Bioarqueologia estuda o passado através de remanescentes biológicos humanos em contextos arqueológicos
A bioarqueologia é uma disciplina voltada para reconstrução do passado através do estudo de remanescentes biológicos humanos recuperados em contextos arqueológicos. Dentre esses remanescentes, ossos e dentes representam a maior parte dos achados, mas também são englobados indivíduos mumificados. Ela é uma das áreas interdisciplinares que envolve simultaneamente a necessidade de conhecimentos oriundos da Antropologia Biológica, Arqueologia e Antropologia Social.
As pesquisas bioarqueológicas abrangem uma diversidade de perspectivas temáticas, incluindo questões relacionadas a processos de saúde e doença, a paleodemografia, a paleoepidemiologia, a atividades de subsistência de grupos humanos, a alimentação, a ancestralidade, a migração, a padrões de estrutura social, a impactos sociais causados por processos de colonização, divisão de classes, raça, gênero e idade..
Histórico
O termo bioarqueologia foi cunhado pela primeira vez pelo arqueólogo britânico Grahame Clark em 1972 como uma referência à zooarqueologia, ou o estudo de ossos de animais de sítios arqueológicos. Ela é uma disciplina conhecida em outros países como osteoarqueologia ou paleo-osteologia. Redefinida em 1977 por Jane Buikstra a bioarqueologia nos EUA se refere ao estudo científico de restos humanos de sítios arqueológicos. Na Inglaterra e em outros países europeus, o termo "bioarqueologia" é emprestada para cobrir todos os restos biológicos dos locais.
No Brasil, apesar do termo só ter sido criado na década 1970, pesquisas com abordagens bioarqueológicas já eram desenvolvidas pontualmente e de forma tímida desde o século XIX, principalmente relacionadas à saúde e ao comportamento de grupos humanos. Mas foi só a partir da década de 1970 que o campo começou a crescer, tomando proporções maiores nas décadas de 1990, 2000 e 2010 conforme a abertura de cursos de graduação e pós-graduação em arqueologia nas universidades e demais instituições de pesquisa além de desenvolvimentos teóricos próprios da área.
Referências
12LARSEN, C. S. Bioarchaeology. Cambridge: Cambridge University Press, (2000).
↑Larsen, Clark Spencer (1 de fevereiro de 1999). Bioarchaeology: Interpreting Behavior from the Human Skeleton. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN978-0-521-65834-8|acessodata= requer |url= (ajuda)