Carnunto

Carnuntum
Apresentação
Tipo
Parte de
Pannonian Limes (en)
Website
Localização
Localização
Altitude
170 m
Coordenadas
A chamada Porta dos Pagãos em Carnunto
Carnunto
Localização atual
Coordenadas 48° 06′ 48″ N, 16° 51′ 41″ L
País Áustria
Região Baixa Áustria
Altitude 170 metro
Notas
Site https://www.carnuntum.at/
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Carnunto (em latim: Carnuntum) era um campo militar romano numa região da actual Áustria. No início, pertencia à província de Nórica, mas depois do século I passou a fazer parte da Panónia. O que resta de Carnunto fica situado na via entre Viena e Bratislava, no Parque Arqueológico de Carnunto na Baixa Áustria, numa extensão que abrange as áreas das vilas de Petronell-Carnuntum e Bad Deutsch-Altenburg.

História

História militar

Carnunto surge pela primeira vez na história durante o principado de Augusto (6 d.C.), quando Tibério a estabeleceu como sua base operacional na forma de um forte romano (castro) durante as campanhas contra Marobóduo (Marbod).

Legio XV Apollinaris

Um processo expressivo de romanização iniciou-se quando o assentamento foi escolhido como guarnição da Legio XV Apollinaris antes de 14 d.C. Poucos anos depois, converteu-se no centro do cordão de fortificações romanas ao longo do Danúbio, de Vindobona (atual Viena) a Brigécio (Ó-Szőny). De acordo com Tácito, o imperador Cláudio ordenou ao governador da Panônia «manter uma legião com tropas auxiliares na margem do Danúbio» para proteger os vencidos de uma disputa entre tribos germânicas (os quados e os marcomanos) e dissuadir os vencedores da tentação de invadir a Panônia. A esse período (c. 50 d.C.) remonta o castro auxiliar de uma ala de cavalaria situado 1,5 quilômetros (0,93 mi) a sudoeste da fortaleza legionária.

Em 71 d.C., após sucessivas campanhas, a Legio XV Apollinaris retornou a Carnunto e reconstruiu sua fortaleza. Embora destacamentos da legião tenham participado das Guerras Dácias de Trajano, o grosso da unidade permaneceu aquartelado na Panônia.

Legio X Gemina

A Legio X Gemina foi destacada para Carnunto por alguns anos a partir de c. 63 d.C. Durante o breve reinado de Galba (68–69 d.C.), foi transferida de volta para a Hispânia.

Legio VII Gemina

A Legio VII Gemina, recém-criada por Galba em 68 d.C., permaneceu alocada em Carnunto até aproximadamente 71 d.C., após a derrota de Galba e a ascensão de Vespasiano.

Legio XIV Gemina

Em 117–118 d.C., Carnunto converteu-se na sede permanente da Legio XIV Gemina, onde a unidade permaneceu aquartelada por três séculos até o colapso das defesas de fronteira em 430 d.C.

História da cidade

Na época romana, Carnunto destacou-se como um dos principais entrepostos mercantis de âmbar, transportado a partir do norte para mercadores que o negociavam na Itália; o ramal principal da Rota do Âmbar transpunha o Danúbio em Carnunto.

Sob a designação de Aelium Carnuntum, capital da Panônia Superior, foi elevada à condição de município (municipium) por Adriano. Sua relevância estratégica é atestada pela permanência de Marco Aurélio, que ali fixou residência por três anos (172–175 d.C.) durante as Guerras Marcomânicas, redigindo no local trechos de suas Meditações. Ali também Septímio Severo, então governador da Panônia, foi aclamado imperador por suas legiões em 193 d.C., em substituição a Pértinax, que havia sido assassinado.

Sob a dinastia severa (193–235 d.C.), Carnunto viveu um apogeu econômico, alcançando as canabae sua extensão máxima. Caracala elevou a cidade ao estatuto de colônia (colonia) sob a denominação de Septimia Colonia Aurelia Antoniana. Durante o principado de Galiano, as províncias panônicas sublevaram-se aclamando o usurpador Regaliano, que instalou no local uma oficina monetária emissora de moedas com sua efígie e a de sua consorte Sulpícia Driantila. Regaliano foi morto pouco depois pelas próprias tropas, provavelmente em Carnunto.

Em 308 d.C., no transcurso das Guerras civis da Tetrarquia, o imperador emérito Diocleciano presidiu ali um encontro histórico, a Conferência de Carnunto, ao lado de Maximiano e Galério, visando dirimir as crescentes tensões políticas no seio da Tetrarquia.

Por volta de 350 d.C., Carnunto sofreu graves danos estruturais decorrentes de um violento sismo.

Em 374 d.C., a cidade foi destruída por invasores germânicos e sármatas, os quados e os jazígos. Embora parcialmente reconstruída por Valentiniano I, nunca recuperou a importância pretérita, assumindo Vindobona a função de principal praça militar da fronteira. Durante as Invasões bárbaras, Carnunto foi gradualmente abandonada, servindo como necrópole e pedreira de extração de alvenaria para construções na região. Com o tempo, seus remanescentes foram soterrados e esquecidos.

Disposição das legiões romanas em 50 d.C., com a Legio XV Apollinaris aquartelada em Carnunto.

Atualidade

O Parque Arqueológico de Carnunto compreende três núcleos principais:

Cidade civil

Vestígios de Carnunto — o anfiteatro civil.

Os vestígios da cidade civil estendem-se ao redor do moderno município de Petronell-Carnuntum. O sítio preserva diversos pontos visitáveis: um bairro urbano romano reconstituído no museu a céu aberto, ruínas palacianas, um anfiteatro e o Heidentor, remanescente monumental de um arco do triunfo romano.

As ruínas da cidade romana acham-se expostas no museu a céu aberto integrado diretamente à povoação atual. Uma das habitações antigas, denominada Casa de Lúcio, foi integralmente reconstruída mediante o emprego de técnicas arquitetônicas romanas tradicionais, tendo sido aberta à visitação pública em 1.º de junho de 2006.

O fórum situava-se contíguo às ruínas do complexo palaciano, conjunto também identificado como as grandes termas públicas.

A pouca distância do perímetro urbano erguia-se um grande anfiteatro, provido de capacidade para cerca de 15.000 espectadores.

Uma placa epigráfica encontrada nas escavações assinala que a edificação correspondia ao quarto maior anfiteatro de todo o Império Romano.

Heidentor

Entre 354 e 361 d.C., um imponente monumento triunfal quadrifronte foi erigido entre o acampamento militar e a cidade civil. Registros da época sugerem que o imperador Constâncio II ordenou sua edificação para celebrar suas vitórias bélicas. Com o desmantelamento das estruturas de Carnunto após o Período das Migrações, a abóbada permaneceu como uma estrutura isolada na paisagem campestre, levando as populações medievais a crerem que se tratava da sepultura monumental de um gigante pagão. Por essa razão, a ruína passou a ser designada em alemão como Heidentor («Portão dos Pagãos»).

Fortaleza legionária

Remanescentes do acampamento legionário — o anfiteatro militar.

A única estrutura visível preservada do complexo da fortaleza militar é o seu anfiteatro, implantado nas imediações externas das muralhas do acampamento. Na atualidade, um pequeno espaço museológico adjacente ao sítio expõe o acervo e a memória dos combates de gladiadores na fronteira panônica.

Notas

Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.

Referências

  1. 1 2 3 4 Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
  2. ↑ «Legio XV Apollinaris – Livius». Livius.org. Consultado em 27 de dezembro de 2018. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2018
  3. ↑ Tácito, Anais, XII, 29.2
  4. ↑ Fitz, Jenő (2008). «The Danubian Provinces». History of the Greeks and Romans, Volume 16: The Principles of Rome, from Augustus to Alexander Severus. Milão: [s.n.] p. 495
  5. ↑ «Legio X Gemina - Livius». Consultado em 20 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 20 de agosto de 2016
  6. ↑ «Legio VII Gemina – Livius». Livius.org. Consultado em 27 de dezembro de 2018. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2018
  7. ↑ «Legio XIIII Gemina – Livius». Livius.org. Consultado em 27 de dezembro de 2018. Cópia arquivada em 16 de novembro de 2023
  8. ↑ Fitz, Jenő (1982). The Great Age of Pannonia. Budapeste: [s.n.] p. 14
  9. ↑ Morris, J.; Jones, A. H. M.; Martindale, J. R. (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 273. ISBN 0521072336
  10. ↑ Temporini, Hildegard; Haase, Wolfgang. Aufstieg und Niedergang römischen der Welt (em alemão). [S.l.]: Walter de Gruyter. p. 852. ISBN 3110049716
  11. ↑ Zósimo, Nova História, II, 10, 4
  12. ↑ Mazzarino, Santo (1973). The Roman Empire. II. Roma: Bari. p. 598
  13. ↑ Decker, Kurt; Gangl, Georg; Kandler, Manfred (1 de outubro de 2006). «The earthquake of Carnuntum in the fourth century a.d. – archaeological results, seismologic scenario and seismotectonic implications for the Vienna Basin fault, Austria»Subscrição paga é requerida. Journal of Seismology (em inglês). 10 (4): 479–495. Bibcode:2006JSeis..10..479D. ISSN 1573-157X. doi:10.1007/s10950-006-9032-0. Consultado em 12 de outubro de 2023. Cópia arquivada em 9 de abril de 2024
  14. ↑ Amiano Marcelino, Res Gestae, XXX, 5.2

Ligações externas

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