| Carolina Iara | |
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| Carolina Iara Ramos de Oliveira | |
| Ativismo pelos direitos das pessoas intersexo e participação na Bancada Feminista | |
| Nascimento | Carolina Iara Ramos de Oliveira 31 de dezembro de 1992 São Paulo, São Paulo, Brasil |
| Nacionalidade | brasileira |
| Cidadania | Brasil |
| Alma mater | Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo Universidade Federal do ABC |
| Ocupação | Cientista social, ativista e política |
Carolina Iara Ramos de Oliveira (São Paulo, 31 de dezembro de 1992), conhecida como Carolina Iara ou Carol Iara, é uma cientista social, ativista e política brasileira filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Identifica-se publicamente como mulher negra, travesti e intersexo, atuaando nos movimentos pelos direitos das pessoas LGBT, particularmente nas questões relacionadas à intersexualidade, à saúde e à participação política.
Integrou o mandato coletivo da Bancada Feminista do PSOL eleito para a Câmara Municipal de São Paulo em 2020 e a candidatura coletiva eleita à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 2022. Os mandatos tiveram como titulares formais, respectivamente, Silvia Ferraro e Paula Nunes, enquanto Carolina participou das atividades parlamentares como integrante do coletivo.
Carolina nasceu na cidade de São Paulo e cresceu na Zona Leste, passando parte da infância e da adolescência na região da Fazenda da Juta, em Sapopemba. Segundo seu depoimento ao Museu da Pessoa, participou de atividades culturais e de organização comunitária desde a adolescência, antes de se envolver com movimentos sociais relacionados à saúde e aos direitos das pessoas LGBT.
Formou-se em design gráfico e em ciências sociais, tendo estudado na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Trabalhou também como assistente de políticas públicas na Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, com atuação no atendimento a pessoas em situação de violência doméstica e sexual.
Posteriormente, realizou um mestrado em Ciências Humanas e Sociais na Universidade Federal do ABC (UFABC). Sua dissertação, defendida em 2 de junho de 2023, foi orientada por Arlene Martinez Ricoldi e investigou a inserção de jovens negros que vivem com HIV no mercado de trabalho, considerando as relações entre raça, gênero, classe social e discriminação.
Carolina participou de movimentos relacionados aos direitos das pessoas trans, intersexo e que vivem com HIV, incluindo o coletivo Loka de Efavirenz e a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids. Também participou da organização da Associação Brasileira Intersexo (ABRAI), integrando seu conselho fiscal na estrutura formalizada em 2020.
Sua atuação na defesa dos direitos das pessoas intersexo inclui a oposição a intervenções médicas de normalização sexual realizadas em crianças sem necessidade clínica imediata e sem possibilidade de consentimento da pessoa afetada. Em 2022, participou das discussões que deram origem ao Projeto de Lei municipal 426/2022, apresentado formalmente pela Bancada Feminista do PSOL, que propôs instituir uma data de conscientização sobre essas práticas.
A proposta resultou na Lei municipal n.º 17.991, de 22 de setembro de 2023, que incluiu no calendário oficial da cidade de São Paulo o Dia de Conscientização Contra a Mutilação Infantil, celebrado anualmente em 26 de setembro. A lei foi formalmente atribuída à vereadora Silvia da Bancada Feminista.
Nas eleições municipais de 2020, Carolina integrou a candidatura coletiva da Bancada Feminista do PSOL, formada por Silvia Ferraro, Paula Nunes, Dafne Sena, Natália Chaves e Carolina Iara. A candidatura foi eleita para uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo, tendo Silvia Ferraro como titular formal. As demais integrantes participaram das atividades políticas e parlamentares do coletivo, embora as competências legais de votação em plenário e assinatura de atos fossem exercidas pela titular.
O mandato coletivo dedicou-se a temas como direitos das mulheres, igualdade racial, direitos LGBT, saúde pública e combate à violência. Carolina participou especialmente das iniciativas relacionadas à saúde e aos direitos das pessoas trans e intersexo.
Nas eleições estaduais de 2022, Carolina integrou uma nova candidatura coletiva da Bancada Feminista, formada por Paula Nunes, Carolina Iara, Simone Nascimento, Mariana Souza e Sirlene Maciel. O grupo recebeu 259.771 votos e conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ocupada formalmente por Paula Nunes.
A atuação do mandato estadual incluiu pautas de combate à discriminação, defesa dos direitos das mulheres e da população LGBT, segurança pública, habitação e questões ambientais. Carolina continuou a desenvolver iniciativas relacionadas à visibilidade intersexo e à saúde pública.
Em 2024, Carolina concorreu individualmente ao cargo de vereadora de São Paulo pelo PSOL, utilizando o nome eleitoral Carol Iara e o número 50000. Recebeu 20.431 votos, ficando como suplente, não tendo sido eleita para uma cadeira própria naquele pleito.
Em janeiro de 2021, Carolina comunicou à polícia a suspeita de que disparos de arma de fogo teriam atingido sua residência na Zona Leste de São Paulo. O episódio recebeu repercussão nacional e motivou pedidos de investigação e proteção por parte de organizações políticas e de direitos humanos.
Em março daquele ano, a Polícia Civil concluiu que não houve disparos de arma de fogo contra a casa. Segundo a investigação, os ruídos haviam sido provocados por fogos de artifício lançados no local por dois homens. A Bancada Feminista declarou ter recebido com alívio a conclusão de que não ocorrera um ataque a tiros, mas considerou que o episódio não afastava inteiramente a possibilidade de intimidação.