Cedibra (Companhia Editora Brasileira) foi uma editora localizada no Rio de Janeiro, na Rua Filomena Nunes, nº 162, que surgiu em finais dos anos 1960, inicialmente chamada de Bruguera, tratava-se de uma filial da Editorial Brugueraespanhola comandada por Francisco Bruguera, em Barcelona. Foi uma das editoras responsáveis pela acessibilidade popular aos livros clássicos, mediante a produção de livros a baixo custo e preços populares. Publicava livros de bolso, história em quadrinhos e albuns de figurinhas.
Entre as diversas publicações da editora, a coleção Livro Amigo surgiu como uma parceria com a Editoral Íbis, de Portugal, que era responsável pela impressão, era constituída por literatura de ficção brasileira e estrangeira, a maioria já em domínio público, e anunciava um novo título a cada 15 dias. As edições mais recentes passaram a referir a Cia Gráfica Lux como a responsável pela impressão dos livros. Houve várias edições, a grande maioria com poucos dados, sem apresentar data de publicação, e sem numeração de série. Em algumas edições, há a classificação A ou C, que corresponde a Obras Contemporaneas (A) e Obras Clássicas (C). A classificação seguinte corresponde à contida nos volumes Babbit (Sinclair Lewis, s/data) e O Guarani (José de Alencar, 1971), porém há divergências entre as diversas classificações, mediante o fato de nem sempre a editora fazer constar da obra a data da publicação, a edição em questão, e o número de série.
Alguns dos principais títulos do Livro Amigo:
A Voz Subterrânea, Fiódor Dostoievski. Nesse exemplar, o primeiro da série, há uma classificação de livros como “A” (Obras Contemporâneas) e “C” (Obras Clássicas). A Voz Subterrânea vem marcada como “C”. A tradução é de Natália Nunes e os direitos sobre a tradução foram cedidos pela Companhia José Aguilar Editora. Sem data de publicação.
O Processo de Nuremberg (Der Nürnberger Prozess), Joe J. Heidecker e Johannes Leeb, 1968, Adaptação para a grafia brasileira da versão portuguesa por Jaime Mas e Leite de Melo.
Ressurreição, Leon Tolstoi. Não consta o tradutor, e os direitos sobre a edição foram cedidos pela Companhia José Aguilar Editora. Foi composto nas gráficas da Editorial Íbis. Classificação “C”. Sem data de publicação.
A Guerra Civil Espanhola, 1936-1939, Hellmuth Günther Dahms, 1968. Tradução de Daniel Brilhante de Brito, do original “Der Spanische Bürgerkrieg”. Consta uma edição de 1962, pela Rainer Wunderlich Hermann Leins, e a presente edição pela Editorial Íbis, em 1968. Classificação “A”.
O Primitivo, Chester Himes (em algumas classificações consta como nº 7), tradução Luiz de Menezes Nazaré.
América, América, Elia Kazan. Tradução de Sérgio Augusto Teixeira, do original “America America”. Classificação “A”. Sem data de publicação, apresenta introdução de S. N. Behrman. Os direitos eram de Elia Kazan.
O Imoralista, André Gide. Tradução de Theodomiro Tostes, do original “L’Immoraliste”. A tradução foi cedida pela Editora Globo. Apresenta uma introdução, de Luiz Costa Lima, e uma súmula da vida e obra de André Gide. Os direitos são da “Mercure de France”. Classificado como “A”. Na capa, foto de Alair A. Gomes. Sem data de publicação.
Orlando, uma biografia, Virgínia Woolf. Tradução e introdução de Cecília Meireles, do original “Orlando, A Biography”. A tradução foi cedida pela Editora Globo. Apresenta uma súmula da vida e obra de Virgínia Woolf. O direito original é de “Leonard Woolf”. Classificado como “A” e não consta a data de publicação.
O Vermelho e o Negro, Stendhal. Tradução e introdução de Luiz Costa Lima, do original “Le Rouge et le Noir”, e os direitos da tradução são reservados à Bruguera, 1969. Apresenta uma súmula da vida e obra de Stendhal. Classificado como “C”.
As Vinhas da Ira, John Steinbeck. Tradução de Herbert Caro e Ernesto Vinhares, do original “The Grapes of Wrath”, cedida pela Editora Globo. Introdução de Otto Maria Carpeaux. Foi publicado segundo acordo com a “McIntosh and Otis, Inc”, e os direitos são de John Steinbeck. A capa traz ilustração de Liana. Classificado como “A”. Sem data de publicação, apresentado como nº 28.
Os Buddenbrooks, decadênciad e uma família (1º volume), Thomas Mann. Tradução de Herbert Caro, conforme original “The Buddenbrooks, Verfall einer Familie”, cedida pela Editora Globo. Introdução de Hildon Rocha. Direitos de Katharina Mann, Zurique. Classificado como “A”, apresentado como nº 30, sem data de publicação.
Os Buddenbrooks (2º volume), Thomas Mann. Tradução de Herbert Caro, conforme original “The Buddenbrooks, Verfall einer Familie”, cedida pela Editora Globo. Introdução de Hildon Rocha. Direitos de Katharina Mann, Zurique. Classificado como “A”, apresentado como nº 31.
Babbitt, Sinclair Lewis. Tradução de Leonel Vallandro, conforme original “Babbitt”, cedida pela Editora Globo. Introdução de Fúlvio Fonseca. Direitos de Harcourt, Brace & World, 1922 e de Sinclair Lewis, 1950. Sem data de publicação. Classificado como “A”, apresentado como nº 32.
Iracema, José de Alencar. Teve uma 1ª edição em 1970, e uma 2ª edição em 1971. A 2ª edição, impressa na Cia Gráfica Lux, apresenta uma súmula da vida e obra de José de Alencar e introdução de Gilda da Costa Pinto; apresenta também os últimos lançamentos comoBruguera, do nº 20 ao nº 50. A 2ª edição expõe, tabela de preços da Coleção Livro Amigo. Apresenta-se sob o nº 33.
Mrs. Dalloway, Virgínia Woolf. Tradução de Mário Quintana, do original “Mrs. Dalloway”. Introdução de Terezinha Fonseca. Direitos de Leonard Woolf. Sem data de publicação. Classificado como “A”.
Palavras e Sangue, Giovanni Papini, tradução de Mário Quintana, do original “Parole e Sangue”, cedida pela Editora Globo. Introdução de Alceu Amoroso Lima. Direitos autorais de Arnoldo Mondarori. Em algumas classificações consta como nº 30, em outras, como nº 34. Classificado como “A”.
O Morro dos Ventos Uivantes, Emily Brontë, tradução de Vera Pedroso, conforme original “Wuthering Heights”, 1971. Apresenta uma Notícia Biográfica sobre Ellis e Acton Bell e um Prefácio do Editor, por Charlotte Brontë. Foi editado em convênio com o Instituto Nacional do Livro. Apresenta-se sob o nº 44. Classificado como “C”.
Contos Escolhidos, Voltaire, tradução de Carlos Ramires, de acordo com o original “Contes”, 1971. Apresenta uma súmula da vida e obra de Voltaire, e introdução de Edmund Lys. Apresenta-se sob o nº 46.
O Guarani, José de Alencar. Edição de 1971, apresentada como “O Guarani, Romance Brasileiro”, precedida de “Como e Por Que Sou Romancista”, escrito por José de Alencar em maio de 1873. A edição foi preparada por Gilda da Costa Pinto. Apresenta uma classificação da coleção Livro Amigo trazendo o Guarani como nº 50. Apresenta notas do autor no fim da edição.
↑Nessa classificação o nº 50 é apresentado como “Exodus”, de Leon Uris, diferentemente de classificações anteriores, que apresentam como nº 50 O Guarani
HALLEWELL, Laurence (1985). O livro no Brasil: sua história. Coleção Coroa Vermelha, Estudos Brasileiros, v. 6. São Paulo: EdUSP: [s.n.] ISBN85-85008-24-5