Bar-Giora

Bar Giora
Criação28 de setembro de 1907
Período de atividade1907-1909
Extinção12 de abril de 1909
PaísImpério Otomano, Yishuv
TipoParamilitar
MissãoDefesa de assentamentos judeus
Lema"Em fogo e sangue caiu a Judéia; em sangue e fogo a Judéia se levantará."
Comando
ComandanteIsrael Shochat

O Bar-Giora (em hebraico: בר גיורא) foi uma organização de auto-defesa judaica da Segunda Aliá, a precursora do Hashomer.

Fundação

O fundador da Bar Giora, Israel Shochat, já havia participado de milícias clandestinas durante os pogroms do regime czarista do Império Russo. Em 1904, ele fez sua aliá para a Síria otomana em 1904, e ao chegar foi atraído pela ideia de Michael Haperin sobre um exército de soldados judeus, e uniu-se à "Mahane Yehuda", uma guarda montada formada por Haperin em Ness Ziona. Dois anos depois, Shochat reuniu um pequeno grupo de seguidores leais e lançou o ramo local do Poale Zion, com cerca de 60 membros.

Em 1907, Yitzhak Ben-Zvi chegou de Poltava; como líder do Poale Zion da Rússia ele dirigiu a polícia secreta por um ano. Shochat e Ben-Zvi viajaram juntos para o 8° Congresso Mundial Sionista em Haia e após sua volta, em 28 de setembro de 1907, eles montaram a primeira formação da Bar Giora, composta por membros do Poale Zion com o propósito de colonizar a terra e protegê-la contra os ataques árabes. O nome da organização foi escolhido em homenagem a Simon Bar Giora, um dos líderes da revolta judaica contra os romanos. Seus membros fundadores foram Israel Shochat, Yitzhak Ben-Zvi, Mendel Portugali, Israel Giladi, Alexander Zaïd, Yechezkel Henkin, Yehezkel Nissanov e Moshe Givoni. Manya Shochat (esposa de Israel Shochat) e Rachel Ben-Zvi (esposa de Yitzhak Ben-Zvi) podem ter participado da fundação. Eles juraram entre si, sob pena de morte, manter sigilo absoluto e obediência total a seu líder, Israel Shochat. Shochat, Zeid e Henkin reuniam-se no apartamento sem mobília de Yitzhak Ben-Zvi, em Jafa, para planejar a atuação do grupo. Todas as decisões tinham que ser ratificadas por uma votação unânime. Todos os membros deveriam ter pelo menos um ano de experiência na agricultura. O serviço de guarda era adiado até que os membros da organização tivessem adquirido a experiência e o conhecimento suficientes da terra. Como lema, foi escolhida uma frase do poema Habiryonim, de Yaakov Cohen: "Em fogo e sangue caiu a Judeia; em sangue e fogo a Judeia se levantará." Este era um dos lemas dos defensores judeus durante os pogroms no Império Russo.

Até então, os assentamentos judaicos contratavam guardas árabes, além de drusos e circassianos, para protegerem as vilas e plantações dos constantes ataques de ladrões e de beduínos. Substituí-los se mostrou mais difícil do que o planejado, já que muitos judeus se recusaram a empregar membros da Bar Giora temendo que isso causasse mais atrito com os árabes locais.

Israel Shohat, comandante da organização "Bar Giora".

Sejera

Membros da Bar Giora em 1907, com seu líder Israel Shochat no centro da imagem.

A Bar Giora passou a focar em substituir os guardas árabes das colônias mais remotas da Alta Galileia e montar seus próprios postos avançados. Um grupo de pastores foi enviado para realizar um levantamento detalhado da terra. Em outubro de 1907, Shochat liderou um grupo destacado e se fixou em Sejera, deixando Ben-Zvi em Jafa como representante do grupo dentro do Poale Zion. A Bar Giora assumiu a proteção de Sejera, substituindo os guardas árabes e circassianos, que protestaram e ameaçaram retaliação, mas a nova guarda mantinha-se determinada e afastou qualquer ameaça. Em 1908, Sejera foi escolhida como sede da convenção do Partido Trabalhista e recebeu judeus de toda a Palestina. No caminho, um judeu foi atacado por ladrões árabes, e um ladrão morreu. A lei local previa que um parente de um árabe morto poderia vingar a sua morte, alegando "rivalidade de sangue". E pouco tempo depois a inevitável vingança aconteceu, e dois fazendeiros judeus foram mortos e enterrados na cidade. Esse episódio moldou uma nova regra para a Bar Giora: eles precisariam defender a propriedade sem causar mortes, assim quebrando a corrente da rivalidade de sangue. Shochat conseguiu fundos da organização sionista para prestar assistência às famílias das duas vítimas e para adquirir mais cavalos, armas e munições.

Expansão

A organização se aperfeiçoava, e não tardou a conquistar o respeito dos colonos judeus de outras localidades, a em 1908 foi contratada para defender seu segundo assentamento: Mescha (atual Kfar Tabor). Para evitar retaliações decorrentes da substituição dos guardas árabes, um grande destacamento de voluntários foi enviado, trabalhando em turnos para garantir a defesa ininterrupta. Sua disciplina e organização impressionaram os árabes. Depois, um contrato foi firmado com a vila, que garantia a defesa desde que apenas judeus trabalhassem lá, e previa multa para moradores que se esquecessem de trancar suas propriedades. A Bar Giora enviou guardas experientes para defender o local, incluindo Mendel Portugali.

Encerramento

A expansão da guarda demonstrou que uma organização semi-clandestina não seria mais suficiente para atender o seu objetivo, e em Mescha começaram a ser traçados novos planos para o seu futuro. Isso culminou com a criação de uma organização distinta, o Hashomer, que foi formado em 12 de abril de 1909, e absorveu a Bar Giora, incorporando os seus membros e os seus aprendizados.

Referências

Bibliografia

Ligações externas