| Bartonellosis | |
|---|---|
| Bartonella | |
| Especialidade | infecciologia |
| Classificação e recursos externos | |
| CID-11 | 1C11 |
| CID-10 | A44 |
| CID-9 | 088.0 |
| DiseasesDB | 1249 |
| eMedicine | med/212 |
| MeSH | D001474 |
Bartonelose se refere às doenças infecto-contagiosas causadas por bactérias do gênero Bartonella. Bartonellas são bactérias gram-negativas, flageladas (10 ou mais flagelos), intracelulares facultativas, aeróbias obrigatórias e oportunistas. Usam artrópodes que se alimentam de sangue, como pulgas, mosquitos e carrapatos, como vetores. A transmissão da doença para humanos se dá através da arranhadura ou mordedura de cães e gatos e, mais raramente, pela arranhadura em espinhos, lascas de madeira, dentre outros.
Os primeiros registros de bartonelose remontam ao século XIX, nos Andes peruanos, onde Bartonella bacilliformis foi identificada como agente da febre de Oroya, doença endêmica em regiões de altitude elevada. Durante a Primeira Guerra Mundial, B. quintana foi responsável por surtos da chamada “febre das trincheiras”, transmitida por piolhos em condições precárias de higiene. Já B. henselae passou a ser reconhecida, a partir da década de 1990, como a principal causa da doença da arranhadura do gato, que ocorre após contato com gatos domésticos infectados.
Cada espécie de Bartonela causa uma doença diferente:
| Espécie de Bartonella | Portador | Doenças |
|---|---|---|
| Bartonella bacilliformis | humanos | verruga peruana (doença de Carrion) |
| Bartonella quintana | humanos | Febre das Trincheiras, bacteremia, angiomatose bacilar, endocardite |
| Bartonella henselae | gatos | Doença da arranhadura do gato, bacteremia, angiomatose bacilar, endocardite |
| Bartonella elizabethae | roedores | Endocardite |
| Bartonella grahamii | ??? | Retinite |
| Bartonella vinsoni | cachorros | Endocardite e bacteremia |
| Bartonella washonsis | roedores | Miocardite |
| Bartonella clarridgiae | gatos | Bacteremia |
| Bartonella rochalimae | humanos | Síndrome similar à verruga peruana |
As infecções por Bartonella apresentam distribuição mundial. B. bacilliformis permanece restrita a regiões andinas do Peru, Equador e Colômbia. B. quintana está associada a populações vulneráveis, especialmente pessoas em situação de rua, sendo transmitida pelo piolho humano.
Pesquisas brasileiras ampliaram o conhecimento sobre os vetores da doença. Um estudo conduzido na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) detectou DNA de B. henselae em 19,6% dos carrapatos Amblyomma sculptum coletados no campus, indicando um possível novo vetor de relevância epidemiológica. Além disso, há relatos de bacteremia assintomática em doadores de sangue, o que levanta a hipótese de transmissão transfusional (DRUMMOND et al., 2022).
A bartonelose pode se manifestar de diferentes formas clínicas:
O diagnóstico pode ser feito por diferentes métodos:
Dependendo da espécie muitos antibióticos podem ser usados, inclusive macrolídios e tetraciclinas. Imunodeprimidos devem ser tratados com gentamicina, rifampicina ou ciprofloxacina para evitar bacteriemias. Algumas cepas de B. henselae são resistentes a penicilina, amoxicilina e similares.
As medidas preventivas incluem:
A prevenção também envolve vigilância ativa em bancos de sangue, considerando a possibilidade de infecções assintomáticas e transmissão transfusional.
A Bartonelose é considerada uma zoonose emergente e negligenciada, com crescente reconhecimento na interface entre saúde humana e animal. Sob a perspectiva One Health, seu estudo envolve médicos, veterinários e pesquisadores ambientais.
Nos últimos anos, pesquisadores brasileiros têm contribuído significativamente para o avanço do conhecimento sobre o tema. A equipe da UNICAMP e colaboradores identificaram não apenas a presença da bactéria em vetores e humanos assintomáticos, mas também sua possível relação com distúrbios reprodutivos e hepatite criptogênica, ampliando o espectro clínico antes conhecido (SILVA; DRUMMOND; VELHO, 2023; DRUMMOND et al., 2022).
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