| Chico Machado | |
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| Nascimento | 1964 Santo Ângelo |
| Cidadania | Brasil |
| Alma mater | |
| Ocupação | cenógrafo, escultor |
João Carlos Machado, mais conhecido como Chico Machado (Santo Ângelo, 22 de agosto de 1964), é um artista visual multimídia, curador de arte, músico e professor brasileiro.
Formou-se em pintura e desenho na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Tem especialização em Teatro Contemporâneo e mestrado e doutorado em Poéticas Visuais pela mesma universidade. Foi professor na Universidade do Estado do Rio Grande do Sul, na Universidade Federal de Pelotas e atualmente ensina no Departamento de Arte Dramática da UFRGS. Entre maio de 2021 e maio de 2023 foi coordenador da Comissão de Pesquisa do Instituto de Artes. Já fez parte da comissão julgadora do Prêmio Açorianos.

Iniciou-se nas artes visuais como quadrinista, participando da fundação da revista Kamikaze, que tinha uma proposta de criação coletiva, fazendo adaptações gráficas de músicas e apresentando comic clips. A revista se tornou emblemática no circuito das artes gráficas do estado, Leon Sanguiné a chamou de "antológica", e em sua dissertação de mestrado Eloar Guazzelli Filho assim a descreveu:
Depois de formado na UFRGS, passou a se dedicar mais à pintura, ao desenho e à escultura, logo assimilando uma ampla variedade de fontes da cultura erudita e popular. Também já trabalhou como cenógrafo, ilustrador e figurinista.

Foi membro da banda de rock alternativo Aristóteles de Ananias Jr., uma das mais notáveis bandas cult do estado do Rio Grande do Sul, participando como cantor, performer, cenógrafo, baixista e compositor. É de sua autoria uma das peças mais conhecidas da banda, a canção "Bico de Pato". A Aristóteles trazia uma estética inovadora para o contexto musical do sul, que tinha forte afinidade com os interesses de Chico Machado nas artes visuais: ela também fazia uma síntese entre a cultura erudita e a popular, que estruturava sobre uma base de rock derivado da Jovem Guarda e do rock dos anos 1960, materializada em apresentações performáticas, onde o humor e o improviso também estavam presentes. Sua proposta, na apreciação de Arthur de Faria, foi "a experiência musical mais radical feita em música popular nestas terras", e nas palavras de Eduardo Egs, "usando colagens de trechos de músicas, sobreposição de vozes e muito, mas muito atonalismo, o Aristóteles causou impacto na cena porto-alegrense. O trabalho da banda foi reunido em um CD lançado em 1996 pelo Grenal Records, selo do próprio Marcelo Birck [o líder da banda]. Hoje [2006], passados dez anos, ainda impressiona ouvir as experiências sonoras desse registro".

Desenvolve recentemente nas artes visuais um trabalho que incorpora diferentes materiais, meios e referenciais estéticos, caracterizado pelo hibridismo, com ênfase na apropriação de elementos da cultura de massa em diálogo com a tecnologia. Muitas de suas obras são interativas, cinéticas, sonoras ou manipuláveis, convocando o espectador a participar do ato criativo, integrando vídeo, som, pintura, desenho, animação, performance, escultura e outros elementos organizados como instalações. Já realizou numerosas exposições individuais e coletivas no estado e no Brasil. Em 2025 foi selecionado para a Bienal do Mercosul. Quando venceu o Prêmio Aquisição do V Salão Nacional Victor Meirelles, o Juri assim justificou a escolha:
Na ocasião, um dos jurados, Nelson Aguilar, comentou sobre a imprevisibilidade que caracteriza a arte contemporânea: "A gente nem sabe que formato a obra de arte vai assumir. De repente aparece, por exemplo, uma obra instigante como os objetos de Chico Machado, espécies de geringonças que são muito transgressivas. A arte contemporânea é isso, uma surpresa contínua". Sobre a necessidade da interação física das obras de Chico Machado com o público, por ocasião da individual Aparelhos que Fazem Zóing!, realizada em Porto Alegre em 2014 na Fundação Ecarta, Leo Felipe escreveu:



Os seus objetos assumem de fato formas imprevistas, como assinalou Aguilar, com um impacto visual aumentado pelos contrastes entre a materialidade de seus componentes. Muitas de suas obras individuais combinam materiais dependentes da artesania pessoal do artista, como placas de madeira serrada à mão e superfícies pintadas, com componentes retirados da tecnologia, como fios de arame, cordas, circuitos elétricos que fazem lâmpadas se acender ou piscar, sons serem emitidos, imagens surgir e se mover pelo espaço da sala ao comando do espectador, e não só do artista, que parece estar ali mais para oferecer meios para a expressão da fantasia do próprio público do que para ensinar autoritativamente um dogma estético ou angariar devotos, sugerindo antes um jogo, uma brincadeira, em que se é convidado a participar apenas se for dar prazer para todos — significativamente, ele prefere usar o termo usufruidor antes do que espectador. Nas suas grandes instalações recentes a vivência concreta da obra, do momento, do espaço, do prazer da co-criação, pode só existir com o auxílio de uma tecnologia mais sofisticada do que aquela que levou o homem à Lua, e no entanto ela não é dominante, pois intimamente associados aos circuitos, softwares digitais e telas de vídeo, estão objetos de forte presença espacial e visual realizados com uma artesania semi-improvisada, que o autor chama de low tech, em oposição à high tech dos computadores, e que remete diretamente ao artesanato popular, e deriva muito do seu apelo visual da rusticidade intencional de peças de madeira serradas e assembladas à mão, que permanecem com irregularidades no desenho, pregos aparentes, pinos à mostra, às vezes com algumas farpas soltas, pintadas com grossas camadas de tinta a óleo ou apenas sujas de uns restos aquarelados de cores, agregando materiais inespecíficos e improvisados, objetos prontos usados para fins diferentes dos planejados pela indústria. Os objetos finalizados e postos à disposição do público são máquinas utilizáveis de formas semi-orgânicas, semi-mecânicas, que lembram algo que já vimos mas não remetem especificamente a nenhum objeto conhecido, e que ao mesmo tempo são tão bizarros quanto únicos.
Entre as suas referências na cultura visual erudita estão por exemplo Abraham Palatnik, Hans Arp, Alexander Calder, Bauhaus, Jasper Johns, Robert Rauschenberg, Robert Morris, Hélio Oiticica, Carl Andre, Frank Stella, Jean Tinguely, Guto Lacaz, Lygia Clark, Francis Picabia e outros das escolas modernista, dada e contemporânea. Esta variedade indica sua preocupação recorrente pela síntese, combinação e colagem de formas e propósitos conflitantes ou complementares, que almejam um impacto inspirador e instigante em parte pelo choque, pela surpresa agradável ou desafiadora, suscitada por encontros tão improváveis, e em parte até pela exposição visível das entranhas do próprio processo criativo que deu nascimento às peças, deixando traços de todas as etapas de formalização na obra acabada, na expressão material e formal final dos objetos. Todos esses argumentos, procedimentos, indagações e motivações estão no centro da atividade criativa de Chico Machado, expressando-os em seus escritos teóricos. Ele explica o sentido de low tech para si:



Ele resume sua "técnica" na abertura de sua dissertação de Mestrado, intitulada Máquinas Imprecisas: materiais, procedimentos e imaginário em aparelhos mecânicos de arte: