| Baracate I | |
|---|---|
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1407–1416 |
| Antecessor(a) | Haçane ibne Ajelane |
| Sucessor(a) | Rumaita ibne Maomé |
| Cogovernante | |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1417–1424 |
| Predecessor(a) | Haçane ibne Ajelane |
| Sucessor(a) | |
| Cogovernante | |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1425–1426 |
| Predecessor(a) | |
| Sucessor(a) | Baracate |
| Cogovernante | Haçane (1425–1426) |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1426–1441 |
| Predecessor(a) | Haçane ibne Ajelane |
| Sucessor(a) | Ali ibne Haçane |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1445–1446 |
| Predecessor(a) | Abu Alcácime ibne Haçane |
| Sucessor(a) | Abu Alcácime ibne Haçane |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1447–1455 |
| Predecessor(a) | Abu Alcácime ibne Haçane |
| Sucessor(a) | Maomé ibne Baracate |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 801 A.H. (1398–1399) Alcuxafa |
| Morte | 4 de agosto de 1455 Marre Azarã |
| Dinastia | catádida |
| Pai | Haçane ibne Ajelane |
Zainadim Abu Zuair Baracate ibne Haçane ibne Ajelane (em árabe: زين الدين أبو زهير بركات بن حسن بن عجلان; romaniz.: Zayn al-Dīn Abū Zuhayr Barakāt ibn Ḥasan ibn ʿAjlān; Alcuxafa, 801 A.H. (1398/9) – Marre Azarã, 19 de Xabã de 859 A.H. (4 de agosto de 1455)), conhecido como Baracate I ibne Haçane, foi um xarife catádida e emir de Meca em diferentes períodos durante a primeira metade do século XV. Inicialmente associado ao governo de seu pai, Haçane ibne Ajelane, tornou-se posteriormente o principal representante de sua geração da família e disputou o emirado com vários de seus irmãos. Após sucessivas deposições e restaurações, governou sem nova interrupção de 851 A.H. (1447) até sua morte em 859 A.H. (1455), quando foi sucedido pelo filho Maomé.
Baracate nasceu em 801 A.H. (1398–1399), embora também se registre 802 A.H. (1399–1400), em Alcuxafa, localidade próxima de Gidá. Era filho de Haçane ibne Ajelane e pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Aprendeu o Alcorão, adquiriu boa caligrafia e recebeu licenças de transmissão de diversos estudiosos. Assacaui, que posteriormente o conheceu pessoalmente, descreve-o como homem de elevada ambição, boas ações e caráter agradável. Em 809 A.H. (1406–1407), ou no ano seguinte segundo outra tradição conservada por Assacaui, Baracate foi associado pelo pai ao Emirado de Meca mediante investidura sultânica. Em 811 A.H. (1408–1409), quando Haçane recebeu autoridade mais ampla sobre o Hejaz, Baracate passou a exercer o emirado juntamente com seu irmão Amade. Os dois foram depostos no ano seguinte, posteriormente restaurados e permaneceram associados ao governo até 818 A.H. (1415–1416), quando foram substituídos por Rumaita ibne Maomé.
No ano seguinte, Haçane voltou ao governo. Em 820 A.H. (1417–1418), começou a apresentar Baracate aos membros da família como aquele que deveria exercer a autoridade, e em 821 A.H. (1418) renunciou ao emirado em favor do filho, que passou a governar sozinho. Após a morte do sultão Almuaiade Xeique, Haçane tentou associar Ibraim ao irmão, mas não conseguiu fazê-lo. Baracate permaneceu no governo até 827 A.H. (1423–1424), quando foi deposto em favor de Ali ibne Inane. Haçane dirigiu-se então ao Cairo e recuperou o emirado. Após a morte do pai, em Jumada I de 829 A.H. (1426), Baracate também foi ao Cairo e negociou com o sultão sua própria investidura. Comprometeu-se, entre outras obrigações, a pagar anualmente dez mil dinares, recebendo em contrapartida as receitas costumeiras cobradas em Gidá, excetuadas determinadas receitas provenientes dos navios da Índia, reservadas ao sultão. Foi então investido sozinho no Emirado de Meca.
A primeira fase prolongada do governo independente de Baracate foi marcada, segundo Assacaui, pela boa administração, segurança e prosperidade. Sua posição dependia, contudo, da relação com a corte do Sultanato Mameluco do Cairo, cuja intervenção continuava decisiva para a sucessão em Meca. Após a ascensão do sultão Jaquemaque, Baracate foi convocado ao Cairo. Temendo as consequências de uma desavença anterior com o sultão, recusou-se a comparecer. Jaquemaque cogitou inicialmente nomear seu irmão Ali, que então se encontrava no Cairo, e finalmente o investiu no emirado em 845 A.H. (1441), destituindo Baracate. Ali assumiu Meca, mas Baracate continuou a disputar o poder. Em 846 A.H. (1443), Ali foi por sua vez deposto e substituído por outro irmão, Abu Alcácime. Nos anos seguintes, Baracate e Abu Alcácime disputaram o controle do emirado. Baracate conseguiu recuperar Meca e exercer novamente o governo, mas foi outra vez substituído pelo irmão. A alternância somente terminou em 851 A.H. (1447), quando Baracate recuperou definitivamente o emirado.
A restauração definitiva foi precedida por uma mudança significativa na relação de Baracate com a corte mameluca. Em 850 A.H. (1446), foi restaurado, e no ano seguinte obedeceu a uma convocação de Jaquemaque para comparecer ao Cairo. Chegou à capital no início de Xabã de 851 A.H. (1447), sendo recebido pessoalmente pelo sultão com honras excepcionais. Assacaui, que se encontrou com Baracate nessa ocasião, afirma que nenhum membro de sua família havia recebido tratamento semelhante. O xarife regressou ao Hejaz no dia 10 daquele mês. A partir de 851 A.H., Baracate permaneceu no governo de Meca sem nova interrupção. Segundo Feridun Emecen, sua posição entre 1447 e 1455 tornou-se incontestada depois de superar a oposição dos irmãos com apoio mameluco. Durante seu governo, procurou manter relações hábeis com o Sultanato Mameluco e aceitou a presença de uma guarnição enviada a Meca por Jaquemaque. Baracate também manteve relações com estudiosos de sua época. Assacaui recebeu dele transmissões por licença e ouviu versos de sua autoria, alguns dos quais registrou em sua própria obra. O cronista apresenta-o como personagem de posição destacada entre os xarifes de sua geração.
Baracate morreu na tarde de segunda-feira, 19 de Xabã de 859 A.H. (1455), em Arde Calide, no Marre Azarã. Seu corpo foi transportado nos ombros de homens até Meca, onde chegou pela parte baixa da cidade. Foi lavado em sua residência e levado à Caaba, em torno da qual o cortejo realizou sete voltas. A oração fúnebre foi celebrada junto à porta da Caaba, e Baracate foi sepultado no Cemitério de Almuala na manhã seguinte, 20 de Xabã. Posteriormente foi erguida uma cúpula sobre seu túmulo. A sucessão passou ao filho Maomé ibne Baracate. A corte mameluca já havia expedido um decreto de investidura em favor de Maomé antes de receber a notícia da morte de Baracate; a ordem chegou ao Hejaz logo depois do falecimento e Maomé assumiu o emirado.