Bokor

 Nota: Para outros significados, veja a estação da montanha no Camboja.
Pintura de Hector Hyppolite onde um bòkò tira corpos do cemitério para transformá-los em zumbis.

Bòkò (masculino) ou Caplata (feminino), são feiticeiros de aluguel que figuram no imaginário do vodu haitiano. Tradicionalmente, acredita-se que sirvam aos loás "com ambas as mãos", praticando tanto o bem quanto o mal.

Os bòkò são figuras presentes em muitas lendas e histórias tradicionais haitianas, sendo frequentemente associados à criação de zumbis por meio de uma poção ou mistura entorpecente. Essa poção deixaria a vítima em um estado de letargia profunda e prolongada. A vítima, neste ponto, é vista como morta por seus parentes, e durante todos os trâmites do enterro, o suposto morto percebe tudo o que acontece a seu redor, sem ter condições de reagir. Após o enterro, durante a noite, o bòkò se dirige ao túmulo para levantar o zumbi. Isso se dá através de uma beberagem de plantas medicinais que o desperta, mas o deixa em um estado de idiotice, sob controle absoluto do bòkò. O zumbi é descrito como portando-se sempre de cabeça baixa e falando com a voz anasalada.  

A tradição haitiana também inclui um tipo de zumbi incorpóreo, o "zumbi astral", que seria uma parte da alma de um ser human. Um bòkò teria capacidade de capturar um zumbi astral para aumentar seu poder espiritual. Um zumbi astral também pode ser aprisionado em uma garrafa por um bòkò e vendido como um amuleto. Acredita-se que Bondye acabará por recuperar a alma do zumbi; portanto, o zumbi é uma entidade espiritual temporária.

Estudos acadêmicos

Embora relatos populares sugiram que o veneno do baiacu (tetrodotoxina) seja utilizado em preparações de venenos zumbis do vodu, análises posteriores contestaram repetidamente os estudos iniciais com base em critérios técnicos. Pesquisas subsequentes não conseguiram identificar a toxina em nenhuma dessas preparações, e as discussões sobre a tetrodotoxina nesse contexto praticamente desapareceram da literatura especializada desde o início da década de 1990. Em um artigo publicado em 1986, os toxicologistas Chen-Yuan Kao e Toshio Yasumoto concluíram que a alegação amplamente difundida na imprensa leiga de que a tetrodotoxina seria "o agente causal" de um "processo de zumbificação" "carece de fundamento factual".

Ver também

Referências

  1. ↑ Hall, Michael R. (2012). «Historical Dictionary of Haiti». p. 269. ISBN 9780810875494. Consultado em 14 de junho de 2018
  2. ↑ Martins, Rodrigo Nogueira (28 de dezembro de 2024). «VODU:: o legado religioso na identidade cultural do Haiti». INTERAÇÕES. 19 (2): e192t04–e192t04. ISSN 1983-2478. doi:10.5752/P.1983-2478.2024v19n2e192t04
  3. ↑ McAlister, Elizabeth (1995). «A Sorcerer's Bottle: The Visual Art of Magic in Haiti». In: Cosentino, Donald J. Sacred Arts of Haitian Vodou. Los Angeles, California: UCLA Fowler Museum of Cultural History. pp. 304–321. ISBN 978-0930741471. Consultado em 13 de março de 2022. Cópia arquivada em 6 de março de 2022
  4. ↑ Kao, C.Y., and T. Yasumoto, 1986, "Tetrodotoxin and the Haitian zombie". Toxicon, 24: 747–49.
  5. ↑ Kao, C.Y., and T. Yasumoto, 1990, "Tetrodotoxin in 'zombie powder'". Toxicon, 28: 29–132.
  6. ↑ Terence Hines, 2008, "Zombies and Tetrodotoxin", Skeptical Inquirer (online), Volume 32.3, May/June 2008, pp. 60–62, accessed 25 July 2015.
  7. ↑ Kao, C.Y., and T. Yasumoto, 1986, "Tetrodotoxin and the Haitian zombie". Toxicon, 24: 747–49.
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