitas, pois suas esposas pertenciam aos coraixitas ou eram filhas de chefes caicitas. Com a morte, em 704, do poderoso governador do Egito Abedalazize ibne Maruane, destinado a suceder seu irmão Abalmaleque, Andrew Marsham observa que "o estreito vínculo de parentesco entre os calbitas e o califado foi rompido". Apesar disso, diversos membros da tribo continuaram a exercer funções de destaque sob Abalmaleque e seus sucessores. Entre os mais notáveis estiveram Sufiane ibne Alabrade, que reprimiu revoltas no Iraque durante a década de 690; os irmãos Hanzala e Bixer ibne Safuane, governadores frequentes da Ifríquia e do Egito entre as décadas de 720 e 740; Aláqueme ibne Auana, governador de Sinde entre 731 e 740; Saíde ibne Alabraxe, conselheiro do califa Hixame (r. 724–743); Abu Alcatar, governador de Alandalus entre 743 e 745; e Mançor ibne Jumur, importante participante da Terceira Guerra Civil Islâmica entre 743 e 750. A posição dos calbitas no Estado omíada começou a deteriorar-se durante o reinado do califa pró-caicita Alualide II (r. 743–744), entrando em colapso sob Maruane II (r. 744–750), que passou a apoiar-se quase exclusivamente nos caicitas para a administração e o comando militar, em detrimento dos interesses iamanitas. Em junho de 745, o chefe calbita de Palmira, Alasbague ibne Duala, liderou uma revolta contra Maruane II em Hómece, mas os calbitas e seus aliados iamanitas foram derrotados. Posteriormente, reconciliaram-se com o califa em 746. Contudo, com o advento da Revolução Abássida em 749–750, os calbitas provavelmente perceberam que o domínio omíada estava próximo do fim. Assim, quando Maruane II enviou dois mil guerreiros calbitas para reforçar o governador omíada de Baçorá, estes desertaram e passaram para o lado dos abássidas.

Revoltas contra os abássidas

A importância dos calbitas na Síria diminuiu sob os abássidas, cuja base de poder se encontrava no Iraque. Os iamanitas, incluindo os calbitas, logo se mostraram descontentes com o domínio abássida na Síria e aderiram à revolta do príncipe omíada Abu Maomé Assufiani e do general caicita Abu Aluarde, em 750–751. Abu Maomé descendia do antigo patrono dos calbitas, Moáuia I, e apresentava-se como uma figura messiânica conhecida como "Sufiani", que muitos habitantes de Hómece acreditavam que restauraria o Califado Omíada. Abu Aluarde foi morto por um exército abássida, enquanto Abu Maomé e os calbitas se entrincheiraram em Palmira, após o que a revolta se desfez. Os iamanitas liderados pelos calbitas foram também os principais apoiadores de outro pretendente omíada ao califado, Abu Alumaitir Assufiani, que tomou o poder em Damasco em 811, durante a Quarta Guerra Civil Islâmica. Em razão de suas medidas favoráveis aos iamanitas, as tribos caicitas se opuseram a Abu Alumaitir. O chefe caicita Ibne Baias Alquilabi apoiou outro anticalifa omíada, Maslama ibne Iacube, e juntos derrotaram Abu Alumaitir. Em 813, Ibne Baias retornou à obediência abássida, levando os dois pretendentes omíadas a refugiarem-se junto aos calbitas nas aldeias de Meze, Daraia e Beite Lia, em Guta, onde permaneceram até morrerem de causas naturais. Na década de 860, o controle central abássida enfraqueceu nas províncias, inclusive na Síria. Em 864, os calbitas, sob o comando de Utaife ibne Nima, assumiram a liderança de uma revolta contra os abássidas em Hómece, durante a qual o governador da cidade, Alfadle ibne Carine, foi morto. A tribo foi posteriormente derrotada pelo general abássida Muça ibne Buga, mas logo se aliou ao chefe rebelde tanúquida Iúçufe ibne Ibraim Alfusais, no norte da Síria. Em 866, Utaife recusou-se a reconhecer o novo califa abássida e foi capturado e executado pelo general Amade ibne Almualade, embora os calbitas das áreas rurais de Hómece tenham continuado a resistir. Alfusais rompeu então sua aliança com a tribo e passou a atacá-la. Embora os abássidas tenham se reconciliado com Alfusais, não se conhece o destino dos calbitas do interior de Hómece. Mais tarde, a tribo aliou-se a Issa ibne Axeique Axaibani, homem forte árabe da Palestina entre cerca de 866 e 871.

Aliança com os cármatas

Ruínas de Palmira, uma das principais bases dos calbitas entre meados do século VII e meados do XI

No século X, os calbitas eram uma das três maiores confederações árabes da Síria e concentravam-se sobretudo na região central; as outras duas eram os taiítas, no sul, e os quilabitas, no norte. Ao contrário destas duas tribos, relativamente recém-chegadas, a maior parte dos calbitas, estabelecidos havia muito na região, era então composta por camponeses sedentários que haviam perdido sua mobilidade nômade tradicional. Nesse período, a economia da tribo dependia dos pedágios cobrados às caravanas que viajavam entre Arraba, Hómece e Damasco, bem como dos impostos incidentes sobre a produção agrícola do oásis de Palmira e do Antilíbano. Os clãs nômades calbitas que controlavam Palmira e a Samaua encontraram um poderoso protetor no movimento dos cármatas e tornaram-se propagandistas dessa seita ismaelita de caráter milenarista. Os cármatas, liderados por Zacarauai ibne Mirauai, não haviam conseguido conquistar apoio entre as tribos beduínas dos arredores de Cufa, mas os ulaicitas e parte dos alasbaguitas aderiram ao filho de Zacarauai, Alhoceine ibne Zacarauai, em 902. Ainda naquele ano, os calbitas convertidos, sob o comando do irmão de Alhoceine, Iáia ibne Zacarauai, derrotaram e mataram o comandante da guarnição abássida de Resafa, Sabuque Adailami, e em seguida tomaram a cidade, saqueando-a e incendiando sua mesquita. Os calbitas comandados por Iáia avançaram então em direção a Damasco, saqueando as aldeias pelo caminho, antes de imporem à cidade um cerco malsucedido que durou sete meses. Os sitiantes foram dispersados e Iáia foi morto por um exército enviado pelos tulúnidas, que governavam o Egito nominalmente em nome dos abássidas. Os calbitas retiraram-se de Damasco com Alhoceine.

O exército de Alhoceine, composto predominantemente por calbitas e comandado pelo dai e chefe Alnumane dos ulaicitas, foi esmagado pelas forças do califa abássida Almoctafi (r. 902–908) na Batalha de Hama, em novembro de 903. As tentativas dos líderes cármatas de mobilizar novamente os chefes derrotados dos ulaicitas foram rejeitadas, e estes se submeteram aos abássidas em Arraba em 904. Pouco depois, contudo, os ulaicitas retornaram à causa cármata e foram alvo de uma campanha devastadora conduzida pelos abássidas. Outro representante de Zacarauai, Abu Ganime, apelou então aos calbitas de Palmira. Embora a maior parte da tribo se opusesse à missão cármata, Abu Ganime conquistou o apoio dos remanescentes dos ulaicitas, de muitos membros dos alasbaguitas e e de salteadores oriundos de outros clãs calbitas, como os ziaditas. Em 906, saquearam Bostra, Adriate e Tiberíades, matando o vice-governador do Junde da Jordânia. Em resposta, Almoctafi enviou contra os calbitas uma expedição punitiva comandada por Huceine ibne Hamedane, mas os calbitas e os açaditas derrotaram Ibne Hamedane e obrigaram-no a fugir para Alepo. Mais tarde naquele ano, o general derrotou os calbitas e seus aliados taiítas. A tribo realizou então incursões na Samaua e atacou Hite. Almoctafi reagiu enviando um exército comandado por Maomé ibne Isaque ibne Cundaje, que obrigou os calbitas a traírem os cármatas e matarem Nácer, evitando assim represálias das autoridades. Segundo o historiador Kamal Salibi, a retirada definitiva dos cármatas da Síria após sua derrota, em 907, deixou os calbitas "politicamente isolados".

Relações com os hamedânidas

Em 944–945, o emir hamedânida Ceife Adaulá estabeleceu um emirado em Alepo que abrangia grande parte do norte da Síria, enquanto as regiões meridionais permaneciam sob o controle dos iquíxidas, sediados no Egito. Em sua tentativa de tomar Damasco do governador iquíxida em 947, reuniu os calbitas e outras tribos beduínas, mas foi derrotado. Os calbitas também participaram de pelo menos uma das campanhas de Ceife Adaulá contra os bizantinos. Em certos momentos, Ceife Adaulá conduziu expedições para proteger os calbitas de Hómece e, em outros, combateu-os para reafirmar sua autoridade sobre seus domínios, situação que igualmente se verificou em relação às demais tribos árabes. Em 955, essas tribos promoveram uma grande revolta contra o emir, que a reprimiu de forma decisiva, obrigando os calbitas a abandonarem Hómece. Em 958, os calbitas e os taiítas atacaram o governador hamedânida de Hómece, Abu Uail Taglibe ibne Daúde.

Relações com os fatímidas

Os calbitas haviam sido consideravelmente enfraquecidos ao longo do século X em consequência da crescente sedentarização da tribo, da falta de controle sobre centros urbanos — dos quais as tribos beduínas normalmente extraíam tributos —, de sua estrutura altamente descentralizada e da derrota dos cármatas. Quando o Califado Fatímida, de orientação ismaelita, invadiu a Síria em 970 sob o comando do general Jafar ibne Falá, o emir dos aditas de Palmira, Ibne Ulaiane, capturou o chefe pró-abássida dos adates de Damasco durante sua tentativa de fugir para Palmira. O emir calbita entregou-o a Jafar em troca de uma vultosa recompensa, inaugurando assim um relacionamento de aproximadamente um século entre os calbitas e os fatímidas, marcado em grande parte pela colaboração. Com efetivos e poder muito inferiores aos dos séculos anteriores e inclinados à manutenção da ordem, os calbitas tornaram-se uma das primeiras tribos a aliar-se aos fatímidas e a que mais frequentemente foi empregada por eles na Síria. O irmão de Ibne Ulaiane, Sinane ibne Ulaiane, era emir dos calbitas em 992, quando participou da disputa entre as facções militares fatímidas rivais: os turcos, liderados por Manjutaquim, e os berberes, comandados por Alhaçane ibne Amar, este último pertencente a um ramo governante cálbida da Sicília. Ao longo do século XI, os calbitas foram diversas vezes mobilizados pelos fatímidas contra os mirdássidas, líderes dos quilabitas do norte da Síria.

Com o enfraquecimento do domínio fatímida na Síria após o desaparecimento do califa Aláqueme Bianre Alá em 1021, Sinane e os chefes dos aliados tradicionais dos calbitas, os taiítas, liderados pelo emir jarráida Haçane ibne Almufarrije, bem como dos seus rivais tradicionais, os quilabitas, liderados pelo emir mirdássida Sale ibne Mirdas, formaram uma inédita aliança beduína destinada a dividir a Síria entre si. Os três chefes iniciaram sua campanha em 1025 e conquistaram grande parte da região. Thierry Bianquis especula que graves dificuldades econômicas entre os calbitas — provavelmente decorrentes de anos de seca, da redução das colheitas no Antilíbano e na estepe de Palmira, da alta do preço dos cereais e da diminuição do tráfego de caravanas — tenham motivado a ruptura da aliança com os fatímidas. Contudo, enquanto os taiítas assumiram o controle da Palestina e os quilabitas dominaram o norte da Síria, os calbitas fracassaram em sua tentativa de conquistar Damasco. A morte de Sinane, em 1028, e a deserção de seu sucessor, Rafi ibne Abilail, para o lado fatímida inviabilizaram a aliança, que se desfez definitivamente após Sale ser morto pelos guerreiros de Rafi no exército fatímida durante a Batalha de Alucuana, em 1029.

Em 1031, Rafi, descontente porque os fatímidas não lhe haviam transferido os ictas de Sinane, restabeleceu a aliança dos calbitas com Haçane e os taiítas, que haviam sido expulsos para a estepe de Palmira pelos fatímidas. Ambas as tribos transferiram-se então para território bizantino nas proximidades de Antioquia, após aliarem-se ao Império Bizantino na sequência da vitória mirdássida sobre os bizantinos na Batalha de Azaz. Ainda assim, em 1038, Rafi e os calbitas renovaram sua fidelidade aos fatímidas e desempenharam papel decisivo no exército de Anustaquim Adisbari, governador fatímida da Síria, durante a campanha vitoriosa contra o emir mirdássida de Alepo, Xible Adaulá Nácer, nas proximidades de Hómece. Após a morte de Anustaquine e a restauração do governo mirdássida em Alepo, em 1042, os calbitas participaram das campanhas fatímidas fracassadas contra o emir Muiz Adaulá Timal em 1048 e 1050. Em 1060, voltaram a ser enviados pelos fatímidas contra os mirdássidas, desta vez em Arraba.

Um emir calbita foi o fundador original da fortaleza de Salcade, em Haurã

Em 1065, os calbitas entraram em conflito com o governador fatímida de Damasco, Badre Aljamali, derrotando as tropas enviadas contra eles e matando ou capturando diversos soldados e comandantes. Entre os prisioneiros encontrava-se o dignitário Ibne Manzu, que concordou em pagar um elevado resgate e tornou-se um importante aliado dos calbitas em Damasco. Durante a revolta dos damascenos contra a guarnição fatímida fiel a Badre, em 1068, Ibne Manzu conseguiu que os calbitas, então liderados por Mismar, filho de Sinane, e por Hazime ibne Nabane Alcarmati, apoiassem os revoltosos. A tribo, contudo, não conseguiu romper as defesas da cidade e permaneceu acampada diante de suas muralhas. As tropas fatímidas passaram a levar vantagem, e Mismar negociou um vultoso suborno em troca de sua neutralidade. O pagamento jamais foi efetuado e os fatímidas aproveitaram a trégua para derrotar os damascenos, levando os calbitas a retirarem-se para Guta. Segundo o historiador Werner Caskel, esse foi o último confronto militar conhecido envolvendo os calbitas. O filho de Mismar, Huceine, fundou ou reconstruiu a fortaleza de Salcade, em Haurã, em 1073, fato registrado em uma inscrição.

Últimas aparições sob os seljúcidas

Após meados do século XI, o ressurgimento do poder das tribos beduínas da Síria e do Iraque entrou em declínio, em grande parte em consequência da invasão do Império Seljúcida e de seus estados vassalos turcos. Com exceção dos taiítas, sob os ramos descendentes dos jarráidas, e dos maziádidas de Hila, as tribos beduínas desapareceram do cenário político da região até o final do século XI. A partir de então, diversas tribos passaram a ser mencionadas apenas ocasionalmente nas fontes, como aliadas dos atabegues turcos ou como saqueadoras de caravanas. Em 1084, os calbitas, incluindo seu ramo dos ulaimitas, integraram a coalizão beduína reunida pelo governante ucaílida de Alepo, Muslim ibne Coraixe, para reforçar sua posição diante de seus suseranos seljúcidas. Dois anos depois, porém, ele foi morto e Alepo passou ao domínio direto dos turcos. Os calbitas continuaram seu processo de sedentarização ao longo do século XII, sobretudo em Haurã. Em 1131, os calbitas dessa região capturaram o emir maziádida Dubais ibne Sadaca, quando este seguia para Salcade. Em seguida, entregaram-no à custódia do atabegue turco de Damasco, Taje Almulque Buri. Um ramo calbita da linhagem de Quinana, os munquídidas, que havia estabelecido um emirado no vale do Orontes na década de 1020, continuou a atuar sob a suserania dos atabegues turcos da Síria até sua extinção, em 1157.

Notas

  1. ↑ Os nomes dos filhos de Uabara eram os seguintes: Calbe ("cachorro"), Açade ("leão"), Namir ("tigre"), Dibe ("lobo"), Talabe ("raposa"), Fade ( "lince"), Dabu '("hiena"), Dube ("urso"), Side ("coiote") e Sirã ("chacal").
  2. ↑ Tumadir também pode ter sido casada, por breve período, com o califa Otomão ibne Afane (r. 644–656), membro da família omíada dos coraixitas. Por intermédio da descendência de seu filho, Abu Salama, mantiveram-se vínculos matrimoniais e outros laços familiares entre sua linhagem e os omíadas.
  3. ↑ O poeta calbita Aljauás ibne Catal exaltou a força de sua tribo nesse confronto, comparando a mobilização dos ramos Janabe e Aufe ibne Quinana à reunião de "uma única massa de rochas".
  4. ↑ Os vínculos familiares dos calbitas com o califado foram restabelecidos durante o breve reinado de Omar II (r. 717–720), filho de Abedalazize. Tanto sua avó, Laila binte Zabane, quanto sua esposa, Ume Xuaibe binte Xuaibe ibne Zabane, eram calbitas.
  5. ↑ Alauás ibne Anre ibne Talaba foi chefe dos Banu Janabe e comandou os calbitas nos confrontos do Dia de Caatine e do Dia de Ciaife, ambos ocorridos por volta da primeira década do século VII.
  6. ↑ Alfurafiça ibne Alauás foi chefe do clã Banu Hisne ibne Damedame e morreu cristão durante o domínio islâmico.
  7. ↑ Duas tribos modernas que reivindicam descendência dos calbitas são os siranitas e os xararatitas. Os primeiros migraram de Haurã e assumiram o controle do Uádi Sirã, que recebeu seu nome em razão da tribo, por volta de 1650. No início do século XVIII, os siranitas foram expulsos pelos poderosos anazaítas, estabelecendo-se na Balca, na Transjordânia. Os siranitas aderiram então à aliança tribal Ahl al-Shimal ("Povo do Norte"), formada para enfrentar os anazaítas. Os xararatitas também passaram a integrar essa aliança. Em sua tradição oral, os xararatitas há muito reivindicam uma ascendência "nobre" proveniente dos calbitas, e seus chefes sustentam que a tribo representa o último remanescente dos calbitas. Os pesquisadores modernos, contudo, dividem-se quanto a essa reivindicação: alguns rejeitam essa filiação, enquanto outros a consideram plausível. No início do domínio saudita, na década de 1920, os xararatitas, embora relativamente fracos e subordinados a tribos maiores, controlavam uma faixa de cerca de 400 quilômetros entre Cafe e Dumate Aljandal. Provavelmente em razão de sua posição vulnerável diante de outras tribos, apoiaram entusiasticamente os sauditas e continuam a ser considerados uma tribo leal ao regime no país.

Referências

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