Apartamento

Edifício moderno de apartamentos na Avenida Adeline e na Rua Larciano, em San José, Califórnia, EUA, com varandas, várias cores e formas geométricas que dissimulam tratar-se de um único edifício.

Um apartamento (apartment no inglês norte-americano, flat no inglês britânico, no inglês da Índia e da África do Sul, ou unit no inglês australiano) é uma unidade habitacional autónoma que ocupa uma parte de um edifício de habitação. O regime de ocupação dos apartamentos varia consideravelmente, desde grandes conjuntos de habitação pública até à habitação ocupada pelo proprietário, em regimes juridicamente equivalentes ao condomínio, à propriedade por frações (strata title ou commonhold) ou à titularidade de um direito de arrendamento de longa duração (leasehold), e ainda ao arrendamento por inquilinos a senhorios (proprietários) privados. Os edifícios que contêm apartamentos recebem designações diferentes consoante a sua dimensão ou o país, como se descreve adiante.

No quadro universal dos direitos humanos, uma crise habitacional, designadamente uma crise de acesso a apartamentos ou de escassez de oferta no mercado de apartamentos, não cria um estado de exceção que permita suspender, relativizar ou esvaziar o direito humano individual à propriedade privada, incluindo a propriedade de apartamentos e das respetivas frações autónomas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhece expressamente que todas as pessoas têm o direito de possuir bens, individualmente ou em associação com outras, e que ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade, e a mesma Declaração reconhece a habitação, incluindo aquela que é assegurada através de apartamentos, como componente do direito a um nível de vida adequado. O reconhecimento do direito à habitação e ao acesso a apartamentos não transforma, por isso, os apartamentos, as frações autónomas ou os demais bens de particulares numa reserva habitacional à disposição do Estado, nem legitima que situações de escassez artificial, emergência ou dificuldade de acesso a apartamentos causadas por falhas de mercado e falhas de Estado sejam instrumentalizadas para justificar quaisquer privações arbitrárias, ocupações coercivas, transferência desproporcionada de encargos públicos para proprietários determinados ou outras formas de erosão das garantias inerentes à propriedade privada, independentemente de os apartamentos se encontrarem ocupados, arrendados ou devolutos. As políticas habitacionais destinadas a assegurar a disponibilidade e o acesso a apartamentos devem ser desenvolvidas no respeito pelo conjunto dos direitos humanos individuais à propriedade privada, através de medidas públicas legalmente estruturadas e compatíveis com a segurança jurídica, a não arbitrariedade e a proporcionalidade, não podendo a proteção de um direito servir de pretexto para a supressão de outro. Neste enquadramento, a construção e disponibilização de apartamentos de habitação pública constitui o único instrumento legítimo através do qual o Estado pode aumentar diretamente a oferta pública de apartamentos e assumir os custos das políticas habitacionais que decide prosseguir, em vez de tentar ilegitimamente procurar transferi-los arbitrariamente para titulares privados de direitos patrimoniais, designadamente proprietários de apartamentos, mediante a imposição de encargos ou restrições desproporcionados ao exercício dos seus direitos.

Terminologia

Exemplo de planta de um apartamento proposto num estudo de conceção habitacional.

O termo apartment é preferido na América do Norte, embora, em algumas cidades canadianas, flat seja utilizado para uma unidade integrada numa casa com dois ou três apartamentos, geralmente um por piso. No Reino Unido e na Austrália, flat é a designação comum, embora alguns setores do mercado imobiliário tenham começado a utilizar apartment para apartamentos grandes e de gama elevada, especialmente quando se dirigem a investidores estrangeiros.

Em alguns países, a palavra unit («unidade») é um termo mais geral, utilizado tanto para apartamentos como para espaços ou conjuntos de salas destinados a atividades comerciais e disponíveis para arrendamento. A palavra unit é geralmente utilizada no contexto de um edifício específico.

Os «edifícios de utilização mista» conjugam atividades comerciais e residenciais numa mesma estrutura. Em regra, apresentam estabelecimentos comerciais nos pisos inferiores, frequentemente lojas no rés-do-chão voltadas para a rua e em pisos subterrâneos de apoio, e apartamentos residenciais nos pisos superiores.

Segundo o regime de ocupação

Habitação de baixos rendimentos em Sham Shui Po, Hong Kong.

O direito inglês relativo aos tenements tem origem nas bases feudais da propriedade imobiliária permanente, designadamente sobre terrenos e rendas. Pode surgir na expressão jurídica messuage or tenement, utilizada para abranger os terrenos, os edifícios e outros elementos integrantes de uma propriedade.

Nos Estados Unidos e noutros países, como o Canadá, alguns moradores são proprietários dos seus apartamentos, quer através de cooperativas habitacionais, em que os residentes detêm participações na entidade proprietária do edifício ou empreendimento, quer através de condomínios (condominiums), em que cada proprietário detém a respetiva unidade e uma participação nas partes comuns. A maioria dos apartamentos situa-se em edifícios projetados para esse fim, mas algumas casas antigas de grandes dimensões são posteriormente divididas em apartamentos. A palavra apartment designa uma unidade ou parte residencial de um edifício. Em determinados contextos, sobretudo nos Estados Unidos, o termo associa-se a unidades arrendadas, pertencentes ao proprietário do edifício, não sendo habitualmente utilizado como sinónimo de condominium.

Em Inglaterra e no País de Gales, alguns proprietários de apartamentos possuem participações na empresa titular da propriedade plena do edifício (freehold) e detêm simultaneamente o apartamento através de um contrato de longa duração (lease). Esta situação é geralmente conhecida como share of freehold. A sociedade proprietária pode ter o direito de cobrar rendas anuais relativas ao terreno a cada titular e pode ampliar ou vender o edifício, sujeita às regras habituais de urbanismo e demais restrições. Esta situação não se verifica da mesma forma na Escócia, onde os contratos residenciais de duração muito longa eram anteriormente pouco habituais e foram objeto de um regime de extinção por lei.

Segundo a dimensão e outras características do edifício

Edifícios de grande altura na zona de English Bay, em Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá.

Os edifícios de apartamentos são edifícios de vários pisos que contêm três ou mais residências numa única estrutura. Podem designar-se apartment building, apartment complex, flat complex, block of flats, tenement (na Escócia), tower block, high-rise e, ocasionalmente, mansion block (em inglês britânico), especialmente quando reúnem numerosos apartamentos para arrendamento. Na Austrália, um edifício residencial alto é frequentemente denominado residential tower, apartment tower ou block of flats.

A definição de um edifício alto varia consoante a sua altura e a jurisdição. Pode ser exclusivamente residencial — caso em que também é conhecido por tower block — ou incluir outras funções, como hotéis, escritórios e lojas. Não existe uma distinção universalmente clara entre um bloco em torre e um arranha-céu, embora um edifício com 50 ou mais pisos seja geralmente considerado um arranha-céu. A construção de edifícios altos tornou-se possível com a invenção do elevador e a utilização de materiais de construção mais baratos e abundantes. A sua estrutura é habitualmente realizada em betão armado e aço.

Os edifícios de baixa e média altura têm menos pisos, mas os respetivos limites nem sempre estão claramente definidos. A antiga base de dados Emporis definia um edifício baixo como uma estrutura fechada, com menos de 35 metros de altura, dividida em pisos regulares. A cidade de Toronto classificava, num dos seus estudos urbanísticos, os edifícios de altura média como construções com quatro a doze pisos; as orientações municipais mais recentes utilizam critérios relacionados com a largura das vias e referem edifícios residenciais de cinco a catorze pisos. Muitos edifícios baixos de apartamentos não possuem elevador, sendo o acesso efetuado por escadas.

Os edifícios de apartamentos ajardinados (garden apartment buildings) são geralmente construções de um ou dois pisos, nas quais os apartamentos têm acesso direto ao exterior e o edifício ou conjunto dispõe de terrenos ajardinados.

Segundo o país

Apartamentos num edifício da época colonial em Rangum, Myanmar.

No inglês americano, a distinção entre apartamentos arrendados e condominiums reside no facto de os edifícios de arrendamento pertencerem normalmente a uma única entidade, que arrenda as unidades a várias pessoas, enquanto os condominiums são propriedade individual dos seus titulares, que continuam a pagar uma quota mensal ou anual para a manutenção do edifício. Os próprios proprietários de condominiums podem arrendar os seus apartamentos. Uma terceira alternativa, os edifícios de habitação cooperativa (co-ops), funciona através de uma sociedade em que os residentes são titulares de participações. Os moradores de cooperativas não possuem diretamente o respetivo apartamento, mas uma parcela das participações da cooperativa proprietária do edifício. Tal como nos condomínios, contribuem mensalmente para as despesas de manutenção. As cooperativas são comuns em cidades como Nova Iorque e tornaram-se populares noutras grandes cidades norte-americanas.

No inglês britânico, a palavra habitual é flat, mas apartment é utilizada por promotores imobiliários para designar apartamentos caros em zonas residenciais exclusivas e de elevado valor, como Belgravia e Hampstead, em Londres. Na Escócia, o edifício é designado por block of flats ou, tratando-se de uma construção tradicional em arenito, por tenement, palavra que noutros lugares pode ter uma conotação negativa.

Na Índia e na África do Sul, as palavras flat e apartment são utilizadas de forma praticamente equivalente para designar uma unidade habitacional situada num edifício. A palavra flat é também usada para referir residências em edifícios de vários pisos com elevador.

Apartamento com dois pisos em Granville, Nova Gales do Sul, Austrália.

O inglês australiano e o da Nova Zelândia utilizavam tradicionalmente flat (expressão que também podia designar qualquer imóvel arrendado), tendo passado mais recentemente a empregar unit e apartment. Na Austrália, unit pode referir-se a apartamentos ou até a casas geminadas. Os termos unit, flat e apartment são amplamente usados de modo intercambiável. Os edifícios altos mais recentes tendem a ser anunciados como apartments, pois flats pode apresentar conotações coloquiais. As designações condominium e condo são raras na Austrália, apesar das tentativas de alguns promotores imobiliários de as introduzir.

No inglês da Malásia, flat designa frequentemente um apartamento num edifício simples, de duas divisões, sem elevador nem equipamentos complementares, habitualmente com cinco pisos e estacionamento exterior; apartment tem um significado mais geral e pode incluir apartamentos de luxo em condomínio.

Nos empréstimos linguísticos do inglês utilizados no Japão (wasei-eigo), a palavra apartment (アパート, apāto) aplica-se a habitações de custo mais baixo, enquanto mansion (マンション, manshon) é utilizada para apartamentos de gama superior. Ambas designam realidades que os falantes de inglês reconhecem como apartamentos. Este uso de mansion tem paralelo com a expressão britânica mansion block, aplicada a edifícios de apartamentos prestigiados dos períodos vitoriano e eduardiano, muitas vezes com fachadas ornamentadas e apartamentos amplos, de pé-direito elevado e características arquitetónicas da época. Danchi (団地) é o termo japonês para um grande conjunto de edifícios de apartamentos com um estilo e projeto comuns, geralmente construídos como habitação social por autoridades públicas.

Tipos e características

Apartamento estúdio

Apartamento estúdio em Sherbrooke, Quebec, Canadá, mostrando uma cama de casal, uma pequena cozinha e uma entrada com porta de correr para um armário.

Os apartamentos autónomos de menor dimensão são conhecidos por studio, efficiency ou bachelor apartments nos Estados Unidos e no Canadá, ou por studio flats no Reino Unido. Em geral, estas unidades consistem numa única divisão principal de grandes dimensões, que funciona simultaneamente como sala de estar, sala de jantar e quarto, e inclui normalmente instalações para preparar refeições, existindo uma casa de banho separada. Na Coreia, a expressão one room (wonroom) designa um apartamento estúdio.

Um bedsit é uma variante britânica de alojamento numa única divisão: um quarto que serve também de sala de estar, por vezes sem instalações para cozinhar e com casa de banho partilhada. Um bedsit sem instalações autónomas não constitui, no sentido utilizado neste artigo, um apartamento independente, integrando antes o que o governo britânico designa por house in multiple occupation (habitação de ocupação múltipla).

A variante norte-americana do bedsit é o alojamento de ocupação de quarto único, conhecido por single-room occupancy.

Apartamento ajardinado

Van Tassel Apartments, conjunto de apartamentos ajardinados de 1929 em Sleepy Hollow, Nova Iorque, EUA.

O dicionário Merriam-Webster define garden apartment, no inglês americano, como uma habitação de várias unidades e poucos pisos, com uma área considerável de relvado ou jardim. Os edifícios são frequentemente organizados em torno de pátios abertos numa das extremidades. Este tipo de apartamento tem algumas características comuns às casas em banda: cada unidade pode ter uma entrada própria pelo exterior ou partilhar uma entrada através de escadas e de um átrio com as unidades situadas imediatamente acima ou abaixo. Ao contrário de uma casa em banda, cada apartamento ocupa apenas um piso. Estes edifícios raramente ultrapassam os três pisos, uma vez que normalmente não têm elevadores. Contudo, os primeiros edifícios de apartamentos ajardinados de Nova Iorque, construídos no início do século XX, chegaram a ter cinco pisos. Alguns possuem uma garagem para um automóvel sob cada apartamento, sendo os terrenos interiores frequentemente ajardinados.

Em Chicago, a expressão garden apartment designa um apartamento situado numa cave ou num piso parcialmente subterrâneo.

Apartamento com jardim

Casas em banda de arquitetura georgiana em Londres, Inglaterra, Reino Unido. Os gradeamentos de ferro delimitam as áreas de cave, convertidas no século XX em apartamentos com jardim.

O Oxford English Dictionary define a expressão britânica garden flat como um apartamento na cave ou no rés-do-chão com vista e acesso a um jardim ou relvado, embora os exemplos apresentados reconheçam que a referência ao jardim pode ser meramente aparente. Garden flat pode funcionar como um eufemismo para designar uma habitação na cave. As grandes casas urbanas dos períodos georgiano e vitoriano eram frequentemente construídas com um espaço escavado em frente à fachada, designado area, normalmente delimitado por gradeamentos de ferro fundido. Nesse piso inferior encontrava-se a cozinha, principal local de trabalho dos criados, a que se acedia por uma entrada de serviço através de uma escadaria exterior. O chamado lower ground floor («piso térreo inferior», outro eufemismo) revelou-se especialmente adequado à conversão em garden flat autónomo. Nos Estados Unidos, uma disposição semelhante é conhecida como English basement.

Apartamento em cave

Um apartamento em cave situa-se, em geral, no piso mais baixo de um edifício, abaixo do nível do terreno.

Apartamento em mansarda

Um apartamento em mansarda encontra-se no sótão de um edifício e resulta frequentemente da conversão dos antigos quartos dos empregados domésticos. Estes apartamentos caracterizam-se por paredes inclinadas, que podem restringir o espaço utilizável. A necessidade de subir escadas em edifícios sem elevador e a inclinação das paredes podem torná-los menos procurados do que os apartamentos dos pisos inferiores. Contudo, por se situarem no topo dos edifícios, podem oferecer as melhores vistas e ser mais silenciosos, uma vez que não têm vizinhos no piso superior.

Apartamento secundário ou anexo

Quando uma parte de uma casa é convertida para utilização, pelo menos em princípio, por um familiar do proprietário, a habitação autónoma pode ser conhecida por in-law apartment, annexe ou granny flat (apartamento para familiares ou anexo). Estas unidades, por vezes criadas sem a autorização exigida, são frequentemente ocupadas por inquilinos sem relação familiar com o senhorio. No Canadá, situam-se muitas vezes sob a casa principal, recebendo a designação basement suites. Outro termo é accessory dwelling unit (unidade habitacional acessória), que pode integrar a casa principal ou constituir uma construção independente no respetivo terreno.

Apartamento de salão

A expressão salon apartment (apartamento de salão) está associada aos apartamentos exclusivos construídos em edifícios multifamiliares de Belgrado e de algumas outras cidades da Jugoslávia nas primeiras décadas do século XX. A organização interior incluía um vestíbulo central, com funções combinadas de sala de jantar e acesso a uma ou mais salas de receção. A maioria destes apartamentos foi construída em Belgrado, na atual Sérvia, onde surgiram os primeiros exemplos conhecidos popularmente como salon apartments. O seu modelo de organização espacial e funcional difundiu-se posteriormente por outros grandes centros urbanos jugoslavos.

Maisonette

Maisonette (do francês maisonnette, que significa «pequena casa», forma que foi inicialmente utilizada também em inglês mas depois caiu em desuso) não tem uma definição absolutamente rígida. O Oxford English Dictionary propõe a ideia de uma parte de um edifício residencial ocupada separadamente, geralmente em mais do que um piso e com entrada independente pelo exterior. Distingue-se de um apartamento convencional por ocupar normalmente mais de um piso, com uma escada interna que liga o piso da entrada ao superior ou, por vezes, ao inferior. Esta organização é muito comum na habitação britânica construída após a Segunda Guerra Mundial, sobretudo, embora não exclusivamente, na habitação pública, permitindo reduzir os custos ao diminuir o espaço destinado a corredores de acesso e reproduzir a configuração de uma casa tradicional em banda de dois pisos, a que muitos moradores estavam habituados. Permite igualmente que os apartamentos, mesmo quando acessíveis por corredores comuns, disponham de janelas em ambos os lados do edifício.

O termo maisonette pode abranger os chamados Tyneside flats, pares de apartamentos de um único piso instalados numa casa em banda de dois pisos. A sua característica distintiva consiste em duas portas de entrada separadas, voltadas para a rua, conduzindo cada uma a um apartamento diferente. A designação pode também incluir os cottage flats, conhecidos como four-in-a-block flats, uma tipologia habitacional comum na Escócia.

Habitação com dois pisos

Planta de apartamentos de pisos alternados, conhecidos como scissor flats.

A grande maioria dos apartamentos distribui-se por um único piso, daí a palavra inglesa flat. Alguns, porém, têm dois pisos ligados interiormente por escadas, à semelhança de muitas casas. Uma designação possível é maisonette, como referido anteriormente. Parte da habitação pública e privada do Reino Unido foi concebida segundo o modelo de scissor-section flats, em que unidades de dois níveis se intercalam ou entrecruzam. Num segmento mais luxuoso, os apartamentos penthouse podem ocupar mais do que um piso, de modo a acentuar a sensação de espaço e de luxo. Em alguns países, as unidades de dois pisos de construção recente são por vezes designadas townhouses, embora essa utilização não seja habitual no Reino Unido.

Edifícios pequenos com algumas habitações de um só piso

Um edifício do tipo dingbat, denominado «The Mary & Jane», com varandas ornamentadas.

Duplex pode designar duas unidades habitacionais autónomas dispostas lado a lado, separadas por uma parede comum, ou uma por cima da outra, separadas pela estrutura de pavimento e teto.

A descrição de duplex varia consoante a região dos Estados Unidos, mas geralmente refere-se a um edifício com duas a quatro habitações, cada uma com a sua porta de entrada e, em muitos casos, com duas portas principais próximas, mas separadas. Nestes contextos, duplex refere-se ao número de unidades e não ao número de pisos, podendo o edifício ter apenas um piso. Para conjuntos com mais de duas unidades existem designações correspondentes, como triplex. Os edifícios de três pisos podem também ser conhecidos por triplexes, incluindo certas casas subdivididas em três apartamentos sobrepostos, ou three-deckers.

Nos Estados Unidos desenvolveram-se tipologias regionais próprias da arquitetura vernacular. Em Milwaukee, no Wisconsin, um Polish flat ou raised cottage é uma pequena casa que foi elevada para permitir a construção de um piso inferior com um apartamento independente e posteriormente assente de novo na estrutura, dando origem a duas habitações modestas. Na região norte-americana conhecida como Sun Belt, surgiram, a partir da década de 1950, pequenos edifícios de apartamentos de forma retangular, chamados dingbats, frequentemente com estacionamento coberto sob os pisos habitacionais.

No Reino Unido, o termo duplex é geralmente aplicado a um apartamento com dois pisos ligados por uma escada interior, sem que nenhum deles se situe ao nível do rés-do-chão. Estas habitações encontram-se frequentemente em edifícios de arrendamento económico construídos pelas autoridades locais ou sobre estabelecimentos comerciais, podendo ser ocupadas pelo titular do estabelecimento ou arrendadas separadamente. Os edifícios com duas habitações separadas por uma parede vertical comum são designados semi-detached ou, coloquialmente, semis (casas geminadas). Esta tipologia é muito comum e habitualmente construída de origem, em vez de resultar da divisão posterior de uma casa.

Apartamento tipo loft

Interior de um loft resultante da conversão de um edifício em Chicago, EUA.

Este tipo de apartamento desenvolveu-se nos Estados Unidos em meados do século XX. Inicialmente, a palavra loft designava um espaço habitacional criado no interior de um antigo edifício industrial, geralmente do século XIX. Estes grandes apartamentos tornaram-se populares entre artistas e músicos que procuravam alojamento em grandes cidades, como Nova Iorque, e estavam associados à ocupação, por vezes ilegal, de edifícios devolutos em zonas urbanas em declínio.

Estes apartamentos loft situavam-se normalmente em antigos armazéns altos e fábricas que haviam ficado vazios devido às alterações nas regras de planeamento urbano e nas condições económicas em meados do século XX. Os apartamentos daí resultantes contribuíram para um novo estilo de vida boémio e apresentavam uma organização muito diferente da maioria das habitações urbanas, incluindo frequentemente oficinas e ateliers de artistas. À medida que os antigos edifícios apropriados se foram tornando escassos, os promotores imobiliários responderam com a construção de novos edifícios que reproduziam essa estética, com graus variáveis de sucesso.

Um espaço industrial, um armazém ou um espaço comercial convertido em apartamento é habitualmente designado loft, embora alguns lofts modernos sejam construídos de raiz segundo essa conceção.

Penthouse

Um penthouse é um apartamento geralmente situado no último piso de um edifício alto de apartamentos. Este tipo de habitação pode dispor de características exclusivas, como elevadores privativos, terraços ajardinados e tetos altos.

Apartamento comunitário

Na Rússia, um apartamento comunitário (kommunalka, коммуналка) é uma habitação dividida em quartos ou unidades de ocupação individual, com cozinha e casa de banho partilhadas. Uma disposição típica reúne cerca de cinco quartos ocupados por diferentes famílias, com cozinha e casa de banho comuns e portas independentes de acesso aos quartos, distribuídos por um piso de uma grande residência anterior à Revolução Russa de 1917. Tradicionalmente, os quartos eram propriedade do Estado e atribuídos a uma família por períodos prolongados.

Apartamento com serviços

Apartamento com serviços em Bombaim, Índia.

Um apartamento com serviços (serviced apartment) é um espaço residencial de qualquer dimensão que inclui serviços regulares de limpeza e manutenção doméstica, prestados pelo agente de arrendamento ou pela entidade exploradora. Os apartamentos com serviços desenvolveram-se no início do século XX e estiveram particularmente em voga durante as décadas de 1920 e 1930. Procuravam reunir as vantagens dos apartamentos autónomos e de luxo e estavam frequentemente associados a hotéis. À semelhança dos hóspedes instalados por períodos prolongados em hotéis de luxo, os residentes podiam usufruir de serviços adicionais, como limpeza, lavandaria, fornecimento de refeições e outros, conforme as suas necessidades.

Uma característica destes edifícios era a existência de interiores luxuosos e casas de banho requintadas, mas muitas vezes sem cozinha ou lavandaria próprias em cada apartamento. Este estilo de vida tornou-se popular quando muitas pessoas das classes abastadas deixaram de poder manter o mesmo número de empregados domésticos após a Primeira Guerra Mundial e passaram a preferir habitações que podiam fechar e deixar temporariamente, segundo o modelo oferecido pelos hotéis de apartamentos com serviços. Alguns edifícios foram posteriormente remodelados para incluir equipamentos habituais em cada unidade, mas continuaram a ser construídos complexos de apartamentos com serviços associados a hotéis. Mais recentemente, alguns hotéis complementaram a sua atividade tradicional com alas de apartamentos servidos, criando espaços de propriedade privada no interior dos seus edifícios, sujeitos a regimes como o freehold ou o leasehold.

Equipamentos coletivos e serviços partilhados

Lavandaria Coletiva habitual na cave de todos os edifícios residenciais.

Os apartamentos podem ser disponibilizados para arrendamento mobilados, com o respetivo mobiliário, ou não mobilados, sendo neste último caso o inquilino responsável por levar os seus próprios móveis. Os apartamentos com serviços, destinados a facilitar estadias mais curtas, incluem frequentemente artigos de decoração e conforto, utensílios de cozinha e serviços de limpeza doméstica.

As instalações de lavandaria partilhada podem situar-se numa zona comum acessível a todos os inquilinos do edifício, ou cada apartamento pode dispor dos seus próprios equipamentos. Consoante a data de construção e a configuração do edifício, serviços como a água, o aquecimento e a eletricidade podem ser comuns a todas as unidades ou individualizados e faturados separadamente a cada inquilino. Em várias localidades norte-americanas, a repartição indiferenciada de determinadas despesas de água entre inquilinos está sujeita a restrições legais, especialmente quando existem equipamentos comuns como piscinas. Os apartamentos possuem normalmente tomadas para ligação telefónica, mas o serviço de telefone é facultativo e cobrado à parte. A televisão por cabo e outros serviços semelhantes podem também ter custos adicionais. O lugar de estacionamento, o ar condicionado e o espaço de arrumação adicional podem ou não estar incluídos na habitação. Os contratos de arrendamento estabelecem frequentemente limites ao número máximo de moradores por apartamento.

No rés-do-chão ou nas suas proximidades, os edifícios de apartamentos possuem frequentemente um conjunto de caixas de correio num local acessível ao público e, por conseguinte, aos trabalhadores da distribuição postal. Cada unidade tem habitualmente a sua própria caixa com chave individual. Alguns edifícios de grande dimensão, com funcionários permanentes, podem receber o correio e assegurar a sua distribuição interna. Junto das caixas ou noutro local acessível a visitantes, pode existir uma campainha ou intercomunicador para cada apartamento. Nos edifícios mais pequenos, com duas, três ou quatro unidades, os resíduos domésticos são muitas vezes depositados em contentores semelhantes aos usados nas casas individuais; nos edifícios maiores, são frequentemente recolhidos em contentores comuns de maior capacidade. Por razões de higiene ou de redução do ruído, muitos senhorios impõem restrições ao consumo de tabaco e à presença de animais domésticos nos apartamentos.

Outras características

Edifícios de apartamentos de altura média do tipo one-plus-five em Austin, Texas, EUA.

Acima dos apartamentos estúdio, em termos de dimensão, encontram-se os apartamentos com um quarto, cuja divisão destinada a dormir está separada das restantes, geralmente por uma porta interior. Seguem-se os apartamentos com dois quartos, três quartos e assim sucessivamente. Os apartamentos com mais de seis quartos são relativamente raros.

Os apartamentos pequenos dispõem frequentemente de uma única entrada. Os apartamentos grandes podem ter duas entradas, por exemplo uma porta dianteira e outra traseira, ou uma entrada a partir de uma garagem subterrânea ou ligada ao edifício. Consoante a conceção arquitetónica, as portas podem dar diretamente para o exterior ou para um espaço comum interior, como um corredor ou um átrio.

Em muitas cidades norte-americanas, os edifícios de altura média do tipo one-plus-five, com estrutura de madeira sobre uma base resistente de betão, ganharam considerável popularidade após alterações ao Código Internacional de Construção de 2009. Estes edifícios apresentam habitualmente quatro pisos de estrutura de madeira sobre um embasamento de betão e são populares entre os promotores devido à elevada densidade habitacional e aos custos de construção relativamente reduzidos.

Exemplos históricos

Américas pré-colombianas

Desde o século X, os povos pueblo do território correspondente ao atual Sudoeste dos Estados Unidos construíram grandes habitações com numerosas divisões, algumas das quais compreendiam mais de 900 compartimentos.

Na cidade mesoamericana de Teotihuacan, durante o período clássico da Mesoamérica, os apartamentos não constituíam apenas a forma habitual de alojamento de uma população superior a 200 000 habitantes, mas também revelavam uma distribuição da riqueza notavelmente uniforme por toda a cidade, mesmo à luz de padrões contemporâneos. Além disso, esses apartamentos eram habitados pela população em geral, ao contrário do que sucedia noutras sociedades pré-modernas, onde este tipo de habitação se destinava sobretudo aos estratos inferiores, como acontecia nas insulae da Roma Antiga.

Roma Antiga

Vestígios de um edifício de apartamentos da Roma Antiga, do início do século II d.C., em Óstia, antigo porto de Roma.

Na Roma Antiga, as insulae (singular insula) eram grandes edifícios de apartamentos onde residiam os habitantes das classes baixa e média. O piso térreo era utilizado para tabernae, lojas e outros estabelecimentos comerciais, situando-se os espaços de habitação nos pisos superiores. As insulae de Roma e de outras cidades do Império Romano chegavam a atingir dez ou mais pisos, algumas com mais de 200 degraus. Diversos imperadores, a começar por Augusto (que governou de 30 a.C. a 14 d.C.), tentaram estabelecer limites de altura de 20 a 25 metros para os edifícios de vários pisos, mas obtiveram um êxito limitado. Os pisos inferiores eram geralmente ocupados por lojas ou famílias abastadas, enquanto os superiores eram arrendados às classes mais pobres. Os Papiros de Oxirrinco que sobreviveram indicam que existiam edifícios de sete pisos mesmo em cidades provinciais, como Hermópolis, no Egito romano do século III.

Egito antigo e medieval

Durante o período medieval árabe-islâmico, Fostate (a antiga capital do Egito, na área do Cairo antigo) possuía numerosos edifícios residenciais de grande altura, alguns com sete pisos, capazes, segundo os relatos, de alojar centenas de pessoas. No século X, Al-Mucadaci descreveu-os como semelhantes a minaretes e afirmou que a maior parte da população de Fostate residia nesses edifícios de apartamentos de vários pisos, cada um acolhendo mais de 200 pessoas. No século XI, Nasir Cosroes descreveu edifícios de apartamentos que atingiam catorze pisos, com jardins nos terraços superiores e rodas de água acionadas por bois para os irrigar.

No século XVI, o atual Cairo também dispunha de edifícios de apartamentos altos, nos quais os dois pisos inferiores se destinavam a atividades comerciais e à armazenagem, enquanto os vários pisos superiores eram arrendados a inquilinos.

Iémen

Casas-torre de adobe em Shibam, no vale de Hadramaute, Iémen.

Na cidade iemenita de Shibam, foram construídos edifícios altos de apartamentos durante o século XVI. Todas as casas de Shibam são feitas de tijolos de terra crua, mas cerca de 500 são casas-torre, que se elevam entre cinco e onze pisos, tendo cada piso um ou dois apartamentos. Shibam recebeu a designação de «Manhattan do deserto». Alguns edifícios ultrapassavam os 30 metros de altura, sendo até hoje apontados entre os mais altos edifícios habitacionais do mundo construídos em adobe.

China antiga

O povo hacá, no sul da China, adotou construções de habitação comunitária concebidas para serem facilmente defendidas, como as weilongwu (围龙屋) e as tulou (土楼). Estas últimas são grandes construções fortificadas e fechadas, de terra compactada, com três a cinco pisos, que podem albergar até oitenta famílias.

Exemplos contemporâneos

Inglaterra

Em Londres, à data dos censos de 2011, 52% de todas as habitações eram apartamentos. Muitos resultavam de casas dos períodos georgiano ou vitoriano, posteriormente subdivididas. Muitos outros foram construídos como apartamentos municipais (council flats). Numerosos edifícios residenciais em torre foram edificados depois da Segunda Guerra Mundial. Alguns foram entretanto demolidos e substituídos por edifícios mais baixos ou por conjuntos habitacionais.

No final do século XIX e no início do século XX, o conceito de apartamento difundiu-se lentamente entre as classes médias britânicas, que geralmente seguiam o modelo, tradicional no norte da Europa, de residência unifamiliar, com raízes históricas antigas. Presumia-se que quem vivia em apartamentos pertencia às classes mais baixas e tinha uma residência relativamente instável, arrendando, por exemplo, um «apartamento por cima de uma loja» como parte do contrato de arrendamento de um comerciante. Em Londres e na maior parte da Grã-Bretanha, todos os que tinham meios económicos para o fazer ocupavam uma casa inteira — ainda que fosse uma pequena casa em banda —, enquanto os trabalhadores pobres continuavam a arrendar quartos em imóveis muitas vezes sobrelotados, com uma ou mais famílias por quarto.

Durante o último quartel do século XIX, à medida que a riqueza aumentava, as ideias começaram a mudar. Tanto o crescimento urbano como o aumento da população exigiam soluções habitacionais mais imaginativas, caso as classes médias e altas quisessem manter um pied-à-terre na capital. As tradicionais casas urbanas londrinas tornavam-se cada vez mais dispendiosas de manter. Para os homens solteiros e, em particular, para as mulheres não casadas, a ideia de arrendar um moderno apartamento numa residência de prestígio (mansion flat) tornou-se progressivamente mais popular.

Os primeiros edifícios de apartamentos de prestígio (mansion flats) em Inglaterra foram:

Escócia

Edifício de apartamentos tradicional (tenement) em Edimburgo, Escócia (1893).
Tenement em Marchmont, Edimburgo, Escócia, construído em 1882.

Na Escócia, o termo tenement não possui as conotações depreciativas que lhe estão associadas noutros locais e refere-se simplesmente a qualquer bloco de apartamentos com uma escadaria central comum e sem elevador, especialmente aos construídos antes de 1919. A escadaria é informalmente designada close, termo histórico que também significa passagem ou viela.

Os tenements foram e continuam a ser habitados por uma grande diversidade de classes sociais e grupos de rendimento. Atualmente, são adquiridos por pessoas de diferentes meios sociais, incluindo jovens profissionais, reformados mais idosos e proprietários que não residem nos imóveis, frequentemente para os arrendarem a estudantes depois de estes deixarem as residências estudantis administradas pelas respetivas instituições. A Tenement House é uma casa-museu histórica gerida pelo National Trust for Scotland, que oferece uma perspetiva sobre o modo de vida dos habitantes destes edifícios nas gerações anteriores.

Durante o século XIX, os tenements tornaram-se o principal tipo de nova habitação nas cidades industriais escocesas, embora já fossem muito comuns na Cidade Velha de Edimburgo desde o século XV, onde atingiam dez ou onze pisos e, num caso, catorze. Construídos em arenito ou granito, os tenements escoceses têm geralmente três a cinco pisos, com dois a quatro apartamentos em cada piso. Em contrapartida, as cidades industriais inglesas tendiam a favorecer casas em banda de tijolo, encostadas pelas traseiras (back-to-back houses). Os tenements escoceses são construídos em fiadas e cada entrada de um bloco é denominada close ou stair, designações que se referem à passagem comum de acesso às unidades. Os lanços e patamares das escadas são geralmente considerados partes comuns e, tradicionalmente, os residentes revezavam-se na limpeza dos pavimentos e, particularmente em Aberdeen, na utilização da lavandaria partilhada existente no jardim ou pátio das traseiras (back green). Atualmente, a limpeza das partes comuns é mais frequentemente contratada a uma entidade administradora ou factor.

Em Glasgow, onde se encontra a maior concentração escocesa de moradores em tenements, os projetos de renovação urbana das décadas de 1950, 1960 e 1970 puseram fim a extensas zonas de habitação degradada, compostas sobretudo por tenements antigos, do início do século XIX, nos quais numerosas famílias alargadas viviam em espaços exíguos. Estes edifícios foram substituídos por blocos altos que, em poucas décadas, se tornaram conhecidos pelos problemas de criminalidade e pobreza. A administração municipal de Glasgow empreendeu diversos esforços para melhorar a situação, entre os quais se destacou a City Improvement Trust, que demoliu habitações degradadas da cidade velha e as substituiu por uma rua principal tradicional, que continua a ser uma presença marcante na paisagem urbana. As City Halls e o monumento Cleland Testimonial integraram esse programa. Após a Primeira Guerra Mundial, as leis de habitação procuraram proporcionar «casas dignas de heróis», com apoio do governo central. Surgiram bairros suburbanos ajardinados inspirados em modelos ingleses, como Knightswood. Contudo, revelaram-se demasiado dispendiosos, pelo que se voltou a construir um tipo moderno de tenement, de três pisos, com cobertura de ardósia e pedra reconstituída, tendo sido iniciado um programa de demolição de habitações degradadas em zonas como Calton e Garngad.

Depois da Segunda Guerra Mundial, foram elaborados planos mais ambiciosos, conhecidos como o Plano Bruce, que previam a remoção completa das habitações degradadas e a sua substituição por conjuntos modernos de edifícios de altura média na periferia da cidade. Contudo, o governo central recusou financiar esses planos, preferindo deslocar a população de Glasgow para várias cidades novas. Por razões económicas, muitos dos equipamentos previstos para essas novas povoações nunca chegaram a ser construídos. Por isso, estes conjuntos habitacionais, conhecidos como schemes, passaram a ser amplamente considerados malsucedidos; muitos, como Castlemilk, eram pouco mais do que dormitórios afastados do centro, sem serviços como lojas e estabelecimentos de restauração — «desertos com janelas», segundo uma expressão atribuída a Billy Connolly. A construção em altura começou também com grandes ambições — o conjunto Moss Heights, construído na década de 1950, continua a ser procurado —, mas foi afetada por posteriores pressões económicas. Muitos dos edifícios em torre mais recentes foram mal concebidos e construídos com poucos recursos, e o seu caráter anónimo favoreceu alguns problemas sociais. A demolição destes blocos para construir conjuntos habitacionais modernos levou, em certos casos, a uma revalorização do modelo tradicional do tenement.

Em 1970, uma equipa da Universidade de Strathclyde demonstrou que os antigos tenements se encontravam fundamentalmente em bom estado estrutural e podiam ganhar uma nova vida mediante a renovação das canalizações e a instalação de cozinhas e casas de banho modernas. A administração municipal aplicou este princípio pela primeira vez em 1973, em Old Swan Corner, no bairro de Pollokshaws. Em seguida, foram criadas Housing Action Areas («áreas de intervenção habitacional») para recuperar as chamadas habitações degradadas. Mais tarde, os tenements de propriedade privada beneficiaram de apoios governamentais à limpeza da pedra das fachadas, revelando o arenito cor de mel por detrás das fachadas consideradas «cinzentas». Atualmente, a política de demolição é considerada, por muitos, pouco ponderada, dispendiosa e largamente malsucedida. Grande parte dos piores tenements de Glasgow foi recuperada e transformada em habitações desejadas nas décadas de 1970 e 1980, enquanto se considera que a política de demolição destruiu bons exemplos de um estilo arquitetónico amplamente admirado. A Glasgow Housing Association assumiu a titularidade do parque de habitação pública da Câmara Municipal em 7 de março de 2003 e iniciou um programa de 96 milhões de libras para desocupar e demolir numerosos edifícios residenciais altos.

Estados Unidos

The Chestnut Hill, edifício de apartamentos construído em 1899 em Newton, Massachusetts, EUA.
Edifícios de apartamentos no trecho residencial da East 57th Street, entre a First Avenue e Sutton Place, em Nova Iorque, EUA.
Edifícios de apartamentos do tipo tenement no Lower East Side, em Manhattan, EUA.

Em 1839, foi construído o primeiro tenement da cidade de Nova Iorque e estes edifícios depressa se tornaram locais associados à presença de criminosos, jovens delinquentes e crime organizado. Os tenements, ou os seus proprietários exploradores, tornaram-se também conhecidos pelas rendas excessivas. How the Other Half Lives descreve um desses bairros:

O Beco dos Cegos tem este nome por uma razão. Até há pouco mais de um ano, os seus antros sombrios abrigavam uma colónia de mendigos cegos, inquilinos de um senhorio também cego, o velho Daniel Murphy, que qualquer criança do bairro conhece, mesmo que nunca tenha ouvido falar do presidente dos Estados Unidos. O «velho Dan» acumulou uma grande fortuna — disse-me uma vez que quatrocentos mil dólares — com o seu beco e os tenements que o rodeavam, mas acabou por cegar também, na velhice extrema, partilhando por fim a principal privação daqueles miseráveis cuja sorte se recusara obstinadamente a melhorar para aumentar a sua riqueza. Mesmo quando a Junta de Saúde, finalmente, o obrigou a reparar e limpar os piores edifícios antigos, ameaçando expulsar os inquilinos e fechar as portas à chave, as obras foram feitas contra os protestos furiosos do velho. Compareceu pessoalmente perante a Junta para defender a sua causa, e o seu argumento foi característico. «Fiz o meu testamento», disse. «O meu monumento está à minha espera em Calvary. Estou à beira da sepultura, cego e desamparado, e agora» (neste momento, o tom patético do apelo foi submergido por uma explosão de indignação) «querem que eu construa e seja esfolado, esfolado? Estas pessoas não merecem viver numa casa bonita. Que vão para onde puderem e deixem a minha casa em paz.» Apesar da genuína angústia do apelo, era francamente curioso verificar que a sua cólera não era provocada tanto pelo luxo que julgava desperdiçar nos inquilinos, mas pela desconfiança em relação aos da sua própria espécie, os construtores. Sabia intuitivamente o que podia esperar. O resultado mostrou que o senhor Murphy tinha avaliado corretamente os seus inquilinos.

Numerosos ativistas, como Upton Sinclair e Jacob Riis, promoveram reformas nas condições de habitação dos tenements. Como resultado, foi aprovada em 1901 a Tenement House Act do estado de Nova Iorque, destinada a melhorar essas condições. Seguiram-se outras reformas. Em 1949, o presidente Harry S. Truman promulgou a Housing Act of 1949, destinada a eliminar habitações degradadas e reconstruir unidades habitacionais para as populações mais pobres.

O The Dakota (1884) foi um dos primeiros edifícios de apartamentos de luxo de Nova Iorque. A maioria, porém, continuava a corresponder a tenements.

Nos Estados Unidos, a designação tenement é geralmente aplicada aos edifícios de apartamentos para arrendamento mais económicos e básicos, situados nos bairros antigos das grandes cidades. Muitos destes imóveis são walk-ups, ou seja, edifícios sem elevador, e alguns dispõem de instalações sanitárias partilhadas, embora esta situação se esteja a tornar menos frequente. A expressão de calão dingbat é utilizada para descrever edifícios urbanos de apartamentos baratos, construídos nas décadas de 1950 e 1960, com fachadas singulares e muitas vezes extravagantes, destinadas a distingui-los entre os outros blocos de apartamentos. São frequentemente construídos sobre pilares, com estacionamento por baixo.

Em todo o país, os apartamentos integram os empreendimentos urbanos e suburbanos norte-americanos desde o seu aparecimento. A vida em apartamento difundiu-se rapidamente no final do século XIX. Centros industriais como Chicago e Boston popularizaram os two-flats de tijolo — edifícios com dois apartamentos — e os elegantes French flats multifamiliares, enquanto os apartamentos de pátio interior de inspiração espanhola prosperaram no sul da Califórnia, procurando maximizar a luz natural e a ventilação cruzada. Cidades menores, como Omaha, Denver e Louisville, recorreram a apartamentos para satisfazer necessidades residenciais crescentes desde a década de 1860, situação que se prolonga até hoje.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o crescimento dos Estados Unidos transformou a habitação multifamiliar na região do Sun Belt e nos estados do oeste. Os promotores construíram apartamentos baixos ajardinados e extensos conjuntos habitacionais organizados em torno de piscinas, destinados a uma população trabalhadora do pós-guerra com grande mobilidade e dependente do automóvel. Nas décadas de 1950 e 1960 verificaram-se também importantes progressos no projeto arquitetónico dos edifícios de apartamentos. Entre eles destacaram-se construções inovadoras em Chicago, como os edifícios 860–880 Lake Shore Drive (1951), Marina City (1964) e Lake Point Tower (1968).

No final do século XX, a renovação urbana deu origem à conversão generalizada de armazéns e edifícios industriais em apartamentos do tipo loft nos centros das cidades do Centro-Oeste e da Costa Oeste. A habitação multifamiliar moderna nas áreas metropolitanas dos Estados Unidos caracteriza-se, em grande medida, pelo desenvolvimento orientado para os transportes públicos e pela construção de elevada densidade e uso misto em vazios urbanos. Os apartamentos continuam a ser um elemento central dos empreendimentos habitacionais de todo o país.

Canadá

Novos edifícios de apartamentos em regime de condomínio no centro de Toronto, Canadá.

No final do século XIX, começaram a surgir no Canadá edifícios construídos de raiz para alojar apartamentos. Embora existissem anteriormente imóveis sobrelotados, as unidades residenciais autónomas e deliberadamente planeadas eram praticamente desconhecidas no país até à década de 1890. Em 1891, Montreal tornou-se a primeira cidade canadiana a dispor de apartamentos quando foi erguido um edifício de quatro pisos no cruzamento das ruas Crescent e Sherbrooke. Destinava-se a inquilinos abastados e possuía monta-pratos para transportar refeições quentes diretamente da cozinha central da cave para as unidades, pois o promotor acreditava que as cozinhas domésticas individuais estavam ultrapassadas. Em 1900, Montreal já contava com outros edifícios, como os Marlborough Apartments, de tijolo vermelho, na Rua Milton. Toronto seguiu-lhe o exemplo, inaugurando o seu primeiro verdadeiro edifício de apartamentos em 1904, o St. George Mansions. Pouco depois surgiu o Alexandra Palace, na University Avenue. Com o crescimento de outras cidades canadianas no início do século XX, Winnipeg, Calgary e Vancouver conheceram as suas primeiras vagas de construção de apartamentos entre 1905 e 1912.

Os apartamentos continuaram a ser populares no Canadá, especialmente em centros urbanos como Vancouver, Toronto, Otava, Montreal e Hamilton, entre as décadas de 1950 e 1970. Na década de 1980, muitos edifícios multifamiliares passaram a ser construídos em regime de condominium, em vez do tradicional modelo de apartamentos para arrendamento, sendo ambos atualmente muito comuns. Em Toronto e Vancouver, os edifícios altos de apartamentos e condomínios espalharam-se pela cidade, conferindo até aos principais subúrbios uma silhueta de grandes edifícios. A robustez dos mercados de condomínios nestas duas cidades está relacionada com a escassez de terrenos disponíveis. No terceiro trimestre de 2015, a taxa média de capitalização na área metropolitana de Toronto atingiu o valor mais baixo em trinta anos: 3,75%, comparativamente a 4,2% no segundo trimestre de 2015 e 6,3% no terceiro trimestre de 2010.

Austrália

Na Austrália, os edifícios de apartamentos são normalmente administrados por uma entidade coletiva de proprietários (body corporate), cujos membros pagam contribuições periódicas para a manutenção dos espaços comuns. Muitos apartamentos são detidos através do regime de strata title, ou propriedade por unidades autónomas. A legislação australiana estabelece uma altura mínima entre pavimento e teto de 2,4 metros para os compartimentos habitáveis, distinguindo as exigências aplicáveis aos edifícios residenciais das relativas a outros usos, como os escritórios.

A história australiana dos edifícios de apartamentos é relativamente recente. As casas em banda foram a primeira resposta à necessidade de maior densidade habitacional, embora a maioria dos australianos vivesse em moradias isoladas. A construção de apartamentos chegou a ser objeto de restrições legislativas no Parlamento de Queensland, nomeadamente através da Undue Subdivision of Land Prevention Act 1885.

Os primeiros edifícios de apartamentos surgiram nas grandes cidades de Sydney e Melbourne, em resposta ao rápido aumento do valor dos terrenos. Ambas albergam dois dos mais antigos edifícios de apartamentos sobreviventes no país, o Kingsclere, em Potts Point, e o Canterbury Flats, em St Kilda. O Melbourne Mansions, na Collins Street (atualmente demolido), construído em 1906 sobretudo para moradores abastados, é considerado por muitos um dos primeiros edifícios deste tipo. Atualmente, os edifícios de apartamentos autónomos mais antigos que sobrevivem encontram-se na zona de St Kilda, incluindo Fawkner Mansions (1910), Majestic Mansions (1912, inicialmente uma pensão) e Canterbury (1914, o edifício mais antigo sobrevivente que já continha apartamentos). O Kingsclere, construído em 1912, é considerado o primeiro edifício de apartamentos de Sydney ainda existente.

Durante o período entreguerras, a construção de edifícios de apartamentos prosseguiu nas zonas centrais de Melbourne, em particular em St Kilda e South Yarra; de Sydney, sobretudo em Potts Point, Darlinghurst e Kings Cross; e de Brisbane, nomeadamente em New Farm, Fortitude Valley e Spring Hill.

Depois da Segunda Guerra Mundial, com a difusão do ideal conhecido como Australian Dream, os edifícios de apartamentos perderam popularidade e passaram a ser vistos como habitações destinadas sobretudo às populações pobres. No entanto, os apartamentos sem elevador, em edifícios de dois ou três pisos, continuaram a ser comuns nos subúrbios intermédios das cidades, entre os grupos de menores rendimentos. As principais exceções foram Sydney e a Gold Coast, onde a construção de apartamentos se manteve durante mais de meio século. Em Sydney, a geografia limitada e as muito procuradas vistas sobre a água — o Porto de Sydney e praias como Bondi Beach — tornaram a vida em apartamento socialmente aceitável. Desde a década de 1960, estas cidades conservaram densidades populacionais muito superiores às do resto da Austrália, graças à aceitação dos edifícios de apartamentos.

Noutras cidades, a construção de apartamentos esteve quase exclusivamente associada à habitação pública. Este modelo era comum nas grandes cidades australianas, especialmente em Melbourne, através da Housing Commission of Victoria, cujos sucessivos governos construíram numerosos edifícios altos de habitação pública entre as décadas de 1950 e 1970, como parte de programas de renovação urbana. As áreas abrangidas incluíram Fitzroy, Flemington, Collingwood, Carlton, Richmond e Prahran. Foram realizados projetos semelhantes em bairros de Sydney com menores rendimentos, como Redfern.

Na década de 1980, surgiram edifícios de apartamentos modernos junto aos rios de Brisbane, ao longo do rio Brisbane, e de Perth, nas margens do rio Swan.

Em Melbourne, na década de 1990, começou uma tendência de construção de apartamentos sem a necessidade de vistas espetaculares. Na continuação do processo de gentrificação do centro urbano, os apartamentos do tipo loft nova-iorquino tornaram-se populares e um grande número de antigos armazéns e edifícios de escritórios abandonados, no centro financeiro e nas suas imediações, passou a atrair promotores imobiliários. A tendência da reutilização adaptativa estendeu-se à conversão de antigas igrejas e escolas. Transformações semelhantes de armazéns e processos de gentrificação tiveram lugar em bairros de Brisbane, como Teneriffe e Fortitude Valley, e de Sydney, como Ultimo. À medida que diminuía o número de edifícios disponíveis para conversão, foram sendo construídos apartamentos novos que reproduziam a estética destes espaços e edifícios modernos de grande altura. Isso foi particularmente evidente em Melbourne, graças às políticas oficiais de planeamento urbano, incluindo o programa Postcode 3000, que fez da zona central uma das áreas de maior crescimento populacional do país. A construção de apartamentos na área metropolitana de Melbourne também aumentou com a adoção da política de planeamento Melbourne 2030. Zonas de renovação urbana, como Docklands, Southbank, St Kilda Road e Port Melbourne, são atualmente predominantemente constituídas por apartamentos. Verificou-se ainda um forte crescimento dos edifícios de apartamentos para estudantes em zonas como Carlton.

Apesar da sua menor dimensão, outras cidades, como Camberra, Darwin, Townsville, Cairns, Newcastle, Wollongong, Adelaide e Geelong, começaram também a construir apartamentos na década de 2000.

Atualmente, edifícios residenciais como a Eureka Tower e o Q1 encontram-se entre os mais altos do país.

Coreia do Sul

Em 2019, a maioria dos sul-coreanos vivia em apartamentos. Desde a década de 1980, o número de residentes neste tipo de habitação aumentou acentuadamente e, com o crescimento contínuo do parque de apartamentos, estes tornaram-se uma forma representativa de residência, acolhendo mais de metade da população sul-coreana.

Os apartamentos constituem a forma de habitação mais comum nas cidades pequenas e médias da Coreia do Sul e, ainda hoje, são bastante visíveis em zonas rurais e remotas. Uma das razões é o facto de as pequenas e médias empresas de construção possuírem a capacidade técnica necessária, mas não o capital suficiente para erguer grandes complexos nas principais cidades. Quanto melhor for a localização, mais caro tende a ser o apartamento, especialmente nos conjuntos construídos por grandes empresas e compostos por numerosas unidades residenciais. Mesmo os apartamentos de tipologia idêntica no mesmo edifício ou conjunto não apresentam necessariamente o mesmo preço. Devido a fatores como a exposição solar e a vista, os apartamentos dos pisos baixos, sobretudo entre o primeiro e o terceiro, costumam ser os mais baratos e os preços tendem a aumentar com a altura. O preço também varia em função de outras características, como a orientação da habitação para sul, leste, oeste ou norte. Os pisos superiores com orientação a sul e vista desafogada tendem a ser os mais caros.

Ver também

Referências

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