Audagoste Aoudaghost | |
|---|---|
| Localização atual | |
| Localização de Audagoste na Mauritânia | |
| Coordenadas | 17° 25′ 28″ N, 10° 25′ 37″ O |
| País | |
| Região | Hodh el Gharbi |
| Área | 120 000 m² |
| Dados históricos | |
| Fundação | século VII |
| Abandono | século XV |
| Império | do Gana |
| Notas | |
| Escavações | 1960-1976 |
| Patrimônio | Património Mundial Provisório |
| Acesso público | |
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Audagoste (Aoudaghost), também conhecida como Auadaguste (Awadaghust), Audugaste (Awdughast) e Auduguste (Awdaghusht), foi um importante cidade-oásis da extremidade sul da rota caravaneira transaariana mencionado em alguns manuscritos árabes antigos. As ruínas descobertas em Tegdauste, no sul da Mauritânia, são cogitadas como o sítio desta cidade medieval.

A menção mais antiga a Audagoste está na obra de Iacubi Kitab al-Buldan (concluída em 889-890) na qual descreve-se a cidade como estando sob controle da tribo sanaja e situada a 50 estados ao sul de Segelmeça através do deserto do Saara.[a] "É a residência do rei deles que tem nenhuma religião ou lei. Ele invade o país do Sudão que tem muitos reinos." De ibne Haucal, escrevendo em torno de 977, se sabe que a distância de Audagoste e Gana (presumivelmente a capital do Império do Gana) foi 10 dias de jornada para uma caravana pouco carregada.[b]
Ibne Haucal escreveu que o "rei de Audagoste mantêm relações com o governante de Gana" o que sugere que naquele tempo Audagoste não fazia parte do Império do Gana. Ele também menciona o comércio em ouro e escreve que o rei de Gana é muito rico devido a seus estoques de ouro, mas que os reis de Gana e Cuga "ficam na necessidade premente da [boa vontade do] rei de Audagoste devido ao sal que vem a eles das terras do Islã."
A única descrição detalhada que se tem da cidade é fornecida por Albacri em seu Livro das Rotas e Reinos que foi concluído em 1068. Albacri faz uso de fontes anteriores e é provável que sua descrição de Audagoste veio dos escritos de Maomé ibne Iúçufe Aluarraque (904–973), cujo relato não sobreviveu:
Audagoste que é uma grande cidade, populosa e construída em solo arenoso, omitida por uma grande montanha, completamente estéril e desprovida de vegetação. [...] há uma mesquita catedral e muitas menores [...] em torno da cidade estão jardins com tamareiras. Trigo é cultivado lá por escavações com enxada, e é irrigado com baldes [...] excelentes pepinos crescem lá, e há algumas figueiras e vinhas, bem como plantações de hena que produz grande safra. [...] [há] poços com água doce. Gado e ovelhas são numerosas [...] Mel [...] é abundante, trazido da terra do Sudão. O povo de Audagoste goza de extensos benefícios e grande riqueza. O mercado lá está cheio de pessoas a todo momento [...] Suas transações são em ouro, e eles não tem prata. Muitos dos habitantes [...] são nativos da Ifríquia [Tunísia] [...] mas há também algumas pessoas de outros países [...] [Eles detém] tão numerosa [quantidade de] escravos que uma pessoa dentre eles pode possuir 1 000 servos ou mais.
Albacri também descreve a captura da cidade pelo Império Almorávida que teria ocorrido alguns anos antes dele escrever seu relato:
No ano 1054-1055, Abedalá ibne Iacine invadiu a cidade de Audagoste, uma localidade florescente, e grande cidade contendo mercados, numerosas palmeiras e árvores de hena. [...] Este cidade costumava ser a residência do rei do Sudão que foi chamado Gana antes dos árabes entrada [na cidade de] Gana [...] Esta cidade foi habitada por zenetas junto com árabes [e] eles sempre estiveram em conflito uns com os outros. [...] Os almorávidas violaram suas mulheres e declararam que tudo que tomaram lá seria butim da comunidade. [...] Os almorávidas perseguiram o povo de Audagoste apenas porque eles reconheciam a autoridade do governante de Gana.
É incerto a partir deste texto precisar por quanto tempo antes da chegada dos almorávidas a cidade fez parte do Império do Gana. Dreses escrevendo na Sicília em 1154 sugeriu que cerca de meados do século XII a cidade de Audagoste estava em declínio: "Essa é uma pequena cidade no deserto, com pouca água. [...] Sua população não é numerosa e não há grande comércio. Os habitantes detém camelos dos quais deriva seu sustento." Por volta do início do século XIII, a cidade-oásis de Ualata, situada da 360 quilômetros a leste, substituiu Audagoste como o terminal sul da principal rota caravaneira transaariana.
O sítio arqueológico de Tegdauste forma um monte artificial ou tel que se estende por 12 hectares. Está ao sul da depressão de Hode (Hodh) e a 34 quilômetros a nordeste da pequena cidade de Tanchaquete. Escavações foram realizadas entre 1960 e 1976 por um time de arqueólogos franceses. As camadas mais antigas datam dos séculos VII-IX com as primeiras estruturas de tijolo de barro datando do final do século IX ao início do X. Algumas estruturas de pedra foram construídas no século XI. A cidade parece ter sido parcialmente abandonada ao final do século XII e foi completamente abandonada em torno do século XV, embora houve algum reassentamento dois séculos mais tarde.